A caixa – Parte 17

Eu confesso que na hora tudo parecia meio confuso e eu não entendi bem porque o francês queria me ver tão tarde, e qual a tamanha urgência.

Como naquele ano as coisas na minha vida não eram das mais comuns, resolvi parar de me perguntar tanto e seguir meus instintos. Fechei a janela e vi que acima dos prédios que praticamente ocultavam a minha visão em qualquer direção, eu podia ver o reflexo assustador e os trovões ameaçadores que anunciavam uma chuva torrencial daquelas.

Fui até a cozinha e peguei a lanterninha de emergência, que eu tinha comprado outro dia no camelô da  Santa Ifigênia. Quando dava esses temporais, era normal a luz acabar.

Peguei minhas tralhas, liguei para o teletaxi que tinha ponto duas quadras da nossa república e minutos depois, eu estava dentro Fiat Elba novinho em folha. Foi eu entrar e começaram os pingões a metralhar o teto do carro.

– Carrão, hein? – Comentei com o motorista.

– Pois é, a cooperativa tá investindo. – Ele disse.

Orientei ao taxista o melhor caminho para chegar ao Rasmann Yoga. No meio do caminho fomos surpreendidos por uma chuva torrencial. A garoa fina do final da tarde gradualmente se transformava num monstro negro, barulhento e vomitador de raios.  A chuva caía sem piedade sobre a capital paulista.

Não tardou, estávamos presos num grande congestionamento, perto da Marginal Pinheiros. As ruas começavam a alagar. Desesperados, motoristas subiam com os carros na calçada, outros davam ré em plena avenida e seguiam pela contra-mão.

-Mas que merda hein? – Eu comentei vendo o céu clarear num relâmpago azulado.

-Todo ano é a mesma coisa… Chega esta época, os bueiros entopem, o esgoto transborda, a cidade para. Entra ano, sai ano, é a mesma coisa. -Falou o motorista, com sotaque cearense.

Enquanto estávamos no carro, sem nada para fazer, começamos a bater papo.

-O senhor está aqui em São Paulo faz tempo?

-Sete anos. – Ele disse, limpando o embaçado do vidro do Elba com uma flanela laranja típica.

-É bastante tempo.  – Eu respondi.

-Mas o senhor… Tem sotaque estrangeiro, né? – Ele perguntou. Eu me surpreendi com sua pergunta, uma vez que eu sempre achei que não tinha sotaque, e falava o português do Brasil como um legítimo paulista da gema.

-Pois é, sou Brasileiro, mas vivi em Portugal muito tempo.

-Ah, sei como é. A gente sai do lugar, mas o lugar nunca mais sai da gente. – Ele falou. Aquela frase foi como um choque na minha cabeça. A frase que me lembrava da caixa. Então, me peguei com os pensamentos voltados para aquele lugar maldito, quando fui interrompido pela voz do motorista novamente.

-Já tô vendo que o senhor voltou pra lá!

-Hã? – O motorista era vidente?

-É que eu falei lá do estrangeiro e o senhor ficou aí, pensativo… Com esse semblante meio triste… Eu sei como é. Deixou um amor lá do outro lado, nénão? -Ele perguntou. Me intrigou como tudo que ele dizia parecia tão logicamente encaixado na minha situação.

-É verdade. Deixei.

-Olha, eu vou dizer uma coisa pro senhor. Conselho, como minha maínha já dizia, se fosse bom, todo mundo vendia, mas eu vou lhe dizer o que eu penso: Volta lá!

-Que?

-Volta, meu filho. Vai atrás do amor, porque a gente nunca sabe se o amor acontece mais de uma vez na vida da gente. Tem pessoas que são abençoados com vários amores na vida, mas tem gente que passa pela Terra sem nenhum. Se você deixou um amor lá do outro lado e está sofrendo aqui, pode ter certeza que ela deve de estar sofrendo lá do outro lado.

-É… Sábias palavras, meu amigo. – Eu disse.

-Como que é o nome dela?

-Mara.

-A minha é Romilda.

-Romilda?

-Pois é. Nome feio do caramba, né? Mas ela tá lá. É professora em Santa Quitéria. Eu vim, mas meu coração tá lá com ela. Ano sim, ano não, eu vou lá ver ela.

-Bacana. – Eu respondi, enquanto pensava como devia ser Santa Quitéria no Ceará.

