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Arraste-me para o inferno
Outro dia eu fui no shopping buscar uma calça que deixei para fazer baínha e acabei indo pro cinema com ela (a calça) Olha que tosco: Fui descobrir que o filme é do criador de “Evil dead” nos créditos! O filme é legal. (veja, legal é diferente de bom, que é bem diferente de ótimo) Com alguns sustos maneiros que me divertiram (por ver uma menina que gritava como se estivesse sendo possuída a cada susto, ao lado do namorado emo, que desmunhecava feio a cada aparição da velha, que por sua vez é de longe a melhor atriz do filme, hehehe) Tirando os exageros que só podem ser propositais, é um filme que mistura bem humor e terror, como dificilmente conseguimos ver. Não achei que chega aos pés do Evil Dead, (uma noite alucinante) que consagrou Sam Raimi, mas dá pra ver umas referências veladas do Evil nele, como numa cena em que uma xícara ri de forma histérica. O que mais me impressionou e arrisco dizer que foi bastante enriquecedor, foi perceber a importância do som numa obra de terror. O chato é que lá pelo meio você já sabe que quando o som ambiente da cena começa a baixar de volume, vem uma marretada com toda força nas suas orelhas. O chato de ver filme de “terrir” é que eu sempre saio com vontade de fazer um filme de terror, no melhor estilo Glauber Rocha, embora reconheça que cinema é coisa séria, um negócio caro e que não deve ser encarado apenas como “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”. Falando em cinema do medo, resolvi elencar aqui os dez filmes que mais me deram medo na vida: 1- A profecia Menção honrosa: Pague para entrar e reze para sair
Mestres do hiper realismo
Desde que o homem começou a se manifestar artisticamente, um ou outro hominóideo se destacou, representando animais e criaturas daquele universo de forma mais realista. (aviso: este post contém muitas imagens!) Aqua Rex – Parte final
Finalmente. Chegamos na parte final do Aqua Rex. Quero começar agradecendo a paciência dos leitores em esperar esta última parte ser colocada no ar. A coisa toda demorou porque eu nunca tinha tentado fazer um boneco complexo em plena mudança. (Experiência que eu veementemente não recomendo a ninguém, hehehe) Na parte final, nós vamos trabalhar a base do monstro. Embora eu tenha finalizado a pintura do monstro na parte 4, a parte 5 é fundamental, porque eu não queria ter apenas um boneco do monstro sobre uma base lisa. Eu queria criar um micro ambiente para ele, afinal o Aqua Rex é um animal altamente adaptado a um meio natural específico. Assim, me dediquei a pensar num ambiente lacustre, uma coisa que oscilasse entre uma praia de mangue e uma beirada de açude. Um tipo de ambiente que remetesse a pântanos e coisas do tipo. O primeiro passo é escolher uma base de madeira que sirva bem e tenha espaço suficiente não só para o monstro, como também para a ambientação. Escolhi uma base oval, de modo que eu pudesse posicionar o corpo do monstro em ângulo, criando duas posições básicas de “leitura” da peça: Lado A e lado B.
Este post tem MUITAS IMAGENS!
Aqua Rex 4 – Finalização e pintura
Ufa, depois de um jejum de blog estou de volta com o Aqua Rex. O motivo da minha sumida foi o de sempre: Muito trabalho e pouco tempo para blogar (entre outras coisas). Agradeço de coração aos persistentes leitores que voltaram diariamente para ver se teve update. Finalmente, aqui está ele! Voltando ao monstro, como sempre faço, aqui estão os links para os posts anteriores: Bom, nesta fase o que eu faço é criar detalhes. Não há limites para a criação de detalhes, é possível ficar lambendo um modelo ad eternum, mas o meu problema é que eu simplesmente não tenho tempo para isso e tenho que terminar esta peça meio as pressas, porque vou ter que me mudar e tenho que desocupar meu escritório para ontem! Assim, o que eu fiz foi colocar micro-escamas em algumas partes do modelo. Usei para isso uma velha lapiseira 0.7
Faço bolinhas bem pertinho umas das outras e depois uma camada rápida de álcool isopropílico dá a organicidade necessária para quebrar o aspecto fajuto das bolinhas.
Em seguida, coloco escamas maiores, dou uma ajustada em uma coisinha aqui, outra ali. Quando eu acho que já está tudo legal, eu levo o boneco para o forno. O forno é o forno caseiro, o mesmo forno que eu tenho na cozinha e uso para fazer pizza, bolo, lasanha, etc. Esta massa seca com 180graus. Depois que endurece, ela pode ser lixada, pintada, serrada, enfim, é como se o boneco ficasse de plastico. (aliás, é literalmente isso que acontece, pois no forno a cera que reveste os micro-grãos de plastico evapora e o plastico PVC se funde, deixando o boneco duro e leve) O tempo que a peça fica no forno varia diretamente de acordo com a quantidade de massa, o volume da peça. Basicamente eu não tenho formula magica para isso, então eu acampo na frente do forno e fico olhando atentamente a peça assar. Essa levou uns 20 minutos para ficar pronta. Quando eu penso que a peça está pronta, tiro ela do forno e deixo esfriar.
