A cadeira obscura – Parte 4

Renato começou a rir.
-Porra! – Exclamou Dodó, quando viu que não havia ninguém atrás dele.
-Calma, foi só pra descontrair, garoto.
-Eu tava falando sério. Passou alguém do meu lado!
-Eu acredito. Olha isso! – Disse Renato apontando a lanterna no armário, virado de ponta-cabeça.
-Como que o senhor virou isso?
-Você acha que fui eu? Quando cheguei estava assim.
-Ah, ta querendo me assustar de novo é?
-Não, Dodó. Tô falando sério. Esse armário estava assim, acho que foi o barulhão que ouvimos lá fora.
-Se não fui eu, nem foi o senhor, só pode ser a coisa que passou perto de mim lá fora e… Pera aí. O morto caiu?
-Caiu.
-Como que o morto saiu da cadeira?
-Cê acha o que? Que ele saiu andando?
-Ai meu pai… Será que o Velho ficou bravo que invadimos a casa dele e virou o móvel para nos mandar embora?
-Acho que não. Ele ia se estropiar todo assim e se cobrir de dinheiro antigo pra que?
-Cruz credo. Vamos embora, vamos sair daqui!
-Espera… – Disse Renato, segurando o braço de Dodó.
Renato pegou os papéis e saiu.
Os dois correram pelos corredores escuros da casa. Fiapos de teia de aranha agarraram no rosto de Renato.

Os dois adentraram o mato, correndo feito loucos até chegar no paredão.
-Vai, me dá pé-pé!- Disse Dodó.
Renato juntou as mãos entrelaçando os dedos. Dodó pisou nas mãos de Renato e pulou até a beirada do muro. Dali ele se ergueu com alguma dificuldade, enquanto Renato pegava a lanterna do chão para iluminar. Passou o facho de luz por entre o mato, mas nada de estranho parecia estar ali, embora a escuridão tenebrosa do matagal lhe dese a nítida sensação de que estava sendo observado dali das sombras.
Vai pula e agarra o meu braço. – Disse Dodó.
Renato desligou a lanterna. Preparou-se para o pulo. E enquanto pegava impulso, sentiu um vento gélido e o som do mato se abrindo. Ele ouviu nitidamente uma coisa correndo e dobrando as folhas do mato, vindo em sua direção.
Não esperou para saber o que era aquela merda. Pulou e agarrou na mão de Dodó.
Imediatamente, Renato sentiu um impacto o atingir às costas. Foi socado com força contra o muro, e tão logo deu-se conta, estava sendo agarrado por uma massa disforme e escura que o engolfou e começou a puxá-lo para o mato. Ele se sentiu tonto e tomado por uma sensação horrível que lhe tirou o fôlego.
Dodó estava agarrado ao muro, pendurando-se precariamente, enquanto puxava, com toda sua força o braço de Renato.
Subitamente, a coisa escura cedeu e recolheu-se pelo mato, abrindo uma clareira que rapidamente se fechou entre as plantas.
Renato estava quase desfalecendo. Dodó precisou fazer muita força para trazer Renato até o alto do muro. Uma vez ali, Dodó se virou para Renato, quase sem fôlego.
-O… Senhor…. Viu… Aquilo?
-Vamos…Sair… Daqui. – Renato limitou-se a dizer.

Desceram o muro para a obra. O menino não estava ali, nem sua bicicleta.
-Porra, cadê o Marquinho? – Perguntou Dodó.
-Será que… Aquela porra lá pegou ele? – Perguntou Renato.
Os dois correram pela obra até chegar na rua, mal iluminada da vila.
Não havia nenhum sinal de Marquinho.
Os dois se entreolharam assustados.
-O moleque sumiu. Fudeu. O que eu vou falar pra mãe dele? – Perguntou Dodó atônito.
Então os dois ouviram a campainha da bicicleta, e na esquina surgiu Marquinho, pedalando calmamente enquanto chupava um picolé com a outra mão.

-Porra Marquinho!- Berrou Dodó.
-Que? Que foi? Por que vocês estão com essa cara? – Indagou o menino na bicicleta.
-Não mandei você ficar de vigia, moleque? – Gritou Dodó, dando um pescotapa no menino.
-Ai, pô! Vocês “tavam” demorando muito, meu. Eu fiquei com fome, ué. Fui na padaria ali. Mas e aí? Como que foi lá na casa?
-Merda… – Disse Renato, sentando no chão da calçada.
-É… Pela cara de vocês tô vendo que deu merda. O que foi? Viram o diabo?
-Não. – Respondeu Renato, olhando fixamente para Dodó. – Não tinha nada lá.
Dodó entendeu e confirmou.
-Não tinha nada que prestasse lá, como eu tinha dito, né? Mas nós ficamos preocupados que você sumiu. – Disse Dodó.

