Archive - junho, 2007

Mickey Mouse primitivo II – A missão

Toma essa Disney! Depois da nossa última notícia sobre a descoberta de um Mickey Mouse pintado num arfresco medieval, apareceu outro. dessa vez esculpido. E é IGUALZINHO!

iron age mickey Mickey Mouse primitivo II   A missão
Esta bela imagem do Mickey mouse foi encontrada por arqueologistas do museu histórico sueco.
O boneco é parte de um broche feito em bronze que data da idade do ferro, mais de mil anos antes de Walt Disney sonhar em ser um inquilino no saco do pai dele. O boneco é do ano de 900 depois de Cristo. Outros objetos como um cordão composto de 262 pedaços de âmbar e pulseiras foram encontrados juntos com o broche do Mickey.
O broche parece muito com o ratinho mais famoso do planeta, porém os especialistas acreditam que a figura represente um leão.

Vai esculpir leão mal na PQP!
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A bola mais esférica do mundo

perfect sphere kilogram A bola mais esférica do mundo

Eu sei que o título parece meio doido, mas realmente é o que parece ser. Cientistas Australianos estão trabalhando duro para fazer uma bola de silício completamente esférica. A coisa se dá num nível molecular. Não é um trabalho nada fácil. Eles tem que fazer isso organizando cuidadosamente a estrutura atômica da bola de modo que caiba o máximo de átomos de silício possíveis para formar com precisão escalafobética exatamente 1 kg.
O objetivo da pesquisa é produzir a massa física exata de 1kg. Até então o objeto cuja massa definia 1 kg era um cilindro de platina , mantido a vácuo no interior de uma capsula de vidro em Paris. Isso aqui:international prototype kilogram A bola mais esférica do mundo

Realmente, prefiro a bola de Silício Australiana.

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Arnaldo, o homem que queria demais

Arnaldo, o homem que queria demais

Arnaldo era um velho professor de Geografia aposentado. Vivia sozinho. Bem, não exatamente sozinho, uma vez que estava sempre acompanhado de um gato, vulgo Mimi e um papagaio de estimação mudo, cujo nome ridículo era Bozó.
Tenho pena dos papagaios. Nomes ridículos sempre lhes caem bem. Ainda mais quando são mudos.
Arnaldo tinha uma bela biblioteca.
Na falta de uma mulher, um homem não deve deixar de possuir uma bela e vistosa biblioteca, com volumes clássicos e obscuros. Leitura amena, densa, e mesmo eventualmente, uma ou outra enciclopédia. E ali, espremida milimétricamente entre dois livros de Geologia pré-cambriana, uma revistinha de sacanagem.
Na escrivaninha, Arnaldo mantinha com extremo capricho uma velha máquina de escrever do princípio do século XX, onde escrevia seus poemas. Sim, Arnaldo era um poeta.
Poeta dos bons. Só lido por si mesmo.
Omisso, humilde, Arnaldo assinava Alfredo.
Quando um homem chega ao ponto de inventar um pseudônimo para si mesmo, ainda mais quando se é todo e absoluto público de suas próprias peças, ele é um solitário.
Por natureza o escritor é um só. Mesmo que na companhia dos outros, observa o mundo com os olhos de quem narra os fatos. Narra para si mesmo e com isso rouba de si parte da experiência vivida. Isso pode soar estranho, mas quem escreve, entenderá.
Arnaldo via o mundo com os melancólicos olhos da poesia. Mas secretamennte, desejava ser conhecido, embora o medo lhe impedisse de mostrar seus textos ao mundo.
Não era medo de não ser compreendido. No início até era. Porém, conforme o tempo varreu a vida de Arnaldo, ele acabou sozinho. Por dentro e por fora.
O medo maior era da certeza de se descobrir em meio ao inexorável fato de que agora ele era um solitário total.
Certas pessoas sofrem da falta de complacência da vida. Arnaldo era um deles.
Certa noite, acordou e ficou a olhar para o teto, pensando na vida. Resolveu se matar.
Eu nunca entendi porque Arnaldo decidiu dar cabo de sua própria vida apenas olhando para uma sanca no teto de um apartamento pequeno em Copacabana.
A vida é cheia de mistérios, mas o tempo se encarrega de revelá-los ou enterrá-los no esquecimento da eternidade.
Arnaldo pegou o jornal e arrumou cuidadosamente sobre a mesa da cozinha. Escreveu uma meia dúzia de versos metrificados, como convinha a uma solene decisão de colocar um ponto final na própria vida. Queimou seus escritos no banheiro. Todos. Menos o que deixou na máquina. Nele, Alfredo dedicou sua morte a um amigo desconhecido. O vizinho. Arnaldo queria ser um poeta famoso. Queria ter um apartamento novo. Queria sair com belas mulheres. Queria ser reconhecido pela sua arte. Queria ser imortalizado na poesia, e desejo supremo, na música.
Ele queria ser amigo de um sujeito do apartamento do lado. Era um outro velho, muito esperto, que quando não estava viajando cercado de mulheres lindas, estava cheio de birita na TV. O vizinho era um gênio. Também poeta. Porém, famoso.
Várias vezes Arnaldo desejou bater naquela porta escura do apartamento ao lado e mostrar os versos que escrevia. Mas não tinha peito para tal, visto que sentia-se muito aquém do vizinho. Arnaldo colocou um remédio na água de Mimi. Trancou as janelas, pegou Bozó na área e colocou delicadamente sobre a pia.
Caminhou pesadamente até o antiquado fogão e ligou o gás.
Sentou-se na cadeira da cozinha, abriu o jornal e dentro dele havia uma página arrancada de um livro.
Era uma poesia. Do vizinho. Leu e releu. Leu novamente.
O gás tomou conta da cozinha. Arnaldo respirou fundo o gás e viu as letras dançarem.
Morreu sobre o soneto da felicidade.
Arnaldo era um homem chamado Alfredo. Um homem que queria demais.

