A caixa – Parte 39

Eu não sabia o que dizer a Leonard, então fui direto:

-O padre surtou!

-Surtou? Como assim surtou? – Leonard parecia confuso. Entrou na cozinha toda suja. – E você? – Ele perguntou olhando para a Mara.

-Essa é a Mara. -Eu disse, enquanto me  limpava.

-Ah…

-Prazer. – Disse a Mara sem graça, apertando a mão de Leonard.

-Leonard, ao seu dispor. – Ele falou, beijando a mão da Mara num jeito antiquado.

Leonard então olhou pra ela de cima abaixo. Se virou pra mim e disse: – É bonita mesmo, hein? Agora entendo porque você voltou na caixa.

Mara ficou meio sem graça com o jeitão do Leonard.

-Não liga pra ele. Eu te disse que ele é meio doido. – Eu disse.

Leonard estava agachado, testando os batimentos do padre que estava emborcado no piso frio, desacordado.

-Tá, agora vamos aos fatos… O que diabos aconteceu aqui nessa cozinha, minha gente? – Ele perguntou.

-Bom, nós chegamos bem cedo e o Padre Amadeu abriu pra nós. Ele veio fazer um café… Estava tudo normal e…

-Calma. Você está me dizendo que não dormiu aqui?

-Não… Então, eu dormi na casa da Mara.

-Você o que???

-Calma…

-Vem. Me ajuda a pegar ele. Vamos levar ele la pro quarto. – Leonard ordenou. Eu obedeci, agarrando o padre numa perna, a Mara na outra e Leonard levantou- o pelas costas. Após deitarmos o padre na cama, voltamos para a cozinha.

-Que merda… Olha só essa bagunça. Eu precisava de um café. Mas olha só pra isso. Mas então quer dizer que o inconsequente do Anderson não dormiu aqui como eu mandei…

Mara abaixou-se pegou algumas coisas do chão e começou a lavar na pia.

Eu estava mudo, não sabia nem por onde começar. Foi a Mara que acabou adiantando o assunto.

-Seu Leonard, é que apareceu aquela coisa… Aquela velha sem os olhos na minha casa. – Disse Mara.

-A velha?- Leonard parecia desconfiado.

-Isso, ela apareceu na casa da Mara, quando eu falava com ela pelo telefone. Eu não sabia o que fazer, você não estava aqui… Deixei recado e fui pra lá. Acabei que eu enfrentei ela. – Falei.

-Enfrentou? Há! Peraí. Deixa eu sentar aqui. Conta mais. – Disse Leonard, irritadíssimo, abanando o ar.

-A velha apareceu, e eu usei uma espada e cortei fora o dedo dela. Ela estava querendo o meu olho.

-E a senhora?

-Eu… Eu desmaiei, eu acho.

-Acha…

-É… Acho. – Disse Mara. Estava bem claro pra mim que a Mara não tinha ido muito com a cara do Leonard. Mas eu não sabia se era recíproco.

-Tá, continua.

-Bom, eu cortei o dedo da velha, mas então ela sei lá, ela me suspendeu no ar e…

-Ah não. Agora que eu tô vendo. -Disse o Leonard, assustado olhando na minha cara.

-Pois é. Ficou meio estranho, eu sei.

-Ela trocou o seu olho?

-É… Tipo isso. -Eu disse, já meio sem graça. Meu medo é que o Leonard desse uma crise igual a do padre.

-Foi quando o Padre viu o olho dele que deu o surto, seu Leonard. – Falou a Mara enquanto esquentava a água da chaleira para fazer um novo café.

-Hummm. – Leonard gemeu. Levantou da cadeira. Parecia preocupado. Ele andou até a pia e abaixou-se. Debaixo da pia ele pegou o punhal com a cruz de prata no cabo. Ficou olhando.

-Não vai me dar um surto também, Leonard. Pelo amor de Deus, hein?

