A caixa – Parte 22

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A fraca luz que penetrava pelas frestas dos janelões do convento me permitiram ver uma gradual silhueta que veio se aproximando da porta. Então surgiu uma criatura que estava mais para filme de terror do que a realidade.

Era uma velha, com os cabelos brancos esfiapentos que lhe conferia um aspecto fantasmagórico. Sua pele era clara como uma vela, ela era mais enrugada que um maracujá e nos poucos segundos que aguentei olhar para aquela aparição diante de mim, vi pequenos vermes comendo sua carne. Perto de onde deviam haver os olhos, encontrei algumas pústulas, de onde escorria alguma coisa fétida. Os vermes estavam ali. Ela parecia em decomposição, seus olhos eram inexistentes. No lugar havia apenas duas órbitas vazias, onde brilhava uma coisa escura, murcha e úmida.

-Entre, Anderson. – A velha gemeu, num sussurro assustador. Ela vestia uma túnica escura, que parecia ser de lã, mas naquela condição de luz, não dava para saber. Eu tive que me conter para não dar um grito.

A velha me agarrou pelo braço e senti sua mão magra, dura e nodosa apertando meu pulso.

-Eu… Eu… – Eu não sabia o que dizer. Tentei balbuciar um bom dia, mas estava estupefato demais com os buracos na cara dela para conseguir me expressar.

A velha me puxou com força para a escuridão de sua cela. Eu tremia feito uma vara verde. A velha me empurrou e eu caí sentado na beira de uma cama úmida e malcheirosa. O cheiro do quarto era de carne podre.

Ela andou com desenvoltura pela escuridão, e mexeu num tipo de baú que estava longe. A escuridão era tamanha que eu me esforçava para ver alguma coisa. A velha não dizia nada enquanto revirava o baú. Minutos depois, ela começou a gemer, enfim tirou uma antiga lamparina de querosene. Riscou um fósforo e o quarto se iluminou de uma luz alaranjada. A velha projetava sombras escuras e compridas na parede branca, repleta de rachaduras. Aquela luz fraca do fogo conseguia deixar o ambiente ainda mais fantasmagórico do que a escuridão.  Quando a luz se fez no pequeno cômodo, que era pequeno demais para o tamanho enorme da porta, vi escrituras estranhas que não consegui compreender feitas em carvão nas paredes. A velha veio com o lampião. E a luz da chama iluminou melhor seu rosto. Para meu espanto, realmente não havia olhos.

-Foi a Ana Pau… – Eu comecei a dizer.

-Cale-se! – A velha gritou. Eu cheguei a pular na cama de susto. O som dos estalinhos me mostrou que eu estava sobre um antigo colchão de palha.

A velha foi até a porta que estava aberta e a bateu com um empurrão. A porta deu um estrondo que ecoou no corredor do convento. Eu senti o medo aumentar consideravelmente. Então ela voltou, vindo na minha direção.

A velha abriu sua mão branca e enrugada e esticou seus dedos compridos, que terminavam em unhas danificadas e longas como garras. Ela colocou a palma aberta sobre a minha cabeça. Ficamos assim por uns cinco segundos, que me pareceram uma eternidade. Eu estava me cagando de medo.

A velha então disse: – Tá. Então tá.

Minha vontade foi de perguntar “Tá o que?, porra!”. Mas me contive com medo da reação da véia.  Eu, como já estava sendo uma tradição nos últimos dias, não entendi nada, e fiquei olhando, esperando que algo acontecesse.

A velha puxou um banquinho de madeira crua, que estava no canto da parede, perto do velho baú. E nele ela sentou-se. Estava agora na minha frente.

Eu fiquei quieto, tentava não olhar para os buracos sem os olhos na cara dela.  Eu estava intrigado, pois não sabia como ela podia me ver, mas tudo indicava que ela conseguia.

