
Quem tem boba atômica é intocável. Enéas estava certo.
Quando o Saddam invadiu o Kwait, o Tio Sam na figura de G. Bush pai, logo pulou nas tamancas e iniciou uma guerra pela “libertação” do país oprimido pelo bigodudo maldoso. E uns anos depois, o filho do cara foi lá e acabou com o serviço, destruindo quase completamente o Iraque e matando o Saddam. E as estatísticas mostram que a chacina foi firme: 4000 soldados americanos mortos. O povo fica horrizado. Notícas espocam na CNN e demais canais.
“É uma desgraça!” - chora a sociedade americana pelos negros pobres que são mandados para a guerra. 4000 jovens norte-americanos que não voltarão para casa nunca mais.
Só que ninguém comenta é quantos iraquianos morreram:
Se forem incluídas as estimativas de outras mortes, não quantificadas - de rebeldes, da invasão militar do Iraque em 2003, as mortes não assinaladas individualmente pelos meios de comunicação ocidentais, e os que morreram em consequência de ferimentos - então o número de total de mortos pode ir a cerca de 180 000.
Fonte
4000 soldados dos EUA contra as 180.000 pessoas variadas, civis, inocentes, mulheres, crianças, etc. Uma puta duma desgraceira que faz juz ao custo:
…custaram aos Estados Unidos mais do que o necessário para liquidar as dívidas externas de todas as nações pobres do planeta.
A justificativa oficial para tal bestialidade é que os EUA estavam preocupados com o fato de Saddam ter armas de destruição em massa e seu perigo de usar o suposto armamento contra países vizinhos. Os EUA sabiam que o Iraque era uma ameaça a paz mundial. E por isso, Tio Sam foi lá e invadiu. Sim, porque os americanos pensam que a águia que os representa até nas moedinhas é a verdadeira portadora da liberdade. Ocorre que a águia é uma assassina nata também.
Mas calma aí…
Quando o Kosovo se declarou independente, todo mundo reconheceu e apoiou aquele ato. Mas Condenam a Sérvia por querer se impor e impedir. Não é estranho isso?
Então temos a China, que resolve dominar o Tibete usando como argumento que o país era pobre, miserável e com economia de subsistência. Ok. Era uma merda? Era. Não duvido. Mas isso justifica a anexação de território? Se é pra dominar país que é pobre então a essa hora a África já foi toda loteada…
Cadê o Tio Sam para falar alguma coisa? Nada. Nem um pio. Mansinhos, mansinhos… afinal, a China é alguma coisa bem mais parruda que o Iraque. Não é de bom tom mexer com o país com o maior exército do planeta. Um país onde se todos os indivíduos cuspirem ao mesmo tempo, ocorre um fenômeno das cataratas do Iguaçu de cuspe…
Então o povo se revolta e começam as idéias sobre um boicote à China.
Eu acho que a gente realmente tem que ter uma postura crítica com relação às questões políticas da China. Qualquer pessoa de bom senso concordará comigo que os Chineses são um mau exemplo para o mundo em milhões de aspectos. E que são bons exemplos em muitos outros. Eu acho que concordamos que a China abusa do poder ao dominar o Tibete, ao limitar o acesso à informação pelo povo e ao controlar com punhos de aço (e bala na nuca paga pela família) os opositores ao regime.
Agora, só pelo fato de que eu acho uma filhadaputice a China tomar um país que não é dela, colocar crianças para trabalhar em fabricas sob grotescas condições de trabalho, além de piratear deslavadamente material registrado além da monstruosidade suprema de comer cachorro, não significa que devo boicotar os produtos de lá.
Eu não sei. Tipo, imagina se eu estou aqui, tentando levar a minha vida calmamente, fabricando meus sapatos para vender como meu pai, meu avô e meu bisavô fizeram. Eu exporto o meu trabalho e estou ganhando uma graninha. Aí, do nada, no melhor estilo Hugo Chaves de ser, o Lula resolve invadir o Paraguai.
Daí o mundo começa a comentar como são péssimas as escolas do Brasil, como é feio ter crianças nas ruas mendigando comida, como é feio um país com presídios superlotados e condições sub-humanas com uma pena de morte velada que só afeta os pobres. Como é obsceno o universo político do Brasil, etc.
Daí, todo o mundo começa a me escurraçar porque eu sou brasileiro. Começam a falar que eu sou sacana, e que vão boicotar os meus sapatos. O meu ganha-pão.
Então eu me vejo naquela situação de que olho para cima e vejo um governo de merda. Olho para os lados e vejo as pessoas boicotando o meu ganha-pão porque são contra o governo do meu país.
O problema, meus amigos é que nós humanos tendemos a generalizar tudo e todos. Queremos colocar gato e lebre no mesmo saco só porque os dois tem pêlos.
Nem toda fabrica da China explora o trabalho infantil. Nem todo chinês é filho da puta. Nem todo produto de lá é pirata ou é quinquilharia.
Eu acho que temos que lutar e pressionar sim, para que a China reveja suas políticas internas e externas. Um bom exemplo de como obter isso é pressionando para que os Chineses mudem uma série de coisas para ingressar na OMC.
Na minha opinião, os Jogos Olímpicos não deveriam ser usados como plataforma de disputas e protestos. Até porque eles não são propriedade de nenhum país. OS jogos ocorrem em países diversos. Se cada país com conflitos for boicotado nos jogos olímpicos, como é que vai ficar? Não vai ter mais as Olimpíadas?
Os protestos, sobretudo os violentos, no meu entender vão em sentido completamente oposto ao conceito dos jogos olímpicos originais. Se um protesto sobre isso tivesse que ser feito, ele deveria ter sido feito quando a China foi candidata a sediar os jogos.
Vamos pensar para além dos nossos umbigos. Pensemos no atleta.
A vida do cara é toda dedicada para isso. Um bando de outras pessoas que tem seus empregos e trabalhos independentes do esporte, podem achar super-legal boicotar os jogos olímpicos porque a China é boba, feia, má. Mas e o atleta? É justo com o infeliz do atleta que -no nosso país- nem tem incentivo direito para se aperfeiçoar, e impedí-lo de competir porque os jogos acontecem na conturbada China?
A verdade é que é fácil falar quando não estamos envolvidos.