A busca de Kuran – A maldição de Taklimakan

Allan deu uma golada no copo de uísque. O copo esvaziou e ele foi até o outro lado da mesa, buscar mais.

Eu fiquei ali, pensativo. Seria um aviso a misteriosa frase daquele velho? Todos os meus sentidos me diziam que eu não deveria me arriscar naquele lugar poeirento. Mas agora eu estava em Markit e não havia muito que pudesse ser feito.

Tentei entender a visão daquele velho chinês. Aquela aventura parecia completamente sem sentido para qualquer pessoa que não fizesse parte da expedição. Certamente que ele pensava que nós eramos um bando de malucos cheios de dinheiro, vindos sabe-se lá de onde, do outro lado do planeta para sair andando desembestados enfrentando toda sorte de perigos num deserto onde não havia nada além de areia, dunas e pedras.Eu não podia culpar o velho por nos achar idiotas. Certamente, despreparados para enfrentar o deserto.

Neste ponto da jornada, eu ainda não sabia várias coisas. E principalmente, não conhecia os meus colegas de aventura. Apenas havia feito amizade com Allan, que me parecer ser gente boa. Mas havia muitos outros que conheci superficialmente naquela noite. De longe, sentado na cadeira de madeira, eu olhava um a um tentando detectar algum sinal que indicasse experiência. Muitos homens da expedição me pareciam velhos demais. Petrus, por exemplo. Embora demonstrasse grande vigor, eu não sabia se ele aguentaria até o fim naquela imensidão. No entanto, preferi guardar pra mim os meus pensamentos negativos do que compartilhá-los com outros membros da equipe. Uma das coisas mais importantes da aventura eu fui aprender depois, no decorrer da jornada, que era de manter um pequeno caderno de notas sempre ao alcance da mão. Ali eu colocava meus pensamentos e dividia, mesmo que com o papel, minhas angústias. Foi graças a este bloco, hoje um montinho carcomido de papel amarelado que está quase virando pó, que eu pude guardar os nomes e alguns dados de cada um dos componentes da expedição. Como eu era ruim para nomes, acabei usando o recurso da caderneta para poder me comunicar mais facilmente.

A formação original que conheci naquela primeira noite em Markit era:

Líderes – Leonard e Petrus – Eles nunca me disseram seus sobrenomes.

Intérprete – Allan R. Laforet

Médico – Richard Graham – Inglês

Navegador e operador de rádio – Ruppert Ellis – Inglês e ex-oficial do regimento real de pára-quedistas

Paleontólogo, Mitólogo, Antropólogo, Arquólogo – Carlos Refacho – Português

Fotógrafo oficial da expedição – Joseph Frankiel

Chefe da Segurança – Ivan Ulvaeus – Soldado da Suécia

Soldado 1 – Henry Dubois – Francês – Ex-membro da legião estrangeira

Soldado 2 – Robin Broca – Francês- Ex- membro da legião estrangeira

Soldado 3 – Andreus Moreau – Francês – Ex- membro da legião estrangeira

Equipe de apoio 1 – Edgard Lukashenko – Ucraniano

Equipe de apoio 2 – Ismael Coelho – Português

Equipe de apoio 3- Nuno Coelho – Português, irmão de Ismael

Quando Allan retornou, trazendo um copo pra ele e um pra mim, retomamos a conversa. Ele me contou que falava bem a língua dos Uigures, o povo local, porque havia trabalhado para um cônsul, e este trabalho, aliado a sua facilidade de aprender línguas contribuíram para que ele se especializasse.

Já meio afetado pelo álcool cometi uma das maiores burradas da noite. Perguntei ao Allan se ele também tinha poderes. Allan pareceu não entender, ou se fez de desentendido. Quis saber do que eu estava falando. Então eu comentei sobre a estranha experiência e o fato de Leonard estar movendo céus e terras para se embrenhar num deserto em busca de matar um demônio.

Allan desatou a rir numa sonora gargalhada.

-Sério que você acredita nisso? – Ele riu de mim. Me senti um retardado mental.

-Foi o que Leonard me falou.  – Eu respondi.

-Ah, tá. Matar um demônio. Essa é boa. – Ele continuava a rir. Mas eu me mantive sério.Então ele bebeu mais um pouco e disse: – Quer dizer que ninguém te contou a finalidade desta missão, Wilson?

-Não… Eles pouco falam comigo. Já perguntei e tudo, mas… Sei lá. Não confiam em mim, eu acho.

