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A festa
Naquele tempo, nós éramos apenas três. Três meninos. Me refiro aos meus irmãos. Desde muito tempo, nós esperávamos pela chance de ter uma irmã. Minha mãe sempre desejou ter uma filha, mas só tinha meninos. Quando nasceu o André, o caçula, o médico cortou as tropas da minha mãe e não contou a ela. Anos depois minha mãe se submeteu a uma cirurgia para desligar as trompas, que não estavam lá, o que resultou em uma profunda frustração. Meus pais então ingressaram na fila da adoção, em busca de uma menina. Quando a oportunidade surgiu, nós já éramos adolescentes. E foi naquele dia, no dia em que eu ganhei duas irmãs lindas, que aconteceu esta aventura. A FESTA Nós estávamos na piscina, ali no Play do prédio batendo papo, quando eu comentei que meus pais haviam viajado para adotar nossas irmãs. O Pedro, nosso amigo do 13, imediatamente surgiu com uma idéia maluca de fazermos uma festa de comemoração. Aquele era o típico final de semana em que ninguém viajou,e estava todo mundo meio que sem ter o que fazer. Para completar, não havia nenhuma grande festa ou evento que conclamasse a galera. Naquele tempo, havia dessas festas. Eu me lembro bem de algumas em que eu fui. A CEIA, o grêmio estudantil do Abel em conjunto aos grêmios estudantis dos outros grandes colégios de Niterói, como o São Vicente e o Salesiano, realizavam junto com uma empresa chamada Estilo & Performance umas “mega-ultra-bombastic” festonas. Famosas foram as “Noites do arrepio”, que eram festas meio halloween, meio dark. Naquele tempo, não existiam as haves. Pelo menos não com a popularidade e o jeito de hoje. Aquilo era o embrião que foi dar origem as grandes haves com música eletrônica alguns poucos anos depois. Mas como eu ia dizendo, não havia nenhuma grande festa naquele dia e as opções de “night” eram bem restritas para uma galera que não tinha carro. (todo mundo, tirando algumas pequenas exceções, que eram os caras da família Vergetti do quarto andar, que eram ricos e mais velhos e andavam todos perfumados freqüentando as cobiçadas boates do Rio) Mas depois que o Pedro propôs a idéia, eu fiquei de pensar se daria para fazer uma festinha pros amigos do prédio ou não. Fui para casa tomar banho e jogar videogame. Depois de um tempo que não deu nem meia hora, tocou a campainha. Era o Pedro e o Sassá (Alessandro). Os dois vieram com um pacote de biscoito para me convencer a fazer a festa. Então o Pedro pegou um biscoito e começou a enfiar um biscoito atrás do outro na minha boca. Era um esquema engraçado de lavagem cerebral e eu e meu irmão Raphael acabamos topando a idéia de fazer a festinha. O esquema seria: Cada um traz uma bebida ou comida. E a festa começaria as dez. O Sassá ia trazer o som, o Pedro umas garrafas de cerveja, fulano umas pipocas, salgadinhos e por aí vai. O Sassá ficou de chamar a galera. Eu calculei os caras do prédio em uns vinte malucos. Basicamente, essa galera era o pessoal da banda Scrap Iron, formada pelo Sassá, Pedro, Leo -Danone e Fabrício. Naquele tempo a banda ainda se chamava dimetiladimeditildilafenilpirazolona – Mas por ninguém conseguir falar o nome da banda, mudaram o nome dela para Scrap Iron dias depois) Eu e o Raphael iríamos dar uma arrumada na casa. Entenda por “arrumada”, pegar todos os móveis, bibelôs, quadros e qualquer outro bagulho “quebrável” e trancar isso tudo no quarto virgem, que iria ser o quarto das meninas. Deu um trabalho do caramba tirar aquilo tudo, e quando finalmente terminamos, estava em cima da hora de tomar banho colocar a roupa e finalmente abrir a porta para os amigos do prédio. Quando deu nove e meia tocou a campainha. Era o Raul. O Raul era um amigo nosso do Oito. Ele avisou que o “pessoal” já estava chegando. Estavam se concentrando na portaria para chegarem juntos. Dali a dois minutos, tocou a campainha. Eu fui abrir e o que eu vi deixaria qualquer um bolado. Era uma tamanha mutueira de gente, que o corredor do meu andar parecia mais a entrada do Maracanã em dia de clássico. Havia uns dois ou três rostos conhecidos no meio da galera, mas a massa de gente que invadiu a minha casa era na sua absoluta maioria completos desconhecidos. E TODOS eles estavam carregando APENAS bebida alcóolica. Não havia nenhuma