-Bom, gente… Deixa eu ir embora que ta quase na hora da janta. – disse Marquinho.

Os dois acenaram para o garotinho, que foi embora pedalando a bicicleta enferrujada. Quando o menino sumiu de vista, Dodó virou-se para Renato.
-Ainda bem que o senhor não contou nada. Ele ia ficar impressionado. Ele é muito cagão.
-É… Achei melhor deixar só entre nós o que aconteceu. – Disse Renato, tirando do bolso os papéis dobrados.
-O que é isso?
-Um endereço. Eu acho que esse é o endereço de alguém que conhecia o seu Venâncio.
-Não vai me dizer que o senhor ainda vai atrás disso aí.
-Eu quero comprar aqueles móveis. – Disse Renato.
-Ah, não é possível, sô!
-Principalmente, aquela cadeira.
-Ah não. Pra mim já deu. Vou nessa. Obrigado seu Renato. Boa noite aí. Nessa casa eu não volto é nunca mais!
-Espere, você não está entendendo, essa história toda, esse aperto que nós passamos lá. Tenho que gravar tudo isso em video, vai valorizar muito a cadeira.
-Seu Renato, me desculpa a sinceridade, mas o senhor é maluco. Boa noite. Ei… Larga meu braço? Brigado. Boa noite.

Renato largou o Braço de Dodó e viu o magrelo lhe dar as costas e ir embora. Renato deu uma outra olhada na casa nos muros altos, no telhado cheio de plantas crescendo por entre as telhas e nas janelas trancadas com tapumes. Acendeu um cigarro e foi embora na direção da praça, onde um dos dois únicos “carros de praça” estava trabalhando. Era um corcel branco cheio de adesivos, com uma plaquinha escrito taxi chamada bigorrilho, sobre o teto.

-Boa noite – Disse Renato, entrando no carro.
No volante, um velhinho de uns setenta anos, corcunda, usando óculos fundo de garrafa com correntinha e uma boina tipo italiana surrada o saudou:
– Boa noite meu amigo. Pra onde vamos?
– Vamos pra São Miguel, Hotel Bretas, por favor.
– Sai sessenta reais até São Miguel. – Disse o velho.
– Isso tudo? Achei que não desse nem quarenta.
– É que agora é bandeira dois.
– Mas seu carro não tem nem taxímetro. – Argumentou Renato.
– O senhor quer ir ou não? – Indagou o velho corcunda, com visível impaciência.
– Tudo bem, vamos lá. – Disse Renato sorrindo.

Renato sabia que era isso ou dormiria ao relento na pracinha de frente para a casa abandonada. O Hotel parecia uma ideia melhor.

No carro, enquanto o velhinho sacolejava o veículo por estradas de terra esburacadas até chegar ao asfalto da rodovia, ele puxou papo.

-Quer que ligue o radio, senhor?
-Não. Mas pode ligar o ar. – Disse Renato.
-Perfeitamente, senhor. É só girar a manivela aí na porta.

Renato girou a manivela endurecida pelo tempo e pouco a pouco a janela foi se abrindo, deixando o vento gelado da noite penetrar no carro, junto com um pouco de poeira.

-Desculpa aí pela poeira. Eu pago um extra pela lavagem.
-Não precisa, eu já ia mesmo lavar ele amanhã… – Disse o motorista.
Renato notou como ele dirigia o carro lentamente. Todos os outros carros o cortavam, alguns motoristas visivelmente irritados, mas o velho parecia não se dar conta.