Allan não disse nada apenas me olhou de lado e olhou ao redor para certificar-se que ninguém estava olhando. Então voltou-se para mim e abriu a mão esquerda. Com a direita posicionou o polegar no centro da outra mão e girou. Era o gesto universal para o roubo.

-Roubar? – Eu sussurrei.

Allan apenas moveu a cabeça positivamente, colocando o indicador na frente da boca.

Disfarcei, bebi mais um gole de uísque. Sequei meu copo.

-Roubar o que? – Perguntei.

-Eles não dizem. Mas é algo grande! Eu desconfio que seja uma cidade perdida. Ainda existem muitos tesouros pelo mundo, meu caro. Os ingleses não perdoam uma tumba de rei ou um sarcófago de ouro.

-Ah, você está me gozando.

-Nada disso, Wilson. Veja, em 1922, Lord Carnavon e Howard Carter acharam o tumulo do rei Tut. Jóias, ouro, pedras e riquezas incalculáveis estavam ocultos nas areias do Egito.

-Mas aqui não é o Egito! – Eu retruquei.

-Muito perspicaz de sua parte perceber isso, Wilson… – Allan tinha uma forma de falar que fazia com que eu me sentisse cada vez mais inocente e idiota. Então ele continuou: – Talvez você saiba que durante séculos os egípcios foram a civilização mais rica e avançada do mundo.

-Sim. Eu sei! – Falei com ar de superioridade.

-Pois então sabe errado. – Sorriu Allan, jogando um balde de água fria em meu pretenso conhecimento. Allan então passou vários minutos me explicando em detalhes como durante o período do florescimento da civilização egípcia ao oeste de onde estamos, surgia uma outra civilização, que era governada por três reis no território da China. Esta civilização, não era governada por reis humanos, mas sim três semi-deuses. Os semi-deuses, usaram seus poderes mágicos para melhorar a vida das pessoas. Devido a sua grande virtude, eles teriam vivido até idade extremamente avançada, e governaram durante um período de grande paz e prosperidade.

– Os governantes da terra que hoje pisamos, foram O Deus Celestial, que viveu 18.000 anos, o Deus Terreno, que viveu 11.000 anos e finalmente o Deus Humano, que viveu 45.600 anos. Depois que os semi-deuses sumiram, chegaram os soberanos humanos – Ele disse.

-E quando foi isso?

-Em 2850 antes de Cristo.

-Mas você acredita nesse papo de deuses governando territórios?

-Claro que não. É óbvio que todos os reis diziam ser encarnações divinas. Era assim no Egito, na Babilônia, na Pérsia e foi assim aqui também. Mas o que ficou nos registros é que esses semi-deuses, eram praticamente imortais, de tanto que viveram. E eles trouxeram milênios de prosperidade. Após o último deles morrer, o território foi controlado por cinco imperadores, todos perfeitos. Isso muito antes da primeira dinastia, a Xia.

-Então o que você quer dizer é que estamos indo em busca desses tesouros? Dos tesouros desses reis-deuses?

-Você conclui o que preferir. Mas olhe em volta. Tá vendo aquele careca barbudo ali do lado do Petrus? Ele é Carlos Refacho, um especialista em culturas antigas, e paleontólogo. Ele é professor justamente de culturas e tradições milenares. Foi ele que descobriu uma pedra de basalto, com gravações numa língua perdida. Essa pedra foi levada Para Constantinopla por ninguém menos que Marco Polo. Durante séculos a pedra ficou guardada no Petrie Museum de Londres. Ele decifrou um pequeno trecho que dizia onde se localizava o túmulo de um dos deuses, o Rei Fuxi, que é o ancestral da humanidade após o dilúvio.

-Você diz o dilúvio do Noé?

-Mais ou menos – Disse Allan. – …Na verdade o dilúvio do Noé é uma alegoria simbólica a um gigantesco dilúvio, que é esse a que eu me refiro.

-Hummm. Agora entendo porque temos soldados armados na expedição. – Eu disse.

-O problema é que os uigures não podem nem sonhar que iremos profanar a terra de seus imperadores ancestrais divinos, pois do contrario realmente iremos morrer. Para todos os efeitos, estamos a serviço da real Sociedade Geográfica, para documentar a travessia do deserto do Talkimakan de uma ponta a outra.

-Vamos atravessar o deserto todo?

