Archive - maio, 2008

A cobra que engoliu o gatinho

Veja que legal um raio X de uma cobra Píton que engoliu um gato inteiro. Não sei porque isso me lembrou o chestbuster de Alien o 8 passageiro.

python swallows cat363 A cobra que engoliu o gatinho

Engraçado é como um trambolho desse passa por aquela cabecinha minúscula. Uma coisa incrível de se ver. Ela desloca os maxilares para poder engolir a presa. Ela consegue abrir o maior bocão porque o maxilar dela não é preso no crânio. São dois e estão ligados ao crânio por ligamentos elásticos.

Fonte

O incrível carro de 1HP

Estranho que na maioria dos anúncios de carros, a potência dos mesmos é exibida como uma grande qualidade, demonstrada em  HPs (que na realidade significa “horse power” ou “cavalo de potência”. Quanto mais Hp, melhor.

Então, aqui está um carro com “1 true HP”. Trata-se de um tipo de carroça com bancos e um volante montado num chassi de caminhão ou algo do tipo,  onde vai, acredite se quiser, um cavalão enorme atrás, correndo. O cavalo corre numa esteira que gera energia para baterias que alimentam um motor elétrico. Este traciona o veículo. Eu achei isso muito engraçado. O veículo vai de 0 a 100 em nada menos que 356.14267 segundos. Uau!

horse power cart850 O incrível carro de 1HP

O nome do carro é Naturmobil. E o mais bizarro é que não é zoação. O iraniano que inventou isso acredita mesmo que vai dar certo.

Link

Homem de ferro

Ontem eu resolvi usar meu ingresso grátis para o Cinemark que já estava dando mofo na carteira. Eu ganhei aquele ingresso ao abastecer meu carro no Carrefour há um tempão atrás.

mark2439 Homem de ferro

Olha, posso dizer que eu gostei muito do filme. Como eu não acompanho a crítica especializada, por achar a crítica de cinema de um modo geral uma bela porcaria, com um bando de esnobes se achando “os reis da cocada preta”, e sentido-se importantes ao esculhambar todo e qualquer filme que siga a receita de sucesso de Hollywood, não sei o que andam falando do filme. Mas imagino que devam estar falando mal.
O que eu sei é que eu, como fã do homem de ferro desde o tempo em que ele era péssimamente animado e exibido antes do almoço nas manhãs do Show da Xuxa, curti pra caramba.

Muita gente torce o nariz para esses filmes de super-heróis, achando-os como um tipo de caça-níqueis para arrancar grana dos nerds e crianças com games, brinquedos e uma porcariada de troço licenciado em troca de explosões piroclásticas e desabamentos armagedônicos, sem falar nos clássicos poderes inimagináveis para encobrir um enredo vazio e cheio de furos de lógica. (um bom exemplo disso é o filme do quarteto fantástico)
Pra mim isso é intrigante. Não me intriga em específico a pessoa que paga em troca de emoções rápidas e uma montanha russa audiovisual. Pagar por emoções, sejam elas quais forem é a premissa básica do cinema. O que me intriga são esses chatos que vão ver um filme de SUPER HERÓI e querem exigir coerência. Querendo exigir realidade…

Quer realidade, vai assistir documentário e não encha o saco, pô.

Do meu lado no cinema, estava um casal e a mulher tinha uma maldita vozinha esganiçada de boneca retardada que por mais sussurrada que fosse, entrava com prioridade máxima no meu ouvido, sobrepondo-se aos raios, explosões e carros indo para o saco.

