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Biblioteca Gump – D´Artiste Character Modeling 2

June 13th, 2007 No Comments

Atendendo ao pedido do nosso leitor Berserk, aqui está o livro D´artiste Digital Artist Master Class Modeling 2.
O livro é uma sensacional compilação feita entre os mais inspiradores criadores de personagens do mercado 3d mundial. Infelizmente não consegui terminar nada pra mandar pra Ballistic Publishing quando eles abriram o call for artwork. Mas o meu amigão Wesklei mandou e entrou. Parabéns Wesklei!
Bom, este livro, ao contrário dos livros da Biblioteca Gump não está com boa qualidade. Ele não passaria no meu crivo de qualidade para colocar para download aqui, mas como o berserk está seco atrás deste livro, resolvi colocar como ele está. O livro foi fotografado e não escaneado, o que deixou varias páginas embaçadas e quase ilegíveis. Mas dá pra ver o que tem dentro e desperta aquela vontade incomensurável de comprar um. Assim que sair uma versão de melhor qualidade no submundo, eu substituo este aqui, falô?
É como eu sempre digo, gostou, compra o verdadeiro.
deguste o livro aqui:

Via Rapidshare

http://rapidshare.com/files/33815537/CharacterModeling2.part1.rar
http://rapidshare.com/files/33818770/CharacterModeling2.part2.rar

Via depositFiles

Depositfiles:
parte 01
parte 02

Biblioteca Gump – Zbrush 3 -Offline reference files

June 13th, 2007 2 Comments


Já tem alguns dias que a terceira e nova versão do Zbrush chegou no mercado trazendo consigo ferramentas revolucionárias para a criação de personagens ultra-realistas como este aqui:


O problema todo é que por uma questão de economia, os arquivos de referência e help estão todos on-line. Assim o usuário que tem conexão discada tem que penar feito um condenado. A Biblioteca Gump orgulhosamente quebra o seu galho oferecendo todos os reference files de help do zbrush III para download em pdf.

Baixe o help completo do zbrush III aqui

Dumb Happens

June 11th, 2007 14 Comments


Todo publicitário antenado que se preze, sabe o que é marketing viral. O problema é que nem todo usuário da internet acompanha essas modas sabendo que são coisas feitas para uma pessoa contaminar a outra.
No geral, o marketing viral sempre funciona criando uma coisa suficientemente interessante para que você ache tão legal que queira mostrar para todos os seus amigos. E assim a coisa se espalha bem mais rápido do que poderia se espalhar usando as mídias tradicionais de rádio, jornais e Tv.

Quando eu era pequeno e minha família ia para algum sítio com piscina, eu gostava de exercitar minha veia artística imitando que estava me afogando. Se algum adulto parasse a conversa para prestar atenção, eu me dava por satisfeito. Mas não foram raras as vezes em que levei uma bronca clássica da minha mãe ouvindo aquela história sobre o “filho de uma amiga da minha mãe” que sempre fingia que estava se afogando. Um dia ele realmente estava se afogando e todo mundo pensou que era uma brincadeira e ele morreu. Como toda parábola educativa, aquela história tinha um fundamento claro, uma moral, que dizia: “Com coisa séria não se brinca. “
Nem todas as crianças tem oportunidade de ouvir de sua mãe sobre o filho brincalhão de sua “amiga”. Esses caras crescem e podem se tornar publicitários.
E alguém pode apracer na agência dele em busca de uma idéia para lançar um novo produto, seja ele uma toalha, um tênis, um caderno ou mesmo: um carro.

Foi o que aconteceu com a idéia sequelada que gerou o post anterior aqui no Mundo Gump.
Um publicitário daqueles “antenados” com a última moda, resolveu usar como estratégia de lançamento de uma campanha do carro da Citroen, uma notícia completamente falsa sobre a aproximação de um meteoro gigante de 500km de extensão que iria colidir com o planeta Terra.
Para tal ele criou uma página meio mal feita, com cara de página de associação de astronomia, colocou um texto de cunho jornalístico sobre a catástrofe iminente e anexou um gráfico incompreensível, o que aumentou muito o realismo, afinal, astrônomos adoram gráficos incompreensíveis.