Fim

Video da língua bizarra

large tongue Video da língua bizarra
Pô este video é bizarro demais. É a maior língua que eu já vi na vida. Nem cachorro não tem uma língua dessas. E a expressão que ele faz no fim do video? Que lindo. É o tipo do cara que se fosse assaltante não precisaria usar máscara.

Ficou curioso?
Olha aqui

Arte das sombras

motolunch Arte das sombras
noblewebster2 Arte das sombras
noblewebster Arte das sombras
noblewebster4 Arte das sombras
Tim Noble e Sue Webster São artistas que criam esculturas com lixo, coisas do dia-a-dia como panelas, pratos e utensílios domésticos. As esculturas são feitas de modo que quando iluminadas, projetam um a sombra completamente diferente do que parecem ser. Muito legal mesmo.

Minha viagem inesquecível a Manaus

Quando eu trabalhava na Ignis, eu recebi um convite para ir a Manaus com tudo pago participar de um evento universitário e dar uma palestra sobre o meu processo de trabalho como diretor de arte do jogo Erinia, o primeiro Massive multiplayer RPG 100% nacional.
Eu fiquei todo satisfeito de por ir pela primeira vez na vida para algum lugar com “tudo pago”. Sempre tive uma ambição secreta por coisas que fossem “tudo pago” como acontecia volta e meia em comerciais de Tv e promoções onde a gente não tem a mínima chance de vencer.

O vôo seria pela TAM. Eu deveria ir pra Manaus numa sexta-feira, passar uma noite lá num hotel e voltar no dia seguinte.

