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Águia de aço – aventura no cinema

Eu tinha ido ver o filme água de Aço com meu primo Guilherme (aquele do episódio pitoresco do cemitério) toda vez que a gente se juntava dava alguma merda. Foram dezenas de merdas de todos os tipos ao longo da juventude.
Naquela tarde de sábado fomos ao cinema ver um filme chamado “Águia de Aço”. Era aquele tipo de filme de caras durões pilotando jatos com bombas explodindo jipes. Uma coisa que precedeu Top Gun. Nós chegamos cedo. Era época de férias e a fila para ver o Águia de Aço era enorme. Uma molecada doida. Eu estava totalmente interessado em ver os combates. Naquele tempo eu montava aviõezinhos de plástico da Revell e sonhava em ser piloto de caça. Escolhemos meticulosamente o lugar para assistir o filme. Bem no meio da tela. Quando nós sentamos, estávamos eu de um lado, o Guilherme do outro e o Tio Arlindo, que levou a gente no cinema no meio.

Entrou um casal e sentou bem na frente do Guilherme e do Tio Arlindo. Eu sorri por dentro, porque eu sabia que geralmente o lugar ao lado de casais costuma acabar vazio. Estava tudo perfeito. Na minha frente, apenas a tela.
Quando começou o trailer, eu já não podia conter a emoção. Faltavam poucos segundos para a emocionante perseguição de jatos começar.
Bem… Já ouviu falar de “lei de Murphy”?
Pois é. Entrou um cara com um cabelo que era igual ao do SideShowBob dos Simpsons. lentamente ele entrou pelo canto da minha visão periférica e ocupou todo o espectro visível com sua cabeleira de dar inveja ao mais imundo dos esfregões de chão do Mc Donalds.
Bem assim ó:

sideshowbob Águia de aço   aventura no cinema
Onde que o puto sentou? Isso mesmo, na MINHA FRENTE. O pior é que quando o cara sentou o cinema tava lotado. Já não rolava mudar de lugar.
Resultado, tive que ver o filme que eu tava LOUCO pra assistir atrás daquele TUFO de cabelos que era igual a um coqueiro.

Eu não lembro de praticamente nada daquele filme. Só de uma coisa. Do puto do cabelo duro e do episódio do milho.

No meio do filme, havia uma cena em que rolava um bombardeio. Um jipe saiu capotando. Eu sentia que ia cair sangue em mim. Lembro que só voltei a me sentir assim na cena a pancadaria generalizada do filme Coração Valente, anos depois.
Um jipe explodiu, virando cambalhotas em chamas na tela e subitamente, uma coisa molhada caiu no meu colo.
Eu quase morri do coração. Achei que era o braço do motorista do jipe. Mas não. Era pior.

Era um milho.

Bem, um sabugo de milho, totalmente comido. Algum filho da puta tacou o milho pro ar e caiu bem no meu colo. Agora veja você. Com aquela porrada de cabeça no cinema e o milho infectamente babujado cai no colo de quem? No meu.
Como se não bastasse isso, tinha aquele corno alto na minha frente.
Eu comecei a sentir uma raiva… Uma raiva filha da puta, que foi crescendo, crescendo… me absorvendo, até que enfim eu peguei aquela porra de milho e desferi uma PORRADA COM TODA FORÇA na cabeça do SideshowBob bem na minha frente. Foi um porradão violento. Sem piedade. E em seguida abaixei e fiquei com cara de quem tava vendo o filme. eu não olhei nos olhos dele para não me incriminar. Olhava ao longe como se visse compenetradamente o filme.
O Side Show Bob levantou da cadeira. Ele devia ter uns dois metros, fora o tufo. Ele olhou pra trás. Lá pra trás. Bem pra trás. Tentou gritar:
- Quem foi o filho da puta que jogou esse milho???
Eu, incólume continuei quietinho. O povo do cinema começou a vaiar o cara que levantou gritando para sentar e tal. E ele sentou. Aliás, ele praticamente deitou na cadeira e enfim eu pude ver a cena final e um pedaço dos créditos.

Projeto Boneco do John Locke – LOST – parte 11

Olá pessoal. Estou de volta com o último post do projeto do boneco do John Locke.
Finalmente acabou!

Vamos ao passo-a-passo.

