Bichinho esquisito

cadastrado em: Uncategorized — Philipe @ 12:01 pm


Primeiro eu pensei queera um beija-flor.
Mas aí eu me perguntei. O que um beija-for está fazendo com duas anteninhas iguais as do Chapolim Colorado?
Foi então qeu me dei conta que aquilo era um INSETO!
MAs antes cheguei a pensar se não era um Photoshop desses da vida. Mas não o bicho realmente existe, é raro, mas existe. è comum na américa do norte e se alimenta de néctar como os pássarinhos beija-flor.
Trata-se de um inseto super estranho, chamado Hummingbird Hawkmoth (macroglossum stellatarum)
Clique na imagem para ver ampliado. Você verá que ele tem perninhas! E é tipo uma borboleta hipertrofiada peluda.


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Meu sonho de hoje

cadastrado em: Uncategorized — Philipe @ 8:20 pm

Estou meio sem saco de escrever sobre as coisas de sempre. Sabe como é, O Brunno até meio que previu isso. A gente escreve sobre os mesmos assuntos durante muito tempo e aí a coisa começa a ficar meio maçante. Surge no canto da boca um certo gosto amargo de rotina. E rotina é uma porcaria.
Eu não quero escrever aventuras reais que ninguém nunca acredita. Também não estou afim de escrever histórias sem pé nem cabeça onde só o que se tem é a certeza da morte do herói e de um desfecho final pretenciosamente surpreendente.
Não quero falar do novo robô japonês ou do carro que o sujeito fez que funciona com água.
Eu não quero nada, entende?

Mas é chato, porque eu sei que tem gente entrando aqui pra ver se eu já escrevi a “coisa” de hoje. Acredite ou não, além de você deve ter mais uns seis que lêem as coisas que eu escrevo, e também uns vinte que só entram pra olhar as figuras.
Sei que você não é desse balaio, mas é meu dever avisar que não tô muito inspirado hoje, então não se assuste se não sair algo que preste nesse treco.
Vou me limitar a escrever apenas o que me vier à cuca.
E o que me vem à cuca agora é uma lembrança fugaz do sonho que eu tive nesta madrugada.

Todo mundo gosta de ouvir (ou ler) os sonhos alheios. Confesso que ao optar por Psicologia, eu pensei seriamente sobre os prazeres de interpretar os sonhos de meus pacientes. Então é sempre algo interessante, pois nos remete a outras questões. Questões que como convém lembrar, só fazem sentido para quem os sonha, mas num tratamento clínico de longa duração, podem revelar alguma coisa escondida, malocada nas profundezas do nosso íntimo. O sonho é aquele “pum” do inconsciente. È como estar no elevador, você e o terapeuta e então surge o pum. Um peidão rasgado, como uma moto que engata a segunda e estica a marcha. Não tem como disfarçar. Ele sabe que não foi ele e você sabe que o pum é seu. O terapeuta te encara e tá na hora de meter o dedão. Meter o dedão na ferida e falar sobre aquilo ali.

Ah, dane-se.
Vamos ao sonho que tá na hora.

