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CENA 1- Externa dia
Plano geral de uma escola. As crianças entram fazendo aquela algazarra em meio uniformes e merendeiras para todos os lados.
A câmera mostra o esquadrão de vendedores na porta da escola. Vende-se de tudo. Sacolés, balas, chicletes, brinquedos, milho, pipoca, algodão doce, e todo e qualquer tipo de coisa que chame a [...]
A morte é uma curva na estrada.
Morrer é só não ser visto.
Fernando Pessoa
Gil carimbava os documentos se sentindo completamente liberto daquela estranha maldição. Jurou para si mesmo que jamais abriria a boca sobre os insólitos fatos acontecidos naqueles últimos dias.
A cada hora que passava sem o maldito chiado, ele ficava mais [...]
Gil apenas ouvia a morte falando na sua cabeça. Enquanto os homens desciam o caixão, e as tias velhas choravam copiosamente abraçadas, Gil ouvia e balançava sua cabeça afirmativamente. Tal qual uma vaquinha de presépio.
-Vamos lá, Gil. O serviço é agora. A encomenda precisa ser entregue.
Gil virou-se e saiu à francesa.
Caminhava a passos largos na [...]
Gil não podia acreditar no que aquela voz dentro da cabeça dele falava.
Outro serviço? Como assim? Já não bastava uma morte? Uma encomenda?
Mas a voz continuou com seu tom elétrico monocórdio, quase que como uma interferência ou linha cruzada de telefone:
-Anota aí. O novo endereço é um shopping. Fica na Vila Marina. Sabe aquele shopping [...]
Ele chamava Gilberto, mas todo mundo só chamava aquele cara de Gil. Gil tinha 47 anos e trabalhava numa repartição anexa ao tribunal de contas. Seu trabalho era conferir seis assinaturas por contrato, verificar cada página em busca de erros e por fim, desferir seis carimbadas diferentes e encaminhar para o setor seguinte, o do [...]
Eu estava trabalhando no blog, tentando corrigir um erro maluco no tema quando a campaínha tocou. Eu achei aquilo meio estranho, uma vez que o porteiro costuma avisar que tem alguém querendo subir. Fui até a porta certo de que era um daqueles enganos onde o cara aperta sua campaínha pensando que é o interruptor [...]
Caro Senhor Philipe,
Meu nome é Rogério. Eu tenho acompanhado atentamente sua série de textos intitulados “O relato de um MIB”. Tenho certeza que o senhor recebe inúmeros emails como este, fazendo perguntas e lançando interessantes questionamentos sobre a veracidade dos dados embutidos no seu “conto”.
Eu gostaria de fazer apenas uma ou duas colocações que julgo [...]
Philipe,
Desculpe a demora em responder suas mensagens. Eu estive viajando. Os últimos meses tem sido movimentados com respeito ao tráfego hotel. Vi suas várias mensagens aqui na minha caixa. Preciso pedir desculpas, pois nossos últimos emails tem sido sempre corridos e com poucas informações. Eu pretendo sanar isso com as próximas mensagens, onde darei [...]
Droga, o baseado acabou. – Pensou ele.
Raul estava só. Era uma madrugada de quinta-feira e lá na rua não se ouvia nada. Só de cueca e sem camisa no meio da cozinha, o cabelo todo desgrenhado, com o pote de maconha vazio nas mãos e ouvindo um antigo disco do Elvis, cheio de ruídos, que [...]
Philipe, aqui vai o video. Eu não estou com muito tempo, então já peço desculpas pela brevidade desta mensagem. Como eu falei no email anterior, colocamos uma camera de vigilância no quarto do Juca. De alguma maneira ele interfere na câmera, gerando um tipo de mal contato. Acreditamos que ele esteja emitindo alguma forma de [...]