A velha então quebrou o silêncio naquele pequeno cômodo, que mais parecia uma cela:

-Você esteve na caixa. Então conseguiu escapar. Mas deixou uma mulher lá dentro e quer ajudá-la a sair.

-Isso. – Foi o que eu disse, tentando conter o nojo que me deu de ver que enquanto ela falava, pequenas minhoquinhas brancas pingavam de suas órbitas carcomidas.

-Se você não tirar ela, a mulher vai morrer. – A velha sentenciou. Eu já sabia disso, mas dito pela boca dela, aquele fato soava quase como uma condenação.

-Como posso me livrar dessa maldição? Há como escapar da caixa?- Perguntei.

A velha fez um certo silêncio. Ela meteu o dedo indicador fino dentro do ouvido dela e ficou coçando… Se balançando para frente e para trás. Quieta. Eu apenas esperei uma resposta, que parecia não vir. Mas então ela surgiu: -Eu já ajudei uma pessoa na mesma condição que você… Um francês.

Eu me espantei.

-Um francês?

A velha nada disse. E eu perguntei em seguida:

Ele se chamava Serge?

-Sim. Esse mesmo. – A velha respondeu.

Serge não havia me falado sobre ela, tinha me contado uma história diferente.

A velha então parou de se balançar para a frente e para trás no banquinho. Ela se aproximou de mim. Foi chegando e eu tentando não fazer uma cara de desespero. Senti o cheiro de podre que ela exalava, e seu hálito era dos piores que já senti na vida. Vi aquelas órbitas oculares solitárias e vazias, com de minhoquinhas nojentas a rastejar no fundo, entre as pústulas, e a velha então me disse, sussurrando entre seus dentes podres:

-Ele mentiu pra você, criança. Serge nunca foi salvo por um homem misterioso, mas por mim.

-Eu… Eu… Então, o que ele fez?

-A caixa escolhe as pessoas. Não se sai da caixa sem um sacrifício.  – Ela disse, com um sorriso estranho.

-Sacrifício?

-O francês escolheu uma pessoa que ele conheceu na guerra. Ele ofereceu a pessoa para a caixa no lugar dele. Então a caixa o libertou e a pessoa foi enviada para a caixa.

-A senhora esta dizendo que eu tenho então…

-Você vai ter que escolher alguém para ir para a caixa, no seu lugar. Se você não fizer isso, voltará para a caixa, definitivamente, e nunca mais sairá de lá.

-Mas… E quanto a Mara?

-A mulher? Ela poderá sair se houver um sacrifício.

-Então eu devo ofertar duas pessoas para a caixa no nosso lugar?

-Sim. A velha sorriu os dentes amarelos, que eram ainda mais amarelos iluminados pela chama de candeeiro.

-O que eu preciso fazer? – Eu disse, resignado. Não sabia se acreditava naquela velha, mas como ela podia saber o que se passava comigo? Aliás, eu nem sabia como e nem se ela estava mesmo viva.  Talvez eu estivesse falando com uma assombração.

-A velha levantou-se com certa dificuldade. Ela era meio corcunda, e caminhou com passos vacilantes até o baú. Ali ela futucou por algum tempo. Ouvi o som de metal sendo raspado. Coisas batendo. Pareciam panelas ou algo assim. A velha então virou-se para mim e voltou ao banquinho. Ela tinha uma coisa na mão. Então agarrou meu braço, e enquanto ela puxava minha mão para abri-la eu me perguntava como uma velha de mais de 90 anos, pela sua aparência decrépita, e ainda por cima sem os olhos, conseguia saber onde minha mão estava. Abri a mão e ela colocou uma coisa metalica na minha palma. Olhei na luz e vi um tipo de alfinete de ferro. Parecia bem oxidado e um pouco sujo.

-Que isso?

-Isso é uma fíbula.   Espete duas pessoas com a fíbula. As pessoas que você espetar, serão enviadas para a caixa. Você estará livre, e ela também… Mas…

-Mas?