A primeira coisa a fazer é colar os braços de volta em cada escultura. Para isso eu uso dois métodos. Um é usar a boa e velha super bonder.
Com ela eu colo os braços rapidamente, mantendo a posição. Em seguida, eu uso durepoxi para reforçar os vãos existentes entre as duas partes. O durepoxi calafeta essas gretas e faz a ligação ficar melhor entre a parte no interior da manga da camisa e o braço. Infelizmente quando eu fiz isso, precisei usar as duas mãos e não pude fotografar.
Terminada esta etapa da colagem dos braços, eu posso pintar o Locke.

Primeiro eu preparo a área de trabalho trazendo a placa de pintura de volta. Isso evita que eu suje a mesa e leve bronca da primeira dama.
Ali estão os bonecos, esperando sua vez de entrar na tinta.
 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11
A primeira coisa que eu faço é dar uma geral neles em busca de buracos e imperfeições causadas pela minha fôrma maldita. Cada buraco deve ser tampado com durepoxi. Isso é um saco. Quando os buracos são muito pequenos, é virtualmente impossível de fazer isso. Então é normal e aceitável quando o boneco tem buraquinhos bem pequenos, porque na maioria das vezes, a tinta cobre eles.

Eu costumo usar uma regra de pintura onde começo sempre do que está em baixo e vou cobrindo até a última parte, que geralmente é um chapéu ou detalhe das roupas. Costumo fazer assim, porque isso evita que a camada superior seja suja com a tinta da camada inferior caso o pincel esbarre.
No caso do Locke eu mudei isso um pouco. Comecei pela calça, que é a parte mais vasta da peça.
A pintura base foi feita misturando três tipos de tinta acrílica e uma estilográfica. Branco fosco com creme brilhante e um pouco de marrom fosco com uma gota de tinha preta de nankim da Trident (que é uma merda!). Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11
Misturei bem e fiz uma boa quantidade para a mutueira de bonecos que eu teria pela frente.
Então nessa primeira camada, é só a base. Ela funciona como uma espécie de camada inicial onde as demais vão sendo aplicadas em cima, usando diferentes tipos de técnicas de pintura. Com a ajuda de um secador de cabelos, pude acelerar esta etapa. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11
Quando a tinta seca o branco fosco afeta o brilho do creme brilhante e a cor fica bem fosca. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11 Depois de seca a base da calça eu entro com uma aguada de tinta creme com marrom. Como o nome diz, a aguada é uma pincelada bem molhada, com a tinta bastante diluída. O objetivo desta camada é aumentar a profundidade de cor na calça, dando a ela uma variação de tom nas reentrâncias e detalhes. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11

Veja aqui a diferença entre a peça com a aguada e outra só com a base.  Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11A peça pintada só com a base parece um brinquedo. Tem aquele aspecto artificial de uniformidade de cor.

