Archive - cinema RSS Feed

Sob a lama do mangue negro

Olha que legal, um filme de zumbis nacional que não é aquelas merdinhas que parecem até esquetes do Bento Carneiro – o vampiro brasileiro.

[youtube]http://br.youtube.com/watch?v=JAT4OvYEB70[/youtube]

Carnificina gosmenta com muita podridão. O filme consumiu 700l de sangue e gosmas!

O mais interessante nesse lance pra mim é que não se trata apena de um filme de monstros e cenas grotescas, mas pessoas se juntando para fazer um filme praticamente sem orçamento e tentando dar um acabamento profissional na parada. Tem coisa tosca? Pode até ter, mas vamos ter em mente que aquilo nem de longe pode ser comparado a filmes holywoodianos em temos de custos. Só agora o Brasil começa a investir mais na área dos efeitos visuais e acho que em pouco tempo teremos boas obras nacionais nos gêneros Terror e Ficção Científica. Infelizmente, este tipo de filme ainda tem que ser feito na base da garra, sem grana, totalmente fora do esquemão que beneficia quase que exclusivamente um determinado tipo de estética, sobretudo quando o elenco é de atores globais.

Podecrer!

Faz tempo que eu não vou num filme na sua estréia. Desde Matrix III acho que não vou. Ontem eu fui a estréia de “Podecrer!” dirigido por Arthur Fontes e baseado no livro de Marcelo Dantas.

Vou dizer que este é um filme muito bom. Não sou crítico de cinema. Não vou ficar analisando planos e contraplanos, a atuação, o enredo. Eu vou apenas me limitar a dizer que gostei pra caralho do filme, porque ele retrata FIELMENTE um monte de coisas daquele tempo. O filme fala de uma geração à frente da minha. A história é da geração de 1981. Naquele ano eu tinha cinco anos e gostava de ver o BOZO de tarde, deitado no sofá de cabeça para baixo. Mas me lembro de ver todos aqueles carros velhos, com pinturas iguais às de geladeira pelas ruas. Era muito Doge, Maverick, Corcel e muito, muito fusca.

2618988 6be Podecrer!

O filme é totalmente despretencioso. Ele não mostra crianças em histórias de sofrimento para buscar Oscar, nem vende a pobreza do nordeste ou a violência policial de sangue e morte nas velas. Este filme surge como um retrato puro e simples de uma época onde as pessoas eram mais legais, e arrisco dizer, mais inocentes também. Acho que dava para fazer uma série do tipo “Anos incríveis” se passando naquele tempo, que ia ter conteúdo pra dedéu. Os anos 80 eram muito legais e engraçados. Eu me lembro da maquiagem exagerada, dos brincos de plástico chamativos e dos cabelões no estilo Fara Fawcett que minha mãe tinha. Eu me lembro também das Playboys. Comecei a ver mulher pelada nos anos 80. E a primeira que eu vi foi a Sônia Braga!

2618953 afa Podecrer!

Por sorte minha, as coisas nos anos 80 não eram aceleradas como hoje, onde a moda muda completamente a cada 15 dias. Assim, quando chegou a minha vez, no fim dos anos 80 eu ainda peguei e matei no peito aquele universo das festinhas, do Redley, das pulseiras de cordinha, do coquinho bebido na porta da boate, das camisetas e mochilas da Company, Píer, das carteiras emborrachadas, da pulseira strep do relógio G-Shock , do Genius, do Pogoball e etc.

No meio dos nove personagens que compõe a turma do filme, eu reconheci amigos meus em muitas daquelas cenas. Reconheci situações que eu vivi e que amigos meus viveram. E se não fosse a parte técnica muitíssimo bem feita, o filme já valeria a pena ser visto só por isso.

2619012 593 Podecrer!

Os anos 80 foram maneiríssimos e a gente que vivia este tempo, não se dava conta disso. Não sei, era mais legal. Tudo era meio tosco, mas as pessoas eram mais verdadeiras, as relações mais duradouras e até os malucos tinham mais conteúdo.
A verdade é que eu acho que sob o ponto de vista de um adolescente, talvez o mundo fosse diferente. Hoje, adulto, eu acho que o mundo piorou pra carmba. E talvez isso explique a onda de nostalgia que começou com aquele email que todo mundo recebeu falando sobre as coisas daquele tempo, como o pirulito Diplink, o chiclete azedinho doce, bala boneco, o Falcon e o Playmobil.

A onda nostálgica dos anos 80 se expandiu em absurda velocidade e culminou com livros muito legais sobre a “década perdida”, que é o caso do almanaque dos anos 80 e a série Mofolândia. Mas quem se deu bem mesmo com o reviva foi o Bozo, que hoje é pastor evangélico e fatura animando festas temáticas nos finais de semana, o Sidney Magal, que ainda solta o “Sandra Rosa Madalena” a plenos pulmões e até a Gretchen, que dança a melô do Piripiri, lvando o povo à loucura em festões como a “festa ploc”.

