A falta de profissionalismo dos bandidos

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Ontem eu estava indo para uma reunião com meu amigo Bruno Perpétuo quando do nada senti uma tremedeira louca na marcha do meu carro. Vibrou legal, e eu estava numa descida, o que me deixou meio encucado. Logo percebi que o carro estava gradualmente perdendo potência. Foi assim, até que ele se reduziu a uma lesma, praticamente se arrastando. Pra piorar (sempre pode piorar, porque Murphy sabe fazer seu trabalho) tinha um ônibus dirigido por um evidente psicopata querendo passar em cima de mim numa via estreita, que não comportava meu carro rastejante e um ônibus.
Finalmente consegui jogar meu carro no primeiro espaço que havia e o ônibus passou tirando fino. O carro agora andava na metade da velocidade de uma pessoa andando a pé. Finalmente parei ele numa rua que em vinte anos na cidade, eu nunca tinha entrado. Uma rua bacana, mas deserta e escura como rua de filme de zumbi.

A porra do carro tinha estragado a embreagem. Foda isso. Meu carro que eu gostava de dizer pra todo mundo que nunca dava problema resolveu mostrar que eu estava errado. Coreanos são tão bons em conta que o carro estragou meses depois do fim da garantia de fabrica…

Mas então chamei o seguro e os caras do reboque eram super legais. Um deles lê o blog, o que foi uma surpresa e tanto. Ele também mora perto da minha casa e a tia dele mora no meu bloco. Acabamos ficando amigos.

Papo vai, papo vem, ele me contou algumas coisas curiosas que vê na profissão de socorrista. Tá aí uma profissão que nunca é igual todo dia. Ele ja viu todo tipo de acidente que você puder imaginar, e no tempo que levou até guinchar o carro e me dar uma carona até em casa, conversamos bastante.
Meu amigo socorrista contou que uma coisa que tem visto bastante são casos de acidentes envolvendo bandidos. Ocorre que o bandido pega uma vítima, rouba o carro dela e sai com o novo veículo para fazer “o ganho”. Esse ganho pode ser “N” coisas, como assaltos, explosão de caixa eletrônico, sequestro relâmpago e até uma desova ou “queima”.

Imagina a merda que deve ser o teu seguro te ligar para contar que finalmente acharam seu carro roubado… Numa grimpa erma com quatro defuntos já em decomposição dentro. Meu, o cheiro não sai nunca mais! Nos EUA existem empresas especializadas para tirar cheiro de defunto de carro, para que depois ele possa ser revendido. Aqui acho que não tem. Devia ter, dado o joselítico numero de defuntos que produzimos diariamente com nossa violência descontrolada.

E é justamente para a questão do violência descontrolada que o papo com o socorrista evoluiu.

Violência descontrolada

Tenho um amigo que renega a crise do Brasil. Pra ele, não estamos em crise e isso é uma ideia artificial criada pela Veja e Globo para desestabilizar o governo Dilma. Ok, acho maneiro que as pessoas queiram crer na profissão de fé que desejam. O problema é que o argumento do meu amigo sobre a “artificialidade da crise” não parte de parâmetros econômicos, logo, mensuráveis. O cara diz: “Eu não tenho nenhum amigo que faliu nesse governo e não conheço ninguém que tenha sido demitido. Logo, cadê a crise? ”

Acho que este tipo de argumento requer uma cerveja ou mais para ser devidamente compreendido em sua lógica. Ele é muito similar ao argumento de que discos voadores não existem na medida em que eu nunca vi nenhum. Ou que o Maluf é honesto, na medida em que ninguém achou o dinheiro dele no exterior.

Há pessoas que poderiam usar o sentido inverso desse argumento (a maioria)  para justificar como o Brasil esta se tornando uma nação violenta. Veja, eu tenho pelo menos uns seis (SEIS!) vizinhos que foram roubados à mão armada na porta do meu condomínio. Dois amigões meus de longa data (do tipo quase parentes) já sofreram sequestro relâmpago. Sendo que na porta da casa de um desses teve uma chacina onde um monte de bandidos que tentavam roubar um carro forte, foram metralhados pela polícia, com gente pulando o muro da casa dele no meio da troca de tiros de METRALHADORA que deixou o portão da casa cheio de buracos de bala. Os bandidos foram metralhados não por uma ação tática da polícia, mas por vingança pois o chefe deles tinha matado um PM em São Gonçalo. Logo, foi vingança.

