“A banana é a ideia” ou aos perdedores, as bananas!

Lembra do cara que botou uma banana colada na parede da galeria e vendeu como arte? Se você não sabe do que eu estou falando, segue o caso:

"A banana é a ideia"  ou aos perdedores, as bananas!

Uma banana, colada na parede, foi vendida na grande feira Art Basel Miami Beach esta semana a um preço de US $ 120.000 e não só foi vendida, segundo a CNN, como já encomendaram mais uma!

De fato, nesse momento, três dessas obras foram publicadas e duas já foram vendidas.

O trabalho, de Maurizio Cattelan , foi apresentado quarta-feira pela Perrotin , uma galeria de arte contemporânea fundada em Paris que teve uma longa associação com o artista italiano. É a primeira contribuição de Cattelan para uma feira de arte em 15 anos, explicou a galeria.

A peça é chamada de ” Comediante ” e é uma banana comprada em uma loja em Miami e presa à parede com fita adesiva. O fundador da galeria explicou que as bananas são “um símbolo do comércio mundial, um duplo significado e um dispositivo clássico de humor”, e acrescentou que o artista transforma objetos mundanos em “veículos de deleite e crítica”. Os compradores devem ter em mente que não há instruções claras sobre o que fazer se as bananas começarem a apodrecer. fonte

Evidentemente quando coisas assim acontecem, é comum que o mundo se divida: Há quem ache genial. Há quem ache picaretagem. Há quem ache que se o cara inventa uma maneira de dilapidar o patrimônio de um trouxa é até um dever dele fazer isso.

Eu acho um pouco batido o negócio de que “o papel do artista é fazer pensar”.  Minha sensação com esse tipo de tentativa de uma arte “disruptiva”, “destruidora de paradigmas” e toda essa baboseira que marchands e galeristas afetados adoram colar em qualquer coisa que se faça para pedir dinheiro a pessoas que compensam sua ignorância com cifrões, é que estamos num loop sem fim.

Claro que é uma coisa corriqueira também o uso da arte contemporânea como um sistema eficaz de lavagem de dinheiro e especulação financeira. Sabemos que isso rola e já até ficou manjado lavar dinheiro assim. Mas eu sinceramente não acho que seja o caso na obra de Cattelan. Se o objetivo fosse essa arte vazia e especulativa que visa fazer dinheiro mudar de mão, ele usaria uma banana de bronze ou de resina como alegaram que ele fez antes de colar a banana real que vai durar o que? Uma semana?

Estamos tratando de um fruto perecível colado numa parede e como isso não dura, fica questionável o negócio dessa aquisição. Ficou mais como uma doação pela ousadia do que compra de um objeto de arte.

No fundo, a minha sensação é que isso é só um “mais do mesmo”. Virou uma modinha esse negócio do “faço qualquer bosta porque quero fazer o outro pensar”. Aliás, quando eu digo faço qualquer bosta eu estou falando literalmente:

Eis aqui a merda de artista -
Eis aqui a “merda de artista” – Piero Manzoni enlatou suas próprias fezes e vendeu por 275.000 euros.

Depois que Marcel Duchamp inovou na arte conceitual, a arte ganhou uma nova dimensão e um novo sentido, pois deixou de ser a técnica e o talento a fazer a arte mas sim, o conceito, o significado e principalmente a ideia subjacente à obra. A inovação estava ali. Continuou ali, mesmo com um MONTE de gente querendo lavar nas águas do Duchamp, numa tentativa de dinheiro fácil? Ou numa tentativa de disfarçar sua incapacidade de criação real? Para quem milita no “tudo é arte”, eu digo que igualmente, tudo é possível, inclusive que vender qualquer coisa como arte, se trate do mais puro estelionato.

Não precisamos nem ir muito longe para encontrar bons exemplos do que se poderia chamar de arte questionável.

Uma mulher chegou a comprar um quadro “invisível” por nada menos que dez mil dolares. Sim, um quadro invisível, isso é… nada.

Aliás, existe Inclusive um MUSEU da arte invisível. E tem gente que vai e PAGA pra entrar e olhar pra paredes vazias. O museu se chama MONA:

"A banana é a ideia"  ou aos perdedores, as bananas!
Museu das “obras invisíveis”
"A banana é a ideia"  ou aos perdedores, as bananas!
Tem “esculturas” invisíveis também.

Você poderia pensar que ao vender sua banana como arte, Cattelan pretende alçar ao papel de foco do objeto de sua criação não a banana mas quem compra uma banana e um pedaço de fita adesiva por 120.000 dólares. É irresistível o desejo de carimbar um “otário” na testa de quem pagou, mas ao fazer isso estamos elegendo o comprador a um lugar de importância que talvez até seja capaz de eclipsar a “obra”.

