Archive - março, 2010

Isto é bizarro: Chuva de peixes acontece de novo

Aconteceu de novo. Uma misteriosa chuva de peixes atingiu uma cidade da Austrália.

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O insólito aconteceu na cidade de Lajamanu, que tem população de apenas 660 pessoas. Foram milhares de pequenos peixes brancos que caíram do céu, alguns congelados mas muito ainda vivos. Ninguém soube explicar a razão pelo qual os peixes caíram do céu, mas não é a primeira vez que este estranho fenômeno acontece. Ele já foi registrado muitas vezes durante a história.Esta é a terceira vez em 30 anos que a cidade de Lajamanu é atingida por uma chuva de peixes.

O fenômeno ocorreu em 1974 e no ano 2000. Os moradores da cidade se divertem com a bizarra situação, dizendo que enquanto forem peixes e não crocodilos a cair do céu, eles estão tranquilos.

Ao que parece a chuva de peixes ocorre quando um furacão ou tornado passa sobre um rio ou lago, sugando peixes e outros animais pequenos, como sapos e rãs, que são lançados à grande altitude, o que faz alguns deles congelar. Em seguida eles caem, e causam espanto a todos os que testemunham o fato.

Aqui tem referência a várias chuvas de animais. Durante muitos anos as pessoas pensaram que isso eram apenas lendas.

Não deixe de ver o post sobre a chuva de sapos.

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Encontrado o prego que prendeu Jesus Cristo na cruz?

Nossa, meu. Olha só esta notícia:
nail2201588373f Encontrado o prego que prendeu Jesus Cristo na cruz?
O prego que pode ter prendido ninguém menos que Jesus Cristo, uma das figuras históricas mais importantes de todos os tempos, pode finalmente ter sido encontrado.
Segundo os pesquisadores, o prego em questão combina perfeitamente com o tipo dos pregos usados em Jerusalém para crucificações romanas. Segundo os arqueólogos, o prego data do século 1 ou 2.
O prego que pode ter sido o da crucificação de Cristo foi descoberto numa caixa decorada na ilha de Pontinha, próximo à costa da Ilha da Madeira. Ocorre que esta pequena ilhota foi mantida pelos cavaleiros templários. Os investigadores acreditam que a caixa pertenceu a um Cavaleiro templário que pode ter trazido o prego de Jerusalém da época das grandes Cruzadas durante o século 12.
O arqueólogo Bryn Walters disse que examinando o prego, baseando-se em sua idade é possível perceber que ele está em excelentes condições, o que sugere que foi mantido com extremo cuidado, possivelmente por ser considerado uma relíquia muito importante.
Analisando o que ocorreu na superfície do metal, os investigadores perceberam que o desgaste sugere que o prego passou pela mão de muitas pessoas ao longo do tempo e o ácido contido no suor dessas pessoas atacou o metal de um modo muito característico. Este seria um outro indício de que o prego foi considerado algo bastante importante através dos séculos.
O prego na caixa decorada foi descoberto numa escavação arqueológica e estava junto com três esqueletos, possivelmente cavaleiros que guardavam a relíquia, e suas respectivas três espadas, sendo que uma delas possuía o símbolo da cruz dos Templários. Toda esta configuração pode sugerir que os cavaleiros templários consideravam o prego como sendo o verdadeiro prego que prendeu Jesus.
Mas seria mesmo?
Devo lembrar que durante um longo perído que vai do primeiro século em diante, muitos elementos do cristianismo ganharam status de relíquias sagradas. O auge do período das relíquias se deu justamente na idade média, quando praticamente todo nobre possuía em seu castelo uma lasca da madeira da cruz, ou uma lança que perfurou Jesus ou então o próprio Santo Sudário.

O primeiro exemplo do culto de uma relíquia por crentes cristãos surge em 156 em Smyrna (na Turquia), a propósito do martírio de São Policarpo relatado, por exemplo, nas obras de Eusébio de Cesareia. Depois de ter sido queimado na fogueira, os discípulos do mártir recuperaram os ossos calcinados do seu mestre e acolheram-nos como objetos sagrados. Mais tarde diversos milagres foram atribuídos a esta relíquia e a busca por objetos semelhantes tornou-se cada vez mais popular, conduzindo por exemplo, à descoberta da cruz da crucificação de Jesus Cristo no ano 318.

No início do cristianismo, as relíquias eram importantes, principalmente partes de corpos de mártires, pois considerava que seriam estes os primeiros a levantar-se no momento da ressurreição.
Como neguinho já era malandro naquela época, ninguém queria ficar fora da festa da ressureição geral no fim dos tempos e ser enterrado perto dos relicários era uma espécie de garantia sólida de acordar para a vida eterna ao lado dos soldados da fé.