8500015322 Podecrer!

Depois vieram vários sites falando da época, da moda daquele tempo, das gírias, dos quadrinhos, dos programas de TV. Hoje mesmo, enquanto eu escrevia este texto, recebi uma proposta de um site parceiro que é o Nostalgia ao Extremo.

A nostalgia dos anos 80 me parece mais do que apenas uma moda passageira. Talvez seja apenas uma fuga para um tempo em que éramos mais felizes. Um tempo em que nos preocupávamos com menos coisas. Que acreditávamos que o Tancredo Neves e as eleições diretas solucionariam todos os problemas. Ver o “Podrecrer!” é bom por isso. O filme tem um conteúdo leve e bem legal. É reviver aspectos de sua juventude de um modo muito divertido. Pena que quando acendem-se as luzes nos lembramos do mundo atual e vem o mal-estar da pós modernidade, das relações frias e da busca por uma perfeição em tudo, profissionalismo, de uma qualidade total competitiva, da pressão e da consciência de que ficamos velhos.

Quer estar a 6 graus do Osama Bin Laden? Aperte minha mão.

Você já ouviu falar da teoria dos seis graus de separação?

Não? Eu explico. A teoria dos seis graus de separação, (na verdade seriam 5,5. mas como não existe meio aperto de mão, então arrendondou-se para seis) é baseado num estudo científico realizado em Harvard onde foi possível confirmar a hipótese, aparentemente amalucada, de que você está separado de qualquer outra pessoa no planeta – isso mesmo, no PLANETA – por apenas seis apertos de mão. Logo, apenas seis pessoas poderiam te conectar com todo o restante da civilização humana viva. desde aquele sujeito heremita nu nas montanhas do Gabão até qualquer astro de Hollywood, passando pelos pescadores coreanos, os astronautas americanos e os serial killers japoneses.

Os estudos sobre grau de separação incluem-se entre os modernos estudos de análise de redes sociais. As redes sociais estão na base de uma série de investimentos de pesquisas. E també – como era de se imaginar – do marketing. É no fundamento de que uma pessoa está fortemente ligada a uma rede de relações que se estabeleceram as bases teóricas para o potencial sucesso do marketing de rede. Pessoalmente eu acho que marketing de rede foi a melhor idéia já concebida para gerar pessoas chatas. Ou deixar os chatos ainda mais inconvenientemente chatos.

Seja como for, eu vou demonstrar na prática a teoria dos seis graus de separação e ainda de quebra efetuarei uma bat-ligação direta com ninguém menos que OSAMA BIN LADEN. Dessa forma, todo mundo que me conhece pessoalmente vai estar ligado ao cara cuja cabeça tá valendo 50 milhões de verdinhas! (pra ele vivo ) e 500 milhões pra ele morto.

philipebinladenie5 Quer estar a 6 graus do Osama Bin Laden? Aperte minha mão.

Eu resolvi colocar um grau de segurança adicional no esquema acima porque mesmo que Michael Moore lute para atribuir uma série de relações diretas entre o Bush pai e o próprio Osama e sua família, isso não está totalmente claro. Mas como ele trabalha para o Grupo Carlyle e a família Bin Laden é acionista do mesmo grupo, sem dúvida eles tem um grau intermediário de relação.

Agora veja que legal. Consegui me ligar com ninguém menos que o Forrest Gump!

philipeaoforrestgumpir9 Quer estar a 6 graus do Osama Bin Laden? Aperte minha mão.

Águia de aço – aventura no cinema

Eu tinha ido ver o filme água de Aço com meu primo Guilherme (aquele do episódio pitoresco do cemitério) toda vez que a gente se juntava dava alguma merda. Foram dezenas de merdas de todos os tipos ao longo da juventude.
Naquela tarde de sábado fomos ao cinema ver um filme chamado “Águia de Aço”. Era aquele tipo de filme de caras durões pilotando jatos com bombas explodindo jipes. Uma coisa que precedeu Top Gun. Nós chegamos cedo. Era época de férias e a fila para ver o Águia de Aço era enorme. Uma molecada doida. Eu estava totalmente interessado em ver os combates. Naquele tempo eu montava aviõezinhos de plástico da Revell e sonhava em ser piloto de caça. Escolhemos meticulosamente o lugar para assistir o filme. Bem no meio da tela. Quando nós sentamos, estávamos eu de um lado, o Guilherme do outro e o Tio Arlindo, que levou a gente no cinema no meio.