E quando Tony Stark em sua roupa de aço começa a mandar todo um arsenal de armamentos e bombas para o saco com jatos de fogo saídos das mãos, eu só conseguia me ater a moça que indignada repetia pro namorado que coerentemente não dava pelota pra ela:

-Mas não pode ser. Olha lá. Com aquela roupa de aço ele deveria morrer queimado. Não tem como sobreviver à essa explosão. Nem de armadura…

E eu lá, tentando prestar atenção ao filme. Mas toda hora a mulher do meu lado falava com o cara:

-Ih, olha só, vê se tem como sobreviver a uma queda dessas? Olha a espessura da armadura. Ela quebra e o cara sai inteiro lá de dentro. É igual jogar um ovo no chão e querer que a gema saia inteira. Que mentira…

A vontade que eu tinha era de bater no ombro do cara e dar a ele os meus pêsames por se relacionar com uma pessoa tão idiota que vai ver um filme, repito: DE SUPER HERÓI querendo exigir realismo.

É muito louco isso. Parece pessoa que não entende piada… Claro que dá pra fazer um bom filme de super herói sem incorrer em coisas exageradas e sem o menor cabimento, mas uma vez que o diretor resolveu colocar, eu aceito. ELE que define como o FILME DELE É. Não eu. Eu apenas assisto (e pago).

Quando vou ao cinema, tento ir com o espírito aberto para aceitar a idéia do cara. Vou pré-disposto a gostar.
E assim foi. Não vi chamada, nem propaganda, nem trailer, nem li nada sobre o filme. Fui praticamente virgem ao cinema. Posso dizer que valeu a pena. Gostei muito da armadura número dois, que é toda prateada. (essa aí em cima)

Gostei também das motivações que transformam um playboy bilionário meio sem rumo num cara que as pessoas poderiam chamar de “herói”. Mas reconheço que o roteiro tem alguns furos bem grandes que não resistem a um primeiro pensamento sobre as motivações dos malvados. Não vou falar sobre isso aqui pra não estragar a diversão de quem ainda não viu.

Mas achei que vale a grana. Poderia ser um pouco menos frenético nas cenas de ação, porque desde Matrix II eu tenho notado que os filmes estão ficando cada vez mais cheios de movimentos malucos, vôos de câmera que te deixam zonzo. Tudo exageradaço. É como se houvesse uma sensação de que se não for exageradaço, se não for “labirintítico”, cataclísmico, a seqüência de ação não funciona.

Hienas – Animais perigosos

hyena06
O mundo natural está abarrotado de animais perigosos dos mais variados tipos. Existem os peçonhentos, os que provocam alergias, os que transmitem doenças, os nojentos, os animais violentos e os assassinos natos.
af9fcdae79b2f1931e532c2c7fa89623 Hienas   Animais perigosos
Na categoria de assassinos natos, estão as hienas.
Os antigos acreditavam que se a sombra de uma hiena caísse sobre a de um cão, este ficaria mudo e paralisado. Diziam que a hiena era a encarnação de espíritos de feiticeiros.

A hiena é um animal atarracado, peludo, com grandes maxilares e quartos traseiros caídos. É um caçador diurno, encontrado em toda a África e na Ásia meridional, desde o Meditêrraneo até a baía de Bengala. É um animal sem atrativos. Seu modo furtivo, o pêlo castanho-sujo, o andar manquejante, o grito áspero e o cheiro desagradável não ajudam muito sua reputação.

Elas também figuram com honras na categoria dos animais nojentos. Isso porque a hiena vive de comer restos. E restos nas savanas da África, envolvem fezes de outros animais, como a dos leões. As hienas também comem cadáveres putrefatos, porque são na maioria das vezes predadores oportunistas. Extremamente inteligentes elas observam o comportamento dos abutres para saber onde encontrar aquela carcaça cadavérica já cheia de vermes, onde a hiena chega logo se fartando. Depois leva o máximo de comida que é capaz de engolir até o buraco onde cria os filhos e vomita tudo. Os bebês-hiena logo que são desmamados, comem satisfeitos o vômito de carne podre (ou fezes) dos pais.

hyena Hienas   Animais perigosos
Muitas pessoas acreditam que as hienas são animais que vivem rindo. Na verdade esses barulhos são uma forma estranha de latido pelo qual elas conseguem se comunicar num amplo e variado repertório de sons que só recentemente vem sendo estudados. Conhecidas pela covardia e forma traiçoeira pelo qual se portam, elas são bravas e não raro colocam leões para correr, pois uma hiena adulta chega a 70kg e pode perseguir as suas presas a velocidades de até 55 km/h, caçando em grupos de até 100 indivíduos, todos bastante bravos.