Durante a Idade Média e o período de construção de catedrais o culto das relíquias atingiu o seu auge. Ainda não existiam os museus, e as igrejas começaram a uma escalada nesta direção. A esta altura, a edificação e manutenção de uma catedral era custeada sobretudo através de donativos da congregação. A importância eclesiástica de uma diocese, bem como a sua capacidade de atrair novos fieis e peregrinos, não raro dependia diretamente da quantidade e qualidade de relíquias que seriam ali exibidas para veneração. Assim, quando a primeira seção da catedral de Colônia abriu as portas em 1164, foi com todo o orgulho que o Arcebispo Reinaldo de Dassel expôs os corpos dos Três reis magos. Ainda hoje algumas das grandes catedrais européias ainda possuem interessantes relíquias.

Como todo modismo, o culto das relíquias tomou uma proporção exagerada principalmente após a tomada de Constantinopla durante a quarta cruzada em 1204. Ossos, pequenos bocados de pano, garrafinhas com água do rio em que Jesus foi batizado, até saquinhos com o pó do qual Adão foi criado, eram peças comuns nos mercados do século XIII. Em dada altura, chegaram a contabilizar-se cerca de 700 “verdadeiros pregos da cruz”. Mais tarde, Erasmo de Roterdão afirmaria com ironia que haviam tantos pregos da crucificação de Jesus que chegavam para construir um navio.

As relíquias são oficialmente cadastradas em três tipos: De primeira, segunda e terceira classe. As de primeira classe tem relação direta com Jesus e os Apóstolos. A de segunda com outros santos em geral e as de terceira com algum objeto que tenha tocado as relíquias de primeira ou de segunda classe.

São mesmo tantas Relíquias que poderíamos elencar infinitamente aqui. Mas vamos citar apenas algumas das mais Gumps relíquias do Catolicismo.

A cora de espinhos

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A coroa de espinhos é parte integrante da Paixão de cristo. É um dos elementos de tortura com o qual os romanos teriam desdenhado do “rei dos reis”, coroando-o após inúmeros castigos que o deixaram moribundo. Ela encontra-se em Paris, na catedral de Notre Dame, no interior deste pomposo relicário de ouro.


A lança do destino

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Ela também é conhecida como Lança Sagrada ou Lança de Longino, e segundo a tradição da Igreja Católica, foi a arma usada pelo centurião romano Longinus usou para perfurar a lateral do peito de Jesus Cristo durante a crucificação.

O santo Graal

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Este é um clássico das relíquias. O santo Graal dispensa apresentações, mas podemos resumir tudo dizendo que é o copo em que Jesus bebeu na última ceia. O santo Graal foi reclamado diversas vezes na história. Mas muitos o consideram uma lenda. Pessoalmente eu prefiro a versão de madeira do filme do Indiana Jones. Beber nesse daí de cima não é boa idéia.

O santo sudário

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Outro item que dispensa apresentações é o Santo Sudário. Motivo de acaloradas disputas e discussões intermináveis sobre sua origem e autenticidade, envolveu peritos e arqueólogos de diversas partes e instituições do mundo. Até hoje a coisa está em discussão, mas há uma tendência maior ao ceticismo, que supõe que o Sudário que está na catedral de Turim seja obra de uma perfeita falsificação, criada por um mestre. Três análises de Carbono 14 feitas independentemente apontaram idades entre 1260-1390 para a criação desta relíquia, para desgostos dos religiosos que viam nela uma prova cabal da existência de Jesus. Mas ainda assim, a controvérsia permanece.

O prepúcio de Jesus
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Pode parece engraçado imaginar que diversas igrejas reclamaram durante séculos ter um pedaço do pênis de Jesus em seu poder e atribuir ao pedaço de pele do pinto sagrado o poder de fazer diversos milagres. O prepúcio de Jesus Cristo, teria sido retirado do seu corpo durante a circuncisão ritual a que o povo judeu submete todos os seus rapazes. Obviamente como Jesus era só um e só devia possuir um pênis, muitas dessas supostas relíquias não pertenciam ao Messias (sem falar na explicação de como uma pele dura mais de dois mil anos sem se deteriorar)

Agora, falando em se deteriorar e ainda no assunto de relíquias bizarras, é impossível não falar dos impressionantes cadáveres-relíquias.

Se você não é católico pode achar bastante bizarro que uma religião cultue defuntos, mas certamente achará ainda mais esquisito que ela coloque em exposição para culto esses defuntos, que por uma razão que está envolta em grande mistério, não se deterioram! Será um milagre? Uma pequena mostra do poder de Deus? Vejamos:

Santa Bernardete de Loudes

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Santa Bernadete nasceu Bernadette Soubirous, em Lourdes, França. De fevereiro a julho de 1858, ela relatou dezoito anos de aparições de “uma senhora.” Imediatamente as alegações sugeriam que ela via ninguém menos que a Virgem Maria, mãe de Jesus. Apesar do ceticismo inicial da Igreja Católica Romana, estas alegações foram consideradas dignas de fé após uma investigação canônica. Após sua morte, o corpo de Bernadete permaneceu “indeteriorável”, o que fez com que os religiosos comprovassem que os encontros da santa com a Virgem Maria teriam interferido no seu processo de decomposição, o que seria em última instância, uma prova de que era tudo verdade. Desde então, o santuário de Lourdes passou a se tornar um importante local de peregrinação, atraindo milhões de católicos a cada ano.