-Você não tem ideia da gravidade disso. – Falou Leonard num tom estranho, baixo, grave. Voz de enterro. Ele parecia locutor de funeral.

-Disso aí ou disso aqui? -Eu perguntei apontando meu olho novo.

-Disso aí. Para Amadeu pegar isso aqui, é porque isso aí é muito grave. A Áugura fez uma jogada perigosa.

-Leonard…

-Não olha pra mim!

-Hã?

-Não olha pra mim, porra! Abaixa a cabeça, agora! – Gritou Leonard, me apontando o punhal na cara. Tratei de obedecer. Mara começou a chorar de medo. Leonard parecia furioso. Eu não duvidaria dele estocar aquela coisa na minha cara como o padre havia tentado fazer minutos antes.

-Tudo bem, tudo bem. – Eu disse, olhando para baixo.

-Calma. Calma. Tá tudo bem. Não precisa chorar.- Ele tentou acalmar a Mara.

-Eu… Eu tô bem. Desculpa. – Disse a Mara, limpando o rosto e se concentrando no café.

-Sabe, tem mais… – Eu disse,meio ressabiado.

-Mais?

-Eu vi um fantasma com o olho novo.

-Conta isso. Sem olhar pra mim! Olha pra baixo, porra!

-Ah, tá. desculpa. – Eu disse.  – Eu estava na varanda, e vi uma fumaça, uma coisa meio disforme, que então, consegui enxergar mais ou menos bem com o olho novo. Era o guru que apareceu pra mim sob o poste, lá na caixa. Aquele guru que eu te contei no ônibus, lembra?

-Hummmm. Lembro. Ela te deu um olho místico. -Disse Leonard.

-E? …O que isso quer dizer, seu Leonard? – Perguntou a Mara despejando o café cheiroso na xícara.

-A bruxa está vendo tudo que ele está vendo. E não duvido, ela poderá controlar algumas pessoas através dele.

-Então ela sabe o que esta acontecendo aqui? – Perguntou Mara.

-Não. Ela só esta vendo o que ele vê. Mas o problema não é o que ela vê. O problema é o que ela fará com o olho que ela tirou dele.

-Ai meu Deus, e agora? – Perguntei meio sem saber o que fazer.

-Bom… Temos que manter a calma. O desespero não vai ajudar. Ela conseguiu um olho… Mas a pergunta que me intriga é: Se ela conseguiu te atrair a uma armadilha e arrancou um olho, por que ela não te tirou os dois logo de uma vez?

-Eu também não sei. – Falei, com a cara enfiada na xícara de café. Achei que era a hora de contar a verdade. – Ela disse que iria poupar um olho, mas que eu devia te matar. Se eu te matasse, ela disse que iria me deixar em paz.

Leonard soltou uma sonora gargalhada que ecoou na casa paroquial.

-Me matar? A velha endoidou mesmo.

-Pois é.

-Claro que não é isso. Não pode ser. Ela sabe que você não conseguiria fazer isso. Há um outro motivo para ela não ter tirado os dois olhos de uma vez. Ela quer saber alguma coisa. Talvez ela queira saber onde nós estamos nos encontrando… Mas não pode ser isso, porque ela mandou aquela bosta de cópia minha pra cá. Ela sabe onde estamos. Tem que ter alguma razão. Essas Áuguras não dão ponto sem nó. – Disse Leonard, pensativo. – Eu não sei… Eu não sei… Temos que matar logo essa maldita.

Leonard levantou-se. Tomou o café num gole só e saiu. Mas antes, junto à porta, ele me disse: – Olhe para a parede e não tire os olhos de lá até eu voltar.

Eu obedeci e fiquei igual um babaca com a cara apontada no azulejo da cozinha.

-Onde será que ele foi? – Perguntou a Mara.

-Não sei… Mas uma coisa eu sei.

-O que?

-Seu café é uma delícia. – Eu disse.