-E então, o senhor faz ponto ali na praça há muito tempo? – Perguntou Renato.
-Só uns sessenta anos. – Riu o velho.
-Então o senhor já viu muita coisa, né?
-Ô.
-O senhor sabe que o dono daquela casa la da praça, o tal de seu Venâncio tem parente vivo ainda?
-O velho reduziu bruscamente a velocidade. Encostou o carro no acostamento, e virou-se para o banco de trás com um olhar preocupado.
-Por que o senhor esta me perguntando isso? O senhor é da polícia?
-Não, não… – Disse Renato, notando o comportamento estranho do motorista.
-As pessoas nunca falam sobre o Venâncio. – Disse o velho, fazendo o sinal da cruz. – E nem sobre a casa dele. Por que o senhor quer saber?
-É que… – Renato precisava ganhar tempo para sondar mais. Resolveu mentir. – Sou historiador, e estou fazendo um trabalho sobre a história aqui da Região. Um menino de bicicleta la da praça me contou sobre o caso bizarro envolvendo o tal Venâncio…
-Já sei quem é. O Marquinho. Neto da dona Mariquinha.
-É… Acho que é esse mesmo. Ele disse da história do bode e coisa e tal.
-Ê menino linguarudo, sô. – Disse o Motorista, voltando-se para o painel. Religou carro e voltou para a estrada, dirigindo irritantemente lento, como sempre.

-Mas a história, é verdade mesmo?
-Não sei o que ele te contou, como vou saber se é verdade ou não? Essas crianças de hoje em dia são mentirosos à beça. É essa merda de televisão…
-Ele contou que certa vez apareceu um homem carregando um bode doente e que o Venâncio mandou tratar do bode, deu lugar para o homem dormir e que depois o homem morreu e o bode curou e o povo…
-Sim, é tudo verdade. – Disse o velho, cortando Renato.
-E o bode morreu mesmo dentro da igreja?
-Morreu no ato. Eu vi, eu estava lá naquele dia!
-Mas então, e depois? Parece que ninguém sabe direito no que deu!
-Alguns sabem, mas pouca gente fala, moço. A verdade é que depois que o bode morreu, o Venâncio fez uma cadeira com a pele do bode, e até com alguns ossos. Uma vez eu vi essa cadeira e cruz credo, ela dá medo.
-Mas e aí? O menino disse que teve um assassinato…
-Um não, mais de seis! Depois que o velho Venâncio, que era o dono de mais da metade das terras da Vila, fez a cadeira, ele sentou nela e não saiu mais.
-Hâ? Como assim?
-Ele sentou na cadeira, e depois que sentou, ele começou a gostar de sentar naquela cadeira, ele se afeiçoou a tal cadeira do couro do bode. Uma coisa esquisita que ninguém entendeu. Ele não saía mais da cadeira e começou a ficar estranho. Largou o trabalho, não quis saber mais das fazendas. Ele era um homem rico, esclarecido, com uma biblioteca enorme, lia mais de seis línguas. Um homem viajado, sabe?
-Sei.
-Então ele ficou com uma fixação maluca naquela cadeira, e ficava lá. A cadeira aos poucos mudou ele. Ele ficou estranho, pálido, malvado. Mandou cortar o leite, vendeu as vacas, e juntou todo o dinheiro naquela casa. A mulher dele tentou e tudo para ele sair da cadeira, mas ele não saiu. Um dia, ela chamou o padre e certa de que o Venâncio estava endemoniado, levou as irmãs de Maria lá junto com o padre para cantar e benzer ele.
O Venâncio começou a rir loucamente, e se trancou no quarto. Mas a Dona Carmem mandou os empregados arrombarem a porta. Aí ele surtou, e atacou a Dona Carmem. Ele matou ela enforcada. Os irmãos do Venâncio estavam viajando na época e quando souberam da tragédia ele tinha matado a esposa, Dona Carmem e as duas cunhadas, mais as crianças. Ele surtou naquela noite e matou todo mundo com uma faca. Aí se trancou no quarto novamente…
O povo ficou com muito medo dele, porque realmente, era um negócio sobrenatural aquilo.
-Ninguém chamou a polícia?
-Não… O povo teve medo. Os irmãos vendo o estado dele, mandaram fechar a porta do quarto para ele nunca mais sair. Mas ele ainda ficou um ano la dentro do quarto. Toda noite de lua cheia ele dava uns gritos lá dentro. Era horrível. O padre começou a fazer missa diante da entrada da casa, fez procissão. Lavou a entrada com água benta e tudo… Mas ele não parava de rir em noite de lua cheia, e ninguém sabia como que podia ele durar tanto preso num quarto sem comida nem água. Pra todo mundo era manifestação do rabudo aquilo. Ninguém teve dúvida, nem o povo nem a família.
-Mas então, ele tinha irmãos?
-Tinha sim. Dois irmãos e eu. Eu era primo dele, por parte de mãe.
-Caramba, ache que ele não tinha nenhum parente vivo.
-Tem sim senhor. Mas sou só eu agora. Os dois outros morreram de raio.
-Raio?
-Caiu um raio neles.
-Nossa…
-E foi assim que as fazendas acabaram todas invadidas, ele perdeu tudo que tinha construído. Só ficou aquela casa lá. Mas as terras dele iam lá da vila até depois de São Miguel. Sabe aquela montanhona lá de Santo Inácio? Lá também, tudo ali era terra do Venâncio. Hoje mais da metade o governo já tomou. Isso tudo devia por direito, ser meu, mas eu botei um “adevogado” para ver isso e o maldito também morreu. Aí sabe como é, a necessidade, comecei a trabalhar na praça, e lá estou…
-Mas por que o senhor não foi na prefeitura lá de São Miguel? Por que não exigiu o terreno da casa? Deve dar algum dinheiro! – Disse Renato.
-Cruz credo que eu não quero aquilo lá nem de graça. Meu sonho é pegar fogo naquela merda e tudo vir logo abaixo. – Disse ele.