-Sim, é nosso disfarce, pois não sabemos onde estão os restos do palácio. Cruzando o deserto, faremos varreduras e nossas chances aumentarão. Uma coisa é certa. Nenhum de nós está aqui por demônio ou Deus. Estamos nessa pela fortuna que nos deixará ricos. Fiquei sabendo que Leonard e Petrus são dois caçadores de tesouros. Eles já estiveram em ruínas romanas, gregas, em túmulos de povos perdidos da amazônia, já vasculharam o Brasil em busca do Eldorado, e aqui estamos, em busca de fortunas incalculáveis. – Disse Allan.

Finalmente, Allan estava caindo pelas tabelas. Pediu-me licença e cambaleou para uma das diversas cabanas de lona, que eram balançadas pelo vento frio do deserto.

Gradualmente, os homens que já haviam terminado o jantar, foram se recolhendo para suas cabanas. Restou-me dividir a cabana com meu chefe, Leonard, que era o único que não estava bêbado. Petrus dormia completamente bêbado caído sob a mesa, perto de uma grande  fogueira que aquecia o acampamento.

Deitei-me no saco de dormir ao lado de Leonard.

Mas eu não conseguia pregar o olho. As informações de Allan haviam sido precisas para abrir meus olhos. Tudo se tratava então de uma operação para roubar sepulturas. Comecei a lembrar da casa cheia de antiguidades de Petrus. O jeito lacônico omo eles falavam e finalmente, compreendi de onde viera um rubi gigante que só os reis poderiam ter. Certamente ele veio do túmulo saqueado de um rei. E para Leonard se desfazer daquela gema belíssima e de valor incalculável a única explicação plausível é que ele havia amealhado tantas riquezas de civilizações extintas e tribos perdidas do mundo que um diamante ou rubi não lhe faria a menor falta.

Eu não conseguia pregar o olho e aproveitei a oportunidade para obter informações.

-Leonard? Leonard?

-Hummmmm? – Ele gemeu na escuridão da barraca.

-Posso perguntar uma coisa?

-Vai garoto.

-Por que vamos atravessar o deserto? Por que não simplesmente voar através dele?

-Você é muito curioso.

-Ora, Leonard, estamos juntos aqui, não estamos? Você acha certo eu me enfiar no deserto sem saber porque?- Argumentei.

-Ummmm. Tudo bem. Estamos ééééé… – Leonard parecia escolher cuidadosamente suas palavras. – …Procurando uma coisa. E não sabemos exatamente onde ela está, entende? Sem atravessar o deserto será como procurar uma agulha num palheiro.- Ele disse.

Aquilo confirmava minha hipótese e corroborava tudo que Allan havia me dito sobre catar os tesouros antigos dos reis divinos.

-Quanto iremos andar, Leonard?

-Hummm. Mais ou menos uns 1.300 quilômetros.

-O que? – Eu me assutei.

Ouvi Leonard rindo baixinho ao meu lado. Em alguns momentos ele parecia louco.

Fiquei em silêncio por alguns minutos, e finalmente disse:

-Boa noite, Leonard.

-Boa noite, Wilson. – Ele respondeu.

O ambiente ao meu redor estava rodando. Eu estava tonto e sentia vontade de vomitar. Havia comido muita carne e nunca tinha bebido tanto uísque na vida. Tentei ficar queito na tentativa de pegar no sono. Em pouco tempo, passei a ouvir o ruído do vento que vinha com velocidade do deserto.  Nosso acampamento estava protegido dos ventos fortes pelas casas rudimentares do povo Uigure, mas o som do vento asobiando lá fora era alto. Não pude ouvir o vento por muito tempo, porque Leonard começou a roncar e aquilo me afastou de minha meta de desligar a mente para chamar o sono.

Mas após algumas tentativas, consegui enfim dormir.

Meu sono não durou muito, já que Leonard me sacudiu com a brutalidade de sempre. Ainda estava escuro. O sol nem havia amanhecido quando abri os olhos e vi a barraca iluminada pelo lampião.

-Que foi? – Perguntei assustado.

-Tá na hora, garoto. Temos que sair cedo, para aproveitar o dia.

-Mas acabamos de deitar!  – Eu tentei argumentar, mas foi inútil. Rapidamente dois Uigures entraram na barraca falando aquela língua estranha e começaram a embalar as coisas e desmontar o acampamento.

O fogo ainda crepitava na fogueira no centro do nosso acampamento quando finalmente todo material, caixas e equipamentos terminaram de ser amarrados na incontável caravana de camelos.