Seja como for sob a dimensão do “isso é arte, isso não é arte, isso é de mau gosto, isso é bonito ou feio” parecem ser os compassos que marcam a arte contemporânea num loop eterno – e chato.

Entre cocô enlatado e quadros que não existem, já teve de tudo. Quer um exemplo?

"A banana é a ideia"  ou aos perdedores, as bananas!
isso nada mais é que uma bola de meleca

OBRA Bogey Ball (2002)

ARTISTA James R. Ford

Durante dois anos, entre 2002 e 2004, Ford coletou o muco de seu nariz em um recipiente. O resultado foi uma bolinha de 2,1 cm de diâmetro feita de pura meleca! Segundo Ford, as operações de retirada, seleção e coleta dos excrementos foram parte de um processo obsessivo e frustrante, que exigiu muito empenho. Ele conseguiu vender a obra por cerca de US$ 20 mil

 

"A banana é a ideia"  ou aos perdedores, as bananas!
mijo sobre chapas

OBRA Oxidations(1977)

Andy Warhol pintou 12 telas comuns com tintas metálicas feitas a partir de cobre. Depois, foi chamando os amigos para mijar em cima delas. O cobre reagia com o ácido úrico, produzindo formas e cores diferentes. Warhol experimentou diversos padrões de coloração, variando os produtores de xixi e a dieta deles. Hoje, uma tela custa pelo menos US$ 900 mil

 

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Obra Purple Squirt (1995)

Professor adjunto de uma faculdade de artes norte-americana, Boadwee tem um método de pintar um tanto quanto excêntrico: ele insere tinta à base de água no ânus com a ajuda de uma mangueira e, depois, espirra tudo pelo esfíncter em uma tela em branco.

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Almondegas humanas

OBRA Polpette al Grasso di Marco (2006)

ARTISTA Marco Evaristti

O artista dinamarquês nascido no Chile já havia criado polêmica ao fazer uma exibição em que peixinhos dourados nadavam dentro de liquidificadores – os quais podiam ser ligados pelo público. Já para essa maravilha, Evaristti produziu 48 almôndegas com a gordura retirada dele mesmo por meio de uma operação de lipoaspiração. Algumas foram cozidas pelo próprio artista e servidas em um jantar para amigos completamente desavisados sobre estarem comendo parte do corpo do anfitrião. Outras foram colocadas em pacotes de dez e vendidas ao preço de US$ 4 mil. Segundo o site do artista, a obra “critica a cultura consumista dos dias de hoje”.

Então, agora depois desse magnífico passeio pelas artes contemporâneas, voltamos para a banana colada na parede.

"A banana é a ideia"  ou aos perdedores, as bananas!

Por que diabos isso aqui poderia ser considerado genial e não “mais do mesmo”? Uma fruta sendo percebida como um objeto de arte nem sequer é uma novidade e o caso  envolvendo um museu e um abacaxi é um reflexo do “tudo é arte”.

"A banana é a ideia"  ou aos perdedores, as bananas!

“Um estudante que deixou um abacaxi no meio de uma exposição de arte como brincadeira ficou chocado depois que os curadores colocaram a fruta dentro de uma caixa de vidro”. fonte

Evidentemente que a questão da arte não é se eu ou você gostamos ou não. Não importa se você acha bonito ou se o pendura sobre o sofá. Ninguém se importa se você “entende”, e por que você está tão preocupado se você “entende” ou não? O ponto da arte é que alguém tinha um desejo ardente de criar algo, e eles criaram, seja com sangue, fezes, dejetos corporais, ou colocando coisas corriqueiras e ate perecíveis para serem vistas como suas próprias criações. Se o galerista consegue vender, parabéns pra ele.

Minha opinião é absolutamente irrelevante no panorama da arte, mas mesmo sem ninguém pedir eu dou até porque eu sou o dono dessa joça aqui e faço o que eu bem entendo no meu castelinho, hahaha. Eu acho que se o “artista” não produz concretamente (ou virtualmente) seu objeto de arte, seja por alteração, ou destruição, ou qualquer forma que exerça sua influencia de pensamento criador sobre o substrato, ele não tem o como se dizer o criador. Um cara que pega um galho de arvore numa praia e o expõe numa galeria dizendo que aquilo é “sua arte” pra mim é uma fraude.

É uma questão moral. Se um artista se propõe a ser o criador de um objeto ou instalação e esse produto é somente algo externo que ele traz, garimpa, ou recolhe em algum lugar e tudo que ele oferece é um pedido para uma reinterpretação do objeto por arte do público, ele pode ate estar fazendo filosofia mas artisticamente acho questionável.  Eu nunca pagaria essa grana por uma banana.