As hienas geralmente não são domesticáveis, permanecendo com instintos assassinos mesmo depois de criadas em cativeiro e se adaptando à presença humana. Em alguns lugares da África, como na Nigéria as pessoas usam hienas como se fossem cachorros.
hiena2 Hienas   Animais perigosos

 

hyena06 Hienas   Animais perigosos
A relação do homem com as hienas vem mudando com o tempo.

E aí? Você teria esta coragem?
nigerianpet20hyena Hienas   Animais perigosos

 

Não deixe de ler o comentário do Patola que tem dados interessantíssimos sobre o sexo das hienas.

Sujeito constrói réplica de Paris em miniatura no jardim

Este é mais um daqueles doidos que começam projetos incríveis nos jardins de suas casas. Uma miniatura do centro de Paris- França.

miniatufran a2536 Sujeito constrói réplica de Paris em miniatura no jardim

miniatufran a4901 Sujeito constrói réplica de Paris em miniatura no jardim

 

post new Sujeito constrói réplica de Paris em miniatura no jardim

miniatufran a7715 Sujeito constrói réplica de Paris em miniatura no jardim

miniatufran a5982 Sujeito constrói réplica de Paris em miniatura no jardim

 

paris 585x3431517 Sujeito constrói réplica de Paris em miniatura no jardim

 

 

miniatufran a6799 Sujeito constrói réplica de Paris em miniatura no jardim
Gerard Brion, de 29 anos (que tá meio acabado ou mentiu a idade), construiu tudo sozinho, durante 15 anos usando cimento e sucata para reproduzir com detalhes de Paris, como Torre Eiffel, rio Sena, hotéis e diversos pontos turísticos de Paris, como o arco do triunfo, Sacré Coeur e centena de casas e apartamentos do centro de Paris. Tudo isso no jardim de sua casa. A casa do cara obviamente virou atração turística na cidade de Vaissac, ao sul da França.

miniatufran a1249 Sujeito constrói réplica de Paris em miniatura no jardim

Fonte 

Um restaurante especializado em servir… Adivinha o quê?

donkeypenisga4
Você teria coragem de entrar num restaurante que é especializado em servir pênis?

Sim, isso mesmo. O restaurante serve apenas Pênis para as pessoas dispostas a pagar por uma bela jeba de diferentes animais.
donkeypenisga4 231x300 Um restaurante especializado em servir... Adivinha o quê?

Note o ar solene do garçom ao trazer um indisfarçável pinto de jumento para você saborear

O restaurante existe mesmo e fica em Guolizhuang, em Beijing e serve pinto de cobra, de ave, de cervo, de porco, de boi, e até de cachorro (eca!). Enfim, é pinto que não acaba mais. Os pratos vem cheios de decorações belíssimas, (para talvez disfarçar o aspecto repugnante de comer um pinto de bode…)

Nem todos os pratos são grotescos. Alguns são bem diferentes, como estas rodelas de pênis cortados como estrelas. (não sei de que tipo de bicho é este pênis.)
01020116031100 300x200 Um restaurante especializado em servir... Adivinha o quê?

O pênis de boi, com testículos e tudo, é decorado com uma bela caminha de alface e uma linda escultura de um dragão feita na abóbora.
01020115834500 236x300 Um restaurante especializado em servir... Adivinha o quê?

0 1020 1158352 00614 Um restaurante especializado em servir... Adivinha o quê?