Através desta página falsa eles geraram o fatóide, onde apenas o suposto asteróide de nome Pallas e sua aproximação com o planeta Terra era citado. Veja mais no post aqui em baixo. Não havia nenhuma menção ao carro ou lançamento do mesmo pela Citroen.
A tal “notícia”, que chocou diversas pessoas, foi divulgada como um alerta em vários portais considerados “respeitáveis”, como o UOL sem que houvesse nenhum indício de que era publicidade. Pesquisando na internet sobre o nome do asteróide, a primeira coisa que se descobre é que esse asteróide existe mesmo. O que levanta sérias questões morais na atitude do grupo de criação envolvido nesta campanha.
Embora eles acreditem que na internet e nas campanhas em busca de uma fração de atenção dos internautas vale tudo, eles podem ter se estrepado bonito.
Ao usar uma publicidade como notícia falsa, conhecido como “hoax”, a agência “Banco de Eventos” incorreu em vários erros, de diferentes graus.

O primeiro é iludir seus potenciais clientes. Poucas pessoas no mundo sentem-se confortáveis em serem feitas de idiota. Ser idiota não é legal, a menos que você seja Debi ou Lóide, ou ainda Forrest Gump (ou os dois).
O segundo é que ao associarem uma marca tradicional e séria como a Citroen com um anúncio com cara, cheiro e gosto de hoax, eles nivelam por baixo a marca, que ao meu ver sai dessa chamuscada.
O terceiro é que ao se utilizar de fontes de notícia para veicular uma campanha travestida de notícia falsa, eles expuseram os meios de comunicação e aos blogs ao pior que poderia acontecer: O descrédito.
Quando a minha mãe me ensinou a nunca fingir que estava me afogando sem realmente estar, ela estava protegendo o meu crédito. Ao noticiar um fato falso como real, todos os que divulgaram ficaram sob uma mira implacável. A do descrédito. Para um meio de comunicação que vive disso, ou lucra com isso, este fato é algo bem mais pesado que um mero truque viral de marketing, como quer fazer parecer Fabio Brandão, o diretor de marketing promocional do Banco de Eventos.
Segundo notícia que o próprio Uol divulgou, o tal hoax-cagada da Banco de Eventos fere três artigos claros do Conar ( Conselho Nacional de Auto-Regulamentação publicitária)

O principal é o artigo 27, segundo o qual, “o anúncio não deverá conter informação de texto ou apresentação visual que direta ou indiretamente, por implicação, omissão, exagero ou ambigüidade, leve o consumidor a engano”.

Segundo outro artigo, o 23, os “anúncios devem ser realizados de forma a não abusar da confiança do consumidor, não explorar sua falta de experiência ou de conhecimento e não se beneficiar de sua credulidade”.

Por fim, o artigo 28 determina que “o anúncio deve ser claramente distinguido como tal, seja qual for a sua forma ou meio de veiculação”.

Como eu fiquei sabendo desta história?
Eu tinha acabado de chegar do laboratório de supercondutores na UFRJ onde fui acompanhar o encontro dos pesquisadores brasileiros do trem de levitação magnética com o pessoal do BNDEs, quando abro meus emails e vejo um email dos meus leitores, o Cesar com apenas o link para a tal página falsa, perguntando se eu tinha mais informações a respeito.
Ele foi um dos internautas confundido com a campanha-hoax-cagada do Pallas.
O meu trabalho devia ser o quê? Entrar na internet e investigar o fato para levar ao Mundo Gump a verdade dos fatos. Entrei na internet para efetuar este trabalho, mas estando no Instituto Nacional de Tecnologia, que tem um sistema de internet tão bom que só bloqueia as coisas interessantes, como meu blog, os sites universitários e tudo mais que fosse .org, além de comer uma série de elementos da página substituindo-os por belas imagens laranjas com o logo da instituição e uma frase de erro incompreensível, acabei dando de cara com uma sucessão de páginas de astronomia sobre o Pallas, mas que geravam um aviso de página bloqueada pelo servidor.
Vendo que o Pallas realmente era gigante, realmente existia, acreditei parcialmente na notícia.
Eu estava achando que no final das contas, tudo não iria passar de um engano, mas tenho que assumir que eu acreditei que a página fajuta fosse real.
Então, mais do que depressa eu catei o que tinha mais a mão que era o real e interessantíssimo calculador de desgraça com meteoros lá do laboratório de astronomia americano e aproveitei a deixa para lançar um post bombástico, com um claro toque de humor.
Fosse a notícia uma desgraça real ou erro de cálculo, percebendo que este assunto poderia virar a “bola da vez”, não perdi tempo de colocar um título chamativo para aumentar a visita e conseqüentemente os ganhos com a publicidade do AdSense (essas coisinhas verdinhas com links aí em cima. O Google me paga por cada clique nelas)

Mas é chato saber que existem publicitários que não tendo idéias inteligentes o suficiente para fazer um viral que se espalhe pela criatividade e humor, apelam para o medo.