-A morte lhe acompanha. – A velha disse, com um sorriso estranho nos lábios finos e enrugados. Há uma Queres te acompanhando desde que saiu da caixa. – Ela disse.

-O que? – Eu não entendi.

-Olhe isso, disse a velha. Ela passou a mão em seu cabelo branco esfiapento e dali debaixo do manto, arrancou um tufo branco do próprio cabelo. A velha jogou o tufo de cabelos brancos sobre a chama e eles queimaram de uma só vez, como se fossem pólvora, soltando uma pequena bolota de fumaça que vacilou no ar sob a luz alaranjada. A velha soprou a fumaça para cima de mim e eu vi a fumaça gradualmente formar a silhueta de uma pessoa. Estava parada, como um fantasma, perto da cama. Fiquei ali olhando aquele estranho show de horrores. A fumaça gradualmente foi se juntando e adensando e eu vi o rosto de uma mulher. parecia uma estátua, mas então se mexeu. Ela lentamente andou, passando atrás da velha e parou do outro lado da cama. Então a velha sem os olhos soprou na direção da fumaça e a nuvem em forma de mulher lentamente se desfez.

 

-Que porra é essa? O que é isso? – Eu perguntei atônito.

Isso é sua Queres. Ela está com você. A Queres não sabe que nós a vimos.

-Mas o que é isso? Isso é um, um fantasma?

-Não se preocupe. Cada ser vivente tem uma Queres. São filhas de Nix. A Queres traz a morte violenta e trágica. Ela te seguirá onde quer que você vá. A sua Queres é inofensiva, mas após usar a fíbula, ela saberá que você detém o conhecimento do sacrifício e tentará tudo para atraí-lo à uma morte violenta, e não descansará enquanto isso não acontecer.

-Não há como escapar, senhora?

-Há. Mas isso tem um preço. Um preço que discutiremos depois, na hora certa. Tudo dependerá do que você estará disposto a fazer por este favor… – Disse a velha, levantando-se e indo até o candeeiro que descansava sobre a cômoda, perto de uma pilha enorme livros grossos e antigos, com capa de couro.

A velha fez um sinal, em silêncio, movendo seus braços, como quem toca galinhas. Levantei-me de sua cama.

-Há uma moça com você. – A velha disse, me levando até a porta.

-Sim.

-Diga a ela que Tamoz está desperto.

-Tamoz?

-Tamoz está desperto.

-Sim senhora… Eu disse.  Queria sair logo daquele lugar malcheiroso. A velha abriu a pesada porta de madeira e ouvi o arrepiante rangido novamente.

Eu estava saindo quando me ocorreu que não sabia o nome dela.

-Qual o seu nome, senhora? -Perguntei, inocentemente.

Então a velha sem os olhos andou de costas, sumindo na escuridão do quarto. Ali de dentro ouvi uma risada gutural, grotesca, sinistra. Era uma risada que eu ja tinha escutando antes. A Risada do Mungo.

A porta bateu violentamente, com uma explosão. Eu disparei, numa carreira desesperada, abri a porta que dava acesso a escada, passei correndo pelo patio iluminado pelo sol, pelos corredores, cheguei ao primeiro andar, e corri em total pânico até a porta. Precisei forçar a mesma para conseguir sair do convento. Lá fora, Ana Paula me esperava, apoiada no capô do fusca enquanto brincava de desfolhar uma rosa do jardim.

Eu fui até ela.

-Não me diga nada! – Ela disse, estendendo sua mão num gesto, com o indicador apontado para cima.

-Tudo bem, ué.

-Entra no carro.  – Ela disse, me apontando o veículo.

Entrei, o carro estava quente, pois tinha ficado no sol. Já era quase meio dia e o sol estava inclemente. Eu me sentia muito cansado, exausto. Ainda teríamos uma longa viagem até a capital paulista.

