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Gelo fervente

March 17th, 2007 1 Comment


Um título estranho o deste post, sem dúvida.
Mas é a pura verdade. Os cientistas estão congelando a água em velocidades inimagináveis, jogando-a do estado líquido para o gelo em nanosegundos.
Isso é meio doido. Mas a parte realmente louca vem agora: No Laboratório Nacional em Sandia estão trabalhando numa enorme máquina Z – ( também fiz esta cara de que porra é essa?) capaz de criar um gelo tão quente quanto água fervendo. Minto. Um gelo tão quente quanto a superfície do Sol. Minto novamente… Um gelo MAIS QUENTE QUE A SUPERFÍCIE DO SOL!
A explicação é de retorcer o dendrito e o axônio:
São três as fases da água que nós conhecemos bem – Gelo – no frio, água – em temperatura ambiente e vapor quente quando ela esquenta. Só que isso na verdade é uma distorção que representa apenas uma pequena fração do repertório de estados que a água é capaz de alcançar.
Ao ser comprimida a água aquece. Mas sobre extrema compressão, fica mais fácil para a água densa entrar em estado sólido (gelo) do que manter um estado energético maior (líquido).

Então, quantos estados a água pode ter? ( pelo que sabemos até agora)

11. São onze estados diferentes, mas não compreendemos completamente suas características e comportamentos. Isso justifica este tipo de pesquisa que pode nos apontar novas direções na compreensão das características da matéria no Universo.
Link

Cientistas criam um novo tipo de matéria

March 17th, 2007 1 Comment

Este é o novo estado da matéria

Em 1998, após faturar o prêmio Nobel de Física, Robert Laughlin da Universidades de Stanford na California foi questionado sobre sua descoberta acerca das partículas com carga fracionada, agora conhecidas como quasi-partículas, sobre como esta descoberta afetaria a vida das pessoas. Robert foi curto e grosso na resposta: “Praticamente não vão,” disse ele, “A menos que as pessoas estejam preocupadas ou interessadas em saber como o universo funciona.”

Bem, as pessoas estão. Xiao-Gang Wen, pesquisador do Massachusetts Institute of Technology – MIT e Michael Levin, da Universidade de Harvard, partiram das idéias inovadoras de Laughlin e acabaram desenhando uma possibilidade de um novo estado da matéria, e por tabela, abrindo espaço para a compreensão maior sobre a natureza do espaço-tempo. Levin apresentou o trabalho da dupla no Topological Quantum Computing conference na Universidade da California, em Los Angeles, no início deste mês.

Leia o restante aqui ( em inglês)

Ator virtual em minissérie brasileira

March 17th, 2007 4 Comments

Parece que a febre dos atores virtuais começa a contaminar as superproduções nacionais.
Na minissérie amazônia, o ator José de Abreu teve seu rosto recriado com idade bastante avançada por computação gráfica. O efeito ficou muito bom. Teve “especialista” que viu um probleminha ou outro no lipsinc, mas isso é o de menos. É um trabalho e tanto fazer isso.
Abaixo, a notícia do portal da Globo:


A minissérie “Amazônia” inaugurou, nesta quinta-feira, um novo capítulo na história da TV brasileira, ao exibir duas cenas protagonizadas por um personagem humano inteiramente criado por computação gráfica. A partir de uma combinação de dez programas de computador e muito talento artístico, o coronel Firmino ficou com a aparência de um homem de 98 anos, idade em que o personagem morre na trama. Para obter esse resultado, a equipe de efeitos visuais da minissérie se baseou, por exemplo, em fotografias da mãe do ator José de Abreu e de outros membros de sua família. O passo seguinte foi criar os movimentos e expressões do ator virtual

O produtor de efeitos gráficos/visuais Jorge Banda destaca que, com esse trabalho, a caracterização ficou muito mais realista do que se tivesse sido feita com maquiagem. O próximo desafio é criar um ator com rosto e corpo virtuais – o coronel Firmino idoso apareceu deitado numa cama, apenas com o rosto em foco. “Considero o dia 15 de março um data histórica: a estréia do nosso primeiro ator virtual. Ano que vem, queremos criar um personagem 100% virtual”, Banda planeja.