Infelizmente, nem todo publicitário tem uma mãe como a minha.

Ferrou! O asteróide Pallas gigante vai bater na Terra em 2007

June 11th, 2007 30 Comments


A notícia foi divulgada hoje no Site Observatório de Asteróides, um site associado ao IAC – International Astronomy Center

Astrônomos amadores descobriram que o asteróide 2-Pallas teve sua órbita alterada e segundo os últimos cálculos está em rota de colisão com a Terra. Os principais centros espaciais do mundo ainda não se pronunciaram, mas já existe uma grande mobilização na comunidade científica e militar.

O impacto poderá trazer grandes conseqüências, levando em conta a extensão do asteróide, considerada a segunda maior do cinturão que vai de Marte a Júpiter.

O 2-Pallas mede 558×526x532 km e caso a informação seja confirmada trará mudanças sem precedentes na existência humana na Terra. A colisão deverá acontecer na primeira quinzena de julho de 2007. Logo, deveremos ter novas notícias das autoridades competentes, que por enquanto evitam comentar o fato para não gerar um descontrole generalizado na população mundial.

Pois é, como vocês podem ver a coisa está preta pro nosso lado. Desde o filme Deep Impact e suas cópias, que a internet vem sofrendo com ameaças histéricas sobre uns corpos celestes gigantes em rota de colisão com o planeta. Só que esta é bem mais assustadora. A começar pelas dimensões do meteoro, que são monstruosas. Pra se ter uma idéia, estima-se que o asteróide que detonou os dinossauros e quase aniquilou a vida na Terra tinha apenas 15 km de diâmetro. Outra coisa é essa massa descomunal de 500 e tantos km de diâmetro. Dá um certo cagaço também pensar que de fato, faz sentido que um troçolho que não emita luz só possa ter sua trajetória de colisão com a Terra quando já é tarde de mais. E parece ser este o caso. Sem falar no último parágrafo, onde as autoridades preferiram não se pronunciar para não causar pânico. Nada pode me dar mais pânico do que imaginar que as autoridades preferiram não se pronunciar. Até porque, sempre aparece um sujeito com um discurso “otimista”.
Bem, é difícil imaginar exatamente como vai ocorrer ( não é questão de “se”. É questão de “quando”) o colapso destrutivo do impacto.
Eu acredito que com 500×500x500 km o asteróide gere tamanho calor na entrada da atmosfera que consiga ferver parte do oceano, que é o lugar potencial onde ele irá colidir. Isso vai afetar a estrutura do planeta e provavelmente todos os vulcões irão entrar em erupção, mas o pior deverá ser a onda de choque e o terremoto, seguidos da Tsunami sem proporções que vai cobrir todos os continentes.
Eu achei um site onde é possível calcular o desastre.
Felizmente pra mim e pra primeira dama, eu já tenho um plano de sobrevivência que nos ajudará a suportar o impacto , que devido a restrições de espaço, não posso contar pra vocês como que eu vou fazer. Isso significa que eu vou sobrar e que provavelmente vocês vão todos para o saco. Assim, peço que doem seu dinheiro pra mim. Eu assumo o compromisso de devolver sua grana caso nada aconteça.
Mande seu dinheiro pra mim. No céu você não precisará dele.
PS: É sério. (descubra a realidade nos comentários, mas faça o depósito pra mim antes!)
Dica do Cesar.

Ekseption – O tecladista quadrangular

June 10th, 2007 1 Comment

Muita gente me pergunta que tipo de musica eu escuto quando estou escrevendo essas maluquices, modelando em 3d, desenhando e esculpindo. Não há uma resposta precisa para esta pergunta, porque eu escuto muita coisa variada. Mas ultimamente tem um ggrupo que eu tenho escutado bastante, e que me impressiona como o tecladista do Ekseption consegue tocar simultaneamente tantos teclados de modo tão natural. Pena que este video só tem um trechinho da musica, que é enorme.