-Estou cansado. Nossa… Quebrado. – Eu gemi, tentando me ajustar no assento incômodo do fusca.

-É assim com todos os que falam com ela.

-Só me diz uma coisa?

-Depende. – Ela respondeu sorrindo enquanto sacolejávamos pela estrada de chão, repleta de buracos, com poeira vermelha, e composta de várias voltas sinuosas ao redor de barrancos.

-Ela está viva ou não?

-Depende do que você chama de vida. – Respondeu Ana Paula.

Fiquei pensando nisso por um longo tempo. Ela ligou o radio numa estação local e quando pegamos a rodovia federal, aquela fraqueza se apoderou de meu ser de forma completa, e eu caí no sono novamente.

Acordei sendo sacudido pelo braço pela Ana Paula. Estava na porta de casa.

-Hã? Quê?

-Chegamos.  – Ela disse, apontando o prédio. Agradeci, meio sem graça.

-Toma, pela gasolina! – Eu disse, estendendo umas notas para ela.

Ana Paula pegou o dinheiro e enfiou na pequena bolsinha.  Ela deu a volta no carro, me deu um abraço e me beijou na boca novamente, dessa vez num pequeno estalinho.

-Adeus, Anderson.  – Disse a moça do cabelo Channel.

-Adeus, e obrigado pela força aí. Tem, certeza que não quer saber o que ela disse? Ela mandou um recado.

-Não! Eu não quero. – Disse a jovem sorrindo.

A linda e pequena mulher morena de seios fartos entrou no fusca. Ele deu uns estouros e saiu. Acompanhei-a com o olhar até que ela dobrou a esquina e sumiu.

Entrei no prédio. Estava cansado e meio atordoado com tudo aquilo.  No bolso da calça o incômodo. Já no elevador, retirei o alfinete grande de ferro enferrujado. Aquele era o único elemento que me dizia que tudo aquilo que eu tinha vivido era real.

Quando entrei no apartamento, encontrei o Cabelinho jogando Super Nintendo na Tv. Ele imediatamente pausou o jogo e veio falar comigo, todo empolgado.

-Aíííí! A famosa “cueca da sorte” nunca nega fogo! Tava até agora no motel, hein seu merda?

-Que motel que nada. Você nem imagina o que aconteceu.

-Você que não imagina. Acredita que eu tava no banheiro dando uma mijada e quando saí tinha uma garota na porta. Ela disse que estava me esperando. Antes que eu falasse alguma coisa ela me agarrou, me tascou o maior beijão e aí já viu, né? Sabe como que é… Seu amigo aqui é o especialista em vaginas do ano!

-Ah, tá de brincadeira.

-Serião! Comigo gostoso. E vou te falar, nunca tinha na minha vida uma ereção tão prolongada. Quando saí com ela do banheiro, não vi vocês na mesa, tinham uns quatro caras lá. Calculei que você tinha se arrumado com as duas e fui para o apê da moça. Uma tal de Marília. Safada feito ela só. Ela jogou champanhe no corpo, peladinha e tinha que ver só o que eu…

-Cara… Pera aí! Pera aí! Deixa eu te falar. A moça lá, a tal de Ana Paula. Ela me levou até o carro dela. Me tascou um beijo…

-Aí garanhão!

-Não, meu. Eu tava bêbado. Ela me beijou à força.  Daí me jogou num fusca e me levou para uma cidade lá de Minas Gerais!

-O que? Porra tinha motel mais perto!

-Cara, entende uma coisa, eu não comi a Ana Paula! A Ana Paula não queria dar pra mim! Ela me levou num convento, lá na puta que pariu, depois de onde o “Judas perdeu as botas”!

-Mas… Por que?

-Ela disse que o meu caso era grave. – Falei desenhando as aspas no ar com os dedos.

-A propósito, teu olho ta bem melhor. – Cabelinho respondeu.