Técnica já é usada nos filmes de Hollywood
O programa de computador utilizado para criar a versão idosa do coronel Firmino é baseado no que foi usado no filme “Piratas do Caribe 2”, elaborado há dois anos. Para criar a imagem, que ficou no ar durante exatos cinco minutos e 20 segundos, a equipe de efeitos visuais trabalhou por 20 dias – um tempo recorde, segundo Banda. José de Abreu gravou as cenas antes, para que seus movimentos faciais pudessem ser minuciosamente analisados.

No caso do filme “Piratas do Caribe 2”, do diretor americano Gore Verbinski, o personagem Davy Jones e toda sua tripulação são virtuais. Nos filmes da trilogia “O senhor dos anéis”, há exércitos inteiros criados em computador. O recurso também é utilizado em “Superman – O retorno”, lançado no ano passado. Mas, segundo Banda, o caso do coronel Firmino é bem diferente, por se tratar de um personagem com características completamente humanas, ao contrário dos que aparecem nos filmes citados acima.

Ficou curioso? Quer ver a cena?
Veja aqui.

Escultor fera: Thomas Scott Kuebler

March 15th, 2007 2 Comments




Volta e meia a gente se depara com uns escultores muito feras.
O cara da vez é Thomas Scott Kuebler. os trabalhos dele são focados no Hiper-realismo fantástico.
Veja mais no site dele

Nokia 6265 – Desbloqueio e televisão

March 15th, 2007 89 Comments


Enquanto o Iphone e seus congêneres não vem, eu resolvi que ia comprar um celular novo. depois de alguma pesquisa, optei por comprar o celular NOKIA 6265, porque ele era dentro de uma relação design-custo-benefícios, o mais indicado.
Eu queria um celular que tivesse uma tela grande, para poder levar comigo meu portfolio em video. Assim, meu critério de compra foi o celular com mais vantagens que tivesse a tela maior. Claro que isso afeta outros aspectos, como a questão do tamanho. O 6265 é um pouco grande, devido ao tamanho da tela. Mas isso nem de longe é capaz de arranhar a imagem deste aparelho, que é fenomenal.
Tenho que reconhecer que a Nokia mandou muito bem na criação deste aparelho. O 6265 é bem mais que apenas um celular.

Veja só as vantagens que o aparelho oferece:

  • Display QVGA de alta resolução ( O maior e mais nítido display que já vi. Maior que ele só o dos Smartphones)
  • Display colorido, matriz ativa 262 mil cores (320 x 240 pixels) Captura no modo paisagem para câmera e vídeo, promovendo uma experiência de câmera digital mais real Tecla de navegação com 4 direções e tecla de seleção no centro
  • Câmera com 2 megapixels com flash integrado e zoom digital 4x Modos avançados de câmera:estática, seqüência e vídeo Opções para modo noturno, flash noite, ajustes de luminosidade, definição de contraste, qualidade e tamanho da imagem, self-timer, e funframes
  • Modo de seqüência: 4 imagens em 1 segundo para capturar toda a ação
  • Captura de vídeo, reprodução e streaming suportado para o formato QCIF
  • Unidade de vídeo integrada para download, reprodução ou para streaming no formato QCIF a 15 fps (vídeo H.263 e MPEG-4)
  • Player de música suporta MP3 e formatos e AAC+ para áudio de alta fidelidade com tamanhos de arquivos compactos
  • Rádio FM estéreo ( Armazena 20 estações)
  • Memória para o usuário de 24 MB
  • Memória expansível para 1Gbyte com cartão Mini SD (1 GIGA!!! ) –> Tem gente que consegue colocar até 2 Gb.
  • Abertura para troca rápida de fácil inserção e remoção do cartão Mini SD
  • Envia e recebe mensagens contendo textos, imagens, áudio e vídeo com MMS (até o tamanho de mensagem de 600K)
  • Cria, envia, edita e recebe mensagens de texto (SMS)
  • Suporte para entrada de texto preditivo nos principais idiomas 17 toques polifônicos e TOQUES MP3 Interface Pop-PortTM
  • Conectividade com Nokia PC Suite com cabo de dados, Infravermelho, USB e tecnologia avançada sem fio
  • Bluetooth Navegador Wap 2.0
  • Arquivo grande de contatos
  • Discagem por voz independente do locutor
  • Discador por voz
  • Gravador de voz
  • Identificador de chamada por foto para identificação de linha chamada (CLI)
  • Viva-voz integrado
  • Tecnologia: CDMA 800/1900/ AMPS
  • Dimensões : 9,8 cm x 4,8 cm x 2,2 cm (comprimento x largura x espessura),
  • Peso: 124 g (c/ bateria BL-6C)