coca-cola, suco, água ou guaraná, salgadinho ou biscoitinho. Só o que me lembro foi de um simplório saco de pipoca. Era Velho barreiro, 51, Vodka, Uísque, aquelas bebidas “coolers” e quando muito, um refri de segunda linha, como Mineirinho, Grapete ou latinha de Fanta Laranja. A massa mesmo, trazia a boa e velha cerveja ou só a barriga. Minha casa virou o Orkut, mané. Era tanta gente desconhecida que eu virei um anônimo. Ninguém sabia quem eu era, e por isso, não respeitava. Digamos que havia tanta gente na minha sala que ficou impossível respirar. A sorte é que o apartamento tinha uma enorme varanda e eu corri lá pra fora. A festa começou a bombar e o Sassá discotecava como ninguém, rolando todo tipo de som. A galera dançava e bebia. Volta e meia, alguma boa alma me levava um copo de vinho ou de vodka. E assim a festa foi rolando. Quando deu duas e meia da manhã, como era de se esperar, alguém ligou lá pra casa. A coisa ficou feia, porque conseguiram me chamar na varanda para ir atender o interfone. Era o síndico ameaçando chamar a polícia. Eu prometi tomar providências. As providências foram: ir até o Sassá e pedir para ele pegar leve no som. Mas obviamente, o Sassá estava meio manguaçado e aumentou ainda mais o som. Eu percebi que era apenas uma figura decorativa naquela zorra. Aí que eu resolvi recolher-me à minha insignificância e retornar para a varanda junto da Fer, do Popozinho e se não em engano, do Raul. Liguei o foda-se. Quando a fome apertou, eu fui até a cozinha em busca de algo mastigável. Quando cheguei lá o que eu vi foi aterrador. Uns dois caras que eu nunca vi mais gordos estavam depenando a geladeira. Eles estavam comendo TUDO que tinha. E Tudo era TUDO mesmo, incluindo as alcaparras da minha mãe, as azeitonas do meu pai e até o tempero de fazer bife! Eu olhei na pia e ali estava sentado sobre o mármore branco o Diovanni (nome mudado propositalmente). Pausa para falar sobre o Diovani: O Diovani era o cara que morava uns andares abaixo do nosso. Ele morava na coluna três e eu na quatro. Mas isso nunca me impediu de ouvir quando ele brigava com a irmã dele. A irmã do Diovani era ele mesmo, vestido com uma peruca. Não, não estou dizendo que ele era maluco, mas é que a irmã dele era A CARA dele. Muito igual mesmo. E quando eles brigavam, era briga de faca meu! Pra piorar, este cara tinha uma mãe que era bastante brava. O pai dele era um cara tranquilão. A gente se conhecia desde pequeno. Lembro que quando ele era bem pirralho mesmo, a fama do Diovani era que ele tinha a mania de se convidar para ir na casa dos outros e depois que chegava lá não ia mais embora até que a pessoa colocasse ele para fora. Depois ele cresceu e melhorou um pouco isso. O Diovani tinha um irmãozinho que era chato pra caralho. Talvez por isso, pela pressão da irmã maluca, a mãe brava e o irmãozinho chato, ele era o candidato ideal para fazer merda. Varias vezes, o Diovani arrumou confusão em boates e festas. Mais de uma vez, apanhou na rua. Mas ele era um cara muito gente boa. Todo mundo gostava dele, apesar de saber que na época de guri, se convidassem para ir em casa ele não ia mais embora. Mas voltando ao assunto, Diovani estava sentado na pia com a boca ENTUPIDA com alguma coisa que eu não consegui identificar o que era. Depois que eu fui saber que era massa de pizza. Ele chegou com uma fome do caralho na festa e abriu a geladeira, desencadeando o frenesi de gula nos “convidados” desconhecidos (larica) que estavam habitando a minha cozinha. O Diovani encontrou a massa de pizza que a gente tava guardando para o almoço do dia seguinte. Ele não se fez de rogado e comeu a massa de pizza pura. Eu estava ali bolado olhando a cena quando eu vi cocaína pela primeira vez na minha vida. Tinham uns caras mais velhos cheirando, que eram amigos do “Minhoca”. O Minhoca era um cara semi-barra pesada que era amigo do Júnior do sexto andar bloco B. Os amigos do Minhoca estavam cheirando cocaína num prato da minha mãe, em cima da máquina de lavar. E quando eu vi aquela cena, comecei a pensar que aquela porra de festa tinha sido uma bela duma cagada, e que ia acabar mal. Reconheço que fiquei com medo daquela situação e fugi. Resolvi voltar para a varanda e fazer de conta que eu não tinha visto nada. Ao passar pela sala, notei que