No olho por olho, dente por dente pós moderno, paga-se sangue com sangue. 

Assim, somente olhando em volta, se eu vejo tamanha violência, só posso acreditar que programas como os do Datena e similares, os famosos noticiários pinga-sangue, são um retrato da realidade e não uma moldagem de uma realidade paralela que contribui tornando o medo recorrente e estimulando a violência pela banalização.

Seria estúpido não pensar que o bandido não está circunscrito no conjunto de elementos indiretos que permeia a sociedade. Por pior que seja admitir isso, o bandido é parte da sociedade e portanto também está influenciado por tudo que influencia ela. Assim, temos a MODA do bandido.

Por exemplo, a faca é uma coisa que está aí desde antes de aprendermos a falar. O homem primitivo usava facas de sílex, uma rocha vitrificada muito dura que quebra-se em lâminas afiadas. Desde sempre, as lâminas serviram para nos ajudar. Hoje, elas são usadas entre outras coisas, em assaltos a pedestres. A notícia de pessoas sendo esfaqueadas explode nos notíciários, vira tema do momento, e todo mundo se impressiona com a brutalidade. Logo começam a surgir outros casos de esfaqueamentos. Pessoas são esfaqueadas em ônibus, em ruas, em becos. Será que esses esfaqueamentos eram costumeiros e só agora viraram alvo de interesse da mídia ou de alguma forma os bandidos percebem que esfaquear é uma coisa que está aterrorizando as pessoas de tal maneira que eles resolvem usar esta tática para mostrar que também são fodões e infligir medo em suas vítimas?

São questões difíceis de explicar e que tangenciam as ciências de Segurança Pública, Psicologia Social, Mídia, Sociologia entre outras.

Meu amigo socorrista conta que esses sujeitos que roubam os carros para atividades criminosas costumam dirigir feito loucos, e nem sempre fugindo da polícia. Assim, eles acabam se metendo em acidentes com outros veículos, produzindo um caos do caramba, e quando conseguem escapar, logo roubam outro veículo e fogem. Sim, é bem como você jogando GTA!

Voltei para casa de guincho e ao deitar na cama para dormir revi mentalmente o que ele me disse. Por que isso é uma tendência apurada por um inegável testemunho de socorrista, que vê muito disso,  (chega a fazer ate dez atendimentos numa única madrugada) não há dúvida que ele sabe do que está falando.  Por que será que os bandidos que roubam o carro para atividades criminosas dirigem tão perigosamente? Entendo que o bandido que rouba o carro à mão armada, precisa evadir-se do local às pressas sob o risco de ser identificado e preso. Mas isso não explica o cara dirigir loucamente o tempo todo, (como ocorreu no sequestro relâmpago do meu amigo Américo, onde o cara dirigia como um Ayrton Senna reencarnado misturado com dublê de Hollywood)

Outra questão que me vem à mente é o que leva o bandido a esfaquear alguém por uma bicicleta. Outro dia, ouvia história de um bandido que atirou no rosto de uma menina mesmo após ela entregar a ele a bolsa e o celular. Outro caso famoso é o dos bandidos que após roubarem uma dentista, atearam fogo nela.  Isso é a barbárie pura e simples, que reflete a falta de foco no objetivo do banditismo.

Também me lembro claramente de um episódio recente envolvendo um dos bandidos mais procurados do Rio de Janeiro, um tal de Celso Pinheiro Pimenta, o vulgo “Playboy”.

Playboy comanda o tráfico de drogas na comunidade da Pedreira, em Costa Barros, na Zona Norte. A recompensa para pegar ele já subiu de R$ 2 mil para R$ 20 mil. Por que subiu tanto? Porque o Playboy gosta de fazer certas “presepadas”. Por exemplo, num dia de calor, ele invadiu um ciep e colocou boa parte de seu esquadrão de bandidos para tomar banho de piscina no bem público. Não obstante, as fotos foram parar na internet. Elas chegam a ser engraçadas:

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Nado ornamental com fuzil

Playboy ganhou ainda mais fama quando invadiu o depósito do Detran e distribuiu as motos apreendidas do depósito para a galera amiga de costa Barros. Isso o colocou na mídia. As presepadas despertaram a ira nos cabeças do controle da segurança pública municipal.