E lá fui eu. Arrumei a mala, despedi da primeira dama e mandei ver na direção do aeroporto internacional.
O vôo transcorreu perfeitamente. Cheguei em Manaus às duas da tarde e fui recebido com plaquinha no aeroporto e carro com motorista.
Dali a moça da universidade que tava bancando tudo me levou para conhecer o campus e o local da palestra. Ambos muito bonitos. Mas surpresa mesmo aconteceu no hotel. Eu cheguei lá e logo de cara o gerente veio falar comigo. Ele tinha más notícias. Estava havendo um evento político e um festival de cinema na cidade, o que fez com que alguém importante ocupasse o meu quarto. Eu levei um susto, afinal, era “tudo pago”, como eu iria fazer?
Mas o gerente, super solícito falou que não era pra eu me preocupar, que eles me “realocariam” sem nenhum custo e pediu desculpas pelo transtorno. Sempre que alguém vai te realocar, e que ainda pede desculpas antecipadamente, pode crer que você vai se foder. Isso era um fato inexorável para mim até aquele dia.
Fiz uma cara de bunda, mas sem outra opção, aceitei e segui o rapaz até o outro quarto.
Eu estava esperando um hotel mediano, talvez até ruim, mas quando dei de cara com o palácio nababesco que era o quarto quase tive uma síncope. Na falta de uma suíte tradicional, eles me colocaram no único quarto não ocupado do hotel, que (por motivos óbvios) deveria ser absurdamente caro.
Era um quarto presidencial do tamanho do meu apartamento. Uma Tv de plasma que era a maior que eu vi na minha vida na parede da sala de estar e outra igualzinha no quarto.
Uma banheira com hidromassagem gigante. Ê vidão!
Passei a tarde na banheira, a la Vinícus de Moraes, tomando uma coca-cola e vendo a Tv da sala, que erra tão grande que eu via perfeitamente de dentro da banheira.
Quando chegou a noite, a moça da universidade ligou pro quarto e falou que o motorista ia passar pra me levar pro evento em duas horas. Me arrumei e fui. O evento transcorreu sem problemas. Foi muito engraçado, com varias histórias doidas na palestra. O pessoal riu bastante e depois voltei para o hotel.
O pessoal do evento combinou comigo que eu seria levado para um passeio, onde veria o encontro das águas no dia seguinte. No dia seguinte, meu último dia em Manaus, acordei cedo e tomei aquele sensacional café da manhã de hotel 5 estrelas.
Depois fiquei esperando o pessoal que ia me levar para ver o tal encontro das águas.
Você foi?
Nem eles. Eu tomei um chá de cadeira das oito às onze, quando finalmente consegui telefonar para o pessoal do evento que disseram ter esquecido do passeio. Aí já era tarde. Eu tinha que fazer o check out no hotel e pegar um taxi usando um vaucher que eles me deram para o aeroporto. Meu vôo era 13:00.
Então eu olhei no relógio e vi que ainda estava muito cedo. Coloquei a televisão gigante no Discovery e comecei a ver Mith Busters. Mas como o sofá do hotel era absurdamente confortável, cochilei.
Quando eu acordei assutado, olhei a hora e era vinte pra meio dia. Saí igual doido. Peguei a mala e fiz check out.
-Tudo pago, senhor. Obrigado. – Ah, como é bom ouvir esta frase!
Chamei o taxi e tampamos em direção ao aeroporto. O problema é que o aeroporto de Manaus era tão longe do hotel que eu estava que parecia até que eu ia voltar pra Niterói de táxi. Pro cara correr eu falei pra ele que meu vôo era 12:00. Rapaz, nunca vi um taxista fazer tanta maluquice e dirigir tão rápido. Ele parecia o cara daquele filme “O entregador”.

Cheguei no aeroporto. Eram 12:20. O aeroporto estava uma zona do caramba. Lotado. Pessoas gritando nos guichês. A Vasp havia parado de voar e largou na mão centenas de passageiros ilhados em Manaus.
Aí me toquei que ainda tinha que comprar um presente para a primeira dama. Entrei numa daquelas milhares de lojas que vendem tudo do boi bumbá e arcos e chocalhos indígenas.
Fiquei um tempão até achar uma camiseta legal. Olhei a hora. Era 12:30.
Eu tinha que fazer o check in até 12:35.
Paguei a camisa e corri pro guichê. A moça do guichê falou que o check in não era no balcão mas sim no interior da sala de embarque, coisa que eu nunca vi na vida.
Corri para sala de embarque e quando eu estava quase chegando nela, um sujeito de bigodinho que parecia mais o Mazzaropi fechou a porta de vidro na minha cara.
Eu olhei pra ele e achei que era algum tipo de piada. Ele ficou me olhando com um sorrisinho filho da puta atrás daquele vidro. Eu comecei a argumentar do outro lado do vidro.

