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Padre zumbi – Parte 1 – Escultura

Ontem mesmo eu esculpi o Padre Zumbi, mas só consegui assar ele hoje. Vamos ao passo-a -passo:

Eu começo sempre usando a base de MDF, onde faço dois furos e um corte entre eles no fundo da base. Nos furos eu passo um arame de alumínio no exato calibre do furo. O arame faz um “U”, atravessando a base e as duas pontas ficam para cima. Eu torço as duas pontas, de modo a fazer um tipo de “pino”, que servirá para sustentar a peça durante a confecção.

 Padre zumbi   Parte 1   Escultura

 

 Padre zumbi   Parte 1   Escultura

O arame não pode ser muito torcido ao ponto de romper-se. Eu seguida, eu pego Super Sculpey e aperto sobre a coluna central. Nessa fase eu poderia usar papel alumínio comprimido para fazer um recheio e assim economizar a massa, mas optei por usar uma massa velha que eu tinha aqui e fiz 100% de massa.

 Padre zumbi   Parte 1   Escultura

Eu sei… Não ta parecendo o padre ainda.

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Aberta a votação do terceiro pacote de concepts de zumbis

Acabou que eu não consegui colocar os concepts do Diogo ontem por conta de uns contratempos de última hora que surgiram. Mas aqui estão eles. Novamente volto a relembrar as características dessa votação:

Só pode votar num zumbi. O zumbi que ganhar será o modelado pelo Diogo e duplicado, pintado e vendido (provavelmente) por mim. Ele manda avisar que é possível que no decorrer do trabalho de escultura as peças sofram alterações (o que vocês já estão cansados de saber). Seu voto não está atrelado de modo algum a compra da peça. Sempre é necessário um numero X de compradores potenciais para viabilizar a fabricação em escala. O Diogo vai colocar o passo-a-passo no site dele e eu linkarei aqui no momento oportuno. Esta votação vai até segunda-feira, quando revelarei o vencedor. As peças que não vencerem vão para a repescagem geral no fim do projeto.  100% da grana deste projeto vai para financiar nosso curta-metragem de zumbis. Dito isso, vamos à votação:

OS ZUMBIS:

Fat Hooker

 Aberta a votação do terceiro pacote de concepts de zumbis

 Aberta a votação do terceiro pacote de concepts de zumbis

Eu já fui cara, e bonita. Pode parecer mentira, mas muitos já me quiseram pra casar. Mas quando se é cara, se é boba.  Achei que o dinheiro ia durar pra sempre e que com os meus pretendentes, eu sempre teria uma escolha. Mas o tempo passa rápido demais e de repente, já não se tem mais escolhas, já não se é mais cara. Hoje, sou barata. E quando se é barata, não se tem muitas escolhas e faz-se o que se tem que fazer. É preciso comer no final do dia.
O homem bateu com força na porta, com desespero, eu diria. Ele suava e tinha os olhos arregalados. Fedia a álcool e cigarro. Mas isso pra mim não é novidade. Por baixo do terno, tinha a camisa manchada com um pouco de sangue, mas quando se é barata, não se faz perguntas. Me disse que tinha pressa e que dessa vez pagaria o dobro, o triplo. Que devimos começar já e que não Parássemos por nada. Eu peguei o dinheiro primeiro, guardei bem guardado, como todas nós aprendemos desde cedo e fui trabalhar. Ele arrancou minha pouca roupa com raiva e fizemos sexo bruto, cru. E ele me mordia, me arranhava. Até a hora em que doeu. Eu estava sangrando. Ele parecia não conseguir parar! Minha barriga e meus braços sangram até agora, mas eu consegui sair. Ele está trancado no quarto e bate na porta. Ele faz sons estranhos. Fazia tempo que eu não sentia nojo de um deles. Nos lugares em que ele mordeu, sinto coçar. Sinto coçar e sinto calor.
E sinto fome.