Pegando esse apanhado limitado por pura preguiça minha de pesquisar mais casos, podemos ver um fato claro que é: Os bandidos já não são mais os mesmos. 

Não há mais sofisticação na maior parte das atividades criminosas. Se  a sofisticação diminui de um lado, cresce a ousadia do outro. Os bandidos estão inegavelmente mais ousados. Mas convenhamos que tudo parece indicar que os bandidos de outrora eram mais profissionais.

Porra, até o  bandido do Brasil passa por uma crise de qualidade!

Veja meu ponto: Playboy (ligado à facção Amigos dos amigos – ADA) é chefe do tráfico em Costa Barros. Um traficante, em tese, deveria ser um homem de negócios. Ele precisa se preocupar com uma cadeia de abastecimento de entorpecentes, com a polícia e com os potenciais ameaçadores do negócio como as facções rivais, tipo Comando Vermelho ou TCP. Seus ativos são: Homens armas, dinheiro, veículos e pontos de venda, as bocas de fumo, ele precisa vender a droga mais cara do que compra, do contrario, não gera lucro.

O mundo dos traficantes é um permanente jogo WAR, onde peças são movidas de um morro para outro em busca de dominação de territórios ou mesmo de eliminação completa de um opositor. Nesse meio, ainda tem as duas polícias. A de verdade, que entra, prende, mata e esculacha. E a outra, que mantém o trafico operando para dele dilapidar uma parte, chamada “arrego”. O traficante também deve se preocupar com sua segurança pessoal, com o controle da área de atuação – sempre sob ameaça – e também com devedores, quase sempre mortos e desovados em matagais, como “aviso”.

Um traficante que pega os homens e os coloca para fazer graça na piscina, ou rouba motos em poder do estado para distribuir como um papai noel da comunidade, está atraindo a atenção para si de uma maneira que ao que tundo indica, não é das mais produtivas olhando apenas o negócio da vende de drogas. Claro que há outros fatores em jogo, como o capital social, a autoafirmação e a construção de uma pseudoliberdade, já que no fundo, todo chefe do trafico vive mais preso do que solto.

Outro exemplo da incompetência no crime é a desses bandidos que esfaqueiam vítimas, ou atiram nas pessoas que assaltam, o vulgo latrocínio. Se um bandido quer roubar, o objetivo de sua operação deveria ser o produto do roubo. A morte surge como um plus, uma necessidade de se impor como alguém com tremendo poder capaz de decidir se a vítima deve viver ou morrer. Ter mortos “nas costas” é um ativo que parece valioso no mundo do crime. O sujeito que mata barbaramente, ganha status com a prática no circuito canhestro do crime.

Mas ao dar um tiro, o ladrão está em primeiro lugar, chamando a atenção pelo som. Em segundo, seu crime muda brutalmente de peso. Em terceiro, ao matar a vitima, o bandido desperdiçou uma cápsula de projetil, que ele poderia usar para se defender. A arma de um criminoso deveria ter uma função intimidatória, mas a banalização do crime leva a contar um assalto que vira assassinato como uma vantagem e não uma prova de incompetência. Um bandido eficaz rouba rápido, discretamente e evade-se da área antes que possa ser pego. Um bandido competente, precisa ser preciso. Precisa saber escolher, lidar com diversas variáveis. Não chamar a atenção é um item fundamental para um bandido qualificado.

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Mas veja que nem o bandido consegue mais fazer o trabalho dele direito. Nego já chega noiado. De cara isso é um fail tremendo.

Qualquer um sabe que não se deve operar equipamentos sob efeito de qualquer tipo de entorpecentes. O trabalho do bandido é ser preciso, mas doidão, ninguém consegue ser preciso. Do mesmo jeito que um equilibrista de circo que chega no trabalho bêbado é um incompetente, um bandido que vai para o crime chapado não está sendo bom profissional. As chances dele errar aumentam muito e o erro do bandido pode resultar na própria morte ou na própria prisão.