- Ei, deixa eu entrar!
- Já encerrou.
- Hã?
- Encerrou, senhor.
- Encerrou o quê?
- O período para o check in. – Disse ele me mostrando um relógio barato de camelô estilo G-Shock dos anos 80.
- Mas olha aqui. São 12:30! O Check In está escrito aqui, ó! É até 12:30.
- Então, senhor. ATÉ 12:30. São 12:30, olha só. – Novamente com o sorriso cretino me mostrando o relógio. Atrás dele, eu vejo a fila enorme de pessoas do meu vôo.
- Moço. Por favor, olha aqui a passagem. Que que te custa abrir esta merda dessa porta de vidro. A um metro atrás do senhor está uma fila enorme de pessoas do meu vôo.
- Lamento senhor. Não posso fazer isso. Vá até o guichê e peça uma autorização por escrito da coordenadora da Infraero que eu abro.

Eu xinguei todos os palavrões possíveis e imagináveis.
Corri no balcão. Ali estava uma mocinha daquelas mal comidas,. que trabalham num ritmo que parecem ser sonâmbulas dormindo. Eu quis pedir logo pra ela resolver meu problema, mas ela nem me deu ouvidos. Estava resolvendo o problema de troca de passagem de um casal que viajaria dali a quinze dias em lua de mel. Eu tentei argumentar que pro meu caso, cada segundo contava, mas ela se limitou a dizer:
- O sistema é de fila única, senhor.
Quando finalmente chegou a minha vez, eu estava grudado no relógio. A cada segundo, minha chance de voltar para casa se esvaía.
A moça ligou para o dept. responsável, mas primeiro a ligação não atendia.
Eu olhei no relógio. Faltavam agora dois minutos.
Quando o telefone finalmente atendeu, eu contei minha história para a moça do outro lado. Devia ser uma matrona gorda, tipo governanta suíça, que simplesmente falou pra mim com a educação mais perfeita que eu já vi:
-Problema seu. Chegasse antes. – E bateu o telefone na minha cara.
Eu estava owned. Mais uma porra de ownada na minha vida.
Corri para a porta de blindex que me separava do meu vôo. Através dela, atrás do filho da puta de bigodinho e sorriso cretino, eu vi as últimas pessoas embarcando. Dali a um tempo vi o avião decolar.
Eu estava sozinho, com medo e com frio em Manaus. E o que é pior, sem UM PUTO. Afinal era “tudo pago”.
Arrastei minha carcaça de looser até o guichê e perguntei quando sairia o próximo vôo.
para meu absoluto desespero, estavam todos os vôos lotados e o único vôo que tinha lugar seria numa quarta-feira. ( detalhe: era sábado ainda)
Eu tinha uma remota chance de alguém não ir ou chegar a tempo ao próximo vôo, que seria as três da tarde.

Liguei pra primeira dama para dar as más notícias. Ela se desesperou.
Eu resolvi ficar esperando o próximo vôo da TAM.
Nesse interim, corri até os outros guichês e constatei que devido ao crash financeiro da Vasp, todos os vôos das demais companhias lotaram. Uma vez que de Manaus pro sul não tem muito jeito (estrada é loucura, barco também) o aeroporto era o único meio viável de transporte. E com vários eventos na cidade, como o de cinema, o político e os universitários, não tinha lugar mesmo. E graças a incompetência das companhias, não havia absolutamente nenhum vôo extra.