Zombie Boy

 Aberta a votação do terceiro pacote de concepts de zumbis

 Aberta a votação do terceiro pacote de concepts de zumbis

 

Ela não voltou.
Já acabou o filme e ela não voltou.
Eu queria dormir mas estou com fome e um pouco de medo. O carro do seu Carlos não para de apitar e ninguém faz nada. Ela disse que ia voltar antes do filme acabar e ainda não chegou. Ela disse que era pra eu não sair do quarto, mas eu não consigo dormir. Agora pouco o Tobi estava latindo e parou de repente. Eu vou descer, pegar o Tobi e procurar minha mãe.

Football Fan

 Aberta a votação do terceiro pacote de concepts de zumbis

 Aberta a votação do terceiro pacote de concepts de zumbis

Em dias de quarta-feira devia ser proibido a TV sair do ar. Principalmente hoje. A Carla já me encheu a paciência com essa história de fim de mundo e que eu devia ir pra lá, e que tinha alguma coisa estranha. Eu já expliquei pra ela – O mundo pode acabar que eu vou estar assistindo ao meu timão. Parece que mulher não entende que futebol é importante. Aliás, acho que a Carla entende, mas faz questão de me infernizar. Agora ela deve estar feliz. Já está quase na hora do jogo, eu vim aqui pro meio do nada e nem o André chegou e nem o Felipe. E pra completar além da merda da TV estar fora do ar, o meu celular ta sem sinal.
Acho que vou ao bar pra tentar assistir o começo do jogo.

Vote aqui

A Fantástica Fábrica de… Zumbis

Até a proxima atualização
O pessoal tem me escrito pedindo notícias do curta do zumbi. Então, atendendo a pedidos, aqui estão as últimas novidades do curta.

Fechamos algumas parcerias importantes. Uma das que eu julgo mais importantes diz respeito aos atores. Consegui enfim encontrar o Pedro Azevedo, um cara com formação teatral para interpretar um dos personagens cruciais do curta. Ainda estou tetando achar o cara certo para viver (sim, ele estará no curta) David Carlyle. Este personagem é complicado, porque eu ja tenho o cara na minha cabeça, e está dureza fazer concessão com relação ao visual do David. Mas ontem parece que eu vi uma luz no fim deste tunel, mas ainda é cedo para falar. Se tudo der certo, ficará (pelo menos no visual do David) muito melhor do que eu esperava.

A arma chegou! Felizmente não bloquearam a pistola de bolinhas nos correios. Ela é bem fajuta, (talvez por isso) mas eu dei uma envelhecida nela na base da pintura, e pelo menos a Eliane, empregada aqui de casa, acreditou que era uma arma velha de verdade. Ela teve que pegar na mão pra acreditar que era falsa, então, ou ela quer muito me agradar, ou acho que vai enganar lá no video.

arma A Fantástica Fábrica de... Zumbis

Perdeu! Perdeu!

Eu ja comecei a fazer uns testes ainda bem basicos com a Canon T3i que comprei pro curta. Porra, que tesão de maquina. De cara notei que falta faz uma tele cabulosa, como a que equipava minha camera antiga da Casio, sobretudo para fotografar bichos, que é o que eu realmente gosto de fazer. A lente que vem no kit não é de todo ruim (sempre vejo nego metendo o pau nela, mas talvez por ainda ser muito cru na fotografia, eu não acho que seja tão ruim) de qualquer forma, tenho certeza que minha teoria do “suquinho de lixo” se aplica bem aqui. Como ainda não tenho uma lente realmente cabulosa, talvez não possa julgar convenientemente a qualidade da lente do kit. (É como o cara que só anda de fusca querer teorizar como é passear de Ferrari)
Seja como for, eu notei que uma teleobjetiva boa faz falta, o que me obriga a praticamente montar no bicho para fotografar ele. Este miquinho aqui foi na inaugração da minha T3i com a lete do kit.

miquinho1 A Fantástica Fábrica de... Zumbis

Então eu comprei uma tele de 500mm baseada em espelho, que vai servir para o curta numa tomada bem curtinha de mira telescópica. Tomara que chegue a tempo.

lente500mm A Fantástica Fábrica de... Zumbis
Também comprei finalmente o maldito Rig da DSLR com follow focus. O Rig que eu comprei é este:

POF09Y show3 A Fantástica Fábrica de... Zumbis

Espero que preste.