-Ela me levou la nesse convento e uma freira me levou num quarto, numa cela… Tinha uma velha lá, meu… Uma velha que parecia até uma assombração.

-Porra, o papo ta ficando bizarro. Calmaí que eu vou pegar uma vodka aqui no freezer. – Ele disse correndo para a cozinha. Sentei no sofá e fiquei vendo a fase congelada do Super Mario.

-Tu alugou o Super Mario?

-Viu que foda? É lançamento ali na locadora. Já tem até fila pra locar. Mas sabe como é… Ser amigo do dono tem certas vantagens. – Cabelinho disse, retornando para a sala com um copão de vodka com gelo.

-Show.

-Mas então continua daí. Tu viu uma velha no convento… Tem certeza que não era um asilo?

-Não, era convento mesmo. Ela me disse que eu ia morrer na caixa se não fizesse como o Serge.

-O francês? Mas ele não foi salvo pelo homem misterioso?

-Então! Aqui que está a bomba. A velha disse que não. Que é mentira. Ela falou que ela ensinou ao Serge como escapar da maldição da caixa.

-Puta merda… Cara, onde isso vai parar, meu?

-Espera, escuta só isso, Cabelinho. Ela disse que a caixa quer outra pessoa para me libertar. E eu tenho que mostrar a caixa quem será enviado para lá no meu lugar.

-Meu… Eu preciso te dizer que há grandes chances da velha ser parte da sua imaginação, como o Guru, o mendigo, o grilo falante…

-Não era grilo, porra. Aliás, ó.

-Que isso? – Ele perguntou, pegando o alfinete da minha mão.

-Ela disse que isso se chama fíbula. Que era para espetar as pessoas que serão enviadas para a caixa no meu lugar e no lugar da Mara com isso. Aí seríamos libertados. E as pessoas espetadas iriam parar na caixa.

Meu amigo Cabelinho não disse nada. Tomou dois goles de vodka olhando para o troço.

-Parece antigo. – Ele disse.

-É verdade, parece antigaço, né?

-Então a velha disse que você só precisava espetar essa porra em alguém e…

-Cuidado aí, meu. – Eu disse.

Cabelinho estava disposto a me confrontar. Ele pegou o pontudo alfinete e cravou na palma da própria mão. Eu dei um grito:

-Nãããão!

-Tá vendo, seu merda? Não aconteceu nada! – Ele disse, sorrindo.

 

-Porra meu.

-Cara, você ta surtadinho… Surtadinho de pedra mesmo… – Ele disse, jogando o alfinete de ferro sobre a mesinha. Cabelinho pegou o controle do Super Nintendo e retomou o jogo.

Eu peguei o alfinete e fui para o meu quarto. Talvez eu tivesse uma antiga caixinha de caneta em que ele coubesse.  Eu estava futucando o meu armário quando ouvi um baque seco. Corri na sala e me deparei com cabelinho emborcado sobre a mesinha.

-Cabelinho! – Gritei assustado. Ele estava desmaiado. Eu sacudi, desesperado. Talvez estivesse engasgado. Ele não reagia. Ali que eu vi como ele era pesado. Deitei-o no sofá e tentei massagem cardíaca.

Desesperado eu só pensava na fíbula.

Corri para o corredor e bati na porta dos vizinhos. Seu Augusto, um senhor alto magro e muito inteligente veio me acudir.

-Que houve?

-Ele desmaiou jogando. Não sei. – Eu não quis dizer, óbvio sobre a fíbula.

A dona Tereza do 1008, ligou para o SAMU.  Eu e o seu Augusto do 1004 tentávamos reanimá-lo. Mas era em vão.  Cabelinho parecia completamente desacordado.

-Ai meu Deus! Ai meu Deus! – Eu gemia de desespero.

-Calma, foi só um desmaio. – Disse o vizinho, na tentativa de aplacar minha ansiedade. Ele apontou a caixinha do baseado na estante de ferro. – Ali, esconde essa porra, que pode dar merda.