-Santa quitéria fica perto de onde?

-Rapaz… Santa Quitéria fica longe de tudo, mas é mais perto de Hidrolândia, sabe?

-Ah, Hidrolândia. Já ouvi falar. -Eu respondi, meio sem graça. A verdade é que nem fazia ideia que existisse uma cidade com este nome curioso no sertão.

-Acho que agora vai andar. – Ele disse, enquanto buzinava para os motoqueiros que se aglomeravam na frente do taxi.

Os caminhões passavam pelos bolsões de água, lançando chafarizes de água barrenta para todas as direções e a cidade parecia cada vez mais caótica.

Eu encostei a cabeça no apoio do banco. Estava cansado. Na confusão, não havia me alimentado direto. Percebi o quanto estava com fome pelo ronco repentino do meu estômago.

Eu fechei os olhos e disse a ele:

-Se o senhor achar um caminho melhor, mete bronca tá?

Mas ele não me respondeu. Eu achei aquilo meio grosseiro e quando me inclinei para falar com ele, estava tudo escuro.

-Ah, tá de sacanagem!

Botei a mão no chão. Gelado. A escuridão. O cheiro de guardado permanente que o lugar tinha.

Eu estava de volta na caixa.

Eu estava, não sei como, sentado no chão da caixa. Num minuto eu estava no taxi. No minuto seguinte eu estava na caixa.

Levantei-me em silêncio, ainda lembrando claramente do meu último encontro com o Mungo. Quando voltei para a caixa pela última vez, eu havia gritado feito um imbecil, atraindo o Mungo.

Eu não estava disposto a dar uma nova chance do mungo me esguelar, de modo que andei em completo silêncio na escuridão. Então me lembrei da lanterna.

Eu meti a mão no bolso e para meu espanto e felicidade suprema, estava lá! Saquei a lanterna e apontei para baixo. Eu agora via o chão metálico da caixa com perfeição. Ele era bem polido e eu podia até me ver refletido nele.

Apontei para cima e vi o facho de luz sumir sem iluminar nada. Era apenas uma escuridão sombria vinda do nada, que parecia querer me engolfar.

A lanterna me dava uma boa sensação de segurança.

Apontei para a frente e para os lados, mas a parede devia estar tão longe que não se via nada além do faixo luminoso penetrando o vazio.

Assim, mirei o foco em quarenta e cinco graus e saí andando, em busca da parede.

Caminhei durante um longo tempo, até que notei que o brilho da luz começava a amarelar.

-Caralho de pilhas chinesas! -Me odiei por não ter comprado pilhas de boa qualidade naquele dia.

Apaguei a lanterna afim de economizar nas pilhas.

Andei durante vários minutos, em completa escuridão, acendendo a lanterna sempre que eu achava que havia algum risco de topar com o Mungo.

Então eu via que não havia nada, desligava e seguia adiante.

Continuei a andar, andar e andar, até que quando eu acendi a lanterna novamente e dei uma geral, vi que estava perto duma quina. A quina de aço estava há uns vinte e dois metros à frente.

Enquanto eu me dirigia para a quina, fui iluminando algo que me chamou a atenção. A princípio eu não tinha visto, porque estava na zona de penumbra do facho de luz, e a lanterna já estava bem fraca. Chegando cada vez mais perto eu finalmente reconheci. Era uma pessoa deitada.

Pensei que fosse a Mara, mas logo que comecei a me aproximar, percebi que não era. Era um homem. Estava deitado, de costas para mim. Talvez estivesse morto. Me aproximei com cuidado.

Com a lanterna, iluminei ao redor. Ele estava meio sujo. As calças estavam manchadas de fezes. O cheiro era de amoníaco puro.

Eu fiquei parado, com a luz nele por uns minutos, tentando determinar de longe, se ele estava respirando ou não.

-Ei, você! – Eu sussurrei. Não queria chamar a atenção do Mungo, nem matar o sujeito de susto.

O sujeito não respondeu, mas reagiu de um jeito estranho. Se encolheu tremendo, em posição fetal. A mão tampando a luz que entrava na cara. Estava tão emboladinho junto ao canto da parede que me lembrou os mendigos que dormiam encolhidos, junto às portas de aço da Avenida Paulista.

Resolvi tentar novamente:

-Ei, moço! Você aí!