E como eu ja tinha um tripé de boa qualidade para filme, não precisei comprar um. Acho que em termos de estrutura de rig, o curta se resolve bem com este rig com o follow focus e o meu tripé velho de guerra. Andei pensando em construir um steady cam para acoplar na máquina para umas cenas de corrida, porque meu medo é sacolejar muito a ponto de ficar desconfortável visualmente. No instructables tem umas dicas de como fabricar um e se sobrar tempo (algo que tenho dúvidas se vai acontecer) talvez eu construa um pra ver se ajuda.
No momento em que escrevo este post, tocou a campaínha e era o porteiro com uma caixa na mão. Era o gravador digital de alta sensibilidade estéreo que eu comprei pro curta, pois tive medo de apostar todas as minhas fichas no microfone nativo da câmera. Olha que bacana:

gravador A Fantástica Fábrica de... Zumbis
Dá pra acoplar ele na maquina ou pode ser usado como gravador de campo para produções de orçamento duvidoso como a minha. O bom é que ele ja vem com um cartão de 2Gb micro SD.

Acho que só falta comprar uma lente grande angular e terei fechado o que eu havia previsto para a parte de video e audio do curta. E aí começa a luta pela parte que é muito importante, que é a iluminação. É nessa parte que a venda dos zumbis vai ajudar muito.

Falando na venda dos zumbis, a “fábrica” está em franca produção e o primeiro lote dos 17 zumbis tipo C na linha premium, com cabelo, pintura e caixinha de madeira já estão saindo do “forno”.
Eu fiquei meio desesperado quando notei que hjavia errado a formulação do silicone na fabricação do molde do zumbi C, mas felizmente deu tudo certo e a fôrma não se perdeu.

fabrica de zumbis A Fantástica Fábrica de... Zumbis

fabrica de zumbis 3 A Fantástica Fábrica de... Zumbis

Eu já havia me esquecido da trabalheira MONSTRA que é fazer bonecos em linha de produção para vender. Se não fosse pela vontade de fazer o curta eu acho que teria desistido. Mas isso é bom pra eu dar valor e ver como sou feliz de ter a vida que eu tenho e não a vida de um operário chinês.
Depois de esculpir a matriz, tirar o molde preparar uma quantidade enorme de resina, tingir, fazer cópias no molde, aparar rebarbas, corrigir imperfeições e etc e tal, eu ainda tinha que pintar aquele mundo de defuntos. Pintar é a parte que eu mais gosto, mas quando você tem que repetir centenas de processos complexos mais de 17 vezes, a coisa se torna tão maçante que me vi como o Carlitos em Tempos Modernos. No fim, eu estava quase ficando maluco e trocando altas ideias com os zumbis.

fabrica de zumbis1 A Fantástica Fábrica de... Zumbis

O Aerógrafo até ajuda em muitas partes, mas as tintas que eu uso não são feitas para aerógrafo e com isso ele entope toda hora. Um pesadelo.

Após a etapa de pintura, também customizei as caixinhas personalizadas do zumbi C com um stencil e tinta vermelha. A ideia é deixar a parada meio rústica, como aquelas demarcações que fazem nos muros para indicar áreas contaminadas.

fabrica de zumbis2 A Fantástica Fábrica de... Zumbis

A etapa final é colar os cabelos nos zumbis. Nesta parte foi completamente impossível manter um mesmo padrão, porque eu já estava surtando. Assim, criei diferentes looks de cabelo pra eles, alguns mais grisalhos, uns de cabelos curtos, outros de cabelos brancos, alguns calvos, outros com estilos mais modernos, só não tem zumbi com o modelo “cuia -Justin Bibier”. Mas até modelo Taxi Driver tem. Olha aí:

zumbiCH4 A Fantástica Fábrica de... Zumbis

zumbiCH1 A Fantástica Fábrica de... Zumbis

zumbiCH2 A Fantástica Fábrica de... Zumbis

zumbiCH3 A Fantástica Fábrica de... Zumbis

Nenhum é igual ao outro.