alguns convidados estavam dando “mosh” (aquele tipo de pulo que se dá do alto do palco do show em meio a multidão) no sofá da minha mãe. A certeza de que eu estava fodido aumentou ainda mais. O Sassá tacava um Pearl Jam, Alice in Chains e até uma porra maluca chamada Mr. Bungle e a turba encachaçada saltava no ar sobre o sofá. Uns caindo sobre os outros. Foi nesta festa, lá pelo início dos anos 90, quando o Collor estava virando presidente, que o Ricardo Young ficou com a Kallina, que era minha vizinha de cima. Eles namoraram por um tempo, mas o namoro não foi em frente. A Kallina era uma menina muito inteligente, mas eu falei pouco com ela durante o tempo que morei no prédio. É uma coisa curiosa isso, porque a Kallina tinha extamente o perfil de mulher que me atrai. Eu tinha a completa clareza disso e sabia que se eu conversasse com ela mais de dez minutos, eu sairia de lá completamente apaixonado por ela, então eu nunca me aproximei muito. Nunca tive coragem. O máximo de proximidade que tivemos em mais de dez anos morando um em cima do outro foi trocar um livro o Lobsang Rampa. A família dela era super legal também. A mãe dela se dava bem com a minha, porque eles tinham um vazamento no banheiro que nunca se resolvia. Volta e meia ela aparecia lá em casa para acompanhar as 204567 obras que fez para conter o vazamento do banheiro social dela no nosso. Mas voltando ao caso, fui de volta para o último lugar de relativa normalidade na casa, que era a varanda. Ali eu permaneci por mais um tempo, tentando não demonstrar meu total desespero de ver a coisa sair completamente do controle. Lá pelas tantas, me veio a mente uma maneira interessante de dar uma segurada na turba. Fui sorrateiramente até a sala e peguei o telefone. Disquei 109. Naquele tempo, discar 109 fazia o telefone tocar sozinho minutos depois. Talvez isso funcione até hoje. Eu atendi e em mais uma bela atuação digna do oscar, fingi que estava falando com meus pais. Na conversa imaginária eles diziam que haviam recebido uma ligação do síndico e queriam saber se eu estava dando uma festa. Silêncio sepulcral. Foi engraçado fingir que falava que não, que não tinha festa nenhuma, e ver na cara de cada um deles a expressão de medo. - Oi mãe. Não… Não… Não, mãe. Eu tava dormindo. … Falou o quê? festa? Que festa? … Não mãe. Não tem festa nenhuma. … Ele tá maluco. … Vai o quê? Polícia? Que isso! O síndico pirou. Só quem veio aqui em casa foi a Fer e oPopozinho. A gente trava jogando videogame. Só isso. Já. Foram embora. Não tem festa. Pode ficar tranqüila. - Eu ia falando isso e a cada intervalo as pessoas se entreolhavam. Foi engraçado olhar para a galera da cozinha ao mencionar que o suposto síndico ia chamar a polícia. Foi um momento memorável da festa. Quando eu desliguei o telefone fiz o sinal para o Sassá religar o som, porém mais baixo. A estratégia funcionou relativamente bem. Mas em dois minutos, a balbúrdia tomou conta da minha casa e as pessoas voltaram a dar Mosh no sofá da minha mãe. Lá pelas tantas, em plena festa, começou uma correria de gente para a varanda. Eu pensei: Ih, é briga! Não era. Antes fosse. O Diovani pegou uma garrafa de vodka Kovak e uma garrafona de dois litros de Grapete e bebeu junto. Nada demais para quem estava horas antes, comendo a massa de pizza semi-crua da geladeira. O que eu sei é que o Diovani ficou completamente doidão. Foi até o meio da pista de dança, sala e entrou em erupção, esguichando aquele vômito vermelho de grapete com Kovak pela casa toda. Foi uma tremenda gritaria. E em seguida, o Diovani caiu sobre a poça de vômito vermelho. O cara estava em quase coma alcoólico. Eu apenas observei que algumas pessoas pegaram ele e levaram lá pra dentro. Eu imaginei que levaram ele para o banheiro, para lavar o rosto dele, reanimá-lo. Metade das pessoas foi embora com o episódio da “erupção” do Diovani. Dali a um tempo, toca a campainha. Veio correndo alguém me chamar na varanda. A pessoa aflita falava sobre a mãe do Diovani. Eu fiz o clássico sinal de cortar o pescoço para o Sassá e ele novamente desligou o som. Acendi a luz. (confesso que foi só quando eu acendi a luz que via a extensão cataclísmica da poça de vômito bordô no piso de tábuas corridas da sala.) Para piorar a minha situação, ali na minha porta, em