O pinto desse bicho aqui (cruz credo!) é misturado com rodelas de pinto de cachorro doméstico em uma cama de alface com pedacinhos decorativos de brócolis. Os proprietários afirmam que o pinto desse treco tem sabor de rodelas fritas de lula. Hummm. Gostoso. Fonte

0 1020 1158345 00853 Um restaurante especializado em servir... Adivinha o quê?

Que foi? Tá com nojo? Bem, talvez você prefira algo menos estranho. Algo mais digamos, natural…

Que tal então esta maravilhosa sopa de morcego, (com pêlos e tudo!)

sopinha1 300x229 Um restaurante especializado em servir... Adivinha o quê?

Parece que a moça aí da foto tem coragem pra encarar. Mas pela cara dela, deve ser meio ruim.

sopinha2240 Um restaurante especializado em servir... Adivinha o quê?

palau delicacies1 300x284 Um restaurante especializado em servir... Adivinha o quê?

Esta sopa bizarra é servida em um restaurante num paraíso chamado Palau, na paradisíaca Micronésia:

1019491 Palaus famed Rock Islands Palau 300x225 Um restaurante especializado em servir... Adivinha o quê?

Mas se vocês pagarem minha viagem pra lá, eu como três pratos de sopa de morcego.

Filmo, e publico aqui!

Pescador fisga o mesmo peixe 25 anos depois

cd6f7594998ee2628725740c008128b4
Tem umas histórias de pescador que são realmente bizarras. Meu pai mesmo tem uma. Apesar dele não ser pescador, quando jovem foi pescar com amigos, que sabiam mais sobre pescaria do que ele.

Enquanto os amigos do meu pai pescavam facilmente, ele não pegava nada. (talvez a explicação para isso fosse o simples fato de que ele não estava usando nenhuma isca)

Então meu pai começou a brincar de jogar o anzol na água e puxar até que: ele pescou um peixão pelo meio do corpo. Foi o único caso de pescador pescando sem isca naquele dia.

Mas voltando ao assunto que deu origem a este post, saca só que notícia curiosa essa do cara que pegou o mesmo peixe que já havia pescado e soltado de volta 25 anos atrás:
cd6f7594998ee2628725740c008128b4 Pescador fisga o mesmo peixe 25 anos depois

Em abril de 1983, o biólogo Bill Wengert e alguns colegas do Game and Fish Department, do estado norte-americano de Wyoming, pegaram cerca de 12 mil trutas na represa Flaming Gorge, no sudoeste do estado. Algumas delas foram escolhidas para fazer parte de um estudo, e tiveram as nadadeiras marcadas para eventual controle.

Recentemente, Wengert estava pescando na represa – que tem quase 150 quilômetros de extensão – e pegou uma truta de 58 centímetros. Ele percebeu que a nadadeira esquerda tinha uma marcação, o que indicava que ela já havia sido estudada.

Examinando dados históricos dos estudos feitos pelo departamento, Wengert descobriu que o peixe tinha sido marcado em 14 de abril de 1983.

“Eu devo ter marcado as nadadeiras deste peixe 25 anos atrás”, disse ele, surpreso.

Wengert, um veterano de 35 anos do órgão, estima que a truta tenha cerca de 26 anos, porque os peixes pegos para análise passam cerca de um ano com os biólogos até serem soltos. Na ocasião, a truta era um peixinho de pouco mais de 1 quilo. Fonte

Essas coisas de pescaria são fogo mesmo, você nunca sabe o que vai encontrar, né?

Veja só o caso dos pescadores que encontraram um peixe enorme, pelo qual eles cobraram pouco mais de R$ 4 mil crentes que estavam fazendo um negócio da China. O lance é que o tal peixe era raro e muito apreciado. Logo depois, ele foi revendido por R$ 213 mil.

Dica da Cris.

Agora estranho mesmo é pescar este peixe aqui:
lumpfish Pescador fisga o mesmo peixe 25 anos depois

lumpfish487 Pescador fisga o mesmo peixe 25 anos depois

Deus me livre! Parece que esse treco vai falar com a gente.