Lá estava eu.
No início não dava pra entender direito. Tem vez que eu sonho e parece que é meio que um filme. Uma parada levemente embaçada. Meu sonho tem um efeito que nós da área dos efeitos visuais e de games chamamos de Gloom.É um efeito que borra as cores estouradas, num brilho meio mágico. É como fotografar com um filtro melecado de vaselina.
Então haviam uns caras ao meu redor e todos falavam em latim. Curiosamente eu também sabia que não me chamava Philipe. Era eu, mas não era, entende?
Eu me chamava Claudiano.
Eu era um soldado. Treinado e preparado para o combate.
O ano devia ser algo entre 216 e 218 antes de Cristo.
Era um sol escaldante e me lembro que os caras ao meu lado cheiravam tão bem quanto um gambá morto num barrril de cocô.
Estávamos marchando havia alguns dias. Nós marchávamos da alvorada ao fim do entardecer quando chegávamos nos acampamentos já previamente estruturaados. Roma era sábia em equipar seus exércitos.
O problema é que estávamos como sempre em guerra, e aquilo havia virado uma tenebrosa rotina. Viajávamos a pé por semanas até chegar ao campo de batalha. Onde não raro a coisa acabava numa carnificina sem fim.
Eu estava acostumado, pois havia me alistado aos 25 anos e após seis anos de intenso treinemanto, entrei para uma das 28 legiões de Roma.
A coisa era um pouco complicada. Cada uma das 28 legiões era formada por um Legatus. Algo como um general. O Legatus tinha seis tribunos que obedeciam e davam a saber as ordens do Legatus. Atrás dos tribunos vinha a coorte. A coorte era uma massa de 500 homens, todos excelentes combatentes. Cada coorte dividia-se ainda em seis centúrias.
Cada centúria tinha mais ou menos uns oitenta homens. As centúrias obedeciam ao centurião. E o centurião era um dos soldados com mais tempo de combate ou habilidade, mas ele ia atrás, fiscalizando nosso marchar.
Eu estava bem no meio de uma coorte. Durante um tempo podíamos falar, mas não era recomendado. Falar cansava muito e nós éramos muito concentrados. Muito profissionais mesmo.
Andávamos na mesma batida. A passada em marcha. Durante muito tempo ouviamos apenas o som dos metais raspando e o som de trovoada que ecoava a cada uma das passadas simultâneas de cinco mil e tantos homens.
Estava muito quernte mesmo, e eu usava uma cota de malha pesadaça sem mangas. Abaixo havia uma túnica de lã embebida de suor. Na minha cabeça, espetando o pescoço estava um pesado elmo de ferro. Mas peso mesmo estava no meu escudo de madeira gigante, quase do meu tamanho, que era coberto com couro e guarnecido com ferro.
Mas pelo menos eu tinha calçados. O terreno no qual marchávamos era pedregoso e sem as sandálias de couro seria impossível continuar a marcha que vínhamos mantendo há quinze dias.
Eu ainda carregava um pilum. Pilum era uma lança comprida com metade feita em madeira e a outra feita em ferro. Ainda havia um gladius na minha cintura, que era uma espada curta. Eu devia usar o gladius apenas em franco combate. Eu lembro que sabia que o gladius era minha arma preferida. Eu era um bom lutador de espadas.
Sob o sol escaldante de agosto, nos preparávamos para o combate com as forças de Aníbal. Eu mal podia imaginar quem diabos era o tal do Aníbal, mas sabia que ele era o inimigo, era a bola da vez. Era um rolo com Catargo e Roma que se arrastava há dez anos. Chegamos a Canas, no sul do que hoje é a Itália na tarde de 22 de agosto. Canas era uma pequena fortaleza que funcionava como depósito de provisões.
No dia seguinte, tão logo os primeiros raios do sol surgiram no céu pintando o azul em tons de rosa e logo depois tons alaranjados, partimos para o combate.
Nossa legião encontrou-se no campo de batalha com as demais. Era muito mais gente do que eu jamais havia visto em toda minha vida. O volume de soldados, precisamente colocados nas estruturas geométricas das legiões refletia o poder de roma. Oitenta e seis mil homens.
Na verdade mesmo era gente que não acabava mais numa planície meio acidentada. Lá na frente no horizonte, estava o tal Aníbal e uma massa enorme de homens. Os homens de Anibal tinham elefantes e outros bichos. Cavalos, soldados negros e asiáticos.
Da política de Roma o que sabíamos era que um cônsul nomeado declarara guerra a Aníbal por saber que o grande líder militar pretendia atacar Roma.
O sinal foi dado e marchamos com a impenetrável massa de escudos sob as cabeças formando tanques humanos com as lanças espetadas para fora.
Investimos com tudo de frente para o exército de Anníbal, que abriu um enorme “C”, com espêssas pernas de soldados nas laterais, mas com o miolo bem fraco.
Lembro que o centurião gritou que Aníbal dividiu o exército, enfraquecendo-o e que devíamos avançar com vontade.
Não tardou a uma nuvem negra de flechas voar sobre nossas cabeças atingindo os escudos e repicando para todos os lados.
Ouvimos soar o outro sinal e sacamos nossos gládios. Partimos para o combate. Os inimigos atacavam gritando. Nós lutávamos em silêncio. O som dos metais raspando-se os escudos chocando-se e pessoas urrando em meio a cavalos e até elefantes era tudo que se podia ouvir em quilômetros.
Desafiando as regras ensinadas na formação, coisa que eu já havia feito em duas batalhas anteriores e saído vivo para contar, parti a toda velocidade que pude para cima do gigantesco elefante.
A criatura mais parecia uma besta apocalíptica descomunal, sacudindo a cabeça para todos os lados. Nós começávamos a ser atacados por uma pesada cavalaria com longas filas de lanceiros nas laterais. As Pernas do “C” criado por Aníbal se fechavam sobre nós.
Soou o apito para recuarmos. Os soldados começaram algo que eu nunca antes havia visto. Fugir. Roma não foge. Aquilo simplesmente não era possível. Mas acontecia. E eu tratei de pegar meu escudo para fugir.
Do nada, como surgido da escuridão, veio uma espadada bem na minha cara. Acertou meu capacete, amaçando-o. Eu desequilibrei e caí por cima de um cadáver romano que estava morto atrás de mim. No chão, de pernas para o ar, vi um espadachim inimigo. Um homem enorme e com cara de sujo. Uma barba infecta. Ele voltou-se contra mim empunhando uma enorme espada. Eu pude ver numa fração de segundo a minha vida toda e ali estava a minha morte de frente. Reagi rápido, puxando o gládio e atingindo-o nas pernas. O sangue espirrou e o homem caiu. Levantei-me o mais rápido que pude, largando o escudo. Cravei-lhe o gládio no peito com tamanha força que caí sobre o cadáver dele. O Homem vomitou uma golfada de sangue na minha cara.
Uma sombra surgiu na minha frente. Era o elefante. Ele tinha um pilum enfiado no olho. O elefante estava cego. Em fúria, jogava para o alto soldados do próprio exército. Me esquivei da presa com pontas de cobre e vi que dezenas de soldados atacavam o flanco do animal, espetando-lhe piluns e cortando-o com espadadas. No alto da criatura, uns seis arqueiros disparavam contra os soldados. Sentado no pescoço do elefante estava um lanceiro com uma longa lança que espetava um romano no peito.
Joguei-me sobre a lança e consegui derrubar o lanceiro. Ele caiu perto de mim. Corri para cima dele. Pensei em matá-lo como eu fiz com o guerreiro sujo, saltando com o gládio para espetarlhe o peito. Mas não deu. Ao olhar para o lanceiro caído na minha frente, eu pude ver olhos injetados de pavor.
Eu sabia que minha imagem segurando uma espada curta romana não seria capaz de gerar tamanha expressão aterradora.
Me virei e o que vi foi assustador demais. O elefante girava o corpo no ar.
A criatura cambaleou e a última coisa que eu pensei foi:
“Ele vai cair em cima de mim!”
A massa gigantesca de carne, sangue e tripas caiu sobre meu corpo e eu acordei.
Era de manhã. Hora de ir tomar café.
Nada como um bom café após a batalha.

