Ainda bem que não sou um caracol

Hoje estava dirigindo e pensando como é bom não ser um caracol.

Parece um pensamento meio maluco, mas se você pensar que podemos ir de um ponto a outro sem precisar deslizar numa poça de gosma com nossos estômagos, numa velocidade lentíssima, ele se justifica. Mas ainda pior é quando passamos a pensar em como deve ser uma bosta estar lá na rabeira da cadeia alimentar, sendo rango de tudo quanto é tipo de ser, principalmente passarinhos.

Alguns leitores me escreveram em PVT para saber se é verdade mesmo que na África as pessoas comem caracóis gigantes. Eles certamente ficaram espantados com aquele meu post que mostra as feiras livres em alguns países da África.

É verdade!

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Tá servido?


Na África os caras comem esses enormes caracóis mesmo. Mas não só lá. Os caracóis são criaturas comidas em diversos outros lugares do mundo. Muitas vezes, o caracol africano não é só visto como um valioso recuso alimentar, mas também pode ser criado como bicho de estimação. O que chama atenção é seu tamanho, estupidamente grande.

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Muita gente morre de nojo, mas acredite, tem quem goste.  O gigante africano é o maior caracol terrestre do mundo. Todos os caracóis terrestres são hermafroditas, produzindo tanto espermatozóides e óvulos. O ovo se desenvolve e é expelido através de uma abertura reprodutiva logo atrás do lado direito da cabeça do caracol. Assim, é bem fácil de ter esse bicho esquisito com aparência alienígena como animal de estimação, mas o que facilita de um lado complica outro, já que ele facilmente pode virar uma praga. Primeiro que o bicho come praticamente qualquer coisa vegetal, ainda mais se estiver podre!

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Caracóis terrestres gigantes africanos criados em cativeiro se alimentam praticamente de frutas e legumes, oferecidos em uma grande variedade para garantir que eles recebam uma dieta equilibrada e nutricionalmente.

Tem gente que morre de nojo. Mas não é todo mundo, claro. Tem gente que acredita até que a gosma do caracol sirva como produto de embelezamento facial. Tem louca pra tudo, né?

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Seja como for, aqui estão algumas fotos impressionantes deste inacreditável caracol:

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Mas voltando ao que eu estava dizendo, ser um caracol pode ser uma desgraça, principalmente se você parar para dar uma olhada num dos parasitas que eles podem ter.

Lá vem nojeira!

O Paradoxum Leucochloridium , é o nome comum do broodsac verde, que com este nome poderia estar num planeta da galáxia de Star Wars. Só que o bicho é da Terra. Trata-se de é um verme parasita que usa os caracóis como um hospedeiro intermediário . Ele é geralmente encontrado em caracóis que vivem na Europa e América do Norte.

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O bicho é um filme de terror, que infecta os olhos do hospedeiro, fazendo-os parecer com umas lagartas que outras aves comem. Quando o passarinho dá de cara com esses gastrópodes infectados, eles pensam que vão fazer um belo rango. Assim, acabam tornando-se o hospedeiro definitivo para o L. paradoxum que vai  amadurecer e libertar os ovos dele dentro do passarinho, e eles vão sair nas fezes da ave. Foda, hein?


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Mit dem Parasit Leucocholoridium paradoxum befallene Bernsteinschnecke (Succinea putris).
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Curiosamente, o parasita prefere sempre o olho esquerdo do caracol, mas é bem comum encontrar caracóis que tem dois parasitas, um em cada olho.

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Os caramujos não infectados tendem sempre a buscar áreas escuras para evitar a predação. Já os caramujos infectados por esta minhoquinha nojenta do pesadelo, ficam sob o controle dela! Assim eles são mais propensos a ficar em áreas iluminadas, dando “sopa”. O parasita quer que o caracol fique exposto aos predadores, como aves. Dá super certo.

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Em um estudo feito na Polônia, 53% dos caramujos infectados foram levados para locais mais abertos por mais tempo, e ficaram  parados sobre folhas grandes, em lugares iluminados.  O estudo mostrou que só 28% dos caracóis não infectadas permaneceram completamente expostos durante o período de observação.  Uma vez que o caracol infectado é comido, o parasita vai soltar os ovos na barriga do passarinho. Os ovos saem nas fezes que depois são, então, consumidos por caracóis para completar o ciclo de vida desse parasita.