-Seu Bobinho… – Mara riu e me abraçou.

Minutos depois, voltou Leonard com um pedaço de pano preto rasgado. Ele enfiou aquilo na minha cabeça e improvisou um tapa-olho.

-Que isso?

-Pronto. Agora podemos falar normal, sem a velha bisbilhotar. Do jeito que estava você era um espião dela.

-Porra, Leonard. Eu estou todo fodido. Olha aí. Braço aleijado, ferido, com um olho duma cor o outro da outra, e agora com tapa-olho de pirata…

-Pelo menos está vivo. – Ele foi direto.

Ante aquele argumento tão claro, não me restou nada senão assentir com a cabeça.

-Bom, falando em vivo, você conseguiu desenrolar no IML?  – Perguntei.

-Sim. Estive com meus amigos lá. Estão somente aguardando a liberação do corpo. O familiar deve estar chegando hoje até meio dia pra dar baixa no atestado de óbito. Após a liberação, a funerária busca e se tudo der certo o enterro é hoje às cinco e meia da tarde.

-Então é hoje?

-É hoje. – Ele disse.

Leonard sacou do bolso do casaco uma coisa que parecia uma mistura de compasso, relógio e bussola. Estava repleto de símbolos obscuros. A coisa tinha uns ponteiros tortos, que após um tempo, mudaram de posição.

-Que isso? – Perguntei.

-Chouriço. -Ele respondeu, secamente. E guardou no mesmo bolso interno do paletó surrado. Estava claro que ele não estava muito interessado em compartilhar suas técnicas. Ainda mais depois das minhas últimas burradas.

-Eu vou ter que dar uma saída e resolver uns problemas. Olha, aqui está… – Leonard tirou um bolinho de dinheiro do bolso e jogou na mesa. Ele também pegou um cartão amassado de um hotel. – Vocês vão para este hotel.  Peça para falar com o Batista e diga a ele que você é o Anderson. Logo mais eu vou telefonar confirmando o enterro. Não deve ter velório, vocês sabem. Eu ligarei.

-Sim, ok. – Eu disse, pegando o dinheiro e o cartão.

-Não tire esta venda sob nenhuma hipótese. Peguem um taxi, vão direto para o hotel. – Ele falou.

Eu gostei da ideia, pois não pretendia mesmo ficar na casa paroquial com o padre que havia tentado me matar.  Além disso, a ideia de ir para um hotel com a Mara não era nada mal.

Saímos os três. Leonard mal se despediu num adeus chinfrim. Peguei o primeiro taxi que passou.

Chegamos no tal Hotel Serramar quase às nove da manhã. Era um hotel duas estrelas, mas que parecia ter meia. O cheiro de mofo e cigarro velho era insuportável. O saguão era um amontoado de jornais velhos, coreanos, sacoleiros, carpete bege manchado, samambaias amareladas, um balcão de madeira escura encardido onde se debruçavam gente de todo tipo. A cidade já estava bem agitada. Pedi para falar com o Batista. A atendente antipática meteu a cara numa janelinha e berrou:

-Batííííísta? Visita pra você!

 

Levou uma década até o tal do Batista, um cara com a cabeça torta feito o quasímodo e magro como um faquir, aparecer. Ele tinha um bigodinho que parecia ter saído de um filme de guerra, um olho era estufado e o outro caído, os dentes, pareciam uma escola de samba prestes a perder pontos em harmonia, tal a desordem. Absolutamente magro como uma caveira, o que acentuava sua testa enorme e dava a sensação de que sua cabeça parecia uma pêra. O nariz era grande e fino. Resumindo, o tal do Batista era uma aberração de feiura como eu nunca tinha visto antes. Mara chegou a me cutucar sob o balcão.

-Pois não?

-O Senhor Leonard me mandou aqui. Eu sou o Anderson.

