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Uma testemunha de Jeová que se recusa há décadas a realizar uma cirurgia em sua face horrívelmente desfigurada devido a um tumor, tem nas mãos de um médico inglês e da tecnologia da Medicina uma nova esperança.
José, o nome do infeliz paciente sofre de um Hemangioma, doença que gera anormalidades nos capilares e veias de sua face, dessa forma, o que deveria ser um rio passando sangue, na face de José vira um lago, com o sangue espalhado gerando um grotesco crescimento celular para tudo que é lado.
Recusando-se terminantemente a receber uma transfusão de sangue, Jose Mestre viu o pequeno tumor que surgiu em seu lábio na adolescência crescer, crescer e se agigantar a tal ponto que toda sua face foi recoberta de uma massa amórfica. Agora o tumor tem 6kg e quase 40cm. O tumor já deixou José cego de um olho e faz da alimentação um suplício. quando o tumor começou a obstruir suas vias respiratórias os médicos concluíram que a vida de José corria risco.
Como o tumor não para de crescer e a religião de José o impede de se submeter a um proceso cirurgico, a única chance surgiu quando um novo tratamento proposto por um grupo de cirurgiões faciais, que é a aplicação de um ultrassom que coagulará o sangue antes da cirurgia. Isso permitirá que as partes do tumor sejam removidas sem risco de um pesado sangramento, o que satisfará a proibição religiosa -Uma excrescência sem pé nem cabeça, diga-se de passagem - de receber uma transfusão de sangue; fato que foi o impedimento para a cirurgia facial de José quando ele ainda tinha chances de voltar a ter uma aparência mais ou menos normal.

December 3rd, 2007 at 2:09 pm
Meu Deus, que troço horrível! Como o cara vive com isso? Eu preferia 1000x morrer!! ô____ô
December 3rd, 2007 at 3:05 pm
Um idiota desses merece morrer, e de um jeito pior que um cara nova nascendo por cima da antiga, tem que ser muito idiota pra ver uma coisa crescendo na sua cara até ter 6Kg e ficar esperando o que? Que Deus faça a mágica e zas. Curado.
Acreditar em Deus não é desculpa para ser burro, se Deus curasse todo mundo que tem fé muita gente não precisaria de médico, mas nem por isso, grande parte pelo menos, das outras religiões te proíbem de receber sangue, um rim ou até mesmo se alistar no exército como eles fazem.
Isso é manter o crente na rédea curta e se é disso que Deus gosta ele é um perfeito cretino.
December 3rd, 2007 at 5:19 pm
A religião não o impede de realizar qualquer processo cirúrgico, e sim o aconselha a EVITAR transfusões de sangue e usar tratamentos ALTERNATIVOS. Posso citar 8 se desejarem. É uma total ignorância culpar a religião, em vez de reconhecer a falta de inteligência do cara. É fácil culpar e julgar o que você não conhece. Estudo muito várias religiões e, acreditem, de 300 que estudei essa é a que tem mais nexo no que é dito. Essa e algumas religiões orientais.
Abraços.
December 3rd, 2007 at 6:13 pm
Sei. ¬¬
Muuuuito nexo. Estudou várias religiões. Claaaaro, acredito. “Essa e algumas religiões orientais”: no comments pra comparação.
December 3rd, 2007 at 7:30 pm
@ Bi
Cara, que esse senhor é um estúpido e ignorante não há duvida, mas é, geralmente, dessas pessoas mais simples de que as religiões mais se aproveitam e são também essas que vivem as doutrinas mais cegamente, até por não ter capacidade ou mesmo medo de contrariar seus vigias da torre…
Qual o papel da religião se nem ao menos tenta alivia o sofrimento de um fiel?
Se abster dos assuntos temporais e querer achar que tudo que acontece no mundo é pura obra mística e intocável por impuras mãos humanas pra mim é sinal de que algo está errado.
December 3rd, 2007 at 8:59 pm
Bem, seja como for, se eu tivesse um tumor assim crescendo na cara e o pastor me orientasse a não operar para não ter que sofrer transfusão de sangue, eu ia mandar o pastor tomar no olho do cú.
O tal do José pode até ter fé e tal. Beleza. Mas convenhamos, é otário. Ficou igual a uma rabanada de natal porque quis.
