A coisa que vive no interior do reator de Chernobil

No dia 26 de abril de 1986 um dos maiores desastres nucleares já testemunhados pelo planeta ocorreu na usina nuclear de Chernobil, na União Soviética. Este acidente é até hoje considerado o pior acidente nuclear da história da energia nuclear. Ele produziu uma nuvem de radioatividade que atingiu a União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido.

Grandes áreas da Ucrânia, Bielorrússia (Belarus) e Rússia foram muito contaminadas, resultando na evacuação e reassentamento de aproximadamente 200 mil pessoas. Cerca de 60% de radioatividade caiu em território bielorrusso.
O acidente fez crescer preocupações sobre a segurança da indústria nuclear soviética, diminuindo sua expansão por muitos anos, e forçando o governo soviético a ser menos secreto.

A usina de Chernobil está situada no assentamento de Pripyat, Ucrânia, 18 km a noroeste da cidade de Chernobil, 16 km da fronteira com Belarus, e cerca de 110 km ao norte de Kiev. A usina era composta por quatro reatores, cada um capaz de produzir 1 GW de energia elétrica. Em conjunto, os quatro reatores produziam cerca de 10% da energia elétrica utilizada pela Ucrânia na época do acidente. A construção da instalação começou na década de 1970e só terminou em 1983. Dois reatores adicionais foram colocados depois, para a ampliação da capacidade de geração de energia e estavam sendo construídos no período do acidente.

Para explicar o que desencadeou a horrível explosão existem duas teorias contraditórias. Muitos cientistas acreditam que as duas estejam certas em alguns pontos e que se unam para explicar que acidentes dessa magnitude ocorrem por uma série grotesca de pequenos erros que gerem este tipo de desgraça.
A primeira teoria para explicar o acidente foi publicada em agosto de 1986, e atribuiu a culpa, exclusivamente, aos operadores da usina. A segunda teoria foi publicada em 1991 e atribuiu o acidente a defeitos no projeto do reator RBMK, especificamente nas hastes de controle. Ambas teorias foram fortemente apoiadas por diferentes grupos, inclusive os projetistas dos reatores, pessoal da usina de Chernobil, e o governo. Outro importante fator que contribuiu com o acidente foi o fato que os operadores não estavam informados sobre certos problemas do reator.

Mas o fato que interessa é que naquela madrugada do dia 26 de abril de 1986, à 1:23:58, o quarto reator da usina de Chernobil – conhecido como Chernobil-4 – sofreu uma catastrófica explosão de vapor que resultou em incêndio, uma série de explosões adicionais, e um derretimento nuclear.

O fato bizarro ocorre agora, vinte e um anos depois da catástrofe que matou muitas pessoas e gerou uma área de isolamento por alta radioatividade ao redor da usina.

Como num roteiro de ficção científica, um robô foi enviado até o interior do reator nuclear nos escombros desolados da antiga usina nuclear e ao contrário do que imaginavam os cientistas, eles encontraram vida naquele ambiente inóspito.
Há uma fina camada de um estranho limo negro crescendo pelo interior das paredes do reator. Isso parece ser tão louco quanto ver um ET dançar na Lua, uma vez que as taxas de radioatividade estão tão altas lá dentro que não era para haver absolutamente nenhuma vida.
Impressionados, os cientistas resolveram obter amostras do estranho limo, desconhecido até então. Quando o robô retornou, e os cientistas foram examinar o material coletado, eles ficaram ainda mais perplexos.

O limo era um tipo de fungo pouco conhecido, que não só estava conseguindo viver com tamanha radioatividade no ambiente, mas estava se alimentando dela!

Pequenas amostras do limo cresceram significativamente mais rápido ao serem expostas a uma radiação 500 vezes maior que a normal. Os cientistas puderam descobrir que o fungo está usando a melanina, uma substância que afeta a cor da pele humana, da mesma forma que as plantas usam a clorofila.
Dessa maneira, a molécula da melanina é atingida pelo raio gamma e sua química é alterada de alguma maneira, gerando energia para o fungo. Isso é uma descoberta incrível, porque até então ninguém imaginou que isso seria possível.
A despeito da vocação sensacional desta história para uma adaptação de jogos do tipo Half Life e filmes como Resident Evil, começou um alvoroço na comunidade científica sobre as possibilidades de pesquisa que esta porta abriu.
Teríamos nós, humanos, alguma capacidade, mesmo que ínfima de obter energia da radiação?

Esta descoberta da capacidade de alimentação radioativa do limo poderia gerar uma série de respostas que há muito tempo buscamos em diversas áreas, como por exemplo, a paleontologia e a astrobiologia.
Se na Terra temos animais capazes de viver em ambientes tão extremos, isso abriria uma forte possibilidade de que em ambientes parecidos, em outros planetas cheios de energia radioativa ionizada exista vida similar.
Até então, muitas pessoas desacreditavam da teoria de que a vida pudesse ter vindo do espaço distante à bordo de um meteoro, porque as taxas de radiação no espaço são altíssimas.