A coisa fica ainda pior no universo do tráfico. Hoje temos uma verdadeira aberração, que é o traficante-viciado. Traficante profissional não pode ser viciado, porque isso simplesmente não funciona. Tanto não funciona que Fernandinho Beira Mar mandou darem uma surra no próprio filho no dia que soube que o filho dele estava cheirando cocaína. Fernandinho beira-mar não é burro. Ele sabe que se o traficante viciar no produto que vende, boa parte do negócio vai pro ralo.

Um traficante que exibe as armas que tem para a Tv e para a internet está cometendo a burrice de deixar de lado o foco no negócio para se expor. Assim ele fica mais visado, e é mais fácil de ser reconhecido. A inteligência opositora, (polícia ou facção rival) vê que armas ele tem, e assim pode planejar melhor a invasão. Tirar onda nem sempre é um bom negócio, sobretudo quando o seu negócio é o crime.

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Se exibindo em selfies com armas e cara de mau

 

Outro erro muito comum entre os criminosos é envolver menores no trabalho. Hoje em dia, se tornou uma moda o uso de menores no crime. Eles são praticamente descartáveis, além de se beneficiarem da legislação brasileira que entende um sujeito de 17 anos armado com fuzil como uma criança sob risco social.

Não interessa aqui o que diz a letra da lei. Deixo essa banana para os juristas. A questão é que um menor, por mais esperto que ele seja, sempre estará imbuído de uma impetuosidade típica da juventude que pode – e quase sempre é – prejudicial ao negócio do crime. Esses caras socam o dedo sem piedade, porque são naturalmente inconsequentes. Isso também os torna especialmente perigosos, porque eles se arriscam mais na medida em que estão presos à fantasia da imortalidade. Com relação à noção de tempo, o adolescente apresenta contradições entre o imediatismo e a capacidade de postergar indefinidamente qualquer ação. E como eu já disse, nem sempre isso é bom para os negócios do crime.

Num estudo que li, jovens ao serem questionados sobre a morte, apontaram algumas reflexões: “não tenho medo de morrer”; “não faço nada para preservar a vida, corro riscos”; “não penso na possibilidade da morte acontecer comigo”; dessa forma, podemos perceber que o jovem sabe que ele morre, mas ele vai desafiando as condições porque intui que morre quando ele quer.

Assim, num período do desenvolvimento marcado por mudanças no corpo, profundas transformações, novas experiências, conflitos de sentimentos, busca da identidade, questionamentos da família, sociedade etc., o paradoxo vida e morte se mostra fortemente presente. Há uma busca intensa pela vida, expressando-se sentimentos de onipotência e imortalidade e, com isso, podendo ocorrer uma aproximação de perigos e a possibilidade de morte. Isso não é uma exclusividade humana. Sabe-se que a maioria dos esquilos que acabam presos em calhas, estão na adolescência. É um período em que o animal esta fisicamente apto para explorar o mundo mas imaturo suficiente para saber como lidar com as situações que se apresentam. Isso significa que numa situação de crime, há menor chance da vitima se ferrar num encontro com um bandido adulto do que com um jovem, principalmente se calhar do maldito ser virgem.

O perigo do bandido virgem

Há um risco grande de que o bandido virgem seja muito mais violento (leia-se “descontrolado”).

Alguns psicólogos evolucionistas sugerem que o que distingue o Islã de outras grandes religiões é que ele tolera a poligamia. Ao permitir que alguns homens possam monopolizar todas as mulheres, está automaticamente excluindo muitos homens de oportunidades reprodutivas. Assim, a poligamia cria escassez de mulheres disponíveis. Se 50% dos homens têm duas esposas cada um, o outro 50% será formado por homens sem mulher.

Então, a poligamia seria um fato de aumento na pressão competitiva sobre os homens, especialmente homens jovens e de baixo status social.