Comida japonesa

Naquele tempo eu tinha uma namorada de Três Rios, e raramente ela vinha para Niterói me visitar, já que cada vinda dela era uma coisa planejada cuidadosamente, com capricho de visita de chefe de estado, uma vez que havia toda uma logística de vigilância para que eu não comesse a garota (que todo mundo pensava ser virgem, sobretudo na família dela).

Então, era uma coisa rara e quando ela vinha aqui nosso passeio mais comum era ir ao shopping. Não sei porque cargas d´água a infeliz dava um azar do cacete e sempre que ela vinha crente que iria à praia, chovia horrores. Então o que restava era o shopping.

Um dia eu estava vendo tevê quando numa novela ou seriado, percebi que um cara muito charmoso, o galã ou o antagonista boa-pinta-malvado-feito-o-cão, levou sua vítima sexual para comer comida japonesa. E aquilo ali fez todo sentido para mim.

Eu pensei cá com meus botões: – Que legal, o sujeito leva a moça para um restaurante exótico, mete saquê nela e depois vai pro motel e finaliza o serviço…

Naquele tempo, só tinha dois restaurantes especializados em gastronomia oriental em Niterói. A comida japonesa ainda não era essa febre que é hoje. E é por isso que a idéia de comer comida japonesa me pareceu tão sensacional. Quando ela chegou, eu resolvi impressionar a garota. Juntei todos os caraminguás que eu tinha. Não era muito, uma vez que eu não trabalhava e vivia de mesada, e ainda por cima era fim do mês. Ela queria ir no clássico Mc Donald´s (que também não tem em Três Rios) mas eu falei pra ela:

- J*, hoje eu vou te levar num lugar super legal. Vamos comer comida japonesa.
-É mesmo? Nossa, que legal! Eu nunca comi.- Disse ela com uma expressão de surpresa. – Eu quase falei que eu também nunca tinha comido aquilo, mas sabe como é o cara querendo impressionar, né?

-Ah, você vai se amarrar. Tem que comer de pauzinho, você vai ver… -Bancando o profundo conhecedor de comida japonesa.

-Nossa. será que eu vou saber?

-Claro. É facílimo. Eu te ensino. – Ele, o maioral, o foda, o senhor Tokio em pessoa, ehehehe.

Nos arrumamos. Coloquei a minha roupa bonita de fazer exame de fezes e ela se enfiou naqueles micro-vestidos provocantes que só me arrumavam problemas na rua. Fomos direto pro restaurante.

Chegando lá, ela embasbacada com um restaurante todo decorado como construção japonesa. Eu estava embasbacado também, mas querendo bancar o sujeito cosmopolita, cidadão do mundo, o fodão que conhece todo tipo de comida, tentei fazer um ar blasé como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Entramos, e havia uma série de mesinhas baixinhas. Novamente o espanto. Novamente meu ar blasé.

O garçom trouxe o cardápio. Quando eu bati o olho, puta que pariiiiu! Era caro para caceta!

-O que foi? – Perguntou ela vendo meu ligeiro desconforto (na verdade, quase um ataque epiléptico).

-Nada, nada. É que… Bem, eles mudaram o menu… – Disse eu olhando para o menu em busca dos preços. Enquanto isso, meu co-processador aritmético, fazia um milhão de contas tentando determinar o que é naquela maldita carta que daria para comer com os parcos tostões que eu tinha.

Depois de muito olhar, eu notei que não havia nenhuma desgraça de descrição do que era cada prato daqueles. Só havia os nomes em japonês. Eu fiquei puto. Era muita monguice fazer um menu de restaurante todo em japonês sabendo que a probabilidade de um japonês alfabetizado entrar lá era infinitamente pequena.