Assim, considerando todos estes aspectos comprei o meu.
A boa notícia é que a Vivo está com uma promoção do modelo 6265. Em geral o aparelho é oferecido em 4 cores. Branca, preta, prata e pérola. Sendo o pérola o mais barato.
O aparelho é ótimo para games e para fazer fotos e filmes. Mas não só isso. Uma coisa nele que me impressionou é que ele permite passar TV. —–>
DE GRAÇA! (A Tv passou a ser tarifada recentemente)
Sensacional. Por enquanto só tem o canal Band liberado, mas já li em alguns fóruns especializados que os canais abertos Globo, Sbt, Rede Tv e até a Mtv estão negociando com a vivo para serem oferecidos gratuitamente aos usuários.
Ter uma Tv que eu pudesse levar pra qualquer lugar era um sonho de infância meu. Lembro-me bem de quando na escola eu ficava pensando no que estava passando na sessão da tarde. ( talvez isso explique minhas notas baixas em Matemática).
O aparelho tem um design muito bonito. Sobretudo o preto. O teclado dele desliza facilmente e não é frouxo. (ele fica assim como na foto ao lado com o teclado esticado)
Bom, a má notícia é que o aparelho tem um porradão de funções sensacionais, mas vem todo censurado de fábrica porque a Vivo numa filhadaputice histórica resolveu colocar o 6265 numa posição de mercado que não rivalize com outro modelo. ( suponho que o N80 da própria Nokia).
Embora o aparelho permita, o bloqueio da vivo não deixa colocar games, mp3, fazer o download de filmes do celular pro pc.
Não é tosco? A vivo acha que assim você vicará obrigado a pagar pra mandar suas fotos via internet – PAGANDO PRA ELA – mesmo tendo comprado com ela um aparelho com um cabo para fazer isso em casa.
Como resultado, a gente PAGA por uma Ferrari que anda na velocidade de um fusquinha porque a consessionária que verder o Porsche mais caro…
É justo? Não.
Calma. Nem tudo está perdido. Basta rodar o desbloqueio que o aparelho terá todas as suas (geniais) funções liberadas: Games, java, Bluetooth, codecs de video, e muito mais.
A Vivo sabe que quase todo mundo (tirando os retardados) desbloqueia. Aí é aquela típica política do “se colar, colou”.
Também gosto muito de ler livros nele. Ele tem uns programinhas específicos para leitura. Dá pra copiar vários livros pra memória dele. Só ainda não consegui fazer ele abrir um pdf.
Uma das coisas mais legais, mais até que os jogos 3d e aplicativos -( acredite se quiser, meu celular tem Word e Excel) é ver filme. Ele permite que você use a tela em formato widescreen. Como a resolução é ótima, os filmes e animações ( alguns episódios do bob esponja e até filmes de sacanagem) podem ser vistos como se fosse uma TV normal.
Tem também um aplicativo pra ele que emite um som ultrasônico que -segundo as informações do programa – espanta animais e insetos.
O cel Nokia 6265 tem uma opção interna só liberada após o desbloqueio que habilita uma função de GPS.
Ele não é um GPS real, porque não se conecta ao satélite. Ao invés disso, o aparelho pega o sinal das torres de radio nas proximidades e triangula a sua posição baseado nas posições fixas das torres. Isso gera um efeito similar ao do GPs, pouca coisa menos preciso. Alguns programinhas mostram na tela do aparelho um mapa detalhado tipo o do Google Earth com a sua posição. Você pode traçar uma rota e ele vai mostrando o caminho. Bem legal. Mas a Vivo limita o acesso a este sinal.
Eu conversei com o carinha da Vivo que trabalha numa Casa & Video do centro do Rio e ele me disse que tem como habilitar ligando pra vivo e solicitando o serviço de GPS. Só não soube me dizer como é que isso funciona. Se é pago e nem quanto custa.
Mas só aparece a opção de sinal GPS desbloqueando.

Como é este lance de desbloqueio do Celular?