A ideia de variar os cabelos do zumbi C me ajudou a visualizar o que ficará melhor no curta, ja que este zumbi escolhido pelos leitores aparecerá em todo seu glamour funéreo no curta.
Perto do trabalho que deu colar os cabelos, a pintura ficou até parecendo um passeio no parque. Mas o resultado final me agradou bastante. Incrível como os cabelos aumentam o realismo dos bonecos. (obs: Não é cabelo de verdade. É um cabelo sintético, com fios na escala 1:50 que eu importei da China só pra isso)

Bom, é isso. Essa semana começo a enviar os 17 primeiros zumbis do lote limitado de 30. E aproveito a deixa pra mais uma vez agradecer aos leitores que confiaram no projeto e estão apoiando o curta através da compra dos zumbis.

fabrica de zumbis final A Fantástica Fábrica de... Zumbis

Até a próxima atualização

 

 

 

Pintando o primeiro zumbi

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Pessoal, foi mal pela demora. Rolaram uns imprevistos que me impediram de pintar o boneco ontem. Mas aqui está. Demorei mais tempo pintando do que esculpindo. E não nego a razão, é muito gostoso pintar bonecos.

Vamos ao passo-a-passo da pintura:

Comecei assando o boneco. Como é com quase todos os bonecos que eu faço, eles podem ir ao forno caseiro para endurecer. A massa endurece e se torna um plastico bem duro e resistente, que pode ser pintado, lixado, cortado, furado, enfim.
 Pintando o primeiro zumbi

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Monstros maneiros – parte 1

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Eu sei que é estranho dizer isso, mas eu adoro monstros.

Não perco um filme com monstros e coisas gosmentas, preferencialmente aqueles que comem gente. Não sei o que dá na minha cabeça para fazer post com essas coisas, mas suspeito que talvez mais alguém aí também curta o visual grotesco de certos monstros. Eu tenho uma singela coleção de uns 4000 desenhos de monstros de todos os tipos e formas. Então mergulhar nas minhas pastas de monstros para fazer uma lista com meus preferidos é uma coisa praticamente impossível, já que ao chegar nos mil eu já esqueci dos cem primeiros que vi e fico sem poder de comparação. Mas seja como for, os monstros são um aspecto muito interessante da mente humana. Eles permeiam as pinturas rupestres nas paredes das cavernas, vão da cultura clássica a cultura pop, refletindo nossos medos mais profundos. Estão em filmes, games, quadrinhos, brinquedos…

Note que todo e qualquer grupo étnico humano constrói sua mitologia estabelecendo seus próprios monstros. Quando ocorre o choque de civilizações, alguns desses monstros perecem, e outros ganham força, deuses, demônios e seres lúgubres se misturam, se fundem e novos mitos são criados.  Poucas coisas no mundo podem nos ensinar tanto sobre certos aspectos complexos da mente humana quanto a mitologia, e nela, os monstros ocupam a parte mais sombria.

rancor Monstros maneiros   parte 1

Como este post tem muitas imagens, aqui está o pulo.