Ou alguém aqui vai querer me convencer que sofrer uma transfusão de sangue é pior para o infeliz do que esta cara de Bife à milanesa com queijo gratinado?
December 3rd, 2007 at 10:37 pm
@ Philipe
Valeu por estragar a graça de duas comidas de uma só vez…
December 3rd, 2007 at 10:57 pm
nao ataquem aquilo que nao conhecem
December 3rd, 2007 at 11:34 pm
Respondendo ao Moisés: Cara se você não acredita, o que posso fazer? Morrer por causa disto? E outra, se você não tem um hobby, então que vá procurar um, deixe que eu me divirto com o meu (estudar religiões). Reafirmo o meu comentário e anoto a sua crítica que de construtiva não tem nada. Aliás nem com o assunto discutido seu comentário tem a ver. Lamentável. Você tem 12 anos?
December 4th, 2007 at 12:11 am
Ao Saburo, que construiu de maneira consciente seus argumentos:
Concordo com você até o último parágrafo. A questão é: Devemos analisar os DOGMAS da igreja e não o que OS FIÉIS julgam ser o correto. O que ocorre, Saburo, é que muitas pessoas que dizem entender uma religião, fazem interpretações distorcidas do que realmente ela defende. Nesse momento nasce o PRECONCEITO em pessoas que observam as ações desse “FIEL”. Parece fácil discutir sobre religião; não é. Conseguir diferenciar o que os fiéis te dizem sobre a religião do que realmente a “igreja” diz é, me perdoe a expressão, foda.
“Qual o papel da religião se nem ao menos tenta aliviar o sofrimento de um fiel?”
Essa pergunta é interessante. Antes de estudar a filosofia e religião oriental (calma Moisés, calma) também pensava assim. Procure a sua verdade Saburo. Algumas igrejas tentam aliviar o sofrimento humano, outras para tentar explicar tudo a nossa volta, outras encontrar a verdade nisso tudo, outras defendem outras bandeiras, etc. Não estou classificando as Testemunhas de Jeová, o Hinduísmo, o Catolicismo, Umbanda, ou qualquer outra crença.
Encerro a minha participação sobre este assunto. O que eu quis dizer com isso tudo, o colega do CFLA sintetizou bem. Antes de julgar ou atacar alguma coisa, procure estudar a respeito. Não gere um “pré-conceito” sobre algo que você não tem a mínima idéia do que seja. Poderia citar mil e um exemplos a respeito disso, mas não vou não. Não sou nenhum pastor querendo converter alguém.
Busquem a sua verdade. Ou não. Ou não há “verdade”.
Boa sorte (se você acredita). Tantos assuntos que se relacionam, tanto a comentar e tão pouca vontade em fazê-los.
See you space cowboy =)
December 4th, 2007 at 5:14 am
essa religiao tem alguns principios q nao dá pra entender… #*%$, transfusao de sangue? qual o problema, é o sangue dos “infiéis porcos”?
o cara teve o que mereceu.
December 4th, 2007 at 9:40 am
Alguém que entende de religião poderia explicar aqui pra nós por que as Testemunhas de Jeová não aceitam transfusão de sangue?
Deve ter uma explicação pra isso. A gente tem o direito de não concordar, de achar a idéia abilolada, mas eu sinceramente queria saber qual a justificativa das TJ pra recusar um tratamento que pode lhes salvar a vida.
Em filmes e series medicas é comum mostrar isso. Uma vez eu vi um filme onde o filho do cara é atropelado e o sujeito recusa a transfusão para salvar o próprio filho porque isso é contra a religião dele. Se não me engano, o médico usa um dispositivo da lei para expulsar o pai e faz a transfusão na marra.
December 4th, 2007 at 11:59 am
Primeiramente
Não ataque e nem ridicularize aquilo que vc não conhece. Vc não é tj e portanto não sabe como uma se sente, diante das ridicularizações do mundo.
Segundo: Não obedecemos pastores. Aliás, nem temos pastores. Obedecemos a Bíblia! E ela é explícita em dizer que não se pode aceitar sangue.
As Testemunhas de Jeová e a Questão do Sangue
1 O SANGUE é vital à vida. Embora isto já seja reconhecido desde os tempos antigos, a pesquisa moderna propicia maior entendimento das suas funções sustentadoras da vida.