-Ah, sim… Sem problemas. Olha, preenche aqui, e tá aqui a chave. O seu é o 502. Para chegar lá é só subir ali naquela escadinha ao lado da planta, que o elevador tá em manutenção.

-Manutenção?

-Tá em manutenção há uns sete anos. – Riu a atendente antipática que lixava a unha.

Preenchemos aquela montanha de perguntas babacas do formulariozinho e fomos para o quarto. Cheguei quase cuspindo o meu pulmão.

-Finalmente, quinto andar! Ufa!

Ao abrir a porta, brinquei com a Mara. 

-Enfim sós!

Mara foi tomar um banho, enquanto eu aproveitei para ligar para a minha mãe. Eu sabia que cedo ou tarde alguém ia acabar falando com ela do incêndio. Era melhor que eu mesmo desse as notícias.

Minha mãe passou vários minutos me perguntando mil e uma vezes como foi o incêndio, se morreu muita gente… Essas preocupações de mãe. A cada detalhe que eu dava (obviamente não contei que eu causara o fogaréu) ela exaltava um Pai Nosso, e tornava a fazer mais perguntas. Garanti a ela que eu estava bem, que não tinha me queimado. Eu disse que tinha salvado alguns documentos do incêndio. Minha mãe ficou chocada com a morte do Cabelinho.

Quando me dei conta, Mara estava nua, toda molhada na minha frente.

-Mãe, tenho que desligar agora. Estou num hotel, sabe como é… A ligação vai ficar cara… Tá.  Tudo bem, mãe. Dou sim. Pode ficar tranquila, eu ligo amanhã. Beijo… Amém. – Eu disse apressado.

Desliguei sem tirar os olhos da Mara. Parecia uma escultura de Rafael. Uma Vênus Grega tal a perfeição de seu corpo.  Eu estava estupefato vendo aquela mulher linda completamente nua em pelo na minha frente.

-Nossa.

-Pensei em tomarmos um banho juntos. – Ela disse com uma expressão sacana.

Arranquei a roupa apressado e corri com ela para o banheiro, que embora fosse num hotel merda, era bem bonzinho.

….

Quando o telefone tocou, nos acordou. Dormíamos nus na cama, embolados como cobras após a sessão de amor selvagem na banheira antigona do hotel.

-Anderson! – A voz metálica não disfarçava o sotaque esquisito. Era o Leonard.

-Fala Leonard.

-O enterro vai ser hoje mesmo. Cinco horas lá na Consolação.

-Estaremos lá.

-Ainda tá com a venda?

-Tô.

-Ótimo. Continue. – Ele disse, antes de desligar sem dar um “tchau” sequer.

Havíamos pedido comida no quarto, e com mais três horas faltando para a hora do enterro, pude me concentrar em algo que realmente valia a pena: Fazer a Mara gozar.

….

Era umas quatro e meia quando saímos do Hotel Serra Mar e pegamos o taxi para o cemitério.

Chegamos na porta, reconheci logo alguns amigos do Cabelinho ali. Vi a galera da Usp uma meia duzia de pessoas que eu não sabia quem eram, vi a tia dele, todo mundo na porta esperando chegar o carro da funerária.

Descemos do outro lado da rua e fomos até o portão do cemitério. A Cíntia estava lá, fumando seu cigarro, alta como uma girafa, linda como uma modelo internacional, fazendo os carros na rua quase baterem.

-Oi Cíntia.

-Oi Anderson. – Ela disse.

-Essa é a Mara. A minha namorada. – Eu disse, com certo medo da reação da Mara ao me ver apresentar ela como namorada. Mas a Mara reagiu super bem.

-Oi, prazer. – Ela disse, cumprimentando a Cíntia com um beijinho paulista.

Aí deu aquele vácuo. Aquele silêncio… Ninguém sabia bem o que fazer, nem dizer.

-Que situação, né menino? – Perguntou a Cíntia, acendendo um cigarro novo na guimba anterior.

-Pois é.  – Eu respondi, sem muita convicção. -…Sorte que eu escapei.