Seguinte: Quando o Nokia 6265 saiu no mercado, alguém vazou de dentro da Nokia um programa proprietário dela que entra no núcleo do celular e trava ou libera as funções, reprogramando-o totalmente. O nome deste programa é Diego. Existem varias versões do software Diego. A mais atual parece que é a 3.07
Ele caiu no mercado negro e é facilmente encontrado para download. Sobretudo nos foruns relacionados ao aparelho e nas comunidades do Orkut sobre isso.
É super simples de fazer o desbloqueio, não sendo necessário recorrer a pessoas especializadas a menos que você seja o que científicamente chamamos de “cagão”. Para desbloquear o aparelho
você tem que saber duas coisas:

1- O desbloqueio não afetará a garantia. Isso é papo. Basta seguir as instruções cuidadosamente que dá certo. Antes de começar, faça o download das informações contidas no aparelho. Em caso de erro ou algum problema você recoloca as informações de fábrica e ele volta a ficar novinho em folha.
2- Não apague nem altere valores de coisas que você não sabe o que é. Isso sim pode estragar o aparelho.

Tutorial de desbloqueio do Nokia 6265
Games, aplicativos e dicas para turbinar o Nokia 6265

Soluções:


Entre no Hd Virtual. No campo da senha coloque: juca
Tem um manancial gigante de coisas ali para o Nokia 6265.
Veja também este link que oferece aplicativos, tutoriais e games. Se pedir senha, é: 6265


O Mundo Gump e seu autor não assumem responsabilidade por uso de software ilegal e suas consequências.

mundogump.com.br

March 15th, 2007 No Comments

Agora você pode acessar o Mundo Gump através do nosso domínio.

www.mundogump.com.br
Isso tem como objetivo sanar dois problemas. Um era que o pessoal não lembra direito o endereço do blog. Esse lance de blogspot é muito confuso.
O outro problema solucionado, é que agora o domínio aponta para um túnel que mascara o Ip da máquina e isso permite que o Mundo Gump seja acessado em ambientes corporativos que usem firewall para impedir acesso ao servidor do Blogger. (operando em caráter experimental)
Este tipo de acesso vai ferrar algumas funcionalidades, mas no geral, funciona quase tudo.
Se é o seu caso, pode usar sem culpa ou medo. Você só correria risco se entrasse num servidor ou alterasse deliberadamente o proxy da maquina no seu trabalho, violando um eventual contrato de uso da internet.
Nós fazemos o trabalho sujo pra você e só o que você tem a fazer é clicar em acessar via proxy. Como empregado, você não pode ser responsabilizado por um link de uma página inocente. E para o track do servidor ele vai informar seu acesso a um endereço banal: www.mundogump.com.br

Agora que eu facilitei sua vida, você pode me ajudar facilitando a minha. Conte para seus amigos, divulgue o Mundo Gump. Seja um associado e ganhe prêmios.
Eu vou explicar a idéia dos leitores associados mais pra frente. Tenho que acertar umas pontas para ver o lance dos prêmios. ( não é quinquilharia, nem brinde. Aqui no Mundo Gump Prêmio é prêmio!)

Montanha Russa em casa

March 14th, 2007 2 Comments


Maluco visionário constrói montanha russa de madeira em casa.
Veja o site dele

Três casos “baratos”

March 12th, 2007 28 Comments

Este post é pro Fernando, que vive reclamando que eu parei de contar casos meus aqui. Então pra recuperar o “delay”, vou meter logo três de uma só vez. Segura aí Fernandão! – E se não acreditar, pergunta pra minha vó que ela confirma! Metade das coleções eu fiz quando morei com ela.

Me lembrei agora de contar três casos envolvendo baratas.
Muitas pessoas tem nojo de barata. Outras tem medo. Algumas tem tamanho pavor que apenas o ato de olhar uma inocente barata de esgoto com suas perninhas peludas e casco lustroso pode causar um pânico superior a ver o demônio em pessoa deitado sensualmente na sua cama de noite.

CASO 1 – O DIA EM QUE EU COLECIONEI BARATAS

Eu tinha uns doze anos e estava com uma estranha mania de colecionar. Eu não colecionava coisas. Eu colecionava coleções, o que é algo bastante perturbador. Sobretudo quando as coleções ( vou citar apenas algumas) eram:

- Chicletes comidos – e o detalhe sórdido: Nem sempre por mim!