-Qual é o meu? – Perguntei a Leonard, enquanto eu apontava os camelos. Leonard deu uma sonora gargalhada. Petrus veio (de ressaca) ver o que estava acontecendo.

-Que foi?

-Wilson quer saber… Quer saber o que mesmo, Wilson? Fala pro Petrus.

-Qual é o meu camelo.  – Eu disse, meio injuriado.

Petrus explodiu numa sonora gargalhada que atraiu a atenção de todos os homens que andavam de um lado para o outro do acampamento, levando mantimentos, sacolas e garrafões.

-Escutem! O garoto quer saber qual é o camelo dele! – Petrus gritou. Então todos do acampamento desataram a rir ensandecidamente. Não tardou para os Ruigures surgirem com cara de interrogação, mas Allan falou um monte de coisa pra eles e dali a pouco os únicos que não estavam, se escangalhando de rir éramos eu e os camelos.

Naquele dia eu fiquei muito bravo. Me senti a criatura mais idiota do universo. Não tardou para eu descobrir, da pior maneira, que os camelos não serviam de transporte humano, mas sim para levar a carga.

Cerca de uma hora depois, eu saía na companhia daqueles homens desconhecidos em direção ao deserto escarlate.

Emparelhei com Allan.

– Obrigado por traduzir a minha ridicularização para os Uigures. Assim eu fiquei desmoralizado de uma só vez e não preciso me preocupar. Agora eu sei que nem os camelos irão me respeitar. – Eu disse rindo, mas por dentro minha vontade era de esmurrar a cara deles.

– Não se preocupe. Eu conheço estes caras. Eles vão começar a fazer troça da cara dos outros não vai demorar. Aguarde, meu amigo. Aguarde… E nunca facilite!

-É um bom conselho, Allan.

Partíamos da poeirenta cidade de Markit, na extremidade ocidental do deserto. Olhei a bússola e vi que rumaríamos em direção ao leste. A despedia foi emocionante. Varias esposas dos homens contratados para levar a carga, os uigures locais, surgiram, trazendo consigo lenços coloridos. Elas choravam. As crianças apareceram na entrada do deserto, fazendo algazarra com cornetas e tambores. Tocavam uma musica local dissonante, que me pareceu lembrar a marcha fúnebre. Nuvens de confetes eram jogadas sobre nós e pombas brancas foram libertadas como oferendas aos deuses para que aqueles corajosos carregadores retornassem inteiros aos seus lares. As mulheres não paravam de chorar e acenavam os lenços, gritando:

-Hosh! Hosh! – Adeus! Adeus! Como mais tarde Allan Laforet me ensinou. Havia medo no rosto das mulheres velhas e uma expressão incrédula no rosto dos mais velhos. Vi no fundo de uma casa um homem velho, que parecia cego. Mas eloe olhava fixamente para nós e balançava a cabeça negativamente. Tudo parecia estranhamente festivo e triste.

Eu tinha certeza que os velhos, que já haviam testemunhado muita coisa naquele ermo do planeta, sabiam que outros aventureiros não tiveram sorte naquele lugar.   Por que nós iríamos ter? Saber que estávamos em busca de tesouros profanados mexia comigo de uma forma terrível. Me sentia mal. Eu via os uigures comemorando nossa partida e não podia deixar de pensar numa família celebrando o ladrão que planeja assaltar a casa.

-Talvez eles estejam comemorando pois sabem o que iremos fazer. – Cutuquei Allan. Ele sorriu e acenou positivamente com a cabeça.

Uma moça gritou chorando alguma coisa. Perguntei a Allan o que ela disse e ele falou que ela dizia para ter cuidado com a maldição do Taklimakan.

-Maldição?

-São as lendas locais. Relaxa.

Petrus se aproximou de nós, em silêncio.

-O que você sabe sobre isso? O que ela falou? – Perguntei afobado ao Allan, deixando transparecer meu medo e curiosidade.

-Ela disse para “não entrarmos no deserto da morte, ou a maldição vai nos pegar”.

-Deserto da morte?

-Todos os Uigures só se referem ao Taklimakan como “deserto da morte”. – Disse Petrus.

-Por que? – Eu perguntei. Eu era mestre em fazer perguntas idiotas.

-Porque todo mundo que entrou, não saiu! – Disse Allan com um sorriso maníaco no rosto.

-Na verdade, não é bem assim. – Disse Petrus. Eu e Allan prestávamos atenção enquanto andávamos na frente da caravana.