-Nasceu de novo! E isso no olho?

-Foram umas… Fagulhas.

-O braço também, né?

-Pois é. Nem sei como estou vivo. – Eu disse.

Nisso, veio a tia do Cabelinho, me abraçou e abriu a boca a chorar.

-Calma, calma…

Então olhei ao meu lado e vi o Leonard. Ele estava junto ao muro, já na parte de dentro do cemitério. Era difícil enxergar com um olho só. O mundo perdia 90% da sua graça.

Após a tia dele se acalmar, o carro da funerária chegou. Os homens da empresa abriram um carrinho desmontável, todo cromado e puxaram o caixão para cima dele nuns roletes. O Caixão foi coberto com uma coroa de flores comprada pelos amigos do mestrado. Até o cara da locadora de games estava lá. Os skatistas, a galera da fumaça… Tinha bastante gente. Fiquei feliz de ver como Cabelinho era um cara querido. Todos pensando que ele morreu no incêndio, mas ali somente eu e o Leonard sabíamos que ele morreu para me salvar do monstro da caixa. Morreu como um herói.

O cortejo seguiu o carrinho até a sepultura.

Em volta do jazigo, um dos professores do Cabelinho se prontificou a falar algumas palavras. As pessoas fizeram uma oração e algumas pessoas choravam. Até a Mara que não conheceu ele estava chorando de emoção.

Leonard se aproximou de mim e sussurrou:

-Algum sinal da Áugura?

-Nada. Não vi nada de anormal ainda.

-Ela esta aqui. Eu posso sentir. – Disse o Leonard. Ele se afastou, discreto e percorreu os antigos túmulos decorados com estátuas belíssimas. Alguns com obras de gênios da arte, como Brecheret.

Após o caixão descer no interior da sepultura, ela foi coberta com a lage em duas partes e a tampa de mármore escuro com uma cruz preta em cima. As flores foram depositadas sobre o tumulo e alguns amigos trouxeram pedras que foram depositadas ali também, conforme as crenças e tradições deles.

Enquanto andávamos, o sol se punha, avermelhando o céu como um prenúncio maldito.

Já na porta do cemitério, me despedi de alguns conhecidos. Cíntia me deu um abraço forte.

-Ele estará sempre com a gente. – Disse ela.

-Com certeza. Ele está nos nossos corações. – Respondi.

Então, enquanto eu me despedia da tia do Cabelinho, ouvi um estampido. Um grito e em seguida, uma gritaria.

Olhei para trás e via a Mara caída.

-Que isso? Ela desmaiou? – Perguntavam as pessoas, correndo para cima dela.

Então eu peguei a Mara e quando vi, ela estava sangrando, segurando a barriga.

A Mara tentou falar alguma coisa, mas eu não deixei.

-Aguenta firme! Aguenta firme! – Era só o que eu dizia.

-Ela levou um tiro. Ela levou um tiro! O povo se agitava.

Do outro lado da rua eu vi o carro. Era um Del Rey prata. Na direção reconheci na hora: A Jane. A maluca. Minha ex.  Aquela que jurou destruir a minha vida. Ela me olhou nos olhos e deu uma gargalhada, como quem diz: “Venci!”

Jane acelerou o Del Rey, que saiu cantando pneu.

Eu voltei meus olhos para a Mara.

-Eu… Vou… Morrer, Anderson… – Ela falou desfalacendo. A voz já era fraca e quase inaudível. Mara estava pálida. Seus lábios antes vermelhos estavam arroxeando.

Algumas pessoas se desesperavam, colocando as mãos na cabeça. Outros andavam igual barata tonta de um lado para o outro. Uma meia dúzia correu para tudo que foi lado tentando achar um orelhão e chamar a ambulância.

-Não morre, meu amor! Não morre!

Foi horrível  quando vi a  Mara revirar os olhos e seu corpo amoleceu.