Eu agradeci a dica do vizinho. Peguei a caixinha, joguei o saco com a erva no vaso e dei descarga. Taquei a caixa na lixeira do corredor. Nisso minha sala ja estava cheia de vizinhos. Uns sacudindo, outros colocando compressa gelada na testa do Cabelinho… Nada dava jeito.

Sentei no sofá e fiquei olhando, distante enquanto a galera discutia o que era melhor fazer.  Todo mundo tinha uma receita caseira “que levanta até defunto”.

Eu estava desolado.

O SAMU chegou. Pegaram o Cabelinho e removeram com a maca. Deram uma injeção nele, mediram pressão, pulso. Pareciam nervosos. Desceram com a maca no elevador. Eu fiquei na sala. A confusão no corredor era caótica. Todos os vizinhos falando ao mesmo tempo.  E eu só pensava: “Fudeu! Agora fudeu!”

27 comentários em “A caixa – Parte 22”

  1. Putz… não sei pq o anderson perde temponcontando certas coisas pra esse cabelinho… eu não faria papel de louco assim, tem coisas que acontecem na vida da gente que morre com a gente e só deus deveria saber.
    Lembro de uma historia que minha mãe contava sobre um cara lá em minas que estava maltratando um cavalo, então o cavalo virou pra ele e “falou” alguma coisa. O cara ficou desmaiado por horas e quando voltou contou a historia, mas disse que o que o animal lhe falou só podia ser contado ao Papa. Como ele nunca teve em sua miseravel vida dinheiro pra ir pra Roma ele morreu levando com ele a misteriosa frase do cavalo.

  2. Putzz. O Cabelinho fez merda! Mas a velha deixou claro que o Anderson deveria espetar alguém, e o cabelinho se furou sozinho, acho que não vale como troca, pois não foi da vontade do Anderson…

  3. sai espetando geral com essa porra. manda todo mundo pra caixa. o chefe, o visinho, a gostosa que nao deu. haaaaaa que se foda. vai todo mundo bater um papinho com o mungo.

  4. Ah não, o Cabelinho não!
    Eu gosto mais dele do que do Anderson. Rsrsrs

    Pensei que o Anderson ia espetar o fdp do escritório e o playboy que bateu nele. Se livrava da maldição, salvava a Mara e de quebra mandava dois merdas pra caixa.
    Mas não poderia ser tão óbvio assim, ne Cabelinho?

  5. Só faltou mencionar a mão “gelada
    ‘ da velha.
    de onde vove tira isso, “Queres, Nix, Tamoz: muito imaginativo. Voce deve ler muito também, ne? Mas está ficando bom, só um pouco esrrolado. DESENRROLA, PHILLIPE.
    Já sei, voce está enchendo linguiça, porque está dando ibope, não é?…. ESTÁ DANDO UMA DE “RATINHO DO SBT, né?!
    Mas está SENSACIONAL!, parabens!

  6. Ah!, Phillipe, não vai ficar magoado comigo, cara! Era só pra descontrair. Eu te adoro e adoro os seus contos
    tambem, principalmemte “A CAIXA” Na verdade eu entendo muito bem a dinâmica da elaboração de um texto, principalmente “contos”…e sei que tem detalhes, pesquisas, por mais simples e desimportante que seja o assunto que toma tempo e as vezes funde a
    cuca pra encontrar saídas e fechamento para os assuntos. Mas quando eu faço essas críticas “bestas e (inocentes)”, é mais pra estimular os colegas leitores! Tambem te dar apoio e atenção e, reposta recptiva! Pra v. saber o impacto das das suas histórias, termometro, sabe? Um grande abraço! Não se esqueça que sempre te dou meus parabéns e é sincero!