2 A prática de transfundir sangue humano ocupa um lugar destacado nos cuidados médicos modernos. Os que fazem parte do setor médico, e muitos outros, consideram a transferência de sangue de um humano para outro como método terapêutico aceitável.1 Mas, há pessoas que não aceitam transfusões de sangue. São as Testemunhas de Jeová.
3 As Testemunhas de Jeová prezam e respeitam profundamente a vida. Esta é uma das razões pelas quais não fumam, não usam tóxicos, nem praticam abortos. Aprenderam, pela Bíblia, a considerar a vida como sendo sagrada, algo a ser protegido e preservado, tanto para elas mesmas como para seus filhos.
4 Por que, então, as Testemunhas de Jeová objetam às transfusões de sangue? Existe alguma base racional para tal convicção, que elas sustentam até mesmo em face da morte? E é sua posição sobre o assunto totalmente incompatível com os conhecimentos e os princípios modernos da medicina?
5 Este tópico deve interessar a todos da classe médica, pois, a qualquer hora, um médico pode confrontar a questão da transfusão de sangue. Isto é bem possível, visto haver mais de dois milhões de Testemunhas de Jeová em toda a terra. É provável que algumas delas morem em sua comunidade. O que se segue foi escrito a fim de ajudar os médicos a compreender as Testemunhas de Jeová como pacientes, e para que considerem como é possível haver uma adequação razoável do conceito delas. Primeiramente examinaremos a base religiosa da posição delas. Daí, iniciando na página 17, consideraremos a ética envolvida e algumas descobertas e observações recentes, da parte de médicos habilitados, que possam ser de valor prático na solução dos problemas relativos ao uso do sangue.
6 Mesmo as pessoas que não fazem parte do setor médico são convidadas a examinar este assunto importante. A posição que as Testemunhas de Jeová assumem quanto ao sangue envolve realmente direitos e princípios que podem atingir a cada um de nós. E o conhecimento daquilo em que elas crêem, e da razão disso, ajudarão a pessoa a obter melhor entendimento desta questão que amiúde tem preocupado médicos, juristas e estudiosos da Bíblia. Quais, então, são os fatores básicos da questão?
A BASE RELIGIOSA
7 A maioria dos médicos encaram o uso do sangue como sendo essencialmente uma questão de critério médico, como as suas decisões diárias quanto ao uso de certos remédios ou processos cirúrgicos. Outros talvez encarem a posição das Testemunhas de Jeová como sendo mais uma questão de ordem moral ou legal. Talvez pensem em termos do direito à vida, da autoridade de fazer decisões sobre o próprio corpo, ou das obrigações civis do governo de proteger a vida de seus cidadãos. Todos estes aspectos têm que ver com o assunto. Todavia, a posição assumida pelas Testemunhas de Jeová é sobretudo religiosa; é uma posição baseada no que a Bíblia diz.
8 Muitos talvez se indaguem sobre a validez da declaração acima. Estão a par de que numerosas igrejas apóiam o uso do sangue, estabelecendo programas de bancos de sangue e incentivando a doação de sangue. Assim sendo, surge logicamente a pergunta:
O que diz a Bíblia sobre as criaturas humanas receberem sangue em seus corpos?
9 Até mesmo pessoas que não consideram pessoalmente a Bíblia como sendo a inspirada palavra de Deus têm de admitir que ela tem muito o que dizer sobre o sangue. Desde o primeiro livro da Bíblia até o último, menciona-se o “sangue” mais de quatrocentas vezes. Certos versículos da Bíblia são especialmente pertinentes à questão de sustentar a vida com sangue. Examinemo-los brevemente:
10 O registro bíblico mostra que, bem cedo na história da humanidade, o Criador e Dador da Vida expressou-se sobre a questão do sangue. Logo depois do dilúvio global, quando Deus concedeu pela primeira vez aos humanos o direito de comerem carne animal, ele ordenou a Noé e sua família: “Todo animal movente que está vivo pode servir-vos de alimento. Como no caso da vegetação verde, deveras vos dou tudo. Somente a carne com a sua alma - seu sangue - não deveis comer.” - Gênesis 9:3, 4.