- Maços de cigarro - Obviamente eu não fumava. Então eu andava pela cidade inteira olhando latas de lixo em busca de maços de cigarro usados para completar minha coleção. Acabei tendo que jogar fora pelo cheiro nauseabundo de fumo que deu no meu armário. Minha mãe não gostou nada de ver aquilo.

- Cuspe. – É triste admitir, mas eu colecionei cuspe por uns três meses. Arrumei um vidrão grande de maionese e todo dia eu dava umas seis cuspidas ali dentro. A diversão acabou quando minha mãe achou o vidro debaixo da minha cama e me perguntou o que era aquela “cola” no vidro e eu respondi.

- Minhocas – Colecionei minhocas por um tempo curto. A coleção não foi pra frente porque não dava pra ver quantas eu tinha. Joguei a terra com as minhocas fora. Elas devem estar até hoje no quintal da minha avó.

- Revista de sacanagem tipo trash - Eu gostava de colecionar as revistas mais vagabundamente escrotas. Essas são uns reprints da década de 70 com suecas de peitões. Reconhecer a revista é fácil. Elas costumam ter um plastiquinho vermelho na frente e sempre ficam escondidas no alto no canto mais escuro das bancas de jornal. Das piores que eu tive foram: As rainhas bizarraas do S&M ( hahaha, levei uns seis anos com a revista pra descobrir o que era o tal do S&M. Inocente, eu achava que era a editora!) e o clássico dos clássicos: CELINA – A gravidinha insaciável. (O título fala por si. Imagine algo de revirar o estômago de qualquer legista. Agora imagina isso grávido. )

- Comandos em ação - Tentei levar a sério minha coleção de comandos em ação. Mas isso se tornou um trabalho impossível tendo dois irmãos menores ávidos por brincar. Considerando que parte da minha coleção vinha diretamente dos presentes de natal e aniversário deles, o mínimo que eu pude fazer foi manter a coleção por algumas semanas.

-Seleções - Ah, esta foi a minha melhor coleção, sem dúvida. A mais útil. Talvez esta tenha sido a coisa mais útil que eu fiz em toda minha infância. Eu colecionei a revista Seleções do Reader´s Digest durante anos e anos. Pra falar a verdade eu ainda tenho várias. Comecei em grande estilo pelas edições de 1954 e fui em diante, tentando nos sebos encontrar aquelas revistas já amareladas pelo tempo. Aquele monte de contos, histórias e “flagrantes da vida real” estão armazenados nas minhas memórias mais profundas, vindo à tona eventualmente no meio de um texto, uma conversa com amigos ou mesmo quando estou sozinho pensando no chuveiro. Eu li com certeza umas 600 seleções. E lia mesmo. Tudinho. Aquilo me ajudou bastante. HOje eu vejo o tempo idiota que perdi na escola escrevendo babaquices na aula de português. Se eu pudesse voltar no tempo, entraria na escola com um helicóptero e me resgataria em meio a uma saraivada de balas na cara da professora. Me levaria para uma base militar secreta no fundo de um vulcão numa ilha perdida no Pacífico Sul e ali abriria uma pesada porta de aço, revelando toda uma coleção desta maravilhosa revista. Daí eu falaria pro moleque: LEIA! Daqui a dez anos eu volto.

Eu também colecionei ioiôs. Eram de todos os tipos, de madeira, plastico, da Coca-Cola, da Fanta, do Guaraná, do camelô, grande, pequeno, todos os tipos. A coleção se perdeu em alguma das inúmeras mudanças da minha família.

Eu colecionei dinheiro. Ok,. esta é uma coleção normal e comum. Mas colecionei em notas e moedas. Numismática. Confesso que peguei meio caminha andado por ter herdado a coleção de numismática de meu bisavô. Graças a uma série de planos governamentais escrotos, minha coleção aumentou bastante desde que ganhei. Esta eu tenho até hoje. ( em algum lugar aqui em casa. Ou seria na casa da minha mãe? Talvez na da minha avó.)

Selos - Colecionar selos foi uma bela estratégia de sobrevivência infantil quando se estuda numa escola católica opressora. O Padre Jaime, diretor na época, colecionava selos. Dar-se bem com o diretor sempre foi uma das minhas melhores prerrogativas. As notas eram um fiasco, mas eu me dava bem coma cúpula. Sempre me dei. Desde o Seu Joel do colégio Entre-Rios. Saí de sala várias vezes alegando que ia falar com o diretor. O motivo, trocar selos. Melhor que decorar monômios.