Carmina Burana – Tradução

June 10th, 2007 6 Comments

Sempre que rola cena de magia nas novelas da Globo entra aquela música Carmina Burana, que é ótima. Ela tem um estilo bem apropriado para mulheres vestidas com túnicas empunhando um archote numa das mãos e uma espada na outra. Mas você sabe o que a música diz?

Acidentalmente eu achei no site do André Lasak, o Quimera Ufana, uma postagem com um video do you tube que mostra o que quer dizer cada um dos versos em latim da musica. Vale a pena.

Já percebeu que cada musica é capaz de gerar um tipo de pensamento diferente na gente? Tipo, não sei se isso acontece com todo mundo, mas cada musica que eu escuto, me vem uma história na cabeça. Algumas vezes é só uma imagem, outras uma cena, mas muitas vezes, é uma história inteira, com início meio e fim.
Há um clipe de Carmina Burana que traduz bem o tipo de pensamento que me toma de assalto quando eu escuto esta musica. É este:

E você? O que pense ao ouvir Carmina Burana?

Caminhão empurra sujeito em uma cadeira de rodas pelas estradas

June 10th, 2007 4 Comments

Tem umas histórias macabras que a gente vê e chega a conclusão que se visse isso em um filme, sairia falando mal do diretor e do roteirista que “forçaram a barra”.

Uma dessas histórias é este caso bizarro que deu na BBC e que eu descobri pelo Omedi, que é a história de um sujeito de 21 anos em uma cadeira de rodas, que ao atravessar a rua em frente a um posto de gasolina, acabou enganchando-a na grade frontal de um caminhão que vinha saindo do posto.
Sem perceber que havia alguém preso ao caminhão, o motorista pegou a estrada. O maluquinho desesperado agarrado firme à cadeira de rodas viajou na frente do caminhão numa velocidade de 80km/h até que o motorista resolveu parar num depósito. Só então, que ele ficou sabendo que empurrara uma cadeira de rodas pela estrada. O homem da cadeira que não teve a identidade revelada disse que “foi uma viagem e tanto” mas que não sofreu nada durante o “passeio” porque estava preso ao cinto de segurança da cadeira. Só se arrepende de ter perdido o copo de refrigerante que levava consigo.

Notícias de um Mundo Gump!

Guardas, propinas e um pouco de malandragem

June 10th, 2007 27 Comments
Guardas, propinas e um pouco de malandragem

A pior coisa que tem é policial corrupto em véspera de natal ou carnaval. E lá estava eu, indo para o trabalho no carro do meu pai (que estava com o IPVA vencido). O lance é que eu morava em Niterói e ia para o trabalho em Três Rios, o que significava duas horas de viagem numa serra perigosa. Eu saía de casa 5:00 da manhã e metia o carro na estrada.
Naquele dia eu estava distraídamente dirigindo pela serra de Petrópolis quando um guardinha fez sinal para que eu parasse o carro no acostamento.
Eu pensei: Ferrou. Pro guardinha estar aqui de pé na estrada nesse frio, ele vai querer dindim.
Parei o carro e lá veio ele, com o passinho de “cerca-lourenço”. Parou ao lado do vidro e proferiu a frase clássica:
- Bom dia. Habilitação e documentos do veículo, por favor. – Era uma frase dita mecanicamente.
- Bom dia. (aquele tom amável de quem está cagado, apanhado com as calças na mão) Peguei a carteira, peguei o documento e entreguei a ele.
Ele ficou ali olhando, olhando…

Era um jogo de nervos irritante. Ele sabia que iria me ferrar. Eu também sabia, mas ele preferiu ficar ali, me enervando mais um pouco.

- O documento está atrasado. – Disse ele com um certo sorriso. Aquele sorriso pérfido de um urubu ao dar de cara com um boi morto na beira da estrada.
-Ué. É mesmo? Ih. Eu não sabia, senhor policial. É que este carro é do meu pai e… – tentei emendar um rol de desculpas, que ele, e eu mesmo, sabíamos que não serviria para nada além de introduzir a extorsão.
Então ele me interrompeu:

- Vou ter que apreender o veículo.