Curiosamente, a história dessa banana da discórdia não acaba aí.

O destino da banana

O destino da ampla maioria das bananas é virar cocô e não foi muito diferente com a banana mais cara do mundo. Segundo o New York Post, um artista performático de Nova York comeu a banana de US $ 120.000 na exposição Art Basel, em Miami Beach, no sábado – deixando desesperados os galeristas.

Por volta das 13h45,   David Datuna fez uma última ceia com as frutas.

Datuna soltou o “Comediante” de Maurizio Cattelan – uma banana presa a uma parede – soltou, abriu e depois a devorou, diante do publico estarrecido.

Foi “delicioso”, ele disse ao The Post.

Melhor do que uma banana comum?

“É claro”, ele disse, notando com uma piscadela, “eu posso comer a banana e o conceito de banana – porque sou um artista e não um humano comum”.

"A banana é a ideia"  ou aos perdedores, as bananas!

“Você não deve tocar na arte!”, Gritou uma espectadora horrorizada quando Datuna fagocitou a escultura. A galeria relatou o incidente à segurança, mas Datuna se afastou, informou a agência.

“Não é sobre a peça. É uma performance de arte ”, explicou ele ao The Post.

Maurizio Cattelan, eu te amo. Um artista come outro artista. É divertido.

Datuna acrescentou: “O nome da performance é Artista Faminto”.

Enquanto isso, a galeria insistia que a peça continuava viva.

“Ele não destruiu o trabalho!”, Disse o porta-voz Lucien Terras ao Herald. “A banana é a ideia .”

Estranhamente, a galeria só aceita dinheiro de verdade pela banana.

fonte

7 comentários em ““A banana é a ideia” ou aos perdedores, as bananas!”

  1. Tão confuso quanto entender esse tipo de putaria é dar atenção a isso.Prefiro desenhar e imaginar algo do que fazer os outros de besta.

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  2. Pra mim, esse comércio de “obras de arte” nada mais é do que um grande esquema de lavagem de dinheiro de ricos e poderosos, traficantes, e toda trupe de bandidos que se possa imaginar..
    change my mind…

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  3. Penso que essa “banana” é simplesmente algo para chamar atenção. Em um momento em que representações vazias carentes de criatividade ganham significado para impactar pessoas.

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  4. A banana presa na parede eh a demonstracao de uma cultura irraizada no patriarcado opressor, onde todos estamos presos numa ideia obsoleta controle interno, que num futuro certo ira se decompor assim como a banana, pois nada do que e mau, dura para sempre.
    Dito isto, a performance “O Artista Faminto” eh a demonstracao que nos como sociedade, desde que unidos, quando estamos famintos de conhecimento, liberdade e coragem, conseguimos devorar tudo aquilo que nos aprisiona.

    A arte moderna e tao pobre, tao ridicula que tu podes escrever qualquer bobagem para descrever esta “arte”.

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  5. Li o texto, achei bacana a crítica. Dentro da arte contemporânea, só lembrando, existe também esse tipo de arte que se chama arte conceitual e ela não é nem um pouco sofisticada. A intenção dela é chocar, mexer com as pessoas, causar esse tipo de reação que você teve ao escrever o texto. A arte conceitual não é convencional e é intencional que seja vista dessa maneira, afinal o papel da arte é também provocar. Esses caras que vendem merda enlatada ou bananas por esse preço, muitas vezes mentem que venderam isso por um preço exorbitante, mas na maioria dos casos isso não é vendido. É justamente esse ponto que eles querem chamar a atenção: quando nós mesmos pagamos caro por um monte de coisas que não fazem sentido. Água engarrafada, ítens de joguinho idiota que vicia, comida que muitas vezes são estragadas…
    McDonald’s (na minha opinião) é um exemplo. Sempre me pergunto o seguinte: gente, quem é tão trouxa de pagar pra comer esse lixo de comida que não apodrece por causa de conservante e faz mal pra saúde? Mas pagam né…
    Eu sinceramente acho a arte conceitual divertida. Ela não se resume só nesses artistas fazendo coisas esdrúxulas, mas se tu visitar museu sempre pra ver o que os artistas apresentam, pode se surpreender com a capacidade de muitos deles te fazerem pensar de um jeito diferente.

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    • Interessante essa arte é para pensar, aprender, criar novos conceitos, perspectivas, novo olhar, e se divertir, viva a arte e o artista, viva a sustentabilidade, zero Plástico.

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