Chaveiros - A minha coleção de chaveiros era de dar inveja. Tinha todo tipo de chaveiro imaginável. Um inclusive era uma granada da segunda guerra mundial. O legal é que a argola era no lugar da argola da granada real, o que lhe conferia um aspecto mais realista e bizarro. Tamanho e peso reais. Outro chaveiro bem legal era o de gilete. Igualzinho uma gilete normal. De metal e tudo só que sem corte. Eu tinha um chaveiro algema também. Muito legal.

- Plástico - Eu colecionei plástico. Plástico era o nome dos adesivos de carro na época. Esta coleção veio de brinde na coleção de moedas. O meu tio Carlos José me deu. Ele colecionava desde garoto, então era plastico que não acabava mais. Este meu tio é o pai do Fernando Kling, que é leitor cativo do Mundo Gump. O que significa que esta coleção deveria ser dele. Mas ele nem era nascido e perdeu, hehehe.

- Bonés – Eu colecionei bonés por um tempo. Juntei uma boa quantidade. Teve um ano que eu acho que passei uns 300 dias usando um boné. Daí um belo dia eu desisti. Desfiz a coleção, ditribuindo os bonés para meus amigos.

-Bola de gude - Eu entrei numa de juntar bola de gude. Quando eu consegui juntar mais de 500 bolinhas desisti também. Não tinha onde guardar.

- Baratas. Finalmente. A coleção final. A piração derradeira que deixaria qualquer mãe aflita procurando frenéticamente nas páginas amarelas por “psicólogos infantis”.
A ídéia surgiu da necessidade de colecionar coisas vivas. Como minhocas tinha sido um fracasso, bem como formigas, decidi que artrópodes seriam mais legais.
Arrumei um velho aquário e mobiliei-o com troncos, pedras e pedaços de papelão amassados. Fiz uma tampa com uma tela metálica de trama bem fina e saí em campo em busca de alguns “ítens”.
Achei a minha primeira barata voadora no lixão do prédio. Era uma bitela preta meio molhada. peguei ela dando uma vassourada de leve em cima. Ela ficou meio boba e eu joguei um vidro de maionese ( ou seria de azeitonas?) em cima.
Naquela semana juntei umas trinta baratas. Todo dia depois da aula eu ia pra garagem caçar.
Eu não podia dar mole com minha coleção de baratas. Minha mãe estava na minha cola. Ela havia descoberto a coleção de chicletes comidos e de cuspe. Ela também havia visto minha coleção de maços de cigarro usados no armário. Então eu inventei uma capa protetora para o meu aquário ( uma velha fronha de travesseiro furada em cima.) e escondi cuidadosamente “as meninas” sob minha cama.
Era difícil de dormir porque de noite elas ficavam muito ativas. Sem contar que elas fediam muito nos dias quentes. Eu podia ouvi-las roendo os pedaços de papelão molhados que eu dava de alimento. Também dava pra ouví-las voando dentro do aquário.
Por alguma estranha razão alheia a minha vontade, as baratas enjoaram de comer o papelão, tornando-se CANIBAIS!
Então virou tipo um Vale-tudo. A porrada comia. Logo uma barata começou a adquirir a supremacia. Ela era uma bela baratona castanha, com asas protuberantes e uma bunda gigante. As antenas dela era grandes ao ponto de quase tocarem a tampa do aquário.
Em pouco tempo, das trinta e tantas, só restava “THE BIG JACK” a barata jedi. O Chuck Norris com hexoesqueleto e seis pernas peludas. Eu tentava repor as baratas da coleção. Mas Big Jack virou uma assassina potencial. Não sobrava nada. Só pedacinhos crocantes de suas vítimas pelos cantos do aquário.
Tive tanta pena do BIG JACK que acabei libertando-a num novo ambiente onde ela poderia exercitar sua fúria serial killer voraz. Ela voltou para a garagem. Minha mãe mais uma vez descobriu que eu estava com uma coleção bizarra. E eu levei mais uma bronca. – Um item de coleção que eu já estava acumulando fazia tempo.
E este foi o fim glorioso de minha coleção de baratas.