São João Batista Vianney

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Ele morreu em 4 de agosto de 1859 e foi um sacerdote francês da paróquia que se tornou um santo católico e padroeiro dos párocos. Ele é frequentemente referido, mesmo em Inglês, como “Cura d’Ars” (o pároco da aldeia de Ars). Este padre-santo famoso internacionalmente por seu trabalho sacerdotal e pastoral na sua paróquia, devido à transformação espiritual radical da comunidade e seus arredores. Do mesmo modo que Santa Bernardete ele não se decompôs.

Santa Thereza Margareth

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Em 19 de março de 1934, o papa Pio XI declarou a Beata Theresa Margareth do Sagrado Coração inscrita no registo de santos. Ela era carmelita na Alemanha, e sua vida era quieta e escondida. Ela faleceu em 7 de março de 1770 com a idade de 22 anos e, mesmo com uma vida curta, ela passou cinco anos no mosteiro carmelita em Florença. Curiosamente, esta santa não realizou nenhum milagre, nem fez qualquer coisa que levasse seu nome ao conhecimento do mundo. Ela apenas passou a vida a viver tranquilamente e em silêncio.
Mas por uma estranha razão, também não se decompôs. E graças a isso foi exibida como relíquia da Igreja.

São Vicente de Paulo

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São Vicente de Paulo estudou humanidades e se graduou em teologia em Toulouse. Vicente de Paulo foi ordenado sacerdote em 1600, permanecendo em Toulouse, até que viajou para Marselha afim de espalhar a palavra de Deus. No caminho de volta a partir de Marselha, ele foi capturado por piratas turcos e levado para Tunísia, onde seria vendido como escravo. Após converter o pirata seu algoz no cristianismo, Vicente de Paulo foi libertado em 1607. Vicente voltou à França e serviu como padre numa paróquia perto de Paris e morreu em 1660. Em 13 de agosto de 1729, Vicente foi beatificado pelo Papa Bento XIII, e canonizado por Clemente XII em 16 de junho de 1737. Em 1885 Leão XIII elegeu o santo como patrono para as Irmãs da Caridade “Vicentinas”.

São Silvan

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Pouco se sabe sobre este santo. Ele é um mártir católico, o que significa que morreu defendendo a Igreja. È impressionante que este corpo esteja tão bem preservado tendo 1600 anos de idade.

Santa Verônica Giuliani

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Santa Verônica Giuliani foi uma mística italiana. Ela nasceu em Mercatello do ducado de Urbino. No batismo foi nomeada Ursula. De acordo com a Enciclopédia Católica, ela apresentava sinais de santidade desde tenra idade. Sua lenda afirma que quando ela tinha apenas um ano e seis meses de idade, já proferiu suas primeiras palavras para censurar um lojista que estava servindo uma medida falsa de óleo, dizendo claramente: “Faça justiça, Deus está te vendo”. Por alguma estranha razão ela também não se decompôs.

Santa Zita

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Santa Zita é a padroeira das empregadas domésticas e empregados domésticos. Ela também é conhecida por trabalhar como “são longuinho” para o qual as pessoas também apelaram a fim de ajudar a encontrar chaves perdidas. Santa Zita sempre levantou algumas horas antes do resto da família e empregados para orar.

Dom Bosco
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São Dom Bosco, ou  Melchiorre Giovanni Bosco, nasceu em 16 de agosto de 1815 e morreu em 31 de janeiro de 1888. Ele foi um sacerdote católico italiano, educador e pedagogo reconhecido, que pôs em prática o dogma da sua religião, empregando métodos de ensino baseado no amor ao invés de punição. Ele colocou suas obras sob a proteção de São Francisco de Sales, assim, seus seguidores se intitulavam da Sociedade Salesiana. Ele é o único santo com o título de “Pai e Mestre da Juventude”. Dom Bosco também misteriosamente não se decompôs.

E esses não são todos. A lista dos santos que não apodreceram é gigantesca, e inclui entre eles a Santa Maria Goretti, São Francisco Xavier, Santa Narcisa, Santa Rita de Cássia, Santa Inês, Santa Clara, Santa Catarina, e vários beatos. Fora estes santos, estão dois papas: Papa Pio IX e Papa João XXIII, que não entraram em decomposição como era esperado.

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Durante séculos, a Igreja Católica declarou que os indivíduos da fé pura permaneceriam em um estado de “animação suspensa” após a morte, e graças a isso, seus corpos resistiriam à deterioração na sepultura.