O sujeito então virou a cabeça pra mim. Eu vi um sembrante magro e pálido, uma expressão de total desamparo e pavor. Os olhos eram duas bolinhas contraídas pela fraca luz da minha lanterninha do Paraguai. O sujeito não disse nada, apenas gemia, como um morto-vivo.

Eu dei dois passos para trás, porque a imagem era aterradora. Ele gradualmente se esticou e se levantou, ainda trêmulo. Esticou aqueles braços magros e veio na minha direção.

-Para! Para! – Eu gritei. Mas foi inútil.

O sujeito avançou para cima de mim urrando, desesperado. Parecia um louco. Eu saí correndo, com  um cagaço filho da puta daquele sujeito. Achei que fosse me atacar. Ele estava tão debilitado que foi fácil correr dele. Imaginei que talvez ele estivesse há muito tempo na caixa. Estava nas últimas. Era um pálido reflexo de humanidade. A caixa o tinha transformado num bicho, numa criatura do pesadelo, como havia feito comigo antes.

“Ele deve ter enlouquecido aqui.” – Pensei.

Continuei a correr, tentando me distanciar do homem horrível. Então, para meu desespero, o tempo com a lanterna ligada cobrou seu alto preço. As pilhas alcalinas chegavam ao fim.

Eu estava de volta na completa escuridão. Felizmente havia corrido bastante e estava esbaforidamente longe do lugar onde encontrei o louco.

Continuei andando apressado, enquanto pensava como havia ido parar na caixa. Eu estava no taxi, e de uma hora para outra, apareci na caixa. Aquilo era muito estranho.  De uma coisa eu tinha certeza, eu não havia voltado para a minha caixa. Eu devia ter voltado para uma caixa aleatória, era ” a caixa da vez” e essa devia ser a do louco. Talvez ele tivesse avançado para cima de mim para pedir ajuda. Ou talvez na esperança de me devorar. Devia estar tão faminto quanto eu, ao ponto de perder o juízo. Ele devia ter pensado que eu era um bombeiro ou algo assim e que estava lá para resgatá-lo. Eu talvez agisse da mesma forma se desse de cara com um homem com uma lanterna no escuro da caixa.

Mas eu precisava esquecer o maluco por um minuto e precisava me concentrar no fato de que eu havia voltado para a arapuca. Se eu havia voltado, talvez houvesse um jeito de sair novamente.

Acionei a lanterna e ela acendeu. Mas o brilho ia rapidamente enfraquecendo, me obrigando a poupá-la de todo jeito.

Eu estava bem cansado de tanto correr do maluco, e sentei por um minuto no chão frio. A respiração era ofegante e minha garganta queimava. Eu cuspi uma saliva grossa e limpei o suor da testa.

Como eu ia falar com o francês agora? Estava de volta naquele inferno maldito. E com o maluco. Aquilo me deixava duplamente aborrecido, porque eu sabia que se o maluco estava na caixa, certamente aquela  não era a caixa da Mara.

Meus pensamentos foram para o beleléu quando ouvi passos rápidos vindo na minha direção. Eu sabia que o que quer que fosse tinha visto o brilho da lanterna. Senti um medo horrível no meu coração. Tinha alguma coisa vindo pra cima de mim e eu podia ouvir pelo som. Talvez fosse o maluco canibal. Ou pior, talvez fosse o Mungo.

O som aumentava gradualmente.

Quando achei que estava bem perto, saquei a lanterna apontei e liguei.

Imediatamente eu iluminei uma coisa monstruosa que devia ter perto de três metros de altura. Era um bicho horrível, peludo e preto, que tão logo a luz o atingiu, soltou um grunhido grutural, tentando tampar os olhos vermelhos dilatados com o enorme braço que parecia o de um macaco gigante.

Eu me espantei e caí no chão de susto com tamanha visão assustadora.

-Santo Deus!  Que porra é essa? – Foi só o que eu disse, antes de sentir uma mão me agarrar pelo pescoço e puxar para trás. Temi que fosse o louco canibal me agarrando e dei o maior grito que eu jamais dei na vida.

Então eu abri os olhos e vi a cara assutada do cearense.

-Calma! Calma! – Ele gritava.

-Ai meu Deus! Eu voltei! Eu voltei! – Eu gritei de felicidade. Percebi então que estava deitado no banco do taxi. O motorista havia parado num posto de gasolina, e tinha uns três frentistas trepados no banco, me segurando. Haviam colocado uma compressa gelada na minha testa, e o motorista me abanava.