Talvez por isso, aumenta a probabilidade de que os homens jovens recorram a meios violentos para ganhar acesso a uma parceira. Ao fazer isso, eles têm pouco a perder e muito a ganhar em comparação com os homens que já têm esposas. Em todas as sociedades, a poligamia faz os homens ficarem mais violentos, aumentando crimes como assassinato e estupro, mesmo após o controle de tais fatores óbvios como o desenvolvimento econômico, a desigualdade econômica, a densidade populacional, o nível de democracia, e fatores políticos na região.

Mas obviamente, a poligamia não é causa suficiente de atentados suicidas. Sociedades na África Subsaariana e no Caribe são muito mais polígamas do que as nações muçulmanas no Oriente Médio e Norte da África e apesar de terem níveis muito elevados de violência, não têm histórico de atentados suicidas.

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Terrorista saudita explode a própria bunda em atentado (não é zoeira!)

O outro ingrediente chave é a promessa de 72 virgens à espera no céu para qualquer mártir no Islã. Isso pode parecer uma ideia ridícula para nossa sociedade excessivamente sexualizada, mas a perspectiva de acesso exclusivo a virgens é bastante atraente para quem enfrenta a realidade sombria de ser um perdedor reprodutivo completo no mundo dos vivos.

A combinação de poligamia e a promessas de um grande harém de virgens no paraíso motiva muitos jovens muçulmanos a cometer atentados suicidas. Consistente com esta explicação, todos os estudos de homens-bomba indicam que eles são significativamente mais jovens que não só a população muçulmana em geral, mas outros não-suicidas, membros de suas próprias organizações políticas extremistas como o Hamas ou o Hezbollah. Outro dado curioso é que quase todos os homens-bomba são solteiros.

Assim, eu acredito que os bandidos decaíram de qualidade técnica com o passar dos anos. Não sei dizer em que momento isso se tornou mais palpável, talvez porque me falte conhecimento acerca da história da segurança publica nos últimos 40 anos. É fato que nesse período os grandes centros urbanos incharam tremendamente e a desigualdade social cresceu e lentamente começou a decair.
Creio ser desnecessário dizer que no fundo todo bandido é burro porque optar pelo crime já pressupõe uma decisão arriscada demais para ser considerada vantajosa, revelando de cara uma falha na avaliação de risco e visão de futuro, pois segundo o dito popular: “coisa difícil é bandido se aposentar”.
Todo bandido é burro mesmo? Será?

Talvez não. Tal qual meu amigo que não vê a crise, pode ser que eu esteja simplesmente errado ao pensar nisso tudo, já que os bandidos conhecidos são os que poderíamos chamar de “Burros” que se expõe, que erram e que são presos. É possível que universo de bandidos que conhecemos não seja composto somente dos “burros”. Esse universo pode não corresponder efetivamente ao todo da bandidagem, mas sim a parcela que “aparece”.

Pode ser que os bandidos espertos existam, mas como são espertos, não aparecem, não são pegos e continuam por aí. Trabalhando, e não contando nas estatísticas do crime, o que é uma ideia igualmente instigante e assustadora.

* Acredite se puder, no meio deste post me ligou um “filho” dizendo que os traficantes pegaram ele. Era (de novo) o golpe do falso sequestro. E há dois minutos atrás dispararam aqui perto de casa duas saraivadas de tiros de metralhadora.

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23 comentários em “A falta de profissionalismo dos bandidos”

  1. De fato, um exemplo é organizações criminosas que cobram mensalidade dos bandidos…

    Porra! o cara tem que pagar pra ser bandido? é melhor ser um patrão do mundo gump!

    • Algumas organizações criminosas, como certas mafias costumam mesmo cobrar dos bandidos. Elas trabalham muito similarmente como as Networks para os canais de video. Uma grande corporação do crime, ou facção, pode facilitar a compra de drogas armas. E como eles tem grande poder de compra, são como o Carrefour comprando banana. NUNCA, JAMÉ que um traficante de bairro consegue o mesmo preço de um grande atacadista, feito a Mafia russa que chega comprando tonelada na Colômbia.

    • Tenho um amigo que foi assaltado, os caras levaram ele para um matagal no final da Barra. Colocaram a arma na nuca dele, mandaram ajoelhar e disseram que iam executá-lo. O cara se preparou pra morrer de tiro na nuca quando o bandido desistiu de matar e foi embora. Imagina a trancada de cu épica que esse cara deu!