-Você está bem? – Perguntou a J* pra mim ainda intrigada com minha cara. Eu pensei em falar a verdade e assumir que eu era um pela-saco tão do mato quanto ela e que aquilo ali era minha primeira vez também, mas ela parecia tão feliz de estar na cidade grande, num lugar tão sofisticado que eu fiquei com vergonha de bancar o otário. Eu odeio fazer papel de otário, mas quando eu faço, vou até as últimas consequências.

-Estou. Estou ótimo. Você quer escolher? – Disse eu, entregando pra ela o cardápio.

Pronto, estava feito o suicídio social e amoroso na minha vida. Eu não só não havia falado a verdade como não tinha cheque nem cartão de crédito. O dinheiro era contadinho, e eu havia deixado a garota escolher o que pedir.

Enquanto ela olhava em silêncio o cardápio eu pensava na merda que ia ser na hora de sair. Como dizer que não teria dinheiro para pagar? Como pagar o mico de ligar para o meu pai e pedir para ele ir lá pagar a conta? A merda começava a se avolumar cada vez mais e eu devia estar com uma cara de muito pavor porque notei que os caras da mesa ao lado começavam a olhar pra mim.

-Mas está tudo em japonês… – Disse ela. Eu respirei aliviado. A monguice suprema do restaurante havia me salvado.

Qualquer cidadão mínimamente normal iria chamar o garçom e pedir uma sugestão, mas na situação periclitantemente dura que meu bolso estava, eu não daria mais esta chance ao azar. Levantar e sair estava fora de cogitação, uma vez que ela iria passar a maior vergonha e eu mais ainda.

Eu peguei o menu de volta. O menu era cheio de belas fotos e olhei cuidadosamente cada uma das fotos. Foi quando lá no iníciozinho, eu vi uma linda foto de uma cumbuca LOTADA de camarão.

Ao lado haviam uns três troços indecifráveis escritos em japonês.

Dois desses troços eram caríssimos. Um deles era barato. Quer dizer, era caro, mas era o que eu podia pagar. Torci para que o barato fosse a cumbuca de camarões.

Então eu chamei o garçom e apontei para o nome da coisa que eu podia pagar. Pedi aquilo.

O garçom:

-Quantos? – Eu não estava preparado para aquilo. Eu queria ouvir apenas um “sim senhor”. Mas “quantos” realmente me sacaneou.

-Hã?

-Quantos o senhor deseja?

-Errr… Bem, eu não estou com muita fome… (menti. Eu tava com uma forme desgraçada) J* você tá com muita fome? – Perguntei a ela. E como era de bom tom, graças à Deus, a mínima educação a infeliz tinha. Aí ela disse:

-Não… Não muita.

Satisfeito, eu virei para o garçom e disse: Traz um só pra dividirmos. E uma coca. também pra dividir. O garçom acenou com a cabeça e fez uma cara MUITO estranha. Virou-se e saiu.

A cara do garçom ficou na minha cabeça me preocupando por alguns minutos, mas o ambiente era tão legal, tão bem decorado, que eu relaxei e acabei esquecendo dela. Além disso, meu otimismo crônico me tranqüilizava com a idéia de que talvez o garçom tivesse feito aquela cara porque ele queria ganhar 10% em cima de dois cumbucões de camarão.

Dali a pouco veio o garçom trazendo uma coisa estranha. Um guardanapo em forma de leque quente pra caramba.

J* estava em êxtase, eu secretamente havia acertado seu eterno desejo de comer comida japonesa, desde que vira aquilo num filme.

E então depois de um papo de amenidades, veio o garçom trazendo a bandeja. Como nós estávamos sentados na mesa baixinha, não dava pra ver o que havia na bandeja até que ele se abaixou e colocou dramáticamente no meio da mesa.

Ali estava um bolinho. Uma porra minúscula dum bolinho de arroz.

makisalmon520 Comida japonesa

makisalmon520 Comida japonesa

O garçom mandou o clássico:

-Bom apetite. – E saiu. Eu pude ver através da nuca do filho da puta do garçom um sorriso cínico. Meu olhar passeou em câmera lenta por todo o restaurante, desviando-se agilmente dos olhares estupefatos de J* para o bolinho. Eu só parei de olhar em volta quando vi que os caras da mesa ao lado estavam quase fazendo xixi na calça de tanto rir da minha situação escrota.