pleno horário de três e varada da madruga, em pessoa, estava a mãe do cara. Tradicionalmente brava e pronta para tocar o rebú. A segunda pergunta foi ainda mais embaraçosa que a primeira: - Cadê o meu filho? – Disse ela olhando em volta. Eu, consternado, não sabia o que dizer. Eu apenas olhei para a poça de vômito sob meus pés e meu olhar conduziu na direção do corredor. Instintivamente o bando de convidados bizarros abriu como se fosse o mar vermelho. E o que eu vi foi a porta respingada de vômito do banheiro. A mulher não perguntou mais nada. Ela foi entrando e empurrando as pessoas. Esbravejou qualquer coisa como “matar o Diovani”. Ao chegar no fim do corredor que dava para o banheiro, começou a esmurrar a porta. Não havia resposta. Depois de algum tempo daquele inconveniente barraco, ouviu-se o som da descarga e a porta se abriu. Ali estava uma moça. Não era o Diovani. E taca a mãe do cara a buscar ele pela casa. Eu comecei a pensar que ele havia dado no pé. Procuramos no quarto dos meus pais, no meu e na cozinha, mas não havia nenhum sinal dele. Tive medo que ele tivesse se jogado da varanda. Foi quando a mãe do Diovani forçou a porta do quarto das meninas. Estava trancado. Eu havia trancado o quarto delas com todos os moveis e coisas caras da minha mãe para evitar que se quebrassem na festa. Eu disse que ele não estava lá, porque eu havia trancado aquela porta. A mulher deu um piti e começou a gritar comigo que eu tinha que abrir. Eu peguei a chave e abri a porta. Ao abrir, a perplexidade tomou conta do meu ser. Ali estava uma poça de vômito e bolotas de massa de pizza. Caído sobre um colchonete, estava a carcaça apodrecida e marinada em vodka KOVAK do Diovani. Emborcado, com a metade da cara mergulhada no vômito. Eu percebi depois que a chave da porta do corredor abria a porta do quarto das meninas. E como se não bastasse aquela cena de filme de terror eu tive que assistir a mãe barraqueira dele levantando aquele corpo nauseabundo e enfiando-lhe a porrada. O Diovani tava tão mal que reagiu minutos depois de tomar vários tapas na cara. A mãe dele conseguiu colocá-lo semi-acordado. E mandou ele lavar o rosto. Diovani cambaleou até o banheiro e fechou a porta. Eu ouvi mais um a vomitada e em seguida o som de alguém escovando os dentes. - PUTAQUIPARIU! – Pensei. Ele escovou os dentes com uma das escovas lá de casa. Poderia ser qualquer uma. Até a minha. A mãe dele esmurrou o banheiro novamente e ele saiu de lá com a camisa toda molhada. A cor agora era rosa, mas o cheiro ainda era o mesmo. A mulher saiu berrando e dando esporro em mim e no Diovani. Não a recrimino. Eu faria o mesmo se fosse com meu filho. A festa estava chegando ao fim. Não havia mais clima de festa. Meus pais chegariam na tarde do dia seguinte e eu teria muita (MUITA!) coisa para arrumar. Todos foram embora. E eu me vi sozinho, com meu irmão em meio a uma sujeirada que mais parecia a chepa da festa de primeiro de janeiro. Larguei a merda toda suja e vomitada e fui dormir. Sete horas da manhã, a campainha tocou. Eu levantei assustado pensando que meus pais anteciparam a volta. Em pânico e tremendo por dentro fui até a porta e lá estava ninguém menos que Diovani. Ainda bem grogue. Eu pensei que ainda estava sonhando. - OI. Eu vim limpar a merda que eu fiz! – Disse ele se apoiando na parede. - É mesmo? - É. - Então tchau. Desculpa o mau jeito aí. Ele foi embora e eu tentei voltar a dormir, mas foi impossível. A adrenalina desencadeada pela idéia da minha mãe antecipando a volta para casa me impediu de pregar o olho. Levantei e passei o dia TODO limpando a casa. Quando meus pais chegaram, não havia nenhuma evidência da festa lá em casa, tirando uma estranha pegada. Um NAURU – o sapato da moda na época – estava desenhado no teto da sala. O lance das meninas era forte demais para causar qualquer atenção aos pequenos detalhes. Elas eram lindas. Todas as atenções se voltaram para a Danielle e a Leonor e nossa festa passaria em brancas nuvens, pelo menos até minha mãe dar de cara com a mãe do Diovani no elevador. Mas eu minimizei os riscos. Eu contei pra minha mãe que demos uma festinha em comemoração das meninas e ela ficou toda satisfeita. E aí nunca brigou com a gente. Limpar o vômito do Diovani já havia sido castigo suficiente.