Uma mão pesada bateu no meu ombro. Eu mal pude acreditar.

-Anderson! Achei a Àugura! Vamos!  – Disse o Leonard, completamente insensível ao meu drama.

 

CONTINUA

 

 

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31 comentários em “A caixa – Parte 39”

  1. E eu tava animado com “pude me concentrar em algo que realmente valia a pena: Fazer a Mara gozar.”

    Tá foda o corte do elenco hein Philipe? Essa Jane bem que podia ser uma áugura só pra levar pica no forevis!

  2. Ah não, que sacanagem. Poxa vida, a Mara poderia ter um final feliz com o Anderson, mas infelizmente tudo termina em tragédia para o Anderson.

  3. NUSS, tá tenso hein!

    Pelo menos ele aproveitou para dar vários “fincões” hehehehehehehhhee.

    PS: Depois que o Anderson morrer tu faz “A Caixa 2 – no mundo dos mortos”. Hehehehehehehe

  4. FILHA DA P#@%*TA ESSA JANE!!!!! pelo menos o portuga aproveitou bem a Mara antes dela partir. E vcs lembram daquela mulher que levou o Anderson na igreja pra ver a augura? que fim deu ela???

  5. Po, não precisava matar (ou quase, não se sabe né) a Mara… na moral Philipe! Deixa o cara ser feliz um pouquinho… hahahahah tá lendo muito George R.R. Martin

  6. Pode ser maluquice da minha cabeça, mas acho que “essa” Mara era a Áugura. Anderson estava traçando uma bruxa. rs E a verdadeira Mara está feliz em casa. =)

  7. Por um lado detestei a Mara ter morrido, mas por outro, aquele meu lado metido a escritor, adorou o fato da Jane a ter matado. Agora, imagina se isso tudo é um delírio do Anderson e ele ainda está em coma?

  8. Tem gente que vive pra se ferrar mesmo, tadinho do Anderson. Ao menos curtiu uns dias com a Mara.
    E essa Jane, hein? Aff… Péssima perdedora.
    Algo me diz que a Cíntia tem algo de podre.

  9. Eu tinha comentado antes, mas não sei porque não foi.

    O Anderson agora tem tudo para ir pro lado negro da força: Ódio no coração.

    Ele tem motivos pra matar a Jane, o Ex-namorado da Mara e aquele cara do trabalho dele que é um FDP de carteirinha.

    A morte da Mara (se acontecer mesmo – afinal o tiro foi na barriga) pode fazer ele ficar com raiva de tudo, até mesmo do Leonard e pedir ajuda pras auguras para fazer vingança.

    Se a Mara morrer ele podia ficar com a Cintia também, isso se ela não tiver o rabo preso com o Bodinho.

  10. Phelipi a caixa vai acabar na parte 40?? e a Ana Paula, aquela bruxa que apresentou a Augura pro Anderson? e aquela história de “Tamoz está desperto” , quem é Tamoz?? e o francês que tinha saido da caixa???

    • Se eu disser que sei qualquer uma dessas perguntas eu estarei mentindo. Eu invento na hora, então antes de sentar e escrever, eu não sei. Eu esperava que esta porra tivesse acabado na parte 6. Depois tive esperança que terminasse na dez, depois na vinte… Chegamos na quarenta. Não sei quando vai acabar. Pode ser que termine na 40… Ou não.

  11. Eu acho que essa não é a Mara, é a Áugura, ou alguma outra coisa escrota, se passando pela Mara, pq veja bem, a “Mara” abraçou o Anderson por trás, e ele ouviu a voz da Áugura dizendo: “Eu quero vc”, depois o Leonard não foi muito com a cara da Mara e vice- versa, e quando ela morreu ele nem ligou! muito estranho!