11 Primeiro de tudo, o Criador provia um regulamento alimentar numa ocasião em que a humanidade tinha um novo começo. (Compare com Gênesis 1:29.) Deus mostrou, contudo, que, ao matar os animais para obter alimento, havia algo mais envolvido, além da dieta. Isto se dava porque o sangue duma criatura representava sua vida ou sua alma. Destarte, algumas traduções da Bíblia traduzem Gênesis 9:4 assim: “Somente não comereis da carne ainda com sua vida, isto é, o sangue.” - Tradução do Pontifício Instituto Bíblico de Roma; Almeida.
12 Assim, este regulamento divino não era simples restrição dietética, tal como o conselho dum médico a um paciente para que evite o sal ou as gorduras. O Criador vinculou ao sangue um princípio moral de suma importância. Ao derramar todo o sangue que pudesse ser razoavelmente escoado, Noé e seus descendentes manifestariam seu respeito pelo fato de que a vida procedia do Criador e dependia dele. Mas, examinemos mais este assunto.
13 O texto supracitado se aplica ao sangue animal. Será que o mesmo princípio se aplicaria ao sangue humano? Sim, com ainda maior força. Pois Deus prosseguiu dizendo a Noé: “Além disso, exigirei de volta vosso sangue das vossas almas. . . . Quem derramar o sangue do homem, pelo homem será derramado o seu próprio sangue, pois à imagem de Deus fez ele o homem.” (Gênesis 9:5, 6) Bem, se o sangue animal (representando a vida animal) tinha significado sagrado para Deus, obviamente o sangue humano tinha um significado sagrado de ainda maior valor. As pessoas que obedecessem a estas orientações divinas não derramariam o sangue dos (não matariam) humanos, nem comeriam quer sangue animal quer humano.
No entanto, era esta ordem dada a Noé apenas uma restrição limitada ou temporária? Vigora para as gerações posteriores, inclusive para a nossa?
14 Muitos peritos bíblicos reconhecem que Deus delineou aqui um regulamento que se aplicava, não apenas a Noé e sua família achegada, mas a toda a humanidade desde esse tempo - em realidade, todos os que vivem desde o Dilúvio pertencem à família de Noé. (Gênesis 10:32) Por exemplo, João Calvino, teólogo e reformador, reconheceu quanto à proibição do sangue que “esta lei foi dada ao mundo inteiro, logo depois do dilúvio”.2 E Gerhard von Rad, professor da Universidade de Heidelberg, refere-se a Gênesis 9:3, 4, como “um estatuto para toda a humanidade”, porque toda a humanidade descende de Noé.3
15 Visto que a lei sobre o sangue foi vinculada à declaração de Deus que sublinhava a alta consideração pela vida humana, podemos avaliar as observações do Rabino Benno Jacob:
“Assim, as duas proibições são da mesma classe. Constituem as exigências mais elementares de humanidade, no sentido literal da palavra. . . . A permissão de se comer carne, mas sem seu sangue, e a proibição de derramar-se sangue humano, indicam o lugar do homem dentro do mundo dos viventes . . . Em suma: a razão da proibição do sangue tem caráter moral. . . . Mais tarde, o judaísmo considerava este trecho como estabelecendo a ética fundamental para todo ser humano.” (Grifo acrescentado.)4
Com efeito, judeus posteriores compuseram, da primeira parte de Gênesis, sete “leis básicas” para a humanidade, e esta ordem dada a Noé e seus filhos sobre o sangue era uma delas.5 Sim, apesar de a maioria das nações não a seguirem, tratava-se realmente de uma lei para toda a humanidade. - Atos 14:16; 17:30, 31.
16 Mais tarde, em sua lei dada à nação de Israel, Jeová Deus proibiu o assassínio, comprovando que o mandado que ele dera a Noé ainda vigorava. (Êxodo 20:13) De forma correspondente, Deus também proibiu o consumo do sangue, afirmando:
“Quanto a qualquer homem da casa de Israel ou algum residente forasteiro que reside no vosso meio que comer qualquer espécie de sangue, eu certamente porei minha face contra a alma que comer o sangue e deveras o deceparei dentre seu povo.” - Levítico 17:10.