Então eu tomei coragem e olhei para J*. E em seguida olhei para o bolinho.

-É só isso? – Perguntou ela.

-Acho que é.

-Acha?

-Não, quer dizer. É… Com certeza, é. Sabe como são os japoneses, todos magrinhos…

-Eu não vou comer isso. – Falou ela olhando com nojo para o bolinho que aguardava no meio da mesa.

Pela minha visão periférica eu vi o garçom chegando e por um momento eu pensei que aquilo era um couvert. Eu já ia respirar aliviado quando vi que o garçom colocou uma cumbquinha com umas coisinhas na mesa. Era tipo duma maionese verde e outra com um caldo preto que parecia óleo queimado.

soja508 Comida japonesa

J* olhou pra mim: – Que isso?

Eu apontei com o pauzinho:

-Isso?

wasabi906 Comida japonesa

-É.

-Isso, bem… Sabe como é. Isso é uma… Uma maionese. Uma maionese de alface. Por isso que é verde. Quer?

-Não. Cruz credo. Come você.

- E isso aqui? – Perguntou ela apontando para o shoyo.

-Isso aqui é… O óleo que fritou o baiacú. – Disse eu sabendo que desta frase ela só entendeu a parte do “óleo que fritou”.

-Não vai querer o bolinho?

-Acho que perdi a fome. Além disso, parece que tem uma fita isolante em volta dele. – Ela riu.

Eu fiz o meu clássico ar blasé, como quem diz: “Não sabe nada da vida, né minha filha?”

Então eu peguei o bolinho de arroz enrolado numa fita isolante com uma coisa morta em cima, que visívelmente não ia matar nem 1% da minha fome. Como era pouca comida, peguei TODA a “maionese de alface” E caprichei uma escultura em cima do bolinho.

Olhei para o lado, para a mesa dos três caras e todos eles estavam estupefatos olhando pra mim com os olhos mais arregalados que eu já vi.

Não deu tempo de fazer a conexão. Eu enfiei aquela merda na boca.

Era wasabi.

—–Pausa em luto do meu intestino ——-

Continuando, o tal wasabi que eu pensava que era maionese de alface, era a coisa mais sinistramente picante que eu coloquei na minha boca em toda minha vida.

Eu olhei para J* e a vi terminando de beber o último copo de coca-cola que estávamos dividindo.

-Que foi? – Indagou ela.

Eu não conseguia falar. As lágrimas começaram a escorrer pelo canto dos meus olhos e eu só não vomitei ali mesmo porque eu daria um gostinho para os quatro filhos de uma égua da mesa ao lado. Todas aquelas quatro hienas rindo de mim, esperando que eu gritasse, levantasse correndo pro banheiro ou desse um jato de vômito verde-limão na cara de J* no melhor estilo Exorcista.

Eu comecei a sentir minha glote fechar. Eu achei que ia morrer.

Então, eu reuni toda força universo, toda energia dos antepassados, do cosmos, a força de Gaia, mais a energia vital do meu corpo, mentalizei o kundalini e engoli aquela merda.

J* apenas olhava minha cara vermelha, e as lágrimas correndo pelo canto dos olhos.

-Tá quente? Tá ardendo? Tá com pimenta? – Ela perguntava assustada.
Eu só conseguia mexer a cabeça positivamente. Meti a mão no bolso peguei o dinheiro e joguei sobre a mesa. Levantei peguei J* pela mão e saí puxando ela pra fora do restaurante.

A noite terminou no Mc Donald´s, onde deveria ter começado.

Depois disso, eu fiquei anos sem comer comida japonesa.

FIM

Page 7 of 8« First...«45678»