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Sujeito diz que conseguiu fazer uma moto sem rodas

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Olha só a ideia do cara: è uma espécie de moto, só que ela não tem rodas. Na verdade, o bagulho flutua.
A explicação para isso é que este treco seria uma espécie de hovercraft, um enorme motor potente o bastante para empurrar tanto ar para baixo que a força do ar faz com que flutue.

hoverbike1 500x331 Sujeito diz que conseguiu fazer uma moto sem rodas

Para fazer este estranho equipamento, Chris Malloy usou um motor de 1170 cc que é capaz de levantar 200kg do chão, mantendo-o num vôo estável perto da superfície. Com isso o cara pode voar baixo sobre qualquer tipo de terreno, pântano, terra, lama, areia e água! Bacana, hein? Para aumentar a leveza da moto, ele a fabricou com espuma, fibra de carbono e kevlar. Assim todo o conjunto ficou com apenas 110kg.

hoverbike imgp3845 small Sujeito diz que conseguiu fazer uma moto sem rodas

Aqui tem um video de Chris testando o motor do equipamento.

Como não parece haver um video mostrando o cara dirigindo esta coisa, é natural nós ficarmos meio céticos com isso. Mas se funcionar mesmo, certamente ele receberá encomendas do Departamento de Defesa dos EUA e vai ficar rico.

O motor da moto tem que ser mais potente (em termos proporcionais, claro) que o do Hovercraft comum, porque o hovercraft usa uma cortina de borracha que ajuda a concentrar o ar sob o veículo. No caso desta “moto” não há cortina, e ela tem que operar apenas com a força do vento. No video e nas fotos só vemos a moto presa por cabos fixados ao chão. Isso não garante que ela funcione. Quem pode nos garantir que ao soltar os cabos ela não dispare para o alto feito um foguete? Voar baixo com controle e estabilidade é uma coisa dificílima. Acho improvável que realmente dê certo, na medida em que uma moto geralmente é controlada pelo deslocamento do centro de massa do piloto em conjunto com alterações no guidão. Neste caso, virar o guidão vai adiantar muito pouco, e sem um controle super preciso das aletas que direcionam o fluxo de ar, a chance dele se estabacar com a moto que voa é enorme.
Só consigo imaginar uma aplicação disso com um sistema de controle baseado em IA, no melhor estilo drive by wire, onde um computador analisa em tempo real a estabilidade da aeronave e corrige em milésimos de segundo as aletas de direcionamento para mantê-la estável. Se depender do cérebro humano e seus músculos pra isso, vai dar em caca.

Em todo caso, é difícil ver uma coisa assim e não pensar naquela motinho sensacional que foi meu desejo de consumo para ir para a escola por toda a infância:

SWSpeederBike Sujeito diz que conseguiu fazer uma moto sem rodas

Espero que seja verdade e que ele realmente consiga fazer este veículo.

fonte

Ultimate concept cars

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Olha só que style esses carros conceituais.

Cruisin caskets6 550x411 Ultimate concept cars

Cruisin caskets7 550x411 Ultimate concept cars

Com linhas arrojadas, pintura metálica iridescente e um visual global retrô, este carro nunca chega a 100km por hora. Sabe porque? Porque isso é na verdade um caixão!

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A Sombra do Invasor e a fotografia de Guga Millet

Um close do monstro com o maior realismo que eu conseguia fazer em 2003
Hoje esbarrei com um demo do trabalho do Guga no Vimeo e resolvi colocar aqui.

Se a vida da gente fosse um filme, obviamente nós seríamos os protagonistas. Ao nosso redor, teríamos um sem número de atores coadjuvantes. E eventualmente, teríamos as participações especiais. Sem falar nos bilhões de figurantes, cada qual, protagonizando seus próprios filmes.

Guga Millet foi um dos caras que fez participação especial na minha vida. Eu não me lembro exatamente quando foi e em que circunstância conheci este cara, mas me lembro claramente de ao começar a conversar com o Guga, ter uma impressão de já conhecer ele há um longo tempo. Isso pode acontecer com todo mundo, e às vezes, a sensação de ser velho amigo de uma pessoa que acabamos de conhecer é uma coisa tão intensa que parece nos sugerir aquele papo de lembranças de vidas passadas.
Me aconteceu com um punhado de pessoas até hoje, sendo uma das mais estranhas uma circunstância ocorrida em Juiz de Fora, nos anos 80, quando eu atravessei a rua pra falar com um cara que até então eu nunca tinha visto mais gordo, porém a sensação era de conhecê-lo há anos. Estranhamente, ele também tinha a mesma sensação, mas não conseguimos encontrar nenhum ponto de ligação entre nós dois. Assim, nos cumprimentamos e seguimos nosso caminho. Até hoje guardo a bizarra memória de encontrar alguém que eu conheço e simultaneamente não conheço.