Feita a calça, eu vou para a camisa.  Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11Nela eu uso uma camada base de tinta branca fosca. Isso porque a camada subseqüente terá variações tonais em transparência. Se eu não aplico esta camada de base branca, a peça vai ficar super estranha, com a cor puxando para escuro por causa da resina que está em baixo. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11
Uso o secador para acelerar a secagem da tinta e em seguida aplico a camada de ocre acrílico fosco. Ela fica bem luminosa quando aplico, mas quando seca ela perde 50% da cor. Em seguida eu misturo o mesmo ocre com tinta cinza e um pouco de preto. Isso gera a cor de sujeira cascuda que tem a camisa do Locke. Misturo bem e aplico em aguada, retirando o excesso com um chumaço de papel higiênico. O papel higiênico é o melhor amigo do pintor de bonecos, porque ele é super barato, e absorve bem a tinta, tornando o processo mais eficiente. O fato de ser descartável evita ter que lavar mil paninhos. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11
A camisa do Locke tem manchas escuras em algumas partes. ( algo que não é de se estranhar, dada a felicidade do cara com a chuva torrencial da floresta e a mania dele de se enfiar em buracos, escalar penhascos e explodir as coisas)
Para fazer isso eu misturei um pouco mais de ocre com bastante preto, gerando uma cor de burro quando foge bem escura. Esta cor foi aplicada em algumas áreas da roupa e misturada simultaneamente com a cor anterior da camisa, para se mesclar e obter um degradê. É uma técnica meio difícil, porque a tinta não pode sercar. Ela é facil de fazer no óleo, mas o acrílico seca rapidaço, deixando a coisa bem mais difícil. Esta técnica chama-se técnica do pincel fresco ( não porque o artista é gay, mas porque a tinta é misturada em cima da peça, quando está fresca). É útil para obter degradês quando você não usa o aerógrafo.
25010 0300 3ww l Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11
O aerógrafo é uma espécie de caneta que funciona com um compressor de ar acoplado a ela por uma mangueira. O ar é comprimido e passa pela caneta, sendo soprado através de uma agulha ligada a um reservatório de tinta. A tinta é aspirada e soprada para cima da peça em bilhões de micro gotinhas, que vistas a olho nu, fazem um belo degradê.
Eu tenho dois aerógrafos, sendo um de dupla ação e um de ação simples. Mas não usei nenhum deles, porque pinto de madruga e o compressor de ar faz o que científicamente chamamos de “um esporro do caralho” e eu não estou afim de ser baleado pelo meu vizinho psicopata. Além do fato de que aerógrafos entopem o tempo todo. Aí você tem que parar, limpar, desmontar aquele treco todo. É como desmontar um fuzil, com varias pecinhas, agulinhas, molinhas, pininhos…
Ainda mais com as tintas vagabundas nacionais. O Brasil não fabrica material de arte de boa qualidade. 99,9% de tudo de arte que se fabrica aqui é de uso “escolar”.
 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11
Voltando ao Locke, eu vou para a cabeça. Para pintar a cabeça, eu aplico uma base de tinta acrílica cor de pele. Esta camada é a camada base da pele e é aplicada também nos braços. Eu precisei dar duas demãos de base em praticamente toda a peça. Em seguida preparei duas versões de tinta cor da pele. Uma clara e uma escura. A escura foi aplicada com aguada em todas as áreas de pele. Ela se depositou nas reentrâncias da peça, realçando os detalhes como a barba, rugas, etc.
A clara foi aplicada com a técnica do pincel seco em cima, para dar luminosidade à peça.

Em seguida pintei os olhos. A pintura de olhos em bonecos é uma das mais complexas. Os olhos são o espelho da alma, e a humanidade evoluiu olhando os amigos (inimigos e todos os outros) nos olhos. Esse pequeno detalhe evolutivo faz com que nós humanos direcionemos nossa atenção para pontos específicos de uma peça. A cabeça é onde se concentra a maior parte do nosso movimento ocular. E na área da cabeça 80% do movimento ocular vai para os olhos. É por isso que fazer uma escultura bem feita e pintar os olhos de qualquer jeito ferra seu trabalho.eyes Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11

No caso do Locke, eu começo fazendo uma base para os olhos. A base é feita com tinta cinza. Muita gente acha que a parte do globo ocular chamada popularmente de “branco do olho” é branca. Bem, não é. Ao menos artísticamente, esta parte é cinza. Se você faz isso em branco, a peça fica artificial na hora. Isso só vale para cartoon e peças mais estilizadas.
Então eu pinto os olhos de cinza claro. Aí eles ficam parecendo um monte de John Locke possuídos. É muito cômico. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11
Em seguida a base cinza eu faço um degradê para claro no centro do olho. É isso que dá a sensação de esfericidade no olho. É uma coisa bem sutil. Mas num olho pequeno, dá um trabalho do caramba. ( é bom lembrar que cada parte descrita na pintura do olho refere-se a 14 repetições)
Quando a peça seca, eu misturo uma cor base para a íris. Esta cor é sempre a cor mais escura do olho. Assim, se o olho é azul, a cor vai ser azul marinho, quase preto.
No caso do Locke, o olho dele é azul piscina meio esverdeado.
Então eu faço essas bolotas verde escuro. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11
Em cima desta pintura entra uma nova camada. Agora é uma bola levemente menor, numa cor intermediária. Usei o azul piscina médio. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11
Quando os 14 olhos secam, vem mais uma camada. É um azul piscina super claro. Esta é uma parte pequenina no meio da íris. Quando olhamos a olho nu, só parece um degradê de escuro para claro e não um monte de bolinhas concêntricas. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11
Então usando meu pincel de uma cerda só, ( um fio da minha própria sobrancelha) eu pinto a pupila. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11
Pintar olho de boneco é trabalhoso, porque a pintura tem que bater nos dois olhos. Qualquer vacilinho, por menor que seja, o boneco parece que está mongol, vesgo ou que é maluco.
Com meu pincel de uma única cerda eu pinto as micro veias nos cantos do olho. Não pode exagerar, senão ele parece maconheiro.
O acabamento fica por conta de aplicar verniz cristal ultra-brilho nos olhos.  Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11Isso é feito em umas quatro camadas intercaladas. Essa camada grossa de verniz vai fazer parecer que o olho é esférico e que está molhado. Nas fotos praticamente não dá pra ver, mas olhando de perto a diferença com isso e sem isso é brutal.