Um dos mais estranhos casos de Incorruptibilidade do corpo é o do famoso Padre Pio, um padre italiano que também era estigmatizado, ou seja, possuía feridas misteriosas em suas mãos e pés, bem na áreas em que Cristo foi pregado na cruz, ele possuía feridas que nunca curavam e que emanavam sangue.
Entre as coisas mais surpreendentes que ocorreram com este padre está o bizarro fato dele ter conseguido estar em dois lugares ao mesmo tempo.
Sim, eu não estou zoando não. O caso se deu em novembro de 1917. Nesta época um general chamado Luigi Cardona estava deprimido e prestes a cometer o suicídio com um revólver na cabeça quando surgiu perto dele um monge. O monge capuchinho disse:
-Não seja estupido! – e então sumiu no ar, como mágica.
O Militar ficou apavorado pensando que o monge era um fantasma. Após o fim da primeira guerra, muitos anos depois, ele estava na Itália quando passou pelo monge que aparecera pra ele. Era o Padre Pio, que olhou para o general estupefato e disse sorrindo: Escapou por sorte, hein meu amigo?
Ele nunca explicou como conseguiu fazer aquilo, mas sabe-se que não foi a primeira vez. Ele também possuía poderes de clarividência (como na morte do rei Jorge V) e outras manifestações de base parapsicológica.
Rapidamente Padre Pio ganhou fama de fazedor de milagres e os estigmas apareceram.
Nestes vídeos abaixo podemos ver a exumação do corpo dele, 40 anos após sua morte, que para o espanto de todos estava intacto.

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Eis o mistério da fé!

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O pacto

O nome dele era Raul Oliveira de Castro, mas seus amigos apenas o conheciam como “Castrinho”.
Não vou perder o nosso tempo aqui dizendo a história da vida dele. Basta dizer que Castrinho cresceu órfão, criado por uma tia carola, que trabalhava na Igreja da matriz de uma cidade que já me esqueci o nome, mas que fica ali no sul da Bahia. Ele passou a infância vendo televisão. Sonhava em ser um astro da música sertaneja ou algo que o valha. A tia de Castrinho morreu quando ele entrava na adolescência. A morte da Tia, enquanto varria o altar foi o que deu nele a vontade de viajar. Sumir. Cair no mundo. Roubou o dinheiro da caixinha da igreja e fugiu num ônibus carcomido para o sul. Cresceu sozinho, penou para arranjar emprego. O primeiro foi de vigia noturno.
Os dias passavam de forma igual. Até que a empresa faliu e ele foi demitido. Castrinho viveu na rua da amargura, sem emprego, sem comida, sem dinheiro. Mendigou.
Estava na fase mendigo, sentado no banco de uma praça quando conheceu um paraibano que estava indo para o Rio com três filhos, tentar a carreira de violeiro.
Castrinho não tardou a obter os trocados que dariam para seguir o retirante em busca de seus sonhos.
Mas no meio da estrada o caminhão que os transportava ilegalmente sofreu um acidente e quase todos morreram. Castrinho ficou muito machucado. Levado para um hospital público, recebeu os cuidados médicos que lhe salvaram a vida. Quando finalmente se recuperou, ele chegou ao Rio de Janeiro, com uma mão na frente e outra atrás. Ficou embasbacado com a beleza daquela cidade. Mas tão logo a estupefação passou, a realidade cobrou seu preço. A cidade estava loteada. Não havia local em que ele pudesse se encostar para tirar uma soneca que não houvesse mendigos. Assim, ele virou um tipo de andarilho, um mendigo maltrapilho que andava de um lugar a outro da cidade, esmolando, pedindo e comendo os restos de sanduíche que os bacanas jogavam nas lixeiras das lanchonetes da zona sul.
Um dia, ele encontrou uma revista velha no chão e parou para folheá-la.
Era uma antiga revista de celebridades. Castrinho o andarilho sujo, mendicante, estava vendo o que gostaria de ser mas não era. A revista mostrava aquele monte de gente bonita e famosa, passeando em lugares paradisíacos, praias maravilhosas de águas verdinhas, outros em banheiras de espuma, repletos de pétalas de rosas. Mulheres bonitas, festas e encontros nas casas luxuosas e em palácios.
Ele olhava as fotos e pensava em estar ali, desfrutando daquela felicidade, daquele prazer. Imaginava o sabor da carne, o aroma do vinho e até o frio das montanhas nevadas onde uma família de bacanas esquiava.
Alguns ele reconhecia das novelas na Tv. Outros não. Mesmo andarilho, Castrinho nunca havia deixado de ver as novelas da televisão. Na falta de um aparelho, ele corria para as portas das lojas de eletrodomésticos, onde sempre havia uma boa alma para deixar um aparelho ligado na vitrine.
Naquele dia, após ver e rever a revista velha até decorá-la, ele resolveu seguir caminho para a loja. O comércio começava a fechar as portas e os camelôs já se retiravam para a direção do trem quando Castrinho chegou na porta da loja. Mas neste dia fatídico, ao contrário de todos os outros, não havia Tv ligada.
Isso o obrigou a sair em caminhada apressada, em busca de algum lugar que tivesse uma Tv.
Chegou a um boteco. Ali ele filou a televisão por alguns minutos, até que foi expulso pelo português, dono do bar sob a desculpa de que ele espantava a freguesia. Sem dinheiro para consumir e comprar sua permanência no local, baixou a cabeça e saiu, sentindo-se o fracasso em pessoa.
Andou alguns metros quando uma mão pesada bateu no ombro dele. Castrinho se assustou. Era um velho, que havia visto o dono do bar maltratá-lo.
-Calma, meu rapaz.
-Hã? Que foi?
-Eu vi o que o babaca fez com você. Injustiça eu não aguento.
-…
-Venha, venha comigo. Você gosta de ver televisão?
-Ah, gosto sim senhor. Eu adoro. Vejo todo dia.