- Ah… – Disse eu. Eu já estava meio puto. Casado, com sono, tendo que ir para o trabalho cedo pra dedéu e ainda encontro uma dessa pelo caminho. Continuei:
- …Então tá. Pode apreender.

O guarda levou um susto. Não é todo dia que um sujeito fala que ele pode apreender um veículo por estar com o imposto atrasado. O guarda perdeu o rebolado. Eu me adiantei e saí do carro. Tranquei a porta.

- Por favor, me acompanhe. – Disse ele, apontando para aquela casinha onde o policial fica. Eu sabia que era para pedir o dinheiro. Fiz-me de bobo e fui.

Chegando lá, ele falou:
- O senhor tem certeza que eu posso apreender seu veículo?
- Claro. A propósito, o carro não é meu. – Uma óbvia jogada de negociação pra reduzir o valor da propina.
- Então eu vou apreender, hein? Tem certeza? Não quer ligar pro seu pai? – Perguntou ele. Parecia até um episódio do Chaves, meu.

- Senhor policial, eu ligar pro meu pai vai mudar alguma coisa? O senhor vai me liberar?
Eu posso é te prometer que pago o IPVA assim que chegar em Três Rios.

- Ah, isso eu não posso fazer. Não é certo. – Olha a cara de pau do sujeito, de falar esta segunda oração.
- Então apreende o carro, pô. Vou ficar aqui com o senhor cantando até que alguém venha me buscar. Tudo bem… Comecei a assobiar uma musiquinha bem irritante do Latino.
- … – ele ficou em silêncio olhando pra minha cara por cima dos óculos de leitura, bem como o Al Borgueti fazia. Ficamos ali nos encarando uns quatro segundos quando ele interrompeu “o som do silêncio”:

- Tá bom, tá bom. Vou te dar uma chance. Faz o seguinte. Libera duzentos reais aí e pode ir. – Foi assim. Na bucha.

- Hã? O quê? Duzentos reais? Pô se eu tivesse duzentos reais o carro estava com o Ipva pago, senhor policial. Eu tô duro. Tô indo pro trabalho…
- Quanto você tem aí?
- Eu tenho só dez reais pra pagar o pedágio. O senhor troca?
- Você não tem cheque?
- Cheque eu tenho. Só fundos é que não.
- Porra moleque. – O guardinha canalha ficou com raiva. – Você não tem limite na conta?
- Meu limite é de cem reais.
- Então faz logo um cheque de cem reais e pode ir.
E assim eu fiz. Escrevi um cheque de cem reais e perguntei se ele queria nominal. ( piada idiota, hehehe)
-Claro que não, né garoto? Faz ao portador.
Eu fiz e entreguei. O guarda devolveu o documento e a chave.
- Pode ir. E vai com Deus.
Enquanto eu ligava o carro e saía daquele trecho ermo e frio da serra de Petrópolis, me sentia mal. Me sentia um fraco de ter sido corrupto e cedido a uma extorsão barata de um guarda filho da puta, que chegou a se rebaixar e pedir a propina com cheque.

Passei o dia pensando em sustar o cheque. Mas lembrei que o guarda anotou a placa do carro num papel na mesa dele, e tive medo de fazer isso e ele telefonar para outros postos policiais alegando que eu furei um bloqueio, que eu erra perigoso e etc. E eu passava naquela serra duas vezes na semana, o que significava que eu ainda iria ver aquele canalha algumas vezes.
Paguei o IPVA atrasado e dali em diante passava lentamente na frente daquele puto, só pra ter o prazer de esfregar o documento em dia na cara dele.
O sujeito acabou tomando algum tipo de gancho, porque dali a uns 15 dias, ele sumiu. O posto em que ele ficava foi fechado e nunca mais o vi. Naturalmente pediu propina em cheque para mais alguém e se estrepou.
Eu jurei a mim mesmo que nunca mais na minha vida cederia a pressões cretinas e extorsões baratas de policiais querendo dinheiro. E isso se resumia a andar com tudo pago.
Esta parada de andar com tudo pago durou até o meu carro começar a colecionar uma porrada de multas (venha a Niterói e ganhe várias de recordação) que me impediram de fazer uma daquelas vistorias obrigatórias.