Perdido na ilha – A história que inspirou a aventura de Robson Crusoé
Eu adoro aventuras de pessoas que passam por altos perrengues e no final conseguem sobreviver (ou não). Um dos meus programas favoritos é o ‘Sobrevivi” do Discovery Channel. Infelizmente, eu não posso mais ver Discovery, desde que a SKY resolveu INVENTAR que eu comprei no pay per view um pacote do campeonato Gaúcho. Coisa que eu não faria nem se tivesse drogado. Se ainda fosse um pay per view do Sexy Hot… Mas é fogo. Nós ligamos lá e dissemos que não tinha nada disso. A atendente, super grossa, disse que “o computador não erra”. Se estava o débito é sinal que tínhamos comprado (detalhe, o aparelho estava desplugado do fio do telefone o mês todo) Foi aquela briga. Um disse-me-disse do caramba e no final, nós estávamos certos. Foi fácil desmascarar Ah, tá. Fiquei puto com a Sky e aproveitando um defeito maldito no meu aparelho e um período de incertezas financeiras se aproximando, desisti da Tv a cabo até ter grana novamente. Mas voltando ao assunto que é o tema deste post, como eu adoro aventuras de perrengues e de sobrevivência, eu resolvi traduzir a incrível aventura da vida de Alexander Selkirk que li no sensacional blog de nome apropriado Dam interesting Aqui vai: Perdido na ilha – A história que inspirou a aventura de Robson Crusoé Trata – se de um pequeno ponto no mapa. Abaixo do trigésimo quarto grau de latitude sul, a ilha de Juan Fernandez lança uma sombra modesta no vasto Oceano Pacífico Oriental. No ano de 1704, Alexander Selkirk, acenava da praia desta ilha perdida vendo a brisa do oeste empurrar seu navio e companheiros da tripulação para o horizonte de outubro. Seus próximos quatro anos seriam de total solidão bem como luta desesperada para sobreviver em um ambiente hostil, numa aventura que mais tarde inspiraria Daniel Defoe a escrever seu célebre Robinson Crusoé. Selkirk acabou tornando-se um homem do mar quando aos quinze anos fugiu do serviço militar obrigatório e quando adulto, passou a integrar a tripulação do navio Cinque Ports, uma embarcação de cento e trinta toneladas que realizava uma rota mercante ao longo da costa do Brasil, descendo pela América do Sul e contornando o continente de volta para o norte. A rota se iniciava partindo de Bristol e atravessando o Atlântico. Selkirk era o navegador. Depois de chegar à ponta sul da Argentina e atravessar o mar turbulento do cabo Horn, Selkirk apontou sua rota em direção ao norte do Chile. Entretanto, a diminuição da comida e as doenças começaram a minar a tripulação. Selkirk perplexo, viu a tripulação minguar de 90 para apenas 42 homens. A luta do navio contra o oceano turbulento da região foi terrível. Naquele tempo só havia o vento e as correntes marítimas para se confiar. A situação da tripulação piorou de vez quando uma terrível infestação de vermes reduziu dramáticamente a espessura do casco de madeira do navio. A madeira, inicialmente grossa e forte, agora era um frangalho fino e delicado. Selkirk sabia que o navio tinha pouquíssimas chances de atingir seu objetivo. A situação conduzia a um grande desespero quando quando uma fração de esperança surgiu no horizonte. Em setembro de 1704 a pequena ilha de Juan fernandez surgiu à frente do Cinque Ports. O capitão Stradling ordenou a tripulação que ancorassem o navio na pequena baía da ilha, o que deu aos poucos homens disponíveis na tripulação algum alento em meio ao sofrimento e frustração daquela viagem infernal. A estada na ilha foi breve, já que o capitão estava ansioso a retomar a rota. Selkirk insistiu que o navio estava condenado e que ele não via grandes chances da nau obter sucesso contra os mares revoltos e cheios de rochas pontiagudas a aflorar a superfície do oceano. Além disso, o casco já apresentava sinais de vazamentos, que tenderiam a se agravar no alto mar. Selkirk tentou interferir como pôde nas vontades do capitão, implorando e até conclamando os membros da tripulação a permanecerem na ilha esperando socorro, mas o capitão – talvez sentindo-se ameaçado em seu papel de líder – ignorou os apelos de Selkirk. Este se enfureceu e os dois discutiram ante os olhares estupefatos dos membros da tripulação. O capitão tomou-se de ódio e ordenou aos homens que desembarcassem Selkirk na praia com seus pertences, sua