Águia de aço – aventura no cinema

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Eu tinha ido ver o filme água de Aço com meu primo Guilherme (aquele do episódio pitoresco do cemitério) toda vez que a gente se juntava dava alguma merda. Foram dezenas de merdas de todos os tipos ao longo da juventude.
Naquela tarde de sábado fomos ao cinema ver um filme chamado “Águia de Aço”. Era aquele tipo de filme de caras durões pilotando jatos com bombas explodindo jipes. Uma coisa que precedeu Top Gun. Nós chegamos cedo. Era época de férias e a fila para ver o Águia de Aço era enorme. Uma molecada doida. Eu estava totalmente interessado em ver os combates. Naquele tempo eu montava aviõezinhos de plástico da Revell e sonhava em ser piloto de caça. Escolhemos meticulosamente o lugar para assistir o filme. Bem no meio da tela. Quando nós sentamos, estávamos eu de um lado, o Guilherme do outro e o Tio Arlindo, que levou a gente no cinema no meio.

Entrou um casal e sentou bem na frente do Guilherme e do Tio Arlindo. Eu sorri por dentro, porque eu sabia que geralmente o lugar ao lado de casais costuma acabar vazio. Estava tudo perfeito. Na minha frente, apenas a tela.
Quando começou o trailer, eu já não podia conter a emoção. Faltavam poucos segundos para a emocionante perseguição de jatos começar.
Bem… Já ouviu falar de “lei de Murphy”?
Pois é. Entrou um cara com um cabelo que era igual ao do SideShowBob dos Simpsons. lentamente ele entrou pelo canto da minha visão periférica e ocupou todo o espectro visível com sua cabeleira de dar inveja ao mais imundo dos esfregões de chão do Mc Donalds.
Bem assim ó:

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Onde que o puto sentou? Isso mesmo, na MINHA FRENTE. O pior é que quando o cara sentou o cinema tava lotado. Já não rolava mudar de lugar.
Resultado, tive que ver o filme que eu tava LOUCO pra assistir atrás daquele TUFO de cabelos que era igual a um coqueiro.

Eu não lembro de praticamente nada daquele filme. Só de uma coisa. Do puto do cabelo duro e do episódio do milho.

No meio do filme, havia uma cena em que rolava um bombardeio. Um jipe saiu capotando. Eu sentia que ia cair sangue em mim. Lembro que só voltei a me sentir assim na cena a pancadaria generalizada do filme Coração Valente, anos depois.
Um jipe explodiu, virando cambalhotas em chamas na tela e subitamente, uma coisa molhada caiu no meu colo.
Eu quase morri do coração. Achei que era o braço do motorista do jipe. Mas não. Era pior.

Era um milho.

Bem, um sabugo de milho, totalmente comido. Algum filho da puta tacou o milho pro ar e caiu bem no meu colo. Agora veja você. Com aquela porrada de cabeça no cinema e o milho infectamente babujado cai no colo de quem? No meu.
Como se não bastasse isso, tinha aquele corno alto na minha frente.
Eu comecei a sentir uma raiva… Uma raiva filha da puta, que foi crescendo, crescendo… me absorvendo, até que enfim eu peguei aquela porra de milho e desferi uma PORRADA COM TODA FORÇA na cabeça do SideshowBob bem na minha frente. Foi um porradão violento. Sem piedade. E em seguida abaixei e fiquei com cara de quem tava vendo o filme. eu não olhei nos olhos dele para não me incriminar. Olhava ao longe como se visse compenetradamente o filme.
O Side Show Bob levantou da cadeira. Ele devia ter uns dois metros, fora o tufo. Ele olhou pra trás. Lá pra trás. Bem pra trás. Tentou gritar:
– Quem foi o filho da puta que jogou esse milho???
Eu, incólume continuei quietinho. O povo do cinema começou a vaiar o cara que levantou gritando para sentar e tal. E ele sentou. Aliás, ele praticamente deitou na cadeira e enfim eu pude ver a cena final e um pedaço dos créditos.