Então um dia, o Barbado, que era meu chefe na Ignis Games me pediu pra pegar ele no Aeroporto. O expediente acabou, eu peguei meu carro e fui pro aeroporto pegar o chefe. Quando eu acabei de descer a ponte da Ilha do Governador, perto daquele posto de gasolina, dei de cara com uma blitz. Eu sabia que não tinha feito a vistoria e por isso estava ferrado. Mas mentalmente, jurei que não iria pagar nada pra nenhum filho da puta.
O guarda armado com um fuzil apontou pra mim e em seguida para o acostamento. Mandou eu encostar. Eu parei o carro e veio o sujeito. Aquele mesmo diálogo.

- Documento e habilitação do veículo.
- Sim senhor. – Entreguei. Novamente, um tempão conferindo.
- O senhor não fez a vistoria. – Olha que novidade! Ele é bem espertoné? E eu me fiz de otário, como convinha. Só que dessa vez eu me concentrei e desempenhei a melhor atuação de bom samaritano, digna do Oscar:

- Eu sei, senhor policial. Não fiz mesmo.
- E por que não fez? Eu vou apreender seu veículo, cidadão.
- Eu sei, senhor policial. O senhor está certo e acho que deve mesmo apreender meu veículo. Afinal, é sua função. Eu não tenho cara de pau de pedir pro senhor me liberar.

-… – O guarda bolado. – E o cidadão sabe quanto é a multa que vai ter que pagar? Duzentos e cinqüenta reais! – Aquele preâmbulo de assustar para em seguida entrar com o pedido da propina. Mas eu continuei firme:

- É verdade. É uma multa enorme. Pode multar seu policial. É seu trabalho, né? Eu só gostaria que o senhor soubesse uma coisa. Posso falar?
- Pode cidadão.
- Eu queria só que o senhor soubesse porque eu estou com a vistoria atrasada. Mas olha, isso não é uma desculpa não. É que eu nunca atraso nada, e então acho que tenho que me explicar. Mas a multa e a apreensão do veículo está certo. É seu direito. É sua obrigação mesmo…

- Então fale, cidadão. – Disse o guarda curioso. E eu entrei no personagem de cabeça:

- Policial, olha aqui, vem ver a placa do carro. Tá vendo? O carro é de Três Rios. Eu sou de Três Rios, ( caprichando no sotaque). Eu trabalhava lá. Mas a firma onde eu trabalhava me demitiu. Ela faliu e não me pagou nada. Nem seguro desemprego, nem FGTS, nem nada. Eu fiquei com a mão na frente e outra atrás. E o pior não é isso. O pior é que eles lá usavam meu carro para fazer entrega no Rio. Eu, que precisava daquele emprego, deixava. Só que não sabia. O carro ficou cheio de multa. A firma disse que ia pagar. O senhor pagou? Então, nem eles.

Pra piorar, seu policial, a minha mulher estava grávida. Quando fui ver, era de três.
Três filhos, seu guarda. Desempregado, como que eu vou sustentar três crianças? Duas meninas e um menino? Quer ver a foto, olha aqui – Disse eu sacando a carteira, passando os plastiquinhos. – Não tinha nenhuma foto de criança, afinal, aquilo era absolutamente tudo inventado. Mas eu continuei firme no caô:

- Ué, cadê as fotos? O Washingtton, o Wellingtton e a Stefannyh… Deixa eu ver. Acho que tá aqui. – Disse eu futicando nos compartimentos da carteira. Quanto aos nomes, inventei na hora. Pobre gosta de nome complicado, cheios de “W”, “Y” e letras duplas, né?

- Continue, cidadão. – Disse o policial, olhando em volta. Eu percebi que ele estava interessado. E não perdoei.
- Então, eram três filhos, né? Eu tinha que arrumar um emprego. Dar sustento pra minha família. Decidi vir pro Rio de Janeiro, porque aqui tem mais oportunidade, né? Eu vim com a minha mulher e as crianças e estou de favor nos fundos da casa de uma tia minha que é doente láno Coelho em São Gonçalo, conhece? ( O tal Coelho é um bairro barra-pesada. descobri o bairro quando numa tentativa de assalto acabei puxando papo com o ladrão…Em breve em algum outro caso Gump) …Minha mulher tá fazendo faxina num bar.
Arrumei um emprego ontem, “Com a Graça de Deus” ( encarnando o pobre evangélico, afinal, nada como a Religião para amolecer o coração de um guardinha) e hoje foi meu primeiro dia no emprego. E o meu chefe perguntou se eu podia pegar ele no aeroporto. Eu vou dizer o quê, seu guarda? Vou dizer “não” ao chefe logo no primeiro dia de serviço? O que o senhor faria?
Eu vim buscar o meu chefe. E agora, já sei que me ferrei.
Então, se for apreender o carro tudo bem. Eu já me ferrei mesmo, né? ( olho no relógio)
O homem chegou de viagem faz vinte minutos já. Eu estou queimado. Furei o compromisso no primeiro dia de trabalho. Ele não vai acreditar no papo de uma blitz no caminho para o aeroporto… Já era. Tomara que eu não seja dispensado, afinal, nesse emprego, que eu custei pra arrumar, não vou ganhar muito mas pelo menos vou poder começar a pagar as pessoas a quem eu devo.
Vou poder arrumar minha vida. E comprar comida pras crianças, tadinhas ( os olhos cheios d´água – meus e do guardinha) porque seu guarda, elas não merecem…