E então no caminho de volta para o bar, Castrinho contou ao velho que via novela todos os dias, desde criança. O velho se intrigou.
-Mas você não é um mendigo então?
-Não, não senhor. Eu sou apenas um desempregado. Eu tento, mas não tenho como me virar sem dinheiro. Até pra vender bala no sinal é preciso de dinheiro inicial.
-Mas você nunca tentou por exemplo, ser flanelinha? É uma forma de conseguir algum dinheiro.
-É, sim senhor. Mas o problema é que não dá pra ser flanelinha aqui no Rio, porque toda rua já tem um. E eles me expulsam. Até me ameaçaram de morte outro dia ali na avenida. Como resultado, só sobram as ruas ruins, onde para pouco carro. Nessas eu trabalhei e faço isso sempre que posso, mas o resultado não chega a cinco reais. A maioria também dá calote no flanelinha. Diz que vai pagar depois e não paga.
-Ah, entendo.

Os dois entraram no bar. O português bateu no balcão.
-Mas que porra é essa? Não mandei…
-Ele é meu convidado, seu Mário!
-Convidado o caramba. Ele é um mendigo, pô!
-Né nada, seu Mário.
-Não quero nem saber. Vão embora os dois daqui então. -Disse o portuga apontando pra rua com um abridor na mão. O povo do bar riu.
E os dois saíram.

-Putaquepariu. -reclamou o velho.
-Desculpa, moço. Eu não queria fazer o senhor passar vexame. -Disse Castrinho.
-Ah, garoto, Eu conheço o seu Mário desde moleque. Esse cara tá ficando esclerosado. Não esquenta. Olha, quer saber? Vamos lá pro meu estabelecimento, que lá tem televisão. Não é boa como a do bar, mas serve pra ver a novela e o jornal.