Então eu pinto o cinto, os botões dos bolsos da calça e os sapatos.
 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11
A faquinha é pintada com tinta esmalte prateada. Eu uso uma tinta importada chamada CromAll, que parece mesmo um cromado. Ela è bem melhor que as tintas prateadas do mercado. Pinto o cabo de preto e com uma mistura de tinta vermelho e preta estilográficas eu faço o sanguinho do porcão ali na faca. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11

O acabamento é feito usando uma velha escova de dentes molhada com tinta marrom escuro para fazer parecer aquela lama da ilha.  Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11Na ilha chove todo dia. E então eu achei legal fazer a barra da calça bem sujona de lama, como se o Locke estivesse perseguido o porcão por um bom tempo em meio às intempéries da ilha. Optei por não colocar sangue na roupa nem no corpo do Locke, porque poderia parecer que o sangue é dele, dando uma impressão errada da peça. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11

Quando as esculturas estão prontas eu saco a minha pistolinha de cola quente.  Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11A cola quente é muito útil para este tipo de colagem, porque ela preenche espaços vazios, prendendo bem o boneco na base.  Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11Eu ainda não consegui encontrar a base de madeira no tamanho certo para caber a base de resina em cima. Se até o dia do sorteio eu não achar, vai ficar sem a base de madeira, que poderá ser providenciada pelo ganhador como ele preferir.

E então acabou. Finalmente estou livre do boneco do Locke.

 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11CIMG3309 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11

E aqui umas imagens que eu fiz com ele.
Boneco+locke+promocional2 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11Boneco+locke+promocionalvertical Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 11
É isso. Espero que vocês tenham gostado dessa aventura. Pra mim, foi algo muito legal e gratificante poder aprender fazendo e registrar este aprendizado, compartilhando os meus erros e processo de trabalho com milhares de leitores. Eu gostaria de agradecer a cada um de vocês pelas palavras de incentivo e apoio. Elas foram muito importantes no decorrer do processo e graças a elas é que a fôrma não voou pela janela quando o desmoldante sacaneou.

O sorteio será na terça-feira que vem, dia 28 de agosto. Logo, valerão ao sorteio todas as postagens feitas até a meia noite de segunda 27.
Até lá, todos os comentários e indicações para qualquer um dos posts do projeto do boneco vão estar valendo. Lembrando que comentários anônimos não serão considerados.

É isso. Espero que tenha gostado do boneco. Ele pode ser seu.

ATUALIZADO –
Se você deixar um email de contato no post é mais garantido que você mesmo seja o ganhador. Eu vou tentar evitar que agum malandro se passe por você, mas não há garantias. Sobretudo se o seu IP não é fixo. Na dúvida, troque o arroba por “at” pra evitar o spam. Quem já postou e quiser garantir, reposte só o email com o mesmo nome ou apelido. Posts antigos sem email ainda valem, mas é como eu disse. Se você quiser garantir, é melhor com um email de contato.

Acompanhe os posts anteriores:

A idéia
parte 1
parte2
parte3
parte4
parte5
parte6
parte7
parte8
parte9
parte10
parte 11- FINAL

A menor pintura do mundo

A menor pintura do mundo tem como tela um fio de cabelo. Trata-se do retrato de George Washington. Ela está aqui, ampliada um milhão de vezes para poder ser vista.presidenthair01 A menor pintura do mundo
O artista é Jin Yin Hua. Após fazer George Washington, ele pintou o George Bush. Acho que ele queria ser americano. presidenthair02 A menor pintura do mundo
Bem, pelo menos é o que parece. Estas duas pinturas aí de cima são de um único fio de cabelo onde o cara pintou 42 retratos dos presidentes americanos. E você já tava achando que um era bizarro o suficiente, né?
pintorpirado A menor pintura do mundo

Veja em detalhes essa doideira aqui.
Pra quem lê o Mundo Gump há muito tempo, vai lembrar que é o cara. Ele pintou um urso panda no fio de cabelo. Lembra?