  2. Antes de mais nada, gostaria de agradecer por você não ter matado o blog (ou o ressuscitado) e parabéns pelas novas iniciativas, vejo um futuro promissor e logo logo pretendo contribuir no patreon.
    Agora voltando ao assunto do post
    Hoje em dia o que mais ouvimos falar é da “ostentação”, que cá entre nós é algo natural do ser humano, se você ganhar na loteria vai comprar um carrão, por quê? Pelo conforto? Também, mas pela ostentação também. Mas o ponto em que eu quero chegar é que se nós temos esse desejo, mesmo que incubado, imagine eles que estão com a faça e o queijo na mão?
    E realmente eles estão ficando mais ” burros”, talvez pela imaturidade dos próprios bandidos ou até mesmo o líder deles é mais imaturo do que eles, e os permite agir de tal forma.

  3. Belo post! Tenho que concordar que os bandidos estão cada vez mais ousados, mas não concordo que seja uma falta de profissionalismo, pois estas a considerar que o foco principal do bandido é simplesmente roubar, cometer outros tipos de delitos de forma discreta e soturna e etc, como até outrora pode ter sido. Mas, através do fatos que você mesmo expôs é possível, através de outra perspectiva, concluir que não são os criminosos que desviaram-se de um objetivo comum ou de uma suposta conduta, mas são os objetivos e os focos que mudaram: até me parece que a aquisição material e o desejo de realização pessoal e de imposição social partilham o mesmo peso no objetivo de um assalto, por exemplo . Na minha opinião, vejo que na mente de um criminoso de comportamento extremamente violento (os tipos de criminosos citados em maioria em seu post), o modus operandi discreto e o estapafúrdio, barulhento, têm o mesmo efeito: ambos costumam dar certo, independente das vantagens e desvantagens de cada. Sendo muito mais corriqueiro o segundo modus operandi, credito este fato a, talvez, uma tendência a hábitos inconsequentes e de vislumbres quase psicopatas que vêm se tornando comuns entre estes sujeitos.
    Em uma época muito triste, onde quase todos conhecem ao menos um alguém que tenha sido vítima de algum crime, só posso lhe desejar paz no meio dessa saraivada de tiros!

  4. Eu costumo dizer que nunca fui assaltado, mesmo tendo levado 2 tiros de um assaltante, mas isso foi por irresponsabilidade minha de reagir ao assalto, pois eu era meio idiota (não que isso tenha mudado muito entre os 16 que eu tinha na época e os 19 que tenho hoje). Bandido não levou nada, me deu um tiro na perna e um na barriga e saiu correndo. Acho que o cara tava tão noiado, que em vez de arrancar o celular do meu bolso, deu os tiros e saiu correndo.

  5. Quem sabe os bandidos mais impulsivos são alguma cria daqueles que conseguem planejar suas ações, seria um bom modo de desviar as atenções.