-Há um sujeito que eu conheci, um sueco, chamado Sven Hedin… Ele entrou e saiu. Sven, um explorador, veio parar aqui atraído por histórias sobre cidades perdidas… Ele banca de contribuinte da real sociedade geográfica, mas dizem as más línguas, que é caçador de tesouros.

Allan discretamente me deu uma cotovelada e interrompeu Petrus: – …Como do Coronel Fawcett, Lord Carnavon, Dr. Livingstone e tantos outros renomados desbravadores, não é mesmo?

-Cada homem sabe as forças que o movem, caro Laforet. Mas Sven deu com os burros n´água por aqui. Foi derrotado por montanhas intransponíveis de areia, algumas com 300 metros de altura. A fome e a sede, dizem que Sven pirou. Os dois que sobreviveram na expedição dele disseram aos Uigures que Sven encontrou alguma atividade sobrenatural. Ele fugiu, deixou para trás dois cameleiros, sete camelos e até o seu cão, que morreram de sede no que o próprio Hedin mais tarde chamou de ” O pior e mais perigoso deserto do mundo”.

-E Sven, morreu? – Perguntou Allan Laforet.

-Não, ele está bem vivo. Atualmente parece que viajou pra Mongólia com uns alemães. Mas jurou nunca mais pisar aqui. Algo assustou bastante o Sven. O que é estranho, já que os exploradores não temem a morte.

-Cruzes! – Gemi baixinho enquanto andava.

-Mas não veja Hedin como um perdedor, Wilson. Estamos usando muitos manuscritos e mapas dele.  Hedin foi o primeiro explorador a desenterrar ruínas de cidades budistas por aqui. Em 1899 ele descobriu a cidade antiga  de Loulan aqui no Taklamakan. Parece que foi em Loulan que ele encontrou algo maior do que poderia esperar. Mas muitos dos manuscritos por ele desenterrados demonstraram ter uma grande importância histórica. Se não fosse Sven não estaríamos aqui.

Todos concordamos. O sol começava a subir no céu. A cidade de Makrit estava ficando para trás. O frio dava lugar ao calor abafado.

Petrus nos pediu licença. Ele apertou o passo e foi à frente, ao lado de Leonard, que usava um bastão como apoio na caminhada.

Allan Laforet apontou para eles lá na frente. Leonard com o bastão, seguido por Petrus. Allan apontou a enorme fila de homens e camelos atrás de nós. Então disse: – Não te lembra alguma coisa?

-Não. O que?

-O êxodo dos Judeus.- Ele riu.

Eu também ri.

-Meu medo é que estejamos só no primeiro dia de caminhada rumo a terra Prometida, meu amigo.

-Por mim tudo bem, desde que não dure quarenta anos!- Pelo menos o básico do Antigo Testamento eu sabia.

Allan concordou com a cabeça. Minha testa suava.

Estávamos no deserto, indo de encontro à maldição.

CONTINUA

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11 comentários em “A busca de Kuran – A maldição de Taklimakan”

  1. tambem cinto falta do david carlile … hey philipe, tá otimo, da um ar de indiana jones, mais a liga estraordinaria, mais ainda van helsing … alias … le ae por favor XD http://cdescola.blogspot.com/2011/04/um-conto-vampiresco.html

  2. Estou gostando do conto. Quanto mais eu leio mais confuso e curioso eu fico… Aposto que esse Wilson ai não vai se dar bem nesse conto… Também sinto falta de David….
    CAMPANHA: SEGUNDA TEMPORADA DE ZUMBI!

    • Gente, não precisa fazer campanha pela segunda temporada de zumbi. Ela irá acontecer. Só não posso dizer com certeza quando, porque escrevo no blog nas minhas horas vagas.

    • Gente, não precisa fazer campanha pela segunda temporada de zumbi. Ela irá acontecer. Só não posso dizer com certeza quando, porque escrevo no blog nas minhas horas vagas.

    • Não é uma má ideia, hein Yuri? Mas antes de publicar eu preciso escrever. Na parte 1 e 2 do caçador temos Leonard já velho. Se passa nos dias atuais. Esta sequencia de em busca de Kuran conta os primeiros meses da jornada de Wilson como discípulo de Leonard.

  3. Caralho!! não tinha feito a ligação!!! É o mesmo Leonard!!! muito leggal!! realmente daria uma otima historia em quadrinho!!! Você devia mandar a historia pra alguem da marvel ou outra editora de quadrinhos!!! quem sabe agente não tem o prazer de ver suas historias publicadas e desenhadas!

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