Naboo by Dusso – A arte do Matte Painting

MP21 Naboo by Dusso   A arte do Matte Painting

Dusso é um matte painter.
Entender o que faz um matte painter requer saber em primeiro lugar o que é um matte painting.
O matte painting é uma técnica originária do cinema. É um dos mais antigos e de melhor custo-benefício efeito especial. Credita-se a invenção do Matte painting ao cienasta-mágico-pai-dos-efeitos-especiais George Meliés.
O truque consiste numa engenhosa idéia. Numa placa grande de vidro alguém pinta um cenário. Em geral os cenários pintados são alguma impossibilidade prática para um estúdio, como florestas gigantes, castelos, planetas, etc. E nessa pintura no vidro, alguns buracos são deixados propositalmente sem pintura.

São deixados sem pintura porque lá atrás, a uma boa distância da câmera, num pedaço minúsculo de cenário estará o ator. A Câmera pegará a cena em foco infinito, juntando o ator e seu cenário que o rodeia e integrando-o à pintura.
O que a câmera vê é uma cena fantástica.

Com o advento da tecnologia, os efeitos especiais evoluíram e de certa forma revolucionaram a maneira de fazer cinema fantástico no mundo. Só uma coisa não mudou em todo este tempo. O aspecto artístico da coisa.
Desde Meliés a única limitação séria do matte painting estava em achar alguém fera o suficiente para fazer uma pintura parecer de verdade.
Hoje, com rotoscopias eletrônicas, tracking de câmera, câmeras de movimento controlado, layers, 3d e o escambau a quatro, o matte painting se sofisticou como nunca, mas o fator humano ainda é a chave. E provavelmente sempre será.

Este é Dusso. Matte painting é o seu trabalho. Algumas imagens beiram o inacreditável. Impressiona que alguém abra uma tela em branco no Photoshop e pinte isso.
Para ver a imagens abaixo, clique nelas. Tratam-se de obras primas feita pelo Dusso para a ILM de 2400 X1350 px
Qualquer uma dessas dá um puta quadrão pra qualquer viciado em Star Wars dormir olhando pra ele.
Bons sonhos.
naboo Naboo by Dusso   A arte do Matte Paintingnme.2 Naboo by Dusso   A arte do Matte Painting

O beijo

liq O beijo
Esta é uma bela e criativa escultura que retrata duas xícaras derramando seu conteúdo no ar. Um deles é o café e o outro, chá. Os líquidos parecem capturados numa fração congelada do tempo onde vemos um beijo entre ambos.
Muito legal mesmo.
A obra foi feita por Tsang Cheung-shing, um professor de escultura e designer de produto.
A mistura de chá e café é muito comum em Hong Kong, onde a obra está exposta no museu de arte.

Você acha que tem habilidade? Então faz isso!

Se você tem uma boa gilete, mão firme e alguns lápis, pode mostrar sua habilidade como fazem Mizuta Tasogara e Kato Jado. Eles criam esculturas em lápis usando apenas uma gilete. A dificuldade está em não quebrar o delicado grafite. ( o grafite pode ser cortado, mas não pode quebrar)

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pencilcarving07 Você acha que tem habilidade? Então faz isso!
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pencilcarving04 Você acha que tem habilidade? Então faz isso!
pencilcarving05 Você acha que tem habilidade? Então faz isso!
Fonte

Projeto Boneco do John Locke – LOST – parte 10

Desculpa aí a demora em postar a atualização do projeto do boneco. Sei que muita gente está ficando impaciente com a demora em ver logo o boneco pronto, mas acreditem, ninguém mais do que eu quer se livrar dele, quero dizer, terminá-lo.