  6. Pois é Captain Philips! Você descobriu coisas que venho afirmando há algum tempo! Mas o essencial é compreender que uma das coisas que forma o pensamento criminoso atual é a ignorância funcional e cultural!
    Explico: Para alguns traficantes exibicionistas, a vida é aquilo que ele vê próximo ao meio ambiente dele e nas novelas da Globo. Alguns aprendem desde cedo um cruel divisão social : “O pessoal da Zona Sul tem tudo e nóis num tem direito a nada!” Some-se a isso o exibicionismo imediato de quem já está no caminho do crime, o universo Funk e Racionais MC o tempo todo inculpando a Classe A pelas mazelas dos mais pobres, a cultura intelectual podre de promover uma “inclusão social” direta por canetadas em vez de tornar o poder aquisitivo da Classe social D igual ao da Classe social C e a C tal e qual a B e assim por diante…Como? Simples! Basta o governo fazer duas coisas: Parar de atrapalhar a economia do país, e governar para o povo! E polícia e Justiça? Fiscalizar as leis para punir os criminosos sempre que cometerem crimes e com todo o rigor possível! Reprimir mesmo! E essa balela de ressocialização e recuperação de criminosos em estabelecimentos prisionais é pura besteira! Cadeia é feita prá punir! Lá o cara fica trancado! Com o mínimo de visitas possíveis (aqui se bobear a família tá todo dia na cadeia visitando o “santo”) no máximo uma vez por mês e olhe lá! Trancado o sujeito vai sofrer e repensar a sua vida e se for esperto vai comer o pão que o diabo amassou e nunca mais vai fazer merda prá voltar! E se não for capaz disso vai se lascar! Será trancada toda a sua vida! Crimes hediondos? Rito sumaríssimo de processamento e julgamento! Cometeu crime hediondo? Vai a julgamento em cinco dias no máximo! Acabar também com essa história de tratar viciado, o famoso usuário, de drogas como um coitado, uma vítima, que precisa de ajuda e não de castigo! Penalizar fortemente o viciado, criando o tratamento compulsório de drogas em Sanatórios do Governo (verdadeiras maravilhas!) Assim quebraremos o ciclo que sustenta o tráfico e desaceleraremos a facilidade de ganhar dinheiro desse inimigo tão cruel!.
    E por que campanha contra o cigarro por exemplo foram tão eficientes a ponto de mudar completamente os hábitos da sociedade e as campanhas contra as drogas são tão fraquinhas e duram tão pouco tempo? Por que não instituir o anti-doping para funções públicas vitais como promotor, juízes, policiais e médicos inclusive? Por mim se a campanha contra o consumo de drogas fosse séria mesmo, nem para matricular em colégios públicos ou universidades eu dispensava o anti-doping. Acreditem as surpresas que aconteceriam….

    • Quanto Juiz e engenheiros maconheiros seriam pegos, chega a ser que nem os republicanos no EUA, onde repreendam o homossexualismo e vivem mordendo a fronha.

  7. Morei 7 anos na baixada Fluminense, e sempre ia ao Rio de Janeiro, apesar de nunca ter ido a noite… Nesse período, nunca fui abordado, apesar de, quando cheguei lá, sempre estar preocupado que poderiam me roubar e levar alguma coisa.
    Com o tempo fui reparando que, de certa forma, eu era uma pessoa a ser menos cotada para assalto, uma vez que sou negro e sempre andei meio largado, até com roupas velhas, e não usando nada que transparecesse que eu tivesse algo de valor.
    Agora moro em Brasília, e reparei também que, a noite, outras pessoas aparentam ter mais medo de mim do que necessariamente eu ter medo delas, o que demonstra que aparência conta muito sobre uma potencial vítima de um assalto ou outra coisa.
    É um preconceito silencioso, mas de certa forma, me deu o privilégio de não ter sido assaltado… Ainda!!

  8. Achei interessante a coincidência de temas.
    Li seu artigo hoje de madrugada e algumas horas depois na, na rua onde eu moro, bandidos tentaram levar um caixa eletrônico, de um mercadinho, usando um caminhão e uma retroescavadeira.
    Segue o link da notícia: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/06/assaltantes-usam-retroescavadeira-para-roubar-caixa-eletronico-no-rio1.html