Quando deu três horas eu fiquei apreensivo. As pessoas começaram a entrar no vôo. Um a um foram entrando. E fechou. O rapaz do guichê falou que o vôo lotou. O próximo seria as dez da noite.
Eu olhei para os lados. O aeroporto, minhas malas e nada mais. Me senti o Tom Hanks em “O Terminal”.
Comecei a passear pelo aeroporto. Quando passou umas duas horas de espera ali, eu já conhecia tudo. Já havia visto tudo das lojas e havia folheado tantas revistas na banca de jornal que o velhinho tava querendo me dar uma porrada.
Eu dei uma olhada em quanto eu tinha no sacrossanto compartimento da carteira onde fica o dindim para emergência. Dez reais.
Com dez reais o taxi não sairia nem pelo portão do aeroporto. Quanto mais viajar até o centro.
Liguei pra Nivea, a primeira dama.
Ela estava falando com a minha comadre, a Elaine. E o marido dela, o meu compadre Americo foi muito solícito em tentar me tirar daquela roubada. Ele tem amigos na polícia em todos os estados e conseguiu contactar uma pessoa em Manaus que mandou a filha e esposa dele irem de carro me buscar.
Elas chegaram e foram super legais. Me pegaram lá no aeroporto e me levaram naquele calor de 40 graus para um banco HSBC, onde eu consegui pegar mais um dinheirinho.
Começamos a procurar um hotel que desse pra eu tomar um banho e esperar até de noite. Não havia nada. Todos os hotéis estavam cheios. Até que chegamos em um com decoração bem estranha… Digamos, regional.
O quarto era cem pratas. Despedi-me com tristeza das duas notinhas amarelinhas e combinei com a moça que eu iria sair de noite pra tentar embarcar. Se eu não conseguisse, iria voltar pro hotel ainda naquela diária. A moça topou. Fiquei no quarto do hotelzinho no centro e resolvi dar um passeio. Zanzei pelo centro de Manaus e vi como tem camelô vendendo controle remoto naquele lugar. É o paraíso dos controles remotos.
Passeando, eu constatei uma coisa curiosa lá em Manaus que é o fato de ser uma cidade oito ou oitenta. Ou tem mulher linda, quase modelo, ou “chuta que é macumba”, como explicou mais tarde o motorista do taxi.
Fui até uma pracinha onde comi um podrão. ( cachorro quente com “tudo que você tem direito”)
Era meu jantar.
Este foi um dos piores erros da viagem.
Enquanto eu passeava comecei a sentir uns calafrios. Eu estava suando… Uma certa pressão surgiu em meu abdômen. Corri para o hotel antes de acontecer o pior dentro da minha cueca.
Aquele podrão me deu uma diarréia tão filha da puta que pensei que evacuaria meus próprios intestinos.
O banheirinho do quarto era uma merda minúscula, praticamente em cima da cama, com um vaso sanitário que estava em falso, “balangando” de um lado para o outro. E eu ali, cagando aquela água. Nem uma dose cavalar de purgante faria efeito tão rápido como o “podrão com tudo que tem direito” em Manaus.
Meu cú fazia ânsia de vômito, querendo cagar mais e nem tinha mais nada pra sair. O cheiro nauseabundo invadiu o quarto e por mais descarga que eu dava, ( o reservatório embutido não dava pressão na água suficiente) a merda só rodopiava e não descia.
Eu recomecei a suar frio. Blasfemei contra tudo e contra todos de pagar cem merréis para passar a noite sentado num sanitário desnivelado com assento bege de plástico da marca Tigre.

Quando deu a hora, eu sai e peguei um outro taxi. Tratei a corrida. O cara queria 120 pratas pra me levar no aeroporto. Mas eu negociei pesado com ele e ele acabou se solidarizando quando eu contei minha aventura até ali (omitindo o pequeno detalhe da diarréia) e ele fez a corrida por 70 pratas.
No meio do caminho, veio a gastura e a pressão na barriga. Comecei a suar frio novamente. Pedi ao motorista pra parar num bar. Era um pé sujo de quinta categoria. Mas fui lá, dei uma bela olhada na privada. Era um sanitário sem assento, todo mijado.
Sabe como é. Fechei os olhos, me equilibrei parcialmente como deu em cima do vaso e mandei o jato.
Me limpei com um jornal estratégicamente carregado para estes momentos de sofrimento.
Corri para o taxi. Abri bem os vidros para disfarçar meu “odor peculiar”, afinal, jornal borroca tudo.
Mas acho que o taxista percebeu, porque ele passou a correr muito mais.