Acontece que tenho uma vida cheia de trabalhos e compromissos além do Mundo Gump e do John Locke. Muitas vezes só me restam duas ou três horas livres para me dedicar a este projeto, que requer MUITO mais. O problema todo é que as empresas que fabricam muitas peças tem funcionários para tirar as copias, funcionários para dar acabamento, funcionários para dar uma pintura (que quase sempre é feita meio de qualquer jeito).
No meu caso eu estou sozinho trabalhando direto nos sete bonecos. Isso envolve repetir sete vezes cada uma das milhares de pequenas etapas deste projeto.
mas chega de chorumelas e vamos em frente:

O ACABAMENTO
 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10
Eu começo a parte de acabamento logo que termino de fazer as cópias. Isso envolve olhar o boneco de todos os ângulos possíveis e imagináveis atrás de pequenas fissuras ou buracos causados pelas bolhas de ar. Como eu já falei na última parte, o boneco foi feito usando o processo de duplicação por gravidade. Neste processo, é comum surgirem bolhas. Existem produtos químicos que podem ser adicionados na resina para dar uma “turbinada nela” e assim sumir com as bolhas., O nome do produto é “solução antibolhas”. Mas deve-se tomar cuidado para ver a compatibilidade do antibolhas com a resina.
No meu caso usei resina de laminação pré-acelerada. E não usei o tal antibolhas.
Isso gerou alguns pequenos contratempos com bolhinhas minúsculas em alguns bonecos.
A dificuldade com aquela fôrma feladaputa também gerou ALTOS problemas de emendas. Problemas de emendas são muito comuns em peças duplicadas sem compressão. Em estruturas industriais, o molde de borracha costuma ser pressionado à medida em que recebe o jato de metal ou resina no seu interior. Além disso ele é girado, de modo que a força centrífuga espalhe a liga de modo uniforme e bem depressa pelo interior da fôrma.
No caso deste boneco em especial, as emendas foram cortadas usando alicates de corte e as partes mais sensíveis e delicadas foram cuidadosamente lixados usando mini lixas de diferentes grãos com a mini retífica. Isso encheu a minha casa de pó. Era tanto pós que o meu escritório ficou parecendo um paiol de traficante, mas valeu à pena. Pra fazer isso tem que usar máscara e óculos de proteção. O pó de resina no ar é tóxico e pode provocar diversas doenças respiratórias.
Aqui vemos um pedaço da linha de produção com os bonecos já lixados.
 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10
Em seguida eu usei massa epoxi para tapar e corrigir os problemas de bolhas na estrutura da peça. Alguns pedaços em que a resina tinha mais dificuldade de copiar como algumas orelhas tiveram que ser refeitas nos bonecos uma peça de cada vez. Trabalho de corno. Por isso que eu digo: O bom é fazer a fôrma direito. Após os reparos com epoxi, eu colei os braços com superbonder e refiz o acabamento com epoxi para uniformizar.
 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10Dei uma nova lixada para ficar certinho. E acabou.
 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10

PINTURA PARTE I – A base

O processo de pintura é um dos mais trabalhosos e gostosos de se fazer. Mesmo repetindo cada uma das dezenas de etapas necessárias sete vezes, é algo muito bom de fazer.

Tudo começa posicionando a base e observando ela para identificar eventuais problemas. Qualquer problema encontrado nesta etapa tem que ser corrigido na fase de acabamento e só então a pintura pode começar.
 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10Quando a peça está realmente pronta, eu aplico uma camada base de tinta preta. Eu uso tinta estilográfica, conhecida ambém como tinta de nankim.
 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10
A marca que eu gosto é trident. Eu até ontem usava um tubo de tinta trident que era muito bom, muito densa e de cobertura perfeita em qualquer superfície. Quando meu tubo acabou comprei um novo e descobri que – como todos os materiais de arte nacionais – a trident se vendeu ao mundo dos produtos “escolares” e ficou uma MEEEEEEERDA! A tinta piorou 1000%. Não compre nankim desta marca porque os FDP colocaram água na porcaria da tinta para aumentar os lucros. Malandrões, eles acham que o usuário não iria notar. Só que para o que eu uso, pintar boneco, isso é percebido na primeira pincelada. A diferença ficou brutal. A minha tinta antiga da mesma marca pintou duas bases inteiras com dez gotas de tinta.
Com 25 gotas do novo tubo, eu só consegui fazer Meia, isso mesmo, meia base. Aguar as tintas é uma prática tão mesquinha e escrota quanto reduzir os palitos de fósforo na caixa e reduzir a metragem do papel higiênico ao mesmo tempo em que aumenta o tubo de papelão central. Infelizmente, somos reféns desses mini golpinhos diáriamente. Os empresários sem escrúpulos visam apenas os lucros, e resta-nos apenas comprar nankim de qualidade importado.
 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10
Feita a camada de pintura base, a tinta estilográfica quando seca fica indelével, isto é, inalterável ao seu meio de diluição original, que é água. Por isso ela se presta muito bem como base de pintura. Após a camada preta eu pego tinta acrílica branco fosco e faço a técnica do pincel seco.