  9. O fato da desigualdade social ter realmente caído nos últimos anos (num ritmo lento, é verdade) e ainda assim a violência ter aumentado – e, pasme, aumentou MAIS onde mais caiu a desigualdade, nas capitais do Nordeste – nos mostra uma coisa importante: nossa violência tem raiz social, mas desenvolve-se porque há toda uma cultura de violência. Há países mais desiguais e com mais miseráveis que o Brasil (um bom exemplo é a Índia) que tem indicadores menores em homicídios e outros crimes violentos, como assaltos. E recentemente os bandidos resolveram, sim, que quanto maior o risco, maior o “status”.
    No Rio de Janeiro os assaltos com facas não são algo novo: fui assaltada com uma faca nos anos de 1988 e 2004, acho que o que realmente mudou é que ultimamente os bandidos resolveram usar as facas não apenas para intimidar.
    E, para mim, isso tudo vem do culto ao ódio tão presente na nossa sociedade, a quantidade de ricos e de pessoas de classe média que adorariam ver a pobreza suprimida com a supressão literal dos pobres, de preferencia por morte, encontra eco também na quantidade de pessoas mais pobres que adorariam subir na vida e esfregar na cara dos demais o sucesso – a tal ostentação. tudo isso tem explodido em evidente tensão social, que gera violência.
    Outra coisa, muita gente fala da geração mimada se referindo à galera de classe média, mas ha um número enorme de pessoas realmente pobres sacrificando-se além da conta para satisfazer vontade de filhos que crescem para descobrir que não é tão facil ter um galaxy S5 que os pais pagaram em 18 vezes pra agrada-los e resolves pegar atalhos para ostentar, ter carro, levar uma “vida de playboy”.
    Não sei qual seria a solução, mas não acredito, por exemplo, que reduzir a maioridade penal reduza os crimes violentos, até porque os menores que se envolvem em crimes continuam comentendo-os depois de se tornarem maiores, o que prova que cadeia aos 16 não inibe a violência, e, por outro lado, o aumento da população carceria não significa também que “mais bandidos presos, menos bandidos na rua”. a polícia pode prender muitos, mas o estimulo para o crime segue intacto. O unico caminho possível é investir pesadamente numa educação de qualidade e que abra mentes e horizontes, o que, francamente, não acredito que seja plano de governo nem para oposição ou paera a situação.
    Resumindo: tá ruço. E enquanto escrevia isso, ouvi tiros perto da minha casa, em são cristóvão. Morar no Rio é viver com medo, infelizmente.

  10. Acho que não dá pra negar que a violência está dominando nas nossas cidades. As vezes me vem na cabeça umas idéias conspiratórias, que enquanto temos que lutar pela “sobrevivência” e integridade física, mais difícil pensar e questionar os impostos altíssimos e corrupção escancarada. Alguém deve se beneficiar disso…

  11. Nossa Philipe caramba olhar por essa perspectiva desanima muito, aqui em SP tem muito assalto de moto sabe, vc chegando ou saindo de casa, a maioria n usa armas e assalta mulheres.
    Tem muito furto, mais é difícil ver tiroteio, eu mesma nunca vi e sempre morei na periferia, mais é foda de qlqr maneira, qm se ferra é sempre o cara q sai de casa cedo e vai trabalhar e volta tarde da noite. Já fui assaltada 12:00 no ponto de onibus!!

  12. “Será que esses esfaqueamentos eram costumeiros e só agora viraram alvo de interesse da mídia ou de alguma forma os bandidos percebem que esfaquear é uma coisa que está aterrorizando as pessoas de tal maneira que eles resolvem usar esta tática para mostrar que também são fodões e infligir medo em suas vítimas?”

    As duas coisas. A mídia que vender inescrupulosamente, isso acaba por alimentar um ciclo. Isso me lembra aquela famosa foto do moribundo garotinho africano prestes a ser devorado por um abutre.

  13. Post interessantissimo, a segurança pública no Brasil está muito comprometida, bandido inteligente é aquele que nem aparece em público e ninguem sabe seu rosto, ele utiliza outros para fazer o trabalho sujo, esses sao os verdadeiros chefões do crime, até porque criminosos ditos “bondosos” se expõe muito, vide pablo escobar por exemplo, então eu penso que esses caras sabem que podem morrer, mas gostam de se mostrar como verdadeiros heróis, que infelizmente as crianças que não tem acesso à uma educação digna acabam querendo seguir o exemplo de seus heróis e mártires, isso acaba virando um circulo sem fim

  14. Cara, o RJ é um centro de estudo de sofrimento humano…. A Rubia disse tudo que eu podia dizer, mas preciso somar umas coisas: Eu sempre fui ao centro de São Paulo (tido como um dos piores locais para uma garota, sozinha, estar usando tenis celular mochila bolsa; e NUNCA fui assaltada. Mérito do meu anjo, eu sei. Algumas pessoas com quem estudei, não foram muito longe na vida, a tumba chegou antes da aposentadoria, mas você já sabia o caminho que aquele ser humano queria desde a 5ª série…

    Entrega o sistema prisional pro exercito, coloca eles pra abrir estrada de ferro, treina em construção civil, esteriliza. Aposto que 10% vira gente, 10% vai pra tumba, e 80% a gente manda de volta até acabar….

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