O carro já se aproximava do destino. São Miguel era uma cidade bem maior, com muitas casas e alguns poucos predinhos de três andares. O corcel branco encostou diante da placa escrita “Hotel Bretas” que estava ladeado pelo desenho de duas estrelas.
-Esse é o melhor hotel da Região? – Perguntou Renato.
-Muito bom mesmo. Passei minha lua de mel aí. Naquele tempo, o colchão era de palha ainda. Hoje tá bem melhor, já tem até banho quente!- Disse o velho.

Renato agradeceu e pagou a corrida.
-O senhor tem um cartão? Como eu faço para chamar o senhor?
-Ah, tem o telefone do ponto aqui. – Disse o velho, lhe estendendo um cartão amassado e borrado, impresso em impressora jato de tinta com péssima qualidade. De caneta estava rasurado o numero do telefone. Renato leu o nome com dificuldade no cartão sob a luz do poste.
-Seu Flávio… Obrigado! Muito boa noite!
-Eu que agradeço, professor. Boa noite. Precisando é só chamar! – Disse o velhinho, que tinha um forte aperto de mão.

O corcel 75 estourou, soltou um monte de fumaça preta do escapamento e partiu pelas ruas de paralelepípedo de São Miguel.
Renato entrou no Hotel, e lembrou-se da casa assustadora da Vila quando sentiu o mesmo cheiro de mofo que inundara aquela casa.

Um rapaz correu para atendê-lo. Renato não teve dúvidas em pedir o melhor quarto do hotel que estivesse disponível. Acertou antecipadamente a reserva de um quarto com TV e ventilador de teto e subiu. Ao chegar no quarto estavam ali três camas antigas e um enorme quadrão de jesus Cristo que colocava até medo. O banheirinho era feio, com louças antiquadas e tudo parecia bem velho.

Sua primeira ação foi entrar no quarto e tomar um banho. “Devia ter trazido minha mochila” – Pensou enquanto esperava o chuveiro elétrico esquentar. Enquanto esperava, renato olhou o rosto no espelhinho carcomido da parede do banheiro. Foi quando ele notou dois profundos arranhões perto do seu ombro, onde a coisa escura o havia agarrado.

-Olha só essa merda… Parece que lutei com um pitbull. – Disse ele, esfregando o ferimento.

O chuveiro finalmente tinha conseguido esquentar, mas devido à coluna dágua, o que resultou foi num banho pinga-pinga meio morno. Havia alguns pentelhos agarrados no sabonete cor de rosa, mas para quem havia se metido em meio a tanta sujeira e teias de aranha, aquilo não era nada.
Renato tomou o banho e ao sair, vestiu a cueca pelo avesso.

“Amanhã eu rapo fora desse lugar.” – Pensou.

Jogou-se na cama, dura como pau, e ligou a TV. A Tv chiou e só mostrou um canal, que mal podia se ouvir em meio aos chiados. Todo o resto estava fora do ar.
Renato pegou o telefonezinho amarelado ao lado da cama e ligou para a recepção, perguntando se havia alguma coisa para comer no hotel. O rapaz disse que não, mas que talvez a Pizzaria do Tião estivesse aberta ainda. Renato pediu para o rapaz dar uma corrida até a tal “Pizzaria do Tião” e lhe trazer uma pizza brotinho de calabresa. O Rapaz da recepção disse que não podia fazer isso, mas Renato prometeu pagar uma gorjetinha por fora. Após um minuto de hesitação, o rapaz topou, já que Renato era o único hóspede do hotel inteiro.
Minutos depois, chegava no quarto uma bela pizza tamanho médio com um cheiro sensacional e uma latinha de cerveja quente.
-Mas eu te pedi brotinho!- Disse Renato assustando-se com o tamanho da pizza.
-Essa é a Brotinho. Tem que ver a maracanã!- Riu o garoto da recepção.