17 Os israelitas só tinham permissão de usar o sangue animal de uma forma. Esta era para oferecê-lo como sacrifício a Deus, reconhecendo-o como o Dador da Vida, a quem estavam endividados. Ele lhes disse: “A alma da carne está no sangue, e eu mesmo o pus para vós sobre o altar para fazer expiação pelas vossas almas, porque é o sangue que faz expiação pela alma [ou vida] nele.” - Levítico 17:11.
18 Que dizer do sangue dos animais mortos como alimento, e não para sacrifício? Deus disse a seus adoradores que o caçador que pegasse um animal selvagem ou uma ave “neste caso tem de derramar seu sangue e cobri-lo com pó. Pois a alma de todo tipo de carne é seu sangue pela alma nele. Por conseguinte, eu disse aos filhos de Israel: ‘Não deveis comer o sangue de qualquer tipo de carne, porque a alma de todo tipo de carne é seu sangue. Quem o comer será decepado da vida.’” - Levítico 17:13, 14; Deuteronômio 12:23-25.
19 Tal derramamento do sangue não era simples ritual religioso; era, em realidade, uma extensão da lei divina fornecida a Noé. Ao matar um animal, a pessoa deve reconhecer que a vida dele provém de Deus e pertence a Ele. Por não comer o sangue, mas ‘derramá-lo’ sobre o altar ou no solo, o israelita, com efeito, devolvia a vida dessa criatura a Deus.
20 Mostrar um israelita desrespeito pela vida, conforme representada pelo sangue, era considerado erro seríssimo. A pessoa que deliberadamente desconsiderasse esta lei sobre o sangue deveria ser ‘decepada da vida’, executada. (Levítico 7:26, 27; Números 15:30, 31) Certa medida de culpa resultaria de se comer até mesmo a carne, que contivesse sangue, dum animal que morresse por si mesmo ou que fosse morto por um animal selvagem. - Levítico 17:15, 16; compare com Levítico 5:3; 11:39.
Poderia a lei de Deus quanto ao sangue ser posta de lado em ocasiões de emergência?
21 A Bíblia responde que Não. Não havia nenhuma dispensa especial para tempos de grande estresse. Podemos ver isso pelo que ocorreu com alguns soldados de Israel, nos dias do Rei Saul. Famintos após longa batalha, eles mataram ovelhas e gado bovino e os ‘foram comer junto com o sangue’. Estavam famintos e não comiam deliberadamente o sangue, mas, na pressa de comer a carne, não se certificaram de que os animais fossem devidamente sangrados. Será que o fato de parecer tratar-se duma “emergência” desculpava seu proceder? Pelo contrário, seu rei designado por Deus reconheceu a ação deles como sendo ‘pecado contra Jeová, comer junto o sangue’. - 1 Samuel 14:31-35.
Será que esta aversão correta ao sangue também se aplica ao sangue humano?
22 Sim. E isso é inteiramente compreensível, pois a lei de Deus proibia o consumo de “qualquer espécie de sangue”, do “sangue de qualquer tipo de carne”. (Levítico 17:10, 14) Podemos ver como a nação judaica considerava esta lei por considerarmos um incidente que envolvia alguns dos judeus que tinham seguido e ouvido a Jesus. Em certa ocasião, ele falou figuradamente sobre ‘beber-se seu sangue’, pois sabia que, com o tempo, seu sangue seria derramado numa morte sacrificial e que isso resultaria em vida para aqueles que, com fé, aceitassem seu sacrifício. (João 6:53-58) Não compreendendo, evidentemente, que Jesus falava em sentido simbólico, alguns de seus discípulos judaicos ficaram chocados com as palavras dele e deixaram de segui-lo. (João 6:60-66) Sim, a idéia de ingerir sangue humano era completamente detestável para tais adoradores judaicos de Deus.
QUE DIZER DOS CRISTÃOS?
23 A lei mosaica apontava para a vinda e a morte sacrificial do Messias. Por isso, depois que Jesus morreu, os adoradores verdadeiros não mais estavam obrigados a cumprir a lei mosaica. (Romanos 10:4; 6:14; Colossenses 2:13, 14) As restrições dietéticas da Lei, tais como as que proibiam comer gordura ou a carne de certos animais, não eram mais obrigatórias. - Levítico 7:25; 11:2-8.