  12. PHILIPI TOMA CUIDADO COMIGO! eu gosto muito de perceber as suas mancadinhas viu! hehehehe! eu até releio A CAIXA pra ver se vc esquece de algum detalhe, mas até agora só deu uma mancada, a dupla morte do Cabelinho, mas vc já explicou como aconteceu tudo e tal! cuidado comigo hahahahaha brinks! *

  13. Phil, uma duvida que suas respostas me lembraram
    Como você faz para organizar a história na sua mente? Digo, existem diversos personagens, diversos ramos, diversas cenas, cenários, como você faz para não deixar nada em aberto, ou se contradizer, ou errar?
    Fico imaginando como escritores de séries que tem 4, 5, 6, 10 livros de 500 paginas se organizam. Não é possivel ter tudo na mente :O

    • EU guardo tudo na mente mesmo, por causa disso, às vezes eu erro, hehehe. Foda é quando eu esqueço uma dessas coisas que eu invento, e aí tenho que ficar igual doido, relendo os capítulos para trás pra achar um nome. Com relação a outros escritores, eu sinceramente não sei como eles fazem. Cada um tem um estilo, e existem muitas formas potencialmente favoráveis de trabalhar. Eu sei, por exemplo, que no famoso Friends, não era um cara só que criava os personagens. Cada um dos personagens do grupo de amigos tinha uma equipe que escreveria para aquele personagem, então isso dava uma homogeneidade ferrada no seriado, pois a equipe sabia a história pregressa de cada um, sabia seus trejeitos, questões de subtexto e etc. Em uma novela ou livro grande, com um montão de personagens, eu suponho que o autor construa um gráfico tipo árvore, onde cada personagem se divide em núcleos e ambientes, que você organiza em ramos.
      Quase sempre, a novela de Tv, ou mesmo um seriado de história, sem ser comedia de situação, tipo o Lost, é feito com uma coluna central, que é o cerne da história. O cara escreve o cerne primeiro e depois vai escrevendo os ramos paralelos, que vão servir mais tarde, para tirar um pouco do peso da história central, porque do contrario a história se torna cansativa. O lost foi engenhoso em criar um ramo para cada personagem, então durante um tempo, cada personagem tinha seu ramo detalhado, enquanto o tronco central, o núcleo da história daquele vôo que cai na ilha, ia lentamente crescendo. Não apenas para cima, eles criaram um crescimento em forma de raiz contando meandros do que acontece até levar ao acidente do vôo. Isso é inovador mas é um pesadelo gerencial.
      A merda do Lost é que do meio em diante foi uma confusão tão grande de troncos e galhos que seria necessária uma estrutura diferente da original para ser levada à diante. O modelo Friends devia ter sido implantado e parece que não foi.
      Dá pra estruturar de muitas formas, de um esqueminha de gráfico numa folha de papel até mesmo em matrizes tridimensionais. Mas no meu caso, é simplesmente tudo na cabeça e seja o que Deus quiser! Neste em particular é assim, porque de um jeito diferente do que costumo fazer, esse eu comecei mas não sabia onde ia dar. Inicialmente eu pensava que a Caixa ia ter três partes (haha me fodi). Mas em muitos casos, eu só começo quando sei como vai terminar. Nesses, eu faço um resumão monstro da história e vou escrevendo cada linha do resumão mais detalhadamente. Eventualmente eu mudo alguma coisa, o que me obriga a jogar grandes pedaços do resumão inicial fora e reescrever.

  14. Car**** Phil, fiquei sem ar ao ler a sua resposta. Fui lendo com tamanha ansiedade e curiosidade cada palavra que esqueci de respirar. Sensacional essa resposta completa. Muito obrigado! Uma duvida, que eu acho que já perguntei ou o assunto era semelhante e acabei perdendo qual capitulo foi, esse Leonard é o Leonard da Busca de Kuran?

  15. Ai Phil, excelente! Era uma das coisas que eu mais gosto de ver em série, livros, filmes, o cross over entre as histórias. Troca de personagens, referências externas. Mto top, valeu!

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