cama e a roupa do corpo e o largassem lá. E assim foi feito. Momentos depois, a tripulação do navio subiu as velas, que se inflaram com o vento. Da praia, sozinho, Selkirk assistiu a partida de seu navio. Ao ver o navio distanciar-se, o vento frio da costa acordou Selkirk e ele desesperou-se, acenou e gritou por clemência. Implorou perdão, mas não foi ouvido. O navio partiu, sumindo no horizonte lentamente, até tornar-se um pequeno ponto e ser finalmente coberto com a névoa clara, desaparecendo da vista de Selkirk para nunca mais retornar. No interior do saco com seus pertences havia uma pistola, pólvora, balas e uma faca. Ali estavam também um machado pequeno, instrumentos de navegação, uma Bíblia e um garrafão de rum. A comida que tinha era pouca e dava para poucos dias. Selkirk sentou-se na areia fria e olhou para o horizonte desolado. Esperava uma salvação. E tudo que ouviu foi o vento, as ondas e o som dos pássaros do mar. Ele começou a pensar sobre sua situação e concluiu algo que era óbvio: Ele estava ferrado. Aliás, Muito ferrado mesmo, já que sair da ilha sozinho era impossível e a ilha habitada mais próxima era Valparaíso, seiscentas milhas ao norte. Foi neste momento que Selkirk começou a compreender a finalidade da pistola. Sua pistola forneceu-lhe as garantias de que seria de sua decisão o momento do suicídio. A primeira coisa que ele fez foi levantar-se da areia e entrar no mato, para explorar a ilha. Esta era formada por rochas vulcânicas e tinha uma exuberante vegetação. Selkirk ficou feliz quando achou água fresca para beber, aves para fornecer carne, ameixas e verduras para proteger contra o escorbuto. Selkirk como todos os homens do mar, conhecia bem as histórias de sobrevivência. Ele sabia das aventuras de homens como Pedro Serrano, um homem que passou sete anos isolado numa ilha no Pacífico, sem água fresca. Serrano sobreviveu apenas ao beber o sangue de tartarugas, mas ficou maluco. Outros homens tinham sobrevivido durante anos com menos recursos do que aqueles oferecidos pela ilha de Juan Fernandez. Selkirk sabia o que um homem podia fazer naquela situação, e não restava a ele outra opção senão tentar. O pior é que Selkirk estava certo sobre o destino do Cinque Ports. O navio naufragou um mês após tê-lo largado à própria sorte na ilha. O navio foi à pique na costa do Peru e a maioria dos homens morreu afogada. O capitão e mais uns sortudos conseguiram chegar até a praia de uma ilha, onde quatorze homens morreram. Os sobreviventes e o capitão foram encontrados por uma patrulha espanhola. Eles se renderam e foram conduzidos à prisão em Lima. A maioria ficou presa numa cela escura, como um calabouço. Mas o capitão conseguiu escapar e depois regressou à Grã – Bretanha, fraco e debilitado. Apesar de viver sozinho na ilha, Selkirk não ficou maluco. Um dia ele viu um navio ancorado na baía. No mais alto mastro da nau ele viu a bandeira espanhola. Selkirk fugiu desesperado. Por ser escocês, ele sabia que a sua captura levaria a escravidão ou a morte. Mas em sua fuga, Selkirk foi visto e o eco de tiros cortou o céu tranqüilo da ilha. Os homens do navio o perseguiram ferozmente por toda a ilha. Seu conhecimento da geografia daquela ilha maldita foi de grande ajuda. Aliás, sua única ajuda. Ele subiu num penhasco e escalou usando o galho de uma árvore que pendia entre as pedras. Ergueu-se sobre ela encostou na parede de pedra, mantendo-se oculto da vista. Dois dias se passaram e Selkirk ficou sobre o fino galho, com a morte aos seus pés, aguentando o mau tempo, a fome e o frio até seus nervos não suportarem mais. O tempo passou, as marés subiram, desceram, as sombras dançaram ante ao movimento do sol e ele permaneceu firme. Os espanhóis se foram e Selkirk continuou sua vida de solidão. Ele manteve a mente no futuro. Com o passar do tempo na ilha,o solitário morador da ilha descobriu cabras selvagens, que abatia ainda jovens, para se alimentar e para evitar que elas se voltassem contra ele, pois eram animais agressivos. A sua saúde nunca esmoreceu, por isso ele pôde recorrer a estas perseguições fácilmente. Um dia, a caça de um bode quase terminou com a sua vida quando ele caiu de uma falésia, deixando – “sem sentidos por três dias, tempo que ele calculava pela observação da lua. Como