O Guga entrou no meu filme justamente como diretor de fotografia cinematográfica. Desta vez não estou me referindo à minha vida, mas sim a meu filme, um filme de verdade. Um projeto absolutamente maluco de épico grego cujo orçamento inteiro limitou-se a cerca de vinte reais. O filme chamava-se “A sombra do Invasor”. Uma aventura épica na forma de curta-metragem. O filme, escrito em 2002, se passa na Grécia, num período pré-helênico. Ele conta a história de um pescador grego que tem a filha sequestrada para ser ofertada como alimento e divertimento sexual do minotauro. O cara não se conforma e parte sozinho para resgar a filha no labirinto da criatura. “A sombra do Invasor” (todo falado em grego arcaico e sem legendas) era só uma ideia maluca que iniciei com um amigo chamado Guilherme Oliveira, e que – a minha sina – acabou engavetado por falta de dinheiro para ser feito com a mínima decência que o projeto merecia.

O Guga surgiu apresentado pelo Luis Ratts, que era nosso produtor no Sombra. O Guga tinha uma grande experiência com cinema, já tendo, naquela época, trabalhado em inúmeros projetos de comerciais, Tv e cinema, onde havia ganho prêmios. Pra nós, que estávamos no primeiro degrau da longa escadaria da carreira, aquele cara na nossa equipe era como ter o Zidane querendo jogar numa pelada de várzea que nem dinheiro pra comprar uniforme tinha.

Segundo o Guga, o que o atraiu a entrar num projeto mambembe daqueles era a temática, um épico brasileiro, no melhor estilo Conan (o nosso filme até prestava uma homenagem ao filme “Conan o Barbaro”) nas cienas iniciais. Fora isso, era todo um conjunto de efeitos de fantasia, com monstros feitos em computação gráfica de 3 metros de altura, cenários escalafobéticos misturando live action e extensões digitais, matte paintings e tudo mais que a gente pudesse enfiar para fazer um épico como “nunca se viu na história deste país”.

E isso bem antes da era Lula, (quando as coisas que nunca anteriormente haviam sido vistas na história da nação atropelavam-se a cada semana).

O Guga me disse certa vez, que sempre quis trabalhar num filme assim, épico. Toda a equipe, que se resumia a umas vinte pessoas, estava com a mesma vontade. Acreditávamos que se consegíssemos fazer algo suficientemente escalafobético sem grana, atrairíamos a atenção e conseguiríamos alçar vôos maiores. Já sonhávamos em fundar uma produtora tupiniquim para fazer filmes de ficção científica e block busters padrão gringo.

Imediatamente, eu notei que o Guga não pouparia esforços para fazer meu roteiro-delírio-overdose-de-coca-cola duma madrugada pré-blog em realidade, porque ele já tinha feito loucuras na carreira, como escalar o Aconcágua com uma câmera cinematográfica de 60 Kg nas costas, afim de gravar um documentário. Guga parecia o cara certo. E era.