E assim Castrinho prosseguiu com aquele senhor até um restaurante, que não era muito ruim, mas também não era grande coisa. Cerca de vinte mesas e uma cozinha apertada.
Ali os dois sentaram-se numa mesa, o velho pegou uma garrafa de cerveja, que Castrinho prontamente recusou, dizendo que não bebia. O velho sorriu, serviu a cerveja só pra ele mesmo e ambos assistiram ao Jornal Nacional e à novela.
Quando acabou a sessão de TV, Castrinho levantou-se para ir embora.
O velho o interpelou, dizendo.
-Escuta, rapaz. Eu fui com a sua cara.
-Ah, o senhor é muito generoso, disse o jovem. Agora preciso ir embora, porque amanhã eu tenho que…
-Olha, você tá morando onde?
-Sabe o viaduto que tem ali perto da praça…
-Viaduto? Você tá morando debaixo de um viaduto?
-Pois é…
-Olha, eu não estou acostumado a fazer isso, mas se você quiser, eu posso te empregar. E deixo você dormir aqui no Restaurante. Você trabalha como vigia aqui pra mim, faz uma limpeza no salão, e eu te ajudo, pagando aí um troco. Já adianto que não posso pagar muito, pois o ponto aqui é uma desgraça. Mas já é alguma coisa, e você pode ver televisão o quanto quiser. O que me diz?
Castrinho apenas abriu um sorriso e estendeu a mão suja para o velho.
-Ah, rapaz, vamos começar com um banho e um corte nessa barba e cabelo. Que tal?
Castrinho assentiu com a cabeça e os dois saíram para a barbearia do seu Nicolau, que ficava ligada à casa dele e funcionava 24 horas.
Passaram-se alguns meses e agora Castrinho era uma espécie de garçom-faxineiro-faz-tudo-vigia do restaurante.
Não ganhava bem. Na verdade ganhava muito mal. Muitas noites passava limpando a sujeira. Levou algum tempo para que ele percebesse que o homem generoso que lhe oferecera uma chance na vida estava capitalizando em cima dele. O velho em pouco tempo despediu o garçom, o servente, o vigia e a faxineira. Pelo preço da metade do salário dela tinha um homem que fazia tudo aquilo.
Castrinho começou a sentir-se como um passarinho preso numa gaiola.
Com o pouco que recebia ele comprava a revista de celebridades e passava as noites assistindo a novelas e filmes, aos quais sabia de cor o nome de cada um dos atores.
Numa noite, houve um blecaute na região. Sem tv só restou-lhe acender uma vela e folhear uma revista no salão vazio do restaurante já fechado. Lá estavam aquelas pessoas felizes, desfrutando a vida que lhe foi duramente negada.
Castrinho tinha no coração o desejo de ser famoso, ser rico, poderoso como aquela gente. Sucesso, fama.
Aquilo acontecia com tantas pessoas, porque justamente com ele nada dava certo?
Fechou os olhos e odiou a própria vida. Sentiu uma estranha raiva crescer dentro de si e subitamente teve um insight que poderia fazer tudo aquilo se resolver. Estava decidido.
Ele ia vender a alma para o diabo.
O dia seguinte, quando o restaurante fechou, Castrinho saiu em busca de uma forma de realizar seu plano de vida. à medida em que andava pelas ruas do Centro, pensava no pacto. Estava claro pra ele que se fosse para ficar famoso por meios naturais não haveria muitas chances. Apenas o poder de um pacto com Belzebú poderia colocá-lo no universo dos bacanas, dos bem de vida.
Então Castrinho tratou de buscar uma forma de contatar Satã. Comprou na banca de revistas usadas um livro de São Cipriano que prometia o contato com o capeta. Tentou fazer todo aquele rapapé de invocação, mas falhou miseravelmente. Nem satã, nem espírito ou qualquer outra aparição surgiu e só restou a ele limpar a sujeirada de pentagrama de sal no chão do salão do restaurante.
Deprimido, mas ainda assim decidido que apenas Satã poderia tirá-lo daquela vida invisível e desgraçada, tentou outra alternativa. Certamente que haveria uma forma de contatar o príncipe das trevas. Mas como fazer isso? O diabo não ficava dando plantão na calçada. Seria necessário fazer alguma coisa. Tão logo conseguiu fechar o restaurante, correu para uma lan house que havia na esquina e no Google descobriu tudo que podia sobre pacto com o Diabo. Viu trechos de obras clássicas que referenciavam estes pactos e notou que na ampla maioria das vezes, o pacto com o coisa ruim se dava por interesse deste último. Nunca a partir do interesse do dono da alma.
Voltou para o restaurante mais triste do que nunca.
Então naquela noite acordou com uma idéia na cabeça. Basicamente, tudo que ele viu sobre pactos com o demônio e venda de almas para o capeta envolviam o diabo aparecer para a pessoa, mas em lugar algum ele leu que o processo inverso não fosse possível.
-Se ninguém tentou, não significa que não seja possível. Significa apenas que ninguém tentou. -Ele disse em voz alta no salão escuro do restaurante. E tornou a dormir, dessa vez, mais feliz.
No dia seguinte, serviu os pratos, lavou a louça e limpou o restaurante. O trabalho era árduo e isso o cansava muito. Os clientes eram grosseiros e não raro, metidos. Mas ele enfrentava aquilo tudo com esperanças de ser bem sucedido na venda de seu mais precioso bem, a alma.
A idéia de anunciar sua alma no jornal foi uma consequência de ver um senhor que tomava o café após o almoço lendo os classificados.
Quando ele finalmente conseguiu fechar o restaurante, correu até o telefone público e ligou para o departamento de anúncios, onde colocou um anuncio, que dizia apenas:
Vendo a minha alma. Tratar com Castrinho.
Não colocou telefone nem endereço, porque obviamente o príncipe das trevas teria o poder de localizá-lo fosse onde fosse.
Mas não surtiu efeito. Castrinho pagou para o anuncio aparecer no jornal de domingo, mas nem isso teve efeito. Sentiu-se o mais burro de todos os mortais. Certamente que o capeta não lia jornais.
Passaram-se alguns dias até que uma nova idéia surgiu na mente de Castrinho. A idéia surgiu quando ele procurava para ver se o anuncio estava saindo direito no jornal. Logo abaixo do anuncio dele estava o anuncio de um tal “Chiquinho Belzebú”, que se dizia encarregado das artes demoníacas na Terra.
Aquilo lhe pareceu ser viável, na medida em que alguém importante como o diabo não perderia seu tempo trabalhando em pessoa na compra e venda de almas.
Juntou algum dinheiro, suas parcas economias e procurou o Chiquinho Belzebu. Seguiu o endereço e foi dar numa casa muito bonita, toda pintada de preto, com uma estrela vermelha na porta. Não havia letreiro ou coisa do tipo. Ele entrou e tocou a campainha. Da porta surgiu uma menina magrinha.
-Pois não?
-Eu queria falar com o Chiquinho…
-Ah, tá. – A menina deu-lhe às costas e gritou lá pra dentro: -Ô paaaaaaaai! Mais um!
Surgiu na porta um homem negro, careca, com um bigodão. A aparência era assustadora. Ele usava uma camisa de cetim vermelho e uma capa preta. O homem veio solenemente até a porta.
-Pois não?
-O senhor é…
-Sou.
-Eu queria… Bem, o senhor sabe, eu queria vender minha alma.
O homem negro ficou ali, olhando pra ele, com uma expressão enigmática. Balançou a cabeça positivamente. -Vai custar cem reais.
Castrinho apanhou todo o dinheiro que tinha.
-Só tenho oitenta e cinco. Dá pra fazer?