-Segura aí. – Disse Renato, estendendo a nota de cinquenta. O garoto agradeceu e partiu.

Renato se jogou na cama com a caixa da pizza. Sem Tv nem livro, sem nada para fazer, só lhe restava afundar naquela pizza cheia de queijo gordurento. Enquanto comia fez planos mentais para como iria conseguir comprar aquele terreno e tudo que estivesse dentro da casa. O melhor caminho, sem dúvida, seria através do motorista de táxi.

Algum tempo depois, a caixa da pizza já estava sob a mesinha, com apenas duas fatias frias dentro. O resto, na pança de Renato.

Renato dormia com a boca aberta. Havia sido uma difícil batalha para pegar no sono. O queijo da pizza tinha lhe dado enjôo. Sua mente fervilhava de ideias, e ficara repassando os fatos daquele dia, como num scandisk eterno. Para piorar, o barulho do ventilador de teto, que mais parecia um ensaio de escola de samba, não dava o sossego merecido e necessário para dormir.
Acabou finalmente vencido pelo cansaço lá pras duas da manhã.

Renato sonhava com a cadeira. Antes de ceder ao sono, havia pensado nela exposta na vitrine da loja, com todos aqueles chifres de bode a enfeitando… E a história macabra certamente atrairia muitos potenciais compradores. Hoje há muitos apreciadores de arte bizarra e a cadeira feita com um bode sinistro era o típico item que essas pessoas alternativas apreciariam.
Quando o relógio virou três horas da manhã, alguém bateu na porta do quarto dele.
Renato deu um pulo na cama. Estava suado. Não tinha certeza se realmente haviam batido na porta. Teria sido um sonho?
Ele voltou a deitar e ficou esperando enquanto ouvia a sinfonia de chiados estalos e grunhidos de lata raspando que eram emitidos pelo ventilador acima dele.
Então uma nova e claríssima batida na porta o fez saltar da cama.

-Quem é? – Ele perguntou. Mas não houve resposta.
Renato foi de cueca até a porta. E tornou a perguntar:
-Quem está aí?
Mas ninguém lhe respondeu.

Assim, Renato contemplou a escuridão do quarto e ficou pensativo, se devia abrir a porta ou não. E se fosse um assalto?

Renato decidiu que não iria abir. Voltou para a cama e sentou-se nela.

Tornaram a bater na porta. Três batidas, iguais, rigorosamente iguais.

Aquilo lhe deu um medo aterrador. O que estaria ali atrás da porta?

A coisa piorou quando ele ouviu um risinho de criança que parecia vir lá de fora.

CONTINUA

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26 comentários em “A cadeira obscura – Parte 4”

  1. kRAK VELHO ACOMPANHO SEU BLOG QUASE QUE DIARIAMENTE, NA MINHA REPARTIÇÃO É UMA DAS POUCAS COISAS DESBLOQUEADAS…KKKK
    MAIS NÃO É POR ISSO… SOU PROFESSOR DE MATEMÁTICA E FÍSICA NÃO MUITO HABITUADO A LEITURA, MAIS VC CONSEGUIU SEGURAR MINHA ATENÇÃO… TÁ DE PARABÉNS…
    E AGUARDO ANSIOSO A CONTINUAÇÃO DO “CONTO”… DEMORA MUITO NÃO POIS SENÃO ESQUEÇO ANTERIOR…KKKKKK

    ABRAÇÃO

  2. Cara, esse dias tava chovendo, de noite e eu pensei que era uma boa ocasião para ler um desses contos seus, mas não tinha nenhum novo.

    Alias outro dia eu reassisti o Enigma de outro mundo (o original de 82) e não tive como não lembrar do Ganzu.

    • Quer dizer… eu vi o Enigma do outro mundo mesmo, mas eu to numa de ver filmes antigos e confundi. O que me lembrou do Ganzu de verdade foi o Ataque dos Vermes Malditos, kkkk.

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