Note que a cabeça, uma área que tinha menos massa e nao estava protegida pela área da base, ficou mais tostadinha (hehe) Isso é normal e acontece porque os fornos a gás do Brasil são muito mais quentes que o necessário. Agora começa a fase da pintura. Aqui está uma parte do material que eu uso para pintar o boneco.
O ideal seria usar aerógrafo. Eu tenho dois, mas não uso. Eu gosto mesmo é do bom e velho pincel, mas recnheço quye o aerógrafo é uma mão na roda para certas peças (como esta). Mas como meu intuito era criar um passo-a-passo genérico o suficiente para ser repetido por algum leitor corajoso, concluí que seria melhor usar materiais mais simples, pois além de custar caro, o aerógrafo exige um certi conhecimento e habilidades específicas para ser corretamente utilizado. Além disso, o meu compressor paasche é muito barulhento e (reconheço) sou preguiçoso pra caramba para usar o aerógrafo, já que limpar ele é um saco. O primeiro passo na pintura é criar um tom de verde específico. Eu criei o tom usando sombra natural acrílica com verde vessie e branco de artesanato. O resultante foi este tom “catarro” aqui:
Pintar é uma etapa emocionante, pois é fácil esdruir um modelo. Basta escolher a cor errada. Sem falar quando é um boneco único. Ou seja, errou, já era! Eu pinto todo o boneco neste tom base. A finalidade do tom base é criar uma área de uniformidade na peça, para que em cima seja construída camada a camada os tons de pele. Depois de um bom tempo, e do intensivo uso de um pincel cônico de cerdas longas e macias, o monstro estava assim:
A cor base dá uma unidade que permite ver melhor os detalhes e entender a peça. (sobretudo esta, que estava construída com massas de várias cores) Mas este verdão está com os dias contados, afinal, esta é a primeira de uma longa linha de camadas que somam 8 no total. Em seguida, sobre esta camada base eu aplico uma camada de marrom escuro. O marrom escuro não é aplicado em toda a peça. Ele é aplicado até uma determinada “profundidade” do modelo. Ranhuras mais fundas permanecerão com o verde. (não sei porque. Achei legal fazer isso)
Minutos depois estava assim. Agora ele começa a ganhar um pouco mais de vida. Usei um secador de cabelos para acelerar a secagem da tinta. Feito isso, eu aplico uma camada de tinta mais clara, bem diluída sobre a peça. Isso ressalta os detalhes, pois a aguada penetra e se acumula nas ranhuras do “couro”.
Após acelerar a secagem com o secador, ele estava assim. A pele nesta fase lembra a de um elefante.
Então uma camada de tom amarelado (assumo que me inspirei no jacaré do papo amarelo do pantanal) vai na parte do abdômen.
Com um pincel seco eu vou esfumando a tint ainda líquida, mesclando os tons, como ficariam naturalmente com o uso de um aerógrafo de dupla ação. Feito isso eu entro com um novo tom de marrom em tecnica de pincel seco.
Usando o pincel seco dá pra simular bem a passagem de tons.
Em seguida entro com mais três camadas de tons diferentes. Uma para cada área. Temos ali tons diferentes de verde, que operam em conjunto com o marrom, para gerar uma sensação de transparência, de envelhecimento da pele. Como se o monstro trocasse de pele, sendo as partes “protegidas” do sol mais claras que as áreas externas. Ele também tem tons de dorso que lembram troncos. Pensei em fazer assim porque uma criatura dessas tem que ser furtiva para pegar a presa num ataque súbito. Ele teria que agir como o crocodilo das everglades, se aproximando bem lentamente, com apenas uma parte do corpo para fora da água. Isso justifica que seu dorso seja mais escuro, mais queimado e ressecado que o resto. tentei simular isso usando tons de cores variados, mas sempre tomando o cuidado para não “carnavalizar” o boneco. A iluminação da foto não ajuda muito a ver os tons sutis. Mas é mais ou menos assim:
Não dá pra ver muito bem na foto acima, mas ele tem umas variações escuras em forma de linha, como as cobras. Ele é meio rajado. Em seguida eu pinto as membranas. Inicialmente eu pensei em fazer as membranas com outra massa, translúcida e tal, mas a preguiça e o estado das massas translúcidas (duras como pedra) me impediram. Resolvi tentar solucionar na pintura.
Assim, as membranas todas são pintadas de tons claros, buscando um degradê na parte central. Tipo isso:
Então, parti para a boca do monstro. A boca é uma parte interessante da anatomia de dinossauros, sobretudo carnívoros. Usei diversos tons de rosa para as gengivas, palato e língua. Os tons vão do rosa ao roxo. Os dentes não são brancos e sim creme bem claro. Usei uma camada de ocre clareado para dar um “tártaro” os dentes do bicho, afinal, ele não sabe o que é escova de dentes.