Cheguei no aeroporto antes das dez da noite. O vôo saiu lotado novamente.
Eu estava ficando cada vez mais puto. Mas até que o fato do vôo ter lotado me permitiu ir até o banheiro e discretamente, com a ajuda de um copinho plástico roubado da lanchonete, dar uma lavada estratégica nas partes baixas… Troquei de roupa no banheiro e me senti bem melhor limpo.
O próximo vôo seria duas e porrada da madrugada. Resolvi não pagar uma nota pra voltar ao hotelzinho. Não iria valer a pena. Além do que eu percebi que se fizesse pressão psicológica suficiente, eu teria mais chances.
Comprei uma revistinha de palavras cruzadas e esperei. Eu percebi como o tempo tem uma capacidade única de passar mais rápido quando estamos nos divertindo.
E eu não estava, por isso, o tempo se arrastou indefinidamente. O saguão vazio e eu lá, escrevendo palavras cruzadas.
Quando deu a hora do vôo, o movimento recomeçou.
O rapaz da madrugada já estava solidário a mim. Eu contei toda minha aventura pra ele. Ele começou a torcer por mim.
Um a um, os passageiros se apresentaram. E então só havia um lugar vazio. Foi dando a hora, nada…
O passageiro não chegava. Eu comecei a recuperar as esperanças. Fiquei super feliz quando o carinha do guichê falou:

- È meu amigo. Agora você vai! Vou vender.
- Ele pegou o computador e começou a digitar. Aí eu só ouvi alguém gritar:
-Esperaaaaaa. Olhei para trás, o que eu vi aconteceu em câmera lenta. Era um gordão enorme com uma camisa amarela de doer o olho. Walkman no ouvido, mochila minúscula nas costas correndo feito um sapão com o bilhete na mão. Parecia o Hurley.
O cara do guichê olhou pra mim e disse:
-O último passageiro entrou. Sinto muito senhor. O vôo lotou.

Ah, aquilo me deu ódio. Muito ódio. Eu queria matar um filho da puta qualquer.

Voltei para a poltrona. O próximo vôo da TAM (lotado) seria só no domingo.
Eu fiquei parado na poltroninha do saguão pensando com como sair daquela situação escrota. O tempo estava contra mim. O podrão havia me dado uma trégua de algumas horas e até meu organismo produzir mais um quilo de cocô, eu tinha que arrumar um jeito de sair daquele lugar no meio da selva.
Fiquei olhando para o guichê da Gol.
Muitas pessoas se acotovelavam em busca de um lugar no vôo das quatro e paulada da manhã.
Eu comecei a observar atentamente e percebi pela maneira de andar e se mexer, que uma mocinha novinha era funcionária recente na Gol. Meio inexperiente. Toda enrolada pra vender as passagens.

Foi aí que comecei a bolar o plano que me tiraria daquele lugar quente.
Corri no banheiro e joguei uma água no rosto, mas não enxuguei. Era para dar o toque de suor. PAssei o dedo besuntado daquela merda de passar na mão que tem nas pias de aeroporto sob os olhos. Eles ficaram vermelhos no ato. Parecia que eu ia chorar. Saí do banheiro já cambaleando.
Eu troquei de lugar. Peguei uma cadeira bem de frente para o guichê da Gol.
Abri a camisa um pouco, baguncei o cabelo e comecei a fazer a cara de quem vai morrer. Esta cara até que era fácil de fazer, considerando que eu havia passado a tarde inteira evacuando tudo que havia dentro de mim. Eu estava digamos, meio cadavérico mesmo.
Os olhos fundos. A face sem cor.
Vi que a mocinha me olhou por alguns segundos. Comecei a tossir uma tosse tubercoleprosa. Mais uma vez, apelei para minha interpretação cinematográfica de doente.
E lá estava eu, esquecido num aeroporto distante, fingindo de doente para ludibriar uma moça do guichê da Gol. Era literalmente “O terminal”.