SEGUNDO CASO BARATO – O dia em que a barata me enganou

Eu havia acabado de casar com a Nivea. Recém casados, pouca grana. Fomos morar numa cobertura.
hahaha, Calma. Não sou rico. Era a casa do zelador. Eu morava num pequeno apartamento de dois cômodos no alto de um prédio velho e pequeno que mais parecia o INAMPS. Só tinha velho e doente. Com destaque para os porteiros mais inacreditáveis que alguém já viu. nesta época, a minha sala tinha uma bela vista: Para um cano torto do telhado em meio a antenas tortas e telhas de amianto.
O pior é que o apartamento ficava quente pra caralho. O sol pegava bem no meu teto. e nesta época meu escritório não tinha janelas, nem ar condicionado. O calor era tamanho que no quarto o blackout ( um plastico que a gente usa pra segurar o sol) derreteu!
Então coberturas e topos de edifício normalmente concentram muitas baratas. O calor deixa as baratas histéricas.
Mas eu era feliz. ( e sou.) Eu estava casado havia pouco tempo e aquilo ( aquela merda) era o que nós podíamos pagar.
Um dia, ou melhor uma madrugada, fez tamanho calor que eu não aguentei. Resolvi ir até a cozinha beber água.
Quando eu cheguei na cozinha e acendi a luz:

PÂ! Tinha uma porra duma baratona enorme bem no meio da cozinha. No meião. Sem nenhum lugar pra esconder. Eu vi que a barata parou por um segundo.
De uma hora para outra, a barata deu um pulo pra trás e parou.
Morreu.
- Caralho! – Pensei eu. Será que eu havia virado um Jedi? Meus poderes mentais haviam se aperfeiçoado ao ponto de matar uma barata sem nem ao menos pegar num chinelo?
Eu não acreditava no que meus olhos viam. A barata ficou durinha. Parecia infarto.
- Será que barata enfarta? – Pensei com meus botões.
Fui até ela. Abaixei olhei pra ela. Paradinha. Nem com a minha aproximação sísmica ( bati forte os pés no chão) ela se moveu. Eu fiquei ali uns três segundos olhando pra ela. Um cadáver. Peguei um palito de fósforo e toquei na antena dela. ( com um certo cagaço, eu assumo)
Mas nada aconteceu. Ela estava catatônicamente morta.
Peguei uma vassoura. Joguei ela como se fosse uma bola de hókei pela cozinha. Nada. Nem um movimento sequer.
Aí eu me convenci. A porra da barata havia morrido do coração.
Peguei a barata pela antena, fui até a janela e joguei pro alto.
Na luz da cozinha eu vi o cadáver da barata ganhar vida em pleno ar e sair voando.
- Filha da puta! – Pensei eu.
Um mamífero, vertebrado, adulto. Com um cérebro centenas de vezes mais potente que o dela fui ludibriado com tamanha facilidade por aquela atuação cínica. Bebi minha água e fui dormir convicto que havia descoberto a mistura do einstein com o Jack Nicholson das baratas.

Terceira história barata: O dia em que eu escaneei uma barata

Eu estava preparando meu portfolio de ilustração. Então resolvi criar uma imagem de publicidade ficcional para o inseticida Baygon.
O desafio era fazer uma barata morta num pequeno caixão. Tudo em 3d, com o maior realismo possível naquele tempo.
Eu modelei pacientemente a barata, o caixão, a lata de spray. Mas faltavam as texturas. Do caixão e da lata foi fácil. Mas e da barata?
Saí mais uma vez em campo em busca de uma bela baratona voadora. Foi relativamente fácil achar uma bela barata num quartinho que havia lá em casa, e que era cheio de caixas com livros e quinquilharias. Joguei uma dose de baygon na barata ( já que eu não seria enganado outra vez) e a matei.
O problema é que o baygon deixa a superfície de quitina da barata meio esbranquiçado.
Então, para total nojo e desespero da minha mulher e empregada eu fiquei a tarde inteira polindo a barata com a ajuda de um pincel e azeite.
Depois escaneei a barata e texturizei o modelo. Isso me rendeu umas boas gargalhadas na editora Abril quando eu explicava aquela inusitada peça no portfolio, mas acabei saindo de lá sem serviço nenhum, hehe. Acho que pensaram que eu não era muito normal.

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