    • Tranquilo, cara. Eu não fico magoado não, meu. Eu só aproveitei sua mensagem para esclarecer, algumas pessoas acham que quando eu demoro para postar os capítulos, é pq estou querendo fazer suspense, aumentar a taxa de loading do site e tal, e achei bom aproveitar a carona e explicar isso, quando eu não posto, é pq estou tão monstruosamente enrolado que nem no blog consigo escrever. O meu sonho é isso aqui me dar grana suficiente para que eu possa ficar somente com ele, aí seria post que não acaba mais, todos os dias… Mas na atual conjuntura, me desdobro entre o blog, a empresa e o trabalho de papai 24hs. Na maior parte das vezes, consigo dar fluxo a tudo, mas tem dias que as coisas embolam lindamente, ocorre mais quando tenho reunião no Rio, almoço de negócios, quando tenho que levar o Davi no pediatra. Aí tudo se embola e acaba que não consigo postar no blog. Também tem o lance de ser obrigado a postar curiosidades periódicas, para não ficar só com conto, já que este blog não tem uma vocação só. Eu tô louco para acabar a caixa, porque já tô até com outra história na cabeça.

  7. Os pequenos detalhes que dão vida à coisa:

    “-Tu alugou o Super Mario?
    -Viu que foda? É lançamento ali na locadora. Já tem até fila pra locar. Mas sabe como é… Ser amigo do dono tem certas vantagens. – Cabelinho disse, retornando para a sala com um copão de vodka com gelo.
    -Show.”

    No meio da confusão, o cara ainda consegue se desligar e tascar o comentário “Show!”
    Perfeito.

    ô Philipe, como funçia o negócio de clicar nas propagandas? Te confesso (envergonhadamente) que visito teu site há um tempão, mas nunca lembro de clicar nas propagandas.
    Posso clicar várias vezes em uma única visita? Ou a cada visita, ou ainda, há o lance de clicagem limite por IP?
    Se for por clique, e isso lhe for útil($), te juro que a cada visita vou sair clicando no que aparecer!

    • O clique unico vale muito pouco. So fica expressivo na casa dos milhares de cliques, e tem que ser de ips diferentes, pq o sistema tem um detetor de cliques invalidos. Sendo assim meu conselho é, nunca clique para me ajudar. So clique se vc achar uma propaganda que te interesse de verdade.

  8. Querem saber de uma coisa muito louca? Eu conheço a Ana Paula, “Bruxa”. De verdade.

    S’ela autorizar, vou ver se mando uma foto dela para cá.

    Ela tem que ler isso!

  9. Entendi, cara. Não esquenta.Manda bala, mas da um jeito de “ferrar” (alfinete de ferro) esse Marco Aurélio, aproveita, cara. Voce tem a faca e o queijo na mão. Essa é a sua chance, meu, vai lá e “PIMBA’ .

    • Amigo Bezalel, Saudações!

      Não sei não… Pensa bem: será que contaram realmente tudo para o cara? Se a velha tem alguma ligação com o Mungo (ou é o próprio) e no fim só quer ferrar mais com ele? E se a própria Ana Paula for parte da armadilha?

      Ademais, condenar alguém no teu lugar tem que ter alguma consequência, concorda?

      (O que será que o Leonard vai achar disso?)

  10. À proposito, “tadinho do “cabelinho””. Eu já considerava ele como um membro da familia. Dá um jeito de desfazer isso e ele não ser afetado pelo “veneno” do alfinete.Inventa uma invulnerabilidade de familia, sangue ou qualquer outra coisa, diz que que foi só mal passageiro pelo fato d’ele fumar (maconha) e ingerir alcool, ou isso mesmo é que poderia servir de antídoto! MAGINOU! , Seria demais! Manda vê!

  11. Carlos dente! Sinistro, cara! Imagina, não é substituir, é dois por um, tem caroço debaixo desse angú!, vai por mim! Realmente essa Ana Paula, tá muito avião pra ser apenas uma bruxa( se bem que bruxa pode ser o que quiser), mas que tem, tem!……. abraço!

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