Assim, aplica-se aos cristãos a proibição divina sobre o sangue?
24 Este assunto mereceu consideração em 49 E.C., durante uma conferência dos apóstolos e anciãos de Jerusalém, que serviam como o corpo central de anciãos para todos os cristãos. A conferência foi realizada em resposta a uma questão sobre a circuncisão. Este concílio apostólico decidiu que os não-judeus que aceitaram o cristianismo não tinham de ser circuncidados. Durante a discussão, Tiago, meio-irmão de Jesus, trouxe à atenção do concílio outras coisas essenciais que ele julgou importante que incluíssem em sua decisão, a saber, “que se abstenham das coisas poluídas por ídolos, e da fornicação, e do estrangulado, e do sangue”. (Atos 15:19-21) Ele se referiu aos escritos de Moisés, que revelavam que, mesmo antes de ser dada a Lei, Deus desaprovava as relações sexuais imorais, a idolatria e o comer sangue, o que incluiria comer a carne, que continha sangue, de animais estrangulados. - Gênesis 9:3, 4; 19:1-25; 34:31; 35:2-4.
25 A decisão do concílio foi enviada, por carta, às congregações cristãs. Acha-se agora incluída na Bíblia, como parte das Escrituras inspiradas, que são proveitosas “para ensinar . . . para endireitar as coisas”. (2 Timóteo 3:16, 17) A decisão foi:
26 “Pareceu bem ao espírito santo e a nós mesmos não vos acrescentar nenhum fardo adicional, exceto as seguintes coisas necessárias: de vos absterdes de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas, e de fornicação. Se vos guardardes cuidadosamente destas coisas, prosperareis.” - Atos 15:28, 29.
27 Sim, muito embora os cristãos não estivessem sob a lei mosaica, era “necessário” que se abstivessem do sangue. Tratava-se apenas da opinião pessoal dos apóstolos? De forma alguma. Conforme declararam, essa decisão fora feita em harmonia com o espírito santo de Deus.
28 A respeito desse decreto cristão, o Professor Walther Zimmerli, da Universidade de Gottingen, Alemanha, comentou:
“A primeira congregação cristã-judaica, na decisão relatada em Atos 15, fez uma distinção entre a Lei dada a Israel, mediante Moisés, e a ordem dada [mediante] Noé a todo o mundo.” - Zürcher Bibelkommentare.6
29 A ordem de ‘abster-se do sangue’ não era simples restrição dietética, mas era sério requisito moral, conforme visto por ser tão sério para os cristãos quanto ‘absterem-se da idolatria ou da fornicação’.
OS CRISTÃOS PRIMITIVOS E O SANGUE
30 O concílio de Jerusalém enviou esta decisão explícita às congregações cristãs, com resultados positivos. Lemos em Atos, capítulo 16, a respeito de Paulo e seus associados: “Enquanto viajavam através das cidades, entregavam aos que estavam ali, para a sua observância, os decretos decididos pelos apóstolos e [anciãos] que estavam em Jerusalém. Portanto, as congregações continuavam deveras a ser firmadas na fé e a aumentar em número, dia a dia.” - Atos 16:4, 5.
Era a decisão registrada em Atos 15:28, 29 um simples requisito temporário, e não uma obrigação que continuava a vigorar para os cristãos?
31 Algumas pessoas sustentam que o decreto apostólico não era uma obrigação permanente para os cristãos. O livro de Atos, porém, indica claramente o contrário. Mostra que, cerca de dez anos depois de o concílio de Jerusalém expedir tal decreto, os cristãos continuavam a obedecer à “decisão, de que se guardem do que é sacrificado a ídolos, bem como do sangue, e do estrangulado, e da fornicação”. (Atos 21:25) Isto mostra que estavam cônscios de que a exigência de se absterem do sangue não se limitava aos conversos gentios em certa área, nem se aplicava apenas a um curto período.
32 Mas, qual era a situação nos séculos posteriores, quando o cristianismo se difundiu a lugares distantes? Consideremos a evidência dos séculos que se seguiram à publicação do decreto registrado em Atos 15:28, 29.
33 Eusébio, escritor do terceiro século, que é considerado o “pai da história da Igre