Há ainda a possibilidade de manipular genes destes incríveis fungos para gerar cogumelos e plantas que possam retirar radiação de ambientes, funcionando como uma espécie de bio-filtro para o lixo atômico, que ainda é um dos grandes problemas da energia nuclear. Embora os fungos não possam comer isótopos radioativos não é difícil imaginar que eles possam ser usados para sinalização e para verificação de áreas contaminadas. Eles poderiam, em tese, ser usados para concentrar os isótopos em certas áreas, facilitando a limpeza de ambientes contaminados.

Seja como for, a terrível experiência da tragédia de Chernobil provou não ter sido em vão. As milhares de mortes diretas e indiretas daquele incidente lamentável enfim deixaram algo de bom. Após o o acidente, todas as usinas passaram a adotar um sistema rígido de segurança, com vários graus de redundância para prevenir desastres e falhas humanas, técnicas e mecânicas, o que deixou a nossa vida um pouco mais segura e a descoberta dessa nova espécie de fungo poderá ajudar a humanidade a responder varias perguntas, principalmente a que sempre nos atormentou:
“De onde viemos?”

Fontes:
Science A gogo
Wikipedia
Doug´s Darkworld

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15 comentários em “A coisa que vive no interior do reator de Chernobil”

  1. Ótima materia, nunca pensei que algo vivesse em chernobyl.
    Será que daqui pouco acham cachorros mutantes igual no jogo stalker? hehe

    O novo mundo gump esta ótimo, como sempre foi

  2. nossa… isso é mais bizarro que o video da bruxa ( http://www.youtube.com/watch?v=NqugKE8QZH8 ) que acabo de assistir! tive até um baque ao saber da existencia do tal fungo.

    sobre o acidente, há tempos atras, um antigo professor meu contou-nos a verdadeira historia do acidente. ele conhecia um dos operadores da usina. bom, nao lembro os detalhes e nao consegui gravar por mto tempo as informacoes mais tecnicas dessa historia, mas sei como começou: atraves de uma ridicula aposta entre dois operadores, algo do tipo: “o motor propulsor aguentaria ou nao se submetido à certas condicoes (nao lembro quais)”. e, bem… ele nao aguentou. no final, acho que nao houve vercedor…

    ah, sucesso com a nova fase do Mundo Gump 😛
    apesar de quase nunca comentar, estou sempre acompanhando teu blog.
    abraços!

  3. Pelo que eu vi no discovery o cara que comandava a usina quiz fazer o teste com o reator gerando algo como 400KW (tô dando exemplo) e o manual dizia que o mínimo era 2000KW! Como o próprio reator puxava a água para se resfriar a usina acabou superaquecendo e se derreteram as paredes do reator. Jogaram barras para parar a radiação (barras de segurança na tampa do reator) e isto fez o efeito contrário – uma explosão!

  4. Claro que nós nos alimentamos de radiação, embora em escala não tão radical, porém a luz do Sol, indispensável à vida, é um tipo de radiação e ponto.
    E mais: alguém já ouviu falar da Radiodurans, uma forma de vida que existe DENTRO dos reatores nucleares e possui a capacidade de reconstruir o próprio DNA?
    Existe e existe, TÔ FALANO, brother!
    Mais incrível que isso, só aquela bactéria Bacilus Permians, que ficou 250 milhões de anos adormecida dentro de uma pedra de sal e há pouco tempo “acordou”.
    Dizem que a primeira coisa que ela fez foi ir até a garrafa de café do laboratório. E encheu a cara de cafeína.

  5. É meio obvio que viveria algo lá, esses cientistas são tudo tapado, o mundo se adapta.
    Em outros planetas também à vida, só que esses cientistas acham que só pq nos respiramos Oxigênio os outros animais tem que respirar Oxigênio, eles podem respirar metano, ou outra coisa ou nem respirar viver de outra coisa.

    Nos podemos nos mutar, talvez se nos vivêssemos a uma umidade muito alta durante anos nos poderíamos desenvolver branqueas e poderíamos respirar na água, e depois ocorreria a mutação no nosso corpo para podermos se locomover melhor, ou se não se fossemos exposto a radiação pequena e aumentando gradativamente nós nos mutariamos.

    Mas claro isso duraria anos muitos anos

    Abraço a todos.

  6. Acho meio fraca como prova do início da vida, por favor parem de fantasiar e estudem um pouco. Porém uma boa notícia que algo resiste a aquele tipo de radiação.
    Abraço a todos.

  7. Li isso na SuperInteressante agora, fui no google pesquisar e me traz de volta ao mundo gump!
    Parabéns pela ótima matéria, que está mais completa que a da própria revista!

  8. Eu também li isso na Super Interessante, e fui pesquisa no google que também me trouxe ate aqui!!!

    O artigo está excelente…Abraço a todos…

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