Entrou um casal e sentou bem na frente do Guilherme e do Tio Arlindo. Eu sorri por dentro, porque eu sabia que geralmente o lugar ao lado de casais costuma acabar vazio. Estava tudo perfeito. Na minha frente, apenas a tela.
Quando começou o trailer, eu já não podia conter a emoção. Faltavam poucos segundos para a emocionante perseguição de jatos começar.
Bem… Já ouviu falar de “lei de Murphy”?
Pois é. Entrou um cara com um cabelo que era igual ao do SideShowBob dos Simpsons. lentamente ele entrou pelo canto da minha visão periférica e ocupou todo o espectro visível com sua cabeleira de dar inveja ao mais imundo dos esfregões de chão do Mc Donalds.
Bem assim ó:

sideshowbob Águia de aço   aventura no cinema
Onde que o puto sentou? Isso mesmo, na MINHA FRENTE. O pior é que quando o cara sentou o cinema tava lotado. Já não rolava mudar de lugar.
Resultado, tive que ver o filme que eu tava LOUCO pra assistir atrás daquele TUFO de cabelos que era igual a um coqueiro.

Eu não lembro de praticamente nada daquele filme. Só de uma coisa. Do puto do cabelo duro e do episódio do milho.

No meio do filme, havia uma cena em que rolava um bombardeio. Um jipe saiu capotando. Eu sentia que ia cair sangue em mim. Lembro que só voltei a me sentir assim na cena a pancadaria generalizada do filme Coração Valente, anos depois.
Um jipe explodiu, virando cambalhotas em chamas na tela e subitamente, uma coisa molhada caiu no meu colo.
Eu quase morri do coração. Achei que era o braço do motorista do jipe. Mas não. Era pior.

Era um milho.

Bem, um sabugo de milho, totalmente comido. Algum filho da puta tacou o milho pro ar e caiu bem no meu colo. Agora veja você. Com aquela porrada de cabeça no cinema e o milho infectamente babujado cai no colo de quem? No meu.
Como se não bastasse isso, tinha aquele corno alto na minha frente.
Eu comecei a sentir uma raiva… Uma raiva filha da puta, que foi crescendo, crescendo… me absorvendo, até que enfim eu peguei aquela porra de milho e desferi uma PORRADA COM TODA FORÇA na cabeça do SideshowBob bem na minha frente. Foi um porradão violento. Sem piedade. E em seguida abaixei e fiquei com cara de quem tava vendo o filme. eu não olhei nos olhos dele para não me incriminar. Olhava ao longe como se visse compenetradamente o filme.
O Side Show Bob levantou da cadeira. Ele devia ter uns dois metros, fora o tufo. Ele olhou pra trás. Lá pra trás. Bem pra trás. Tentou gritar:
- Quem foi o filho da puta que jogou esse milho???
Eu, incólume continuei quietinho. O povo do cinema começou a vaiar o cara que levantou gritando para sentar e tal. E ele sentou. Aliás, ele praticamente deitou na cadeira e enfim eu pude ver a cena final e um pedaço dos créditos.

Naboo by Dusso – A arte do Matte Painting

MP21 Naboo by Dusso   A arte do Matte Painting

Dusso é um matte painter.
Entender o que faz um matte painter requer saber em primeiro lugar o que é um matte painting.
O matte painting é uma técnica originária do cinema. É um dos mais antigos e de melhor custo-benefício efeito especial. Credita-se a invenção do Matte painting ao cienasta-mágico-pai-dos-efeitos-especiais George Meliés.
O truque consiste numa engenhosa idéia. Numa placa grande de vidro alguém pinta um cenário. Em geral os cenários pintados são alguma impossibilidade prática para um estúdio, como florestas gigantes, castelos, planetas, etc. E nessa pintura no vidro, alguns buracos são deixados propositalmente sem pintura.

São deixados sem pintura porque lá atrás, a uma boa distância da câmera, num pedaço minúsculo de cenário estará o ator. A Câmera pegará a cena em foco infinito, juntando o ator e seu cenário que o rodeia e integrando-o à pintura.
O que a câmera vê é uma cena fantástica.

Com o advento da tecnologia, os efeitos especiais evoluíram e de certa forma revolucionaram a maneira de fazer cinema fantástico no mundo. Só uma coisa não mudou em todo este tempo. O aspecto artístico da coisa.
Desde Meliés a única limitação séria do matte painting estava em achar alguém fera o suficiente para fazer uma pintura parecer de verdade.
Hoje, com rotoscopias eletrônicas, tracking de câmera, câmeras de movimento controlado, layers, 3d e o escambau a quatro, o matte painting se sofisticou como nunca, mas o fator humano ainda é a chave. E provavelmente sempre será.

Este é Dusso. Matte painting é o seu trabalho. Algumas imagens beiram o inacreditável. Impressiona que alguém abra uma tela em branco no Photoshop e pinte isso.
Para ver a imagens abaixo, clique nelas. Tratam-se de obras primas feita pelo Dusso para a ILM de 2400 X1350 px
Qualquer uma dessas dá um puta quadrão pra qualquer viciado em Star Wars dormir olhando pra ele.
Bons sonhos.
naboo Naboo by Dusso   A arte do Matte Paintingnme.2 Naboo by Dusso   A arte do Matte Painting

Page 12 of 12« First...«89101112