O homem acenou com a cabeça. Pegou o bolo de notas da mão dele e enfiou no próprio bolso sem contar.
Pegou uma moeda do outro bolso e passou na cabeça dele sete vezes sussurrando uma coisa qualquer que Castrinho não ouviu direito. Então o Chiquinho Belzebú falou:
Agora pode entrar.
Castrinho entrou e foi direto segundo o homem, que ia entrando pela casa adentro. Subiu umas escadas de madeira. Castrinho sentia medo e p medo só aumentou quando ele entrou numa sala toda pintada de preto, com uma estrela vermelha no chão. Ali Chiquinho apontou para o centro da estrela e disse: Deita ali.
Castrinho obedeceu.
Então o tal Chiquinho falou um monte de coisa, invocou o Satã, o capeta, Lucifer e mais uns trinta nomes diferentes. Acendeu uma tocha e circulou com ela ao redor da estrela. Mas o capeta não apareceu.
Castrinho esperava algum tipo de reação mágica, uma atividade sobrenatural qualquer, e de decepcionou quando o homem apenas disse.
-Pronto, acabou.
Ele vestiu-se. Agradeceu e saiu dali puto da vida, sabendo que foi engrupido em oitenta e cinco preciosos reais.
Voltou a trabalhar no restaurante. Entre um prato e outro, um pedido e outro, começou a pensar no destino e naquele monte de trapalhada que se metera tentando em vão vender a alma para o demônio e se tornar rico e famoso.
Foi num dia de chuva que Castrinho percebeu que só poderia realmente se aproximar se Satã se fizesse por onde. Maldades. Ele deveria ser maligno, agir com desprezo pela alma e pela vida humana e talvez assim atraísse a atenção de Lúcifer para si.
Então Castrinho começou sua vida de diabruras, cuspindo na comida, molhando os bifes na água da privada.
Fez toda sorte de maldades que pode fazer sem correr o risco de ser preso. O ápice de sua maldade foi colocar detergente no molho de pimenta.
No fim do dia ele saía para chutar animais e praticar vandalismos. Passou por uma rua onde crianças jogavam bola e bicou a bola dos moleques, quebrando uma janela. Saiu correndo deixando os garotos levarem a culpa.
Arranhou carros com um parafuso. Passou a atravessar a rua toda vez que via uma igreja.
Mas por mais maligno e diabrurento que fosse, Castrinho nunca obteve sucesso em atrair o capeta.
Um dia decidiu que faria a maior maldade que poderia fazer. Comprou remédio para rato e estava decidido a matar um velhinho que comia sempre no restaurante. Sim, a morte, a violação do sexto sagrado mandamento. O desprezo para com a vida humana. Se aquilo não atraísse a atenção de Satã, nada mais o faria.
Colocou o chumbinho sob o queijo do filé a parmegiana que o velho comia todo santo dia. Levou até a mesa. Ficou ali, parado, vendo o velho partir o bife. O velho estava prestes a levar o bife até a boca, a saborear o primeiro e talvez o último pedaço de carne de sua refeição, quando o velho teve um ataque. Caiu para trás, se remexendo freneticamente.
Castrinho se assustou. O velho espumava pelo canto da boca. Ele esperava por aquela morte, mas não imaginava que ela fosse acontecer sem mesmo que o velho colocasse a comida envenenada na boca.
As pessoas cahamaram a ambulância, mas quando o SAMU chegou, mais de quarenta minutos depois, o velho já havia morrido. Antes que Castrinho pudesse assassiná-lo.
derrame cerebral, disseram os médicos.
Um fracasso em pessoa. Era o que Castrinho sentia de si mesmo. Nem mesmo para matar um velho estúpido ele servia. Estava claro pra ele que este era o motivo pelo qual o capeta nunca iria querer sua alma.
Voltou a se deprimir.
Começou a pensar em tudo em toda aquele monte de besteiras que fez buscando a fama e fortuna. Nada dera certo. Então percebeu que estava cometendo um erro terrível. Na busca por aproximar-se do diabo, ele estava na verdade desvalorizando seu principal produto, a sua alma.
Afinal de contas, pensando racionalmente na relação de oferta e procura, qual seria a vantagem para o dêmo de ter uma alma de um praticante de maldades como ele? A arte do malefício já o tornara um servo de Satã. E dessa forma, para que Satã iria pagar algum favor por uma alma que já o pertencia?
Neste dia, Castrinho percebeu o quão era idiota e resolveu mudar.
Torou-se uma boa pessoa. Buscou o caminho da luz. Passou a frequentar a igreja, confessou e se arrependeu de seus pecados. Mas nunca, em nenhum momento fraquejou com relação ao seu objetivo primordial, que era a venda da própria alma ao Satã. Caiu na esteira de dizer isso ao pároco quando se confessava e acabou expulso da igreja.
Comprou uma bíblia de segunda mão e buscou nos ensinamentos tudo o que podia para se tornar uma pessoa boa e valorizar sua alma. Fundou com amigos garçons uma igreja. O restaurante tão logo começou a se encher de fiéis. O velho abriu uma filial, e convidou-o para ser gerente.
Mas ele durou pouco no emprego de gerente do restaurante, porque a igreja ia de vento em popa. Os fiéis aumentavam a cada dia.
E ele investia cada vez mais tempo, esforço e dinheiro em fazer o bem, em trazer as pessoas do fundo do poço para a luz divina de Deus.
Comprou carros, rádios, jornais e diversas casas. Abriu filiais da igreja em países pobres da África e da Ìndia. Apareceu na Tv em horário nobre, pregando a multidões que o exultavam: Aleluia Pastor!
Castrinho já não era mais o mesmo. Agora ele era apenas o pastor Castro, o homem de Deus.
Trabalhou com os fracos, os pobres, os viciados e recuperou os enfermos. Fez paralíticos andarem, expulsou o coisa ruim das pessoas e escreveu livros com seus pensamentos sobre uma vida pura e ímpia.
Casou-se, constituiu família, teve uma filha com a esposa e comprou uma casa de luxo em Miami.
Certa noite, Castrinho, digo, pastor Castro, estava a contar dinheiro, como sempre fazia no fim do expediente da Igreja quando uma pessoa bateu à porta. Era normal que os assistentes sociais da igreja trouxessem pessoas doentes e fracas para conversar com ele e se confessar. Guardou os bolos de notas no cofre sob a mesa de carvalho antiga. Ao abrir a porta, tudo que viu foi um homem baixinho, com a cara enrugada, os olhos fundos e avermelhados que pareciam estar embebidos na cachaça.
-Pois não, irmão?
-Pastor Castro?
-Isso mesmo. Em pessoa. E sua graça?
-Não tenho graça. Eu sou sem graça mesmo. – Sorriu em dentes amarelados o homem. -Posso entrar?
-Sim, fique à vontade. -Disse Castrinho, apontando uma cadeira de espaldar alto com o símbolo da igreja talhado no formão.
O homem sentou-se e foi direto ao assunto.
-Vim tratar de negócios.
-Negócios?
-Sim senhor.
-Que negócios? Alguma rádio?
-Não, não senhor. Eu vim negociar sua alma. -Disse o homem, sorrindo.
Castrinho achou aquilo estranho. Naquela altura da vida, já havia se esquecido da vida medíocre, do pacto com o diabo, do desejo da fama e fortuna.
-O que?
-Sim, o pacto, pastor Castro. O pacto.
-Que pacto?
-O pacto que o senhor fez.
Então Castrinho olhou no fundo dos olhos avermelhados daquele homem e se lembrou. E um frio lhe percorreu a espinha.
-Mas… Mas… O Chiquinho Belzebu… Quer dizer que…
O homem apenas assentiu com a cabeça. Abriu sua boca marcada por rugas e sorriu com os dentes amarelados.
-Funcionou.