Então, policial, se o senhor quiser me multar, o senhor está certo. É o seu direito. Mas sabe quantos litros de leite dá pra comprar com o valor desta multa? – A facada final, aquela pergunta retórica que bate fundo no peito. O guarda estava já quase chorando.
- E seu guarda…
- Cabo Rogério. – Disse ele . Eu fiquei feliz. Havia quebrado o distanciamento institucional. Agora o papo era entre duas pessoas, dois seres humanos. Dar o nome era uma prova de que eu fragilizara seus instintos. Eu estava em franca vantagem psicológica.
- Então, Cabo Rogério, a minha mulher, ela está doente. Ninguém sabe o que é. Vomitou sangue de madrugada… E eu só penso nas crianças. Como que vai ser, Rogério? – Eu dizia enquanto uma singela lágrima escorreu do canto dos meu olho. Ficou dramática aquela cena… Digna de um capítulo final na novela das oito.
- Pode parar, cidadão. – Disse ele apoiando no meu ombro com a mão. Vou tentar te liberar. Espera aí.
O guarda saiu enxugando os olhos.
Falou com um outro. Ele ficou e veio o outro.
Eu pensei: Putaquipariu! Só falta ter que contar essa merda toda novamente, pior que com certeza, eu não vou me lembrar.
O outro veio com a porra da metranca pendurada no pescoço. Eu não conseguia tirar o olho daquele trabuco. Enquanto isso, o outro policial, visívelmente superior na hierarquia, falou:
- Cidadão, conversei com o cabo Rogério. Ele quer que eu te libere.
- É mesmo? ( a clássica frase-mongol para que o policial introduza a extorsão)
- É. Só que o veículo tá irregular, e o certo era eu segurar o seu veículo. Mas então?
- Então? – Entendi bem, mas me fiz de bobo. Ele queria que partisse de mim a proposta. (Mas fiel a minha promessa na serra de Petrópolis, fiquei firme.)
- Então… Se eu te liberar eu estou errado e você está errado. Agora você que sabe. Eu preciso de uma amostra do seu interesse. Tá me entendendo? Tá me entendendo? – Apontou pra carteira.
- Amostra?
- É, sabe como é. A multa é alta. A gente pode dividir esta multa aí.
- Ué, eu não sabia que a polícia parcelava a multa. Dá pra dividir em quantas vezes? Tem juros?
- … – O policial ficou me olhando com cara de “que moleque retardado”
- Quanto você tem aí?
- Então, senhor policial… Eu tava no trabalho. Só tenho dinheiro pra pagar a ponte pra voltar pra São Gonçalo. Três reais. – Enfiei a mão no bolso e tirai três notas de um real. A única verdade que eu falei naquela blitz. E continuei: – Se eu te der uma, não posso voltar pra casa.
Ah, cidadão. Vai embora. Vai embora. Sai daqui. E vê se não dá mole hein?
- Sim senhor, obrigado senhor.
E eu fui embora, deixando para trás um bando de otários.
Acho que se o Cabo Rogério estivesse voltado, ELE me daria uns dez reais.

Nem todos os policiais são safados, lógico. Mas esses eram. Esse tipo de criatura mancha a imagem do estado. É triste saber que existem seres tão baixos.
Mas eu fiz a minha parte. Saí dali, paguei as multas e fiz a vistoria. Agora, ando com o carro certinho pra evitar ter que “atuar”novamente.

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