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Não dá pra pensar em como deve ser uma merda ter um verme parasita dentro do seu olho controlando sua mente! É muito nojento!

Falando em Nojeira…

Aqui está o caracol mais estranho da face da Terra. Não duvido que você nunca tenha visto esta criatura horrenda até hoje!

Parece até ser de outro planeta!
Parece até ser de outro planeta!

 

Este incrível animal habita as profundezas, e foi descoberto no campo hidrotermal de Kairei.
Este caracol completamente bizarro só foi descoberto em 2001, tornando-se um dos caçulinhas da literatura científica. Ele ganhou o apelido de Gastropode do pé escamoso (Crysomallon squamiferum ). O bicho com cara de monstro vive nas bases de fumarolas negras na parte do campo hidrotermal Kairei, numa fenda abissal na costa do Oceano Índico.

 

É quase que um ser de outro planeta mesmo! O tipo de bicho que eu não me espantaria de descobrirem um similar que habite a zona termal das profundezas da Lua Europa, de Júpiter!

Escamas de Ferro

Estas são criaturas extremamente originais por um bom número de razões. Em primeiro lugar, eles habitam uma região onde quase nada sobrevive. A pressão é avassaladora, o frio congelante contrasta com temperaturas capazes de fazer qualquer bicho normal morrer tostado. Ele vaga por campos de depósitos sulfúricos e com componentes venenosos… Além do fato de que seu nome vem do pé do caracol ser blindado com escamas de ferro e minerais.
Seu corpo fica protegido pelas escamas e escleritos compostos dos sulfuretos de ferro. Meu, tá ligado que esse bicho aqui  é o único animal na Terra conhecido capaz de usar sulfuretos de ferro desta forma?

GUMP PRA CARAMBA!

Se fosse só isso já seria ultra-bizarro, mas ainda há espaço para mais coisas espantosas: A concha desse caracol tem uma arquitetura invulgar, sendo composta por três camadas específicas:

A camada externa é feita dos sulfuretos de ferro acima mencionados, sendo cerca de 30 mm de espessura. Isso faz com que este gastrópode seja o único metazoário conhecido até agora, ao empregar este material na sua concha (B).

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A camada do meio de sua concha  ( A) é orgânica é, e é também a mais grosso das três.  É comparável com o perióstraco , um revestimento fino de proteína encontrada em outros caracóis. A camada mais interna é feita de aragonite , um mineral de cálcio que se encontra nas conchas de moluscos e vários corais.

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O que torna esta estrutura mais intrigante é o número de adaptações que ela proporciona. Cada camada possui sua própria eficácia especial ao lidar com possíveis ameaças. A camada orgânica (A)  parece ter a finalidade de absorver a tensão mecânica e energia gerada por um ataque de compressão (como pelas garras de um caranguejo), fazendo com que a concha seja muito mais dura. A camada orgânica também atua de modo a dissipar o calor das fumarolas que passam dos cem graus! Um bicho normal seria cozido ali mesmo, mas ele não!

Pra você ver como este bicho é foda, os cientistas do  exército dos Estados Unidos estão atualmente a financiando pesquisas sobre a armadura desse caracol na esperança de desenvolver insights sobre novos projetos militares da armadura para soldados e equipamentos, como cabanas que esquentem menos.

Enfim, é incrível e estupefaciente os sensacionais caminhos pelo qual a evolução e adaptação das espécies se mostra no nosso planeta. Seres como o caracol de escamas de ferro reforçam nossas esperanças em insanas formas de vida espalhadas pelo cosmos, esperando para serem descobertas.

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6 comentários em “Ainda bem que não sou um caracol”

  1. Olá Philipe,
    Não é justamente esse caramujo africano, que foi trazido para o Brasil para “cultivo” e acabou que num deu certo e o pessoal soltou eles na natureza e virou uma praga aqui no Brasil?

  2. Uma vez, quando ainda era meio novidade, me meti a criar scargot. (A ideia era vender pra fazer um dinheirinho) Não deu. Tentei comer mas não desceu, aí desativei a produção. Com dó dos bichinhos soltei no quintal. Meu, deu trabalho para acabar com aquela praga. Muito tempo depois ainda achava algum morando na minha horta, vêz em quando.

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