FIM

Ekseption

Meu gosto musical é meio malucado, eu admito. Uma das bandas que eu gosto de ouvir é uma tal de Ekseption. Esses caras são bem antigos, contemporâneos “do Onça”. Dá uma olhada no visual da banda:

1973 1 Ekseption
Parece até baile do cafona né?
Definir o som desses caras é meio complicado, porque eu não tenho informação suficiente sobre o som deles para conseguir formar um painel exato do estilo da banda. A Wikipedia diz que é rock progressivo holandes. Pessoalmente eu acho que é um troço meio jazz, mas muito clássico. Tipo, eles pegam musicas eruditas e dão uma nova roupagem, colocam uma bateria, sax, baixo em cima e fica um troço meio moderno, mas ainda dá pra ver claramente a raiz do clássico ali por trás. Algumas das musicas me remetem imediatamente aos anos 70, talvez pelos instrumentos usados, que me lembram das musicas incidentais das pornochanchadas. Em algumas, parece que os caras embora sigam uma partitura em comum, meio que dão umas improvisadas em cima, o que raramente fica uma merda.
Eu fui dar uma olhada no youtube e vi que os caras tocam em cenários que parecem possuir aquele estilo de decoração das revistinhas pornôs suecas da minha juventude. Eu não sei dizer ao certo onde foi que descobri esses malucos. Acho que foi quando baixei um pacote de musicas clássicas, uma coisa que eu realmente gosto de ouvir enquanto trabalho, e no meio da balaiada veio uma deles.
Eu penso que esta banda conseguiu algo bastante interessante, numa época anterior ao sampling e o remix de clássicos, que estiveram na moda a pouco tempo. Eles colocaram musicas que estavam sendo esquecidas para tocar em boates e casas de show.
Segundo a Wikipedia, os caras começaram em 1967 e a banda durou até 1989 e a discografia deles é apenas 14 albuns. Uma coisa interessante dos discos dessa banda é conterem uma versão original do clássico e em seguida a versão ekseption-repaginada dela.
A banda tem um site semi-oficial que pode ser visto aqui.

Abaixo estão alguns videos que eu achei do Ekseption.

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