Pinto também as guelras.
Com um pouco de vermelho de cádmio eu dou uma avermelhada de leve nas membranas.
O passo seguinte é pintar os olhos.
Os olhos são pintados imitando os olhops de um peixe. Eles são propositalmente esbugalhados. A frente é plana, para facilitar a pintura. Mas isso é um belo macete. Após criar o degradê central, de um amarelo bem claro até um tom laranja escuro, pinto a pupila de preto. O segredo vem agora: Seco o olho com secador de cabelos e preparo uma quantidade ínfima de resina de poliéster. Misturo bem e deixo gelificar. Quando a resina está dando pega, eu raspo ela com um instrumental e pingo uma gotinha sobre o olho. Como ele é plano, a gotinha adere pereitamente e devido à tensão superficial, ela forma uma espécie de “lente”, que dá um efeito realista no olho.
Após fazer isso, pinto as unhas de preto. Mas não basta pintar de preto, pois fica fajuto.
Faço então um acabamento de cores que vão da “lama” à “sujeira ressecada da beira do rio” e cubro as unhas. Dou um tempo para secar um pouco e com os dedos eu raspo essa tinta. Fica então uma espécie de unha envelhecida, meio carcomida.
Depois que a resina do olho seca bem, eu uso um instrumental para arrancar o globo ocular do monstro.
A razão disso é que o bicho é um predador. E predadores olham para a frente. A visada dele é fundamental. Então eu vi que precisava reposicionar os olhos de modo que ele parecesse decidido e ameaçador.
Com epoxi eu crio as pálpebras. Depois é só pintar ali.
E está pronta a parte da pintura do monstro.
É isso. Espero que estejam curtindo tanto quanto eu. Na próxima parte: Modelando o ambiente na base. Não perca.
A arte fotorrealista de Jeremy Geddes
Eu achei fenomenal o trabalho de Jeremy Geddes. Acredite ou não, essas imagens deste post são pinturas a óleo sobre tela.
O trabalho vale muito a pena e é primoroso. Muitos deles mostram ujm claro estilo que vai além do simples ultra realismo. Adorei a série de pinturas de zumbis.
Aqua Rex parte 3 – O acabamento
Aqui estou eu novamente com mais um post da série Aqua Rex. Quem perdeu, aqui estão os episódios anteriores: Na parte três eu peguei o boneco que foi feito com varias massas diferentes, com um acabamento grosseiro e a partir dele vou criar a “pele” do monstro. O boneco estava meio “alisado”.
Então o primeiro passo é começar a cortar a pele do monstro em uma série de padrões orgânicos. Os cortes são feitos seguindo a intuição.
Aqua Rex parte 2 – Cobrindo com massa
Dando continuidade ao Aqua Rex, ( se você ainda não viu os posts anteriores, aqui está o conceito e aqui está o esqueleto) chegou a hora de começar a meter massa em cima da estrutura. Minha massa estava velha, parada por muito tempo e me deu um certo trabalho ter que marretar ela até que ela ficasse mole novamente. Começo a parte de massa com a cabeça do monstro. A cabeça é crucial para qualquer peça. Não adianta ter um boneco com ótimo corpo e cabeça tosca. Se eu tivesse que dividir o peso de importância de partes do boneco, eu diria que o corpo tem peso 6 enquanto a cabeça e as mãos tem peso dez. Mas isso não é nada científico é só uma opinião minha mesmo, baseada na pratica com miniaturas de chumbo de 25mm.Começo a cabeça com uma bola de super sculpey. Com as mãos eu vou ajustando a forma dela, apertando dos lados, na frente, em cima e embaixo, até ela pegar a forma da cabeça do monstro. Nesta fase , é importante ficar de olho na referência para não ficar muito diferente. Mas é fato que igual, igualznho, tipo xerox é mais complicado. Como esta peça não é comissionada nem nada me obriga a fazer exatamente idêntico ao conceito, me sinto mais relax para fazer do meu jeito.
Eu marquei a área dos dentes com um corte na massa. Nesta peça resolvi inovar e não modelei os dentes separados. Eu cortei eles entalhando na príopria massa. O resultado pratico disso são dentes mais firmes, mais aderidos à estrutura, pois são parte dela e bem mais tempo esculpindo, hehe.
Aqui eu marquei a área de cada dente e começo o lento trabalho de modelar cada um deles, e depois fazer a gengiva. Esta parte é muito trabalhosa, mas é gostoso, não nego.
Alguns minutos de diversão depois, já estava assim. Faltava ainda a parte debaixo. Tentei encontrar uma referência de dentes que fosse uma forma intermediária entre os dentes da baleia (que não é baleia) orca e os de um Trex original. Então saiu estes dentes que são cônicos, levemente inclinados para trás, porém, mais curtos. |
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