Ela começou a me olhar com uma expessão de preocupação. Quando deu um momento mais vazio, percebi que ela estava sozinha no balcão. Então me levantei com a dificuldade da velha da “Praça é nossa” e movimentei minha carcaça na direção dela. Eu fiz aquele andar de zumbi de filme do George Romero misturado com o andar após o coma da moça de Kill Bill.
Cheguei semi-desfalecido no guichê. A mocinha mal podia conter seu receio.
Eu falei pra ela ( o contável a uma moça) o primeiro trecho da minha história.

- Está se sentindo bem, senhor? – Perguntou a coitada, toda preocupada.
- Moça eu sofro de síndrome de wisterchausen. Já ouviu falar?
- Não… É grave?
- Muito. Se eu não tomar 752 Triodoxina nas próximas seis horas, eu posso morrer.
- Meu Deus!
- E o pior é que o medicanente não tem em Manaus. Fui no hospital e eles me mandaram ir pra Brasília. Só lá que tem. Só que os vôos estão todos lotados, não estão?
-Estão todos lotados senhor. – Ela confirmou.
- E você não tem jeito de me encaixar?
- Ih, senhor. É que com a falta dos vôos da Vasp… – Começou a arrumar desculpa. Aí eu tive que apelar.
- Pois é. Então eu vou morrer. Porque se eu não tomar, essa doença auto-imune que eu tenho vai gerar uma crise pós-hiperbólica nos dendritos cerebrais. A pleura parietal vai vazar e eu vou ter uma ataque aqui. Bem na sua frente. Eu posso morrer e vai ser culpa SUA. – Eu falei apontando o dedo na cara dela.
Ela tomou o maior susto, coitada. Ficou desesperada. Eu cheguei a ficar até com pena quando vi o pânico tomar conta da menina. Afinal, uma história com tantos termos médicos e de nome supostamente alemão, só podia ser séria mesmo.
Ela falou:
- Acalme-se senhor. Eu vou tentar ajudar o senhor. Vou trocar a passagem de um passageiro e te encaixo no próximo vôo daqui a dez minutos.
- Ah, graças a Deus, moça. Você salvou a minha vida! – Eu falei. Os olhos cinematográficamente revirando para trás. A cabeça pendendo para o lado. Paguei mil e tantos reais de passagem no cartão de crédito.
Ela tirou o boletinho em forma de cupom fiscal de padaria, que é o bilhete de embarque da Gol. Eu olhei para aquilo e pensei: Mil e tanto para uma merda de bilhete desses? Coisas da Gol. Eu corri todo torto, igual ao homem-barata de MIB para o salão de embarque e em pouco tempo depois, eu estava dentro do avião comendo amendoim voltando para Brasília.
Cheguei em Brasília de manhã cedo. Com o meu bilhete Manaus-Brasília-Rio da TAM eu consegui pegar o pedaço Brasília-Rio e voltei comendo um sanduíche.
Cheguei no Rio e corri para pegar a primeira van que estava passando no aeroporto. A van estava lotada e só tinha mais um lugar.
Quando eu vou sentar, olho e quem está ali do meu lado?
Meu pai.
Na maior coincidência ele estava na mesma van que eu. Eu abracei meu pai e todo mundo ficou meio bolado achando que eu era doido. Voltamos juntos para casa. Era o final de uma aventura e tanto. Uma aventura com quase tudo pago.
FIM

Calma que ainda não acabou. Eu tentei reaver o meu dinheiro gasto na GOL com a Tam, pegando o valor do trecho Manaus – Brasília de volta em dinheiro. A Tam pegou a grana e despositou na conta.
Na conta da universidade. Nunca mais recuperei aquele dinheiro.
Posteriormente concluí que o cara fechou o portão de embarque na minha cara porque alguém (político ou famoso Global que estava num dos eventos da cidade) deve ter apelado para entrar naquele vôo e eles venderam o meu lugar antes do encerramento do período de check in. Brasil é Brasil.