navegador, ele era bom nisso. ” A queda teria significado a morte certa se ele não houvesse caído sobre o cadáver do bode que perseguia. Ao longo de quatro anos Selkirk calculou ter abatido quinhentos caprinos selvagens da ilha. Nem todos ele matou. Alguns foram capturados apenas por “esporte”, um jeito criativo de se manter ligado e são. Esses animais foram soltos após ele fazer uma marca nas suas orelhas. Este foi o seu método de indicar a velocidade e os aspectos físicos do bode. As necessidades básicas de sobrevivência ditavam a rotina do seu dia. Muitas vezes ele subia na maior elevação da ilha e lá de cima observava o mar em busca de um sinal de socorro. Nestes tempos de profundo silêncio, ele foi submetido a “revoluções em sua própria mente”, esperando um dia voltar para casa. Ao longo do tempo a ilha, que era infestada de ratos ( eles vinham para a ilha à bordo dos navios que aportavam lá no passado e busca de água ) Selkirk acabou perdendo todas as suas roupas. Os ratos comeram suas roupas ao ponto em que Selkirk precisou fabricar suas roupas usando as peles dos caprinos. Para costurar, ele usou apenas o que dispunha. Na falta da agulha, ele usou um prego. Selkirk usava sua última camisa, feita com remendos de suas meias de lã (a última coisa que os ratos não haviam comido) quando avistou algo na baía. Ele sabia que um dia seria resgatado, e sempre olhava para a baía em busca de um sinal. E um dia, isso aconteceu de fato. Era uma tarde em 1709, quando um navio se aproximou da ilha. Daquela distância ele não pode determinar qual era a procedência da embarcação. Mas depois de tanto tempo isolado, ele estava desesperado e correu para a praia. Ele correu o mais rápido que seus músculos permitiram segurando uma tocha nas mãos , com o qual tentava sinalizar. Os homens desembarcaram para a ilha, e quando Selkirk correu para saudá-los, foi recebido com uma garrucha na cara. Com suas mãos acima de sua cabeça, ele contou sua história de sobrevivência. Contou que foi largado na ilha para morrer. E que não havia enlouquecido por uma questão de tempo. Os homens se compadeceram e a tripulação ofereceu a ele um espaço a bordo do navio. Mas antes de entrar no navio, Selkirk questionou se ali naquele navio havia algum homem de nome Stradling, seu antigo capitão.Os homens não entenderam nada, mas Selkirk tinha tamanha raiva de Stradling que preferia a ilha a estar com ele em um navio novamente. Mas o capitão não estava presente. O nome “Stradling” não foi de qualquer significado a esses homens procurando apenas para comida e água fresca. Selkirk passou mais de mil e quinhentas noites naquela ilha. Após quatro anos e quatro meses, ele voltava para casa. O oficial do navio estabeleceu uma rota pela costa norte do Peru. Ao longe, Selkirk viu a ilha, até então a sua casa, ficar cada vez menor. Após a sua recuperação, um tipo diferente de isolamento ocorreu. Selkirk retornou à sua cidade natal de Largo, onde ele foi incapaz de se adaptar ao regime da vida diurna. Ele estava transformado. Em suas horas de desespero, ele procurou a reclusão de uma pequena gruta, em um local nas terras altas. Ele se casou, em 1717, mas logo retornou ao mar. Autores interessados principalmente em dinheiro ocasionalmente escreveram sua história numa forma abreviada. O escritor Daniel Defoe, com quase sessenta anos e apertado financeiramente devido ao alto custo do casamento de sua filha, publicou uma versão fantasiosa inspirada na vida de Selkirk que batizou de “Robinson Crusoe”. Foi sucesso imediato, que acarretou em duas seqüências. Em 1720, depois de um breve momento no porto, Selkirk casou-se com outra mulher sem mencionar que já era casado. Novamente, o tempo foi curto e ele acabou ingressando numa nova tripulação, junto ao navio HMS Weymouth como já havia feito. A jornada de Selkirk terminou quando ele contraiu um vírus de gripe, que extinguiu sua vida no ano de 1721. O mundo ficou fascinado com a história de Robson Crusoé, embora poucos leitores saibam do complexo homem que inspirou o romance atemporal. Em 1966 o governo chileno mudou o nome da ilha de Alexander Selkirk para Ilha de Robinson Crusoe , erguendo nela um monumento ao seu sucessor homólogo. Selkirk nunca encontrou seu lugar na sociedade, mas veio habitá-la nas palavras do livro.