A técnica do Pincel seco é feita apenas sujando o pibncel na tinta e secando-o e uma folha de papel ou jornal. Com o pincel meio sujo de tinta você passa ele rapidamente na superfície da peça, de modo que só os detalhes mais ressaltados sejam atingidos. Com isso se obtém um belo resultado de claro e escuro que ressalta os detalhes de modo incrível. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10
Em seguida eu pego tinta estilográfica marrom e faço uma base aguada, isso é, bem diluída sobre a parte de terra. Eu aplico esta base de marrom bem diluído porque eu quero que a tinta tenha um corte meio transparente sobre a peça, o que vai enfatizar os grãos de terra bem marcados na camada de pincel seco anterior. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10
Eu uso um secador de cabelos para acelerar a secagem do material. O secador de cabelos é muito prático para isso, deixando a secagem de cada camada quase instantânea.
Eu deixo a tinta da base de terra descansar e vou para o porco.
A primeira coisa a fazer é inverter a ordem de pintura. Com a técnica do pincel seco, a parte ressaltada do porco está branca e as reentrâncias estão pretas. O que eu quero é o oposto, de modo que as partes ressaltadas pareçam o pelo grosso e as reentrâncias mostrem a cor do couro do animal. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10
O que eu faço então é dar uma base de tinta cor de pele em todo o porco, uniformizando ele. Em seguida uma cor mais escura, que será a cor do couro é aplicada.  Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10Esta cor é aplicada em aguadas, para penetrar bem nas pequenas reentrâncias da peça.
Feito isso eu seco ele com secador e aplico uma camada de pincel seco com tinta preta sobre a peça. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10 O porco começa a ganhar vida, com os pelos pretos nauseabundos surgindo.
Então eu pinto as tripas. As tripas são pintadas em três fases distintas.
A primeira é a cor base. Esta é a cor de pele. A cor base é importante porque vai operar com a transparência para acentuar as tripas. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10
A segunda etapa é a aplicação de tinta estilográfica vermelha. Ela é uma tinta muito forte, muito luminosa que dá camadas acetinadas e com relativa transparência. Esta camada é feita com aguada. Se olharmos fotos de tripas veremos que elas não são cor de sangue. São um cor meio parecida com a cor do interior da nossa boca. O vermelho estourado é o sangue. Então eu pinto algumas camadas de transparência gradual com esta cor meio roxo-avermelhado. E em seguida recubro com a camada vermelha estilografica em aguada, para parecer o sangue. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10
A terceira etapa ennvolve escurecer o sangue em algumas partes. Para isso, uma gota de tinta de nankim preta bem diluída gera o tom ideal para o sangue ficar bem nojentão.
O acabamento final é dado usando verniz ultra-brilho, que vai deixar as tripas tão molhadinhas que a barriga do bicho parecerá recém cortada mesmo daqui a 20 anos.
Eu coloco um pouco de sangue em outros cortes do bicho e um pouco escorrido da boca. Como se o combate com o Locke tivesse sido feroz.
Então vou fazer a pintura da mochila. Eu levo algum tempo ajustando os tons da tinta acrílica ( eu uso tinta acrílica acrilex de tela e vários tubos de marcas diversas usados para artesanato. as foscas são muito boas e baratas.)
E quando encontro o tom certo preparo uma quantidade boa para as 7 peças.
Começo dando uma base geral e depois disso faço uma cor no mesmo tom porém duas ou três vezes mais escura. Com esta cor eu faço uma aguada bem escorrida sobre a peça. Isso valoriza muito os pequenos detalhes, dando uma dimensão de luz no modelo. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10
Os pequenos detalhes de metal são feitos com tinta esmalte cor cromo. as partes menores em tinta acrílica preta. O segredo na mochila é pintar com cuidado e paciência cada um dos detalhes. cada um dos ilhoses. São seis por mochila então é um trabalho de chinês pintar usando só um fio da minha sobrancelha cada um dos 42 ilhoses metálicos das peças.
 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10
Em seguida, o cajado do Mr. Eko é pintado com uma camada base cor de pele. Esta camada funcionará de contraste para as inscrições gravadas na madeira.
Eu seco a camada com o secador e após feito isso eu aplico uma cor marrom esverdeada em pincel seco por cima. isso ressalta bem as inscrições e com uma boa lupa dá praticamente para ler o que está escrito ali.