Esta história também está participando da promoção do blog Goitacá

Mundo Gump – O comercial

Um dia, o Mundo Gump vai crescer. Vai crescer e ficar cada vez mais cheio de posts e coisas doidas. Isso é algo simples de prever. O mundo está ficando cada vez mais maluco. Quanto mais maluco ele fica, mais material eu tenho pra publicar.
Eu estava pensando em como seria legal ver minha primeira propaganda de 30 segundos passando no horário nobre, no comercial de intervalo do Fantástico.
Daí comecei a imaginar como ela seria. Ele seria assim:

O comercial começa com uma pluma que voa ao vento. Ao fundo, a musiquinha clássica de Forrest Gump. A folha faria aqueles rodeios todos e pousaria suavemente bem à frente de dois antiquados tênis sujos.
Uma mão entra na tela e apanha a pena. A câmera acompanha a mão e vemos o Ator Dan Stulbach, este aqui:dan+stilback Mundo Gump   O comercial

Caracterizado como Forrest Gump.
Ele olha para a pena. Então olha para o lado. A câmera corre para a lateral do banco de ponto de ônibus, onde ele está sentado, segurando uma caixa de bonbons.
Quando a câmera corre para o lado, ali, ao lado do Forrest Gump, estou eu, distraídamente digitando num notebook.

- Forrest: Ei, quer um bombom?
- Philipe: Opa, valeu.
- Forrest: Sabe, a vida é como uma caixa de bonbons…
- Philipe: Verdade. Mas não é só isso. Ela é uma coisa doida, muito mais incrível do que apenas aquilo que enxergamos.
- Forrest: Hã… É mesmo. Acho que você tem razão. Isso no seu colo, é um computador, né?
- Philipe: Sim, é. Eu estou escrevendo no meu blog.
- Forrest: Nossa. Que legal. Eu gostaria de ter um blog. Sobre o que ele é?
- Philipe: É sobre as aventuras da minha vida, coisas estranhas, artes, fatos extraordinários e também sobre os ordinários.
- Forrest. Nossa. Eu gostaria de escrever sobre isso. E como é o nome do seu blog?
- Philipe: Mundo Gump. O link é: www.mundogump. com.br ( os caracteres surgem na tela)
- Forrest (desolado) : Droga… Se eu tivesse um blog, o meu é que deveria se chamar Mundo Gump.
- Philipe: Pois é Forrest. A vida é como uma caixa de bonbons. Sempre alguém pega o melhor primeiro.
- Forrest: É verdade.

FIM

Um plástico com fator de cura

self healing x220 Um plástico com fator de cura
Lembra do Wolverine, o mutante membro dos X men que tem um fator de cura ulatra-rápido que faz com que ele seja quase indestrutível?

Pois é. Pesquisadores da Universidade de Illinois estão trabalhando na criação do plástico Wolverine. Ele seria um tipo de plástico único, que poderia literalmente se curar (como a pele humana faz, porém, de modo bem mais rápido.
Quando uma rachadura ocorre na superfície do plástico, um agente líquido é liberado de dentro de milhares de micro-cápsulas contidas no plástico que escorrem e preenchem a rachadura, e então começam a se solidificar em contato com com a camada superior do plástico ( algo como uma epiderme).
A idéia é que este plastico sirva como ponto de partido para a elaboração de novos materiais e polímeros para equipamentos médicos implantáveis e componentes de computador, celulares, mp3 e etc.
O plástico Wolverine ( eu que inventei este apelido pra ele) é um avanço e tanto para o segmento tecnológico dos polímeros sintéticos.

Leia mais sobre o plástico que consegue se curar aqui. ( em inglês)

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