Os incríveis Bichinhos do Mundo Gump
Eu resolvi fazer uma pequena compilação de bichinhos curiosos. O tubarão de duas cabeças
O peixinho de duas cabeças
A vaca com seis pernas:
O búfalo de três olhos e três bocas. O crocodilo de duas cabeças O porquinho com 6 pernas
O tubarão com perninhas
O gatinho de 4 orelhas
Fonte
O gatinho com duas caras I O Sapo aranha de oito pernas foi encontrado na China. Quer mais? Clica aqui: Pintando de cabeça para baixo
Ontem eu resolvi fazer uma experiência. Abri o Photoshop e tentei fazer um speed painting de cabeça pra baixo. Pintar assim é muito estranho. Ficou meio tosco, eu sei. Mas tenta fazer aí pra ver como é difícil. [youtube]http://br.youtube.com/watch?v=FaDakg7P7Q8[/youtube]
Jogo do Nudista saltitante
Imagina a cena. Um nudista barrigudo e barbudo com cara de maluco saltando numa cama elástica. Seriam cenas de um pesadelo? Pois bem, trata-se de um joguinho em Flash muito divertido.
Eu fiquei um bom tempo jogando e consegui chegar no Bonus, que é lá no céu. Muito engraçado. Combinações dos botões numéricos permitem estranhas manobras, como as que fazem o YMCA no ar. Cabeça de fósforo
Palito de fósforo todo mundo sabe o que é. algumas pessoas costumam chamar a ponta do palito de cabeça do fósforo. O que isso tem a ver com este post é o que eu não sei. Só sei que achei nesta galeria uma sensacional seqüência de esculturas feitas com fósforos! São cabeças de fósforo. Doido. Tem animais também.
É o trabalho incrível de David Mach
A maior cama do mundo
Coisa bizarra é vista “passeando na lua”
Pode parecer estranho isso, mas… Que diabos, este é o Mundo Gump! Tem coisa estranha todo dia. E a de hoje é esta bizarra forma circular escura que foi vista e gravada em video no dia 29 de abril deste ano por astrônomos italianos durante o processo de calibração de um telescópio. Ela parece estar andando ou voando beixo na superfície do satélite. ela desvia de obstáculos e parece fazer uma trajetória inteligente, com curvas. Até agora ninguém sabe dizer o que é isso. Me pareceu um besouro gigante, mas besouros na Lua? [youtube]http://br.youtube.com/watch?v=zjjgergCv1Y&eurl=http://mystichorseman.blogspot.com/2007_10_01_archive.html[/youtube] Deve ser um balão meteorológico. Ou talvez Vênus… Agora falando sério, não é de hoje que temos reports de “coisas” na superfície da Lua. Se você olhar no Google, existem centenas de sites falando e mostrando fotos (da NASA e Russas) de vários objetos luminosos comuns e coisas extravagantes como um “castelo de cristal” 32km acima da superfície do satélite! Crateras triangulares, quadradas, luminosas, etc. Alguns sites até mencionam encontros de astronautas com os objetos. Seja como for, é preciso ter um certo cuidado ao ler algumas coisas. Não dá pra acreditar em tudo. A Net está infestada de invenções e abobrinhas mil, como “as gravações secretas da Apolo 11″. Neste caso aí de cima, não dá pra dizer nem que é real nem que é fraude. Pode ser os dois. Agora, se o UFO voa aqui, pode voar na Lua. Então, a minha posição é a de ficar em cima do muro. Pode ser e pode não ser. Possível ou não, só sei que não é todo dia que alguém filma uma coisa bizarra na lua via telescópio. Aqui esta o texto que acompanha a filmagem.
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