Me levantei sem saber o que estava acontecendo.

-Eu… Desmaiei? – Perguntei a ele.

-Ah! Ele voltou, gente. Salve meu Pai Eterno! – Disse o motorista fazendo o sinal da cruz.  E emendou: – Tive medo que o senhor morresse. Nunca ninguém morreu no meu taxi, “credo em cruz”!

-O senhor está se sentindo bem? Quer que a gente chame o SAMU? – Perguntou o frentista.

Notei que eles estavam com um rolo de papel higiênico limpando o sangue do meu nariz. Concluí que devia ter batido a cabeça no banco ou algo assim quando desmaiei no taxi. Lá fora, o posto estava cheio. A chuva piorava e os carros entravam no posto para escapar da água que já lembrava uma enchente.

-Não, eu tô bem. – Respondi.

Paguei a corrida até ali. O motorista me disse que não tinha como sair do posto, até que a água baixasse. Estava todo mundo ilhado, de modo que fui para a parte mais lotada do posto, que era a loja de conveniência. Ali as pessoas assistiam na Tv que estava saindo do ar de meia em meia hora, as últimas notícias sobre o aguaceiro em São Paulo. O caos na metrópole era generalizado. Havia desabamentos e rios transbordavam no interior. Árvores obstruíam avenidas, pessoas morriam afogadas era uma tragédia que se abatia periodicamente sobre a cidade.

Fui até o banheiro e lavei o rosto. Me olhei no espelho. O nariz ainda tinha restos de sangue parcialmente coagulado. Limpei enquanto me lembrava da horrorosa criatura iluminada com a lanterna. Peguei ela do bolso e olhei.

-Boa menina… – Eu disse.

Saí dali direto para a loja, onde comprei pilhas de qualidade e coloquei na lanterninha.

Enquanto esperava, não havia muito a fazer. Pedi um cheesburguer, um refri e sentei numa das mesinhas que eram reservadas a quem estivesse consumindo.

Ali eu esperei ansiosamente as águas baixarem, coisa que levou cerca de duas horas até de fato acontecer. Nesse meio tempo, comprei também o jornal li todinho.

Quando a água baixou, o posto foi lentamente se esvaziando, e senti uma mão pesada atingir meu ombro. Era o motorista.

-Se o senhor estiver interessado, posso terminar sua corrida antes de encerrar o expediente. – Ele disse.

Eu topei. O motorista agora mal falava comigo. Estava bem mais desconfiado. Talvez estivesse com medo de que eu tivesse outra “crise”.  Tentei puxar assunto, falar da chuva, mas ele parecia arredio. Coitado, talvez tivesse pensando que a “crise” se deu porque eu não aguentei de saudade que ele provocou com seu papo de deixar uma mulher amada “do outro lado”.

Ele parecia incrivelmente aliviado quando me deixou na porta do instituto Hasmann Yoga. Paguei um extra pelo auxílio.

A rua estava às escuras, e me senti muito esperto de ter trazido a lanterninha comigo.

O instituto era numa casa antiga, que possuía um grande jardim na frente, com árvores antigas e frondosas. Aquilo deixava o lugar ainda mais sombrio. Como a campaínha não funcionava, me restou bater palmas, o que  não adiantou lhufas. Meti a mão na boca  e assoviei alto. Após alguns assovios, vi a portinha se abrir lá no final do jardim.  O francês veio com uma lanterna na mão e um guarda-chuva antiquado na outra.

O francês parou no meio do Jardim, e perguntou:

-Que é?

-Sou o Anderson! Nos falamos no telefone!

-Ah, sim. – Ele disse. E então se aproximou mais.

Ele ficou uns três minutos só desenrolando a enorme corrente com cadeado naval do portão. Era desajeitado, porque precisava segurar a lanterna, o guarda-chuvas e um molhe de chaves que parecia o de São Pedro. Ao nosso redor a chuva voltava a cair inclemente e os raios ainda iluminavam o céu.

-Noite ruim, né?

-Nem me fale! – Ele gemeu com aquele sotaque de cozinheiro de restaurante caro.

Serge abriu o portão e eu entrei.

-Vamos vamos! – Ele disse, correndo entre as poças enquanto galhos caíam das árvores sobre os nossos guarda-chuvas.