Logo depois eu volto para a parte de terra. Eu aplico com pincel seco uma camada de tinta ocre misturada com um pouco de branco fosco e areia para gerar um terceiro tom de profundidade nos grãos. Isso também ajuda a destacar o porco do fundo.
Pinto as dezenas de raízes minúsculas e cada uma das muitas folhinhas que estão caídas pela cena. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10
A peça ganha uma outra vida quando eu aplico pequenos tufos de musgo de verdade que são colados com cola cascorez azul (cola PVA) em partes estratégicas da peça. também planto grama. Plantar grama é bem divertido. Você pega estes fios sisal usados em decoração. Eu uso um bem baratinho que já vem até pintado de verde. Recorto pedaços dele e desfio. Pressiono contra a camada de cola e eles aderem bem à peça. Fica bem parecido com grama. O bom é fazer isso em mistura com fiapos de juta. Mas como o mato em lost é bem tropical, deixei a vegetação rasteira em variados tons de verde. Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10
 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10
 Projeto Boneco do John Locke   LOST   parte 10

Bem, é isso. Espero que estejam gostado apesar da demora.
No próximo post da série, o capítulo final deste projeto. A Pintura do Locke e a montagem na base. E então, o tão esperado sorteio.

PARA PARTICIPAR É FÁCIL. BASTA COMENTAR EM UM DOS POSTS DE PASSO-A-PASSO. Comentou, concorreu. ( comentários anônimos não vão ser considerados) DIVULGOU A PROMOÇÃO DO BONECO EM SEU SITE OU BLOG, Concorreu a mais um!

AS REGRAS DO SORTEIO SERÃO EXPLICADAS NO ÚLTIMO POST DA SÉRIE.


FIQUE LIGADO!

ATUALIZADO – Acompanhe os posts seguintes:

A idéia
parte 1
parte2
parte3
parte4
parte5
parte6
parte7
parte8
parte9
parte10
parte 11- FINAL

O poder da maquiagem parte 2

É inacreditável o poder da maquiagem.

Em uma era onde o Photoshop reina quase absoluto, podemos nos esquecer da maquiagem, que é um dos elementos mais antigos e mais versáteis para alterar a aparência de uma pessoa. Recentemente a prisão de um barão internacional da droga em São Paulo levou a mídia ao êxtase ao mostrar as diferentes plásticas para mudar a aparência que o bandido criou para foragir-se da polícia. Otário. Bastava uma maquiagem.

Outro dia eu escrevi este post sobre mulheres que você nem acredita quando compara sem maquiagem e com maquiagem. O Fred me alertou que tratavam-se das mulheres participantes do programa da Sony “Extreme makeover”, onde vale tudo, desde prótese dentária, chapinha e cirurgias plásticas para transformar verdadeiros acidentes aéreos faciais em mulheres bem melhores. Algumas delas até gatas.
Era algo assim, ó: extrememakeover01 O poder da maquiagem parte 2extrememakeover02 O poder da maquiagem parte 2extrememakeover03 O poder da maquiagem parte 2

Mas então. Eu acreditei que se tratava apenas de maquiagem. Então comecei a tentar arrumar evidências do que a maquiagem sozinha pode fazer por uma mulher. Finalmente hoje eu achei no site hemmy.net 20 imagens de uma mulher maquiada. Agrupei tudo numa só imagem pra facilitar. E compartilho com vocês. Cllique na imagem abaixo para ver em tamanho original. Acredite, é a mesma mulher.
Só com maquiagens diferentes.

mulherversatil O poder da maquiagem parte 2

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