Não tardou para que eu convocasse diversos amigos da faculdade de Belas Artes da UFRJ para me ajudar na parte de arte. Nosso storyboard, antes simploriamente esquematizado a lápis ficou assim:

ASDI1 A Sombra do Invasor e a fotografia de Guga Millet

ASDI2 A Sombra do Invasor e a fotografia de Guga Millet

ASDI3 A Sombra do Invasor e a fotografia de Guga Millet

ASDI4 A Sombra do Invasor e a fotografia de Guga Millet

Fizemos varias ilustrações, tentando criar um “clima” para a obra. Usamos aquarela, lápis de cor, tinta acrílica, etc. Eu criei esculturas do minotauro, fiz uma quantidade enorme de versões dele em 3d, fiz até a espada do grego, em aço couro e durepoxi. A espada hoje decora minha casa.

minotauroASDI1 A Sombra do Invasor e a fotografia de Guga Millet

O minotauro

sombra menino A Sombra do Invasor e a fotografia de Guga Millet

Arte de pré-produção em lapis de cor sobre papel craft

gregofilme 652x1024 A Sombra do Invasor e a fotografia de Guga Millet

Arte de pré-produção em lapis de cor sobre papel craft


Eu também comecei a estudar a técnica do matte painting, comecei a fazer testes de cenários 3d, misturando fotos e objetos tridimensionais. Era uma oportunidade de estudo e de tentar algo inovador.

mattepaisagem A Sombra do Invasor e a fotografia de Guga Millet

Teste de matte painting. Acredite ou não, isso aí é em Niterói

entrada labirinto A Sombra do Invasor e a fotografia de Guga Millet

A entrada do labirinto - Teste de matte painting

mattetestecorASDI A Sombra do Invasor e a fotografia de Guga Millet

Teste de matte painting e color correction (A casa em primeiro plano é uma ruína em Niterói)

monstrocg A Sombra do Invasor e a fotografia de Guga Millet

Um close do monstro com o maior realismo que eu conseguia fazer em 2003

Foi graças a produção de arte, que mostrei para um compositor de cinema americano que trabalhava para Hollywood, que ganhamos a autorização de uso da trilha dele, gravada com a Orquestra Sinfônica de Moscou.  Ele se amarrou no projeto, que nas palavras dele era “um projeto ousado” e me mandou um material que tinha, e que era uma sobra de um projeto de jogo da Atari, gravado com orquestra real, com líricos femininos reais, cantado em latim. O cara me mandou uma versão que acabou não sendo usada, mas que era uma música absolutamente fodástica, e o projeto caseiro e sem recursos ganhou ares de Lord of The Rings.

Curiosamente, foi quando o filme começou a morrer. Aquilo que inicialmente seria gravado em mini Dv (porque nem dinheiro pra DV merreca a gente tinha naquele tempo) já não cabia mais num formatinho pobre e chapado. Era necessário densidade, profundidade, grão. E isso só com câmera cinematográfica. E como qualquer Zé Ruela sabe, câmera cinematográfica envolve luz cimatográfica, envolve traquitanas, gruas, telecine, kinescopagem, envolve maquinista, motorista, eletricista, um monte de “ista” e isso custa caro.
Numa reunião no Parque Lage, o Luis Ratts o Guilherme e o Renato resolveram que iriam abandonar o projeto se ele não fosse feito em película.
O meu filme acabou não saindo, mas ele permitiu que eu aprendesse muita coisa e isso se deu com os meus amigos, e ouvindo e vendo o Guga trabalhar. Infelizmente, a ideia não foi para a frente, mas foi graças a este filme, que este blog aqui existe. Isso porque (também não lembro exatamente como) um dos componentes da nossa equipe era o Brunno Vieira, responsável técnico pelo fórum do filme. O Brunno se mostrou um grande amigo, e ele tinha um blog chamado “Virou Kibe”. Na época eu achava a “moda” dos blogs a coisa mais babaca do mundo, mas eu comecei a ler o blog do Brunno e gostei. Durante um tempo eu fui apenas leitor mas então um belo dia, resolvi criar o meu. E deu nisso aqui.

O projeto acabou me gerando diversos amigos, que hoje são leitores aqui do blog.

No fim das contas, tenho pena de não ter conseguido fazer este filme, mesmo que com recursos limitados e efeitos meia-boca. Mas se um dia eu ficar rico, vocês vão ver!

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