Serge buscou uma toalha para que eu pudesse me secar. Enquanto ele não voltava, admirei o lugar cheio de livros e prateleiras antigas com pequenos bibelôs antigos. Alguns eram de latão e brilhavam ante a luz bruxuleante das velas que iluminavam a sala. 

-Obrigado! –  Eu disse a ele quando Serge me deu a toalha, quanto isso ele recolhia meu guarda-chuva para colocar na área.

Ele voltou com uma xícara de café fumegante, e me estendeu.

-Ah! – Que cheiro bom, eu disse.

Serge era direto, e me apontou o sofá.

Sentei no grande sofá de couro. O ambiente iluminado pelas velas parecia sombrio e um pouco assustador.  Serge Bachelet sentou-se numa poltrona também de couro, que estava de frente para o sofá.

-Então… – Ele disse, inclinando o corpo na minha direção, estendendo a caneca dele no ar.

-Então?

-Você disse no telefone que teve um episódio de “ausência”…

-É… Podemos dizer que sim. – Respondi meio sem graça. Talvez ele estivesse me vendo como um doido.

-E nesse episódio estava numa caixa, né?

-Isso.

-E viu um sadduh.

-Exato, debaixo de um poste, com uma fralda e um guarda-chuva. Eu tenho injclusive o livro… Está aqui comigo. – Eu disse, pegando a mochila encharcada. Tirei o livro do plastico e abri na pagina marcada. Serge pegou uma vela e iluminou a página do livro. Ali estava ele.

-Este? – Ele perguntou apontando o Sadduh.

-Sim. Esse cara. Ele estava debaixo de um poste, em posição de lótus. Olha, eu sei que parece loucura, mas…

-Certo. Espere. Espere. Deixa eu fazer uma pergunta. – Ele me cortou.

-Sim? – Perguntei, já certo de que ele me achava um maluco delirante. Eu estava ansioso para contar sobre minhas descobertas com o velho Alfredo e Mara…

-Depois disso, depois que você voltou.

-Sim, o que que tem?

-Você desmaiou ou teve alguma nova ausência?

-Tive. como você sabe.

-Seu nariz já sangrou alguma vez?

-Hã? O senhor está me assustando. Como o senhor sabe isso?

-Sim ou não? – Ele estava aflito, me pressionava.

-Sim, sim! – Eu disse.

-Então isso quer dizer que você está prestes a morrer! – Ele sentenciou, fechando o livro num estrondo. A luz da vela iluminou seu rosto de forma assustadora e eu tremi no macio sofá de couro.

-Hã? Como assim?

-Você tem que voltar para a caixa! E depressa. Resta pouco tempo para você aqui! – Ele disse, apontando o dedo pra mim. 

Então lá fora um raio estourou.

CONTINUA

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20 comentários em “A caixa – Parte 17”

  1. Eita, mas agora eu não entendi, ele tem que voltar pra caixa pra não morrer? Cada vez mais ficando excelente, não fico ansioso assim desde que você escreveu Zumbi.

  2. Oh god, que história fantástica a cada episódio me da mais vontade de continuar lendo, muito bom.
    A propósito Philipe tentei acessar o mundogump em alguns dias estava dando erro, o site parecia ter sido retirado da web isso já aconteceu umas 3 vezes, você está tendo algum problema de hospedagem ou coisa do tipo?

    • Sim, tivemos problemas tecnicos na semana passada. Parece que foi um problema serio que deu no datacenter, e quando voltou, tava normal, mas depois que eu vi que tinha dado defeito em duas tabelas do Mysql, e ninguém conseguia comentar. Depois que resolvi isso, um plugin travou, e arrastou o blog pro chão, orque começou a consumir memória direto até acabar e travar tudo. Como eu estava fora, o blog ficou fora do ar até eu poder resolver.

  3. EXELENTE, mas já esta começando a encher o saco essa história de vai pra caixa, vem pra vida (real?), vai de novo pra caixa, vem pra vida….PÔ!…PHILIPE… QUALÉ, MANO…. Dá um jeito nisso, homem!E A MARA, CARA…. E O “FINCÃO”?

  4. Porra, acompanho seu site a muito tempo Philipe, mas só agora me dei o prazer de ler este conto! Muito envolvente, este especialmente, me deixou um pouco mais ligado com o conto, pois citou minha cidade, Santa Quitéria, ultima coisa que eu esperava ver no seu conto. kkkkkkk

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