FIM

Não dá pra ficar bolado como é que eu sonho uma coisa dessas sem ver nenhum filme épico ou ler livros de história antes de pegar no sono? Eu também não entendo.


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Vacas tem sotaque ao mugir, afirma especialista

cadastrado em: Uncategorized — Philipe @ 3:54 pm

Um estudo recente da Universidade de Londres afirma que as vacas, como as pessoas ao falar, apresentam sotaques regionais distintos ao mugir.

O professor John Wells, especialista em fonética da instituição, foi investigar o assunto depois que criadores de vacas leiteiras perceberam ligeiras diferenças nos “muuuus” das vacas de diferentes regiões em seu rebanho.

“Eu passo muito tempo com as minhas vacas, e definitivamente elas mugem com um sotaque de Somerset”, disse Lloyd Green, que tem uma fazenda em Glastonbury, no oeste da Inglaterra.

“Conversei com outros fazendeiros na região, e eles também perceberam fatos semelhantes em suas vacarias. Com cachorros, também é assim, quando mais próxima a relação do dono com os animais, mais fácil é pegarem o sotaque.”

Wells afirma que também já foram identificados sotaques diferentes em passarinhos.

Para o estudioso, entretanto, o fenômeno pode ser resultado do contato com outros animais da região, não com humanos.

“Isso é bem conhecido com passarinhos. Você encontra diferenças nos gorgeios de pássaros da mesma espécie em diferentes regiões do país. Isso também pode ser fato entre as vacas”, disse Wells.

Ele diz que em pequenas populações, como rebanhos, é possível encontrar variações no dialeto que são mais afetadas pelos vizinhos mais próximos da mesma espécie.

Para Jeanine Treffers-Daller, professora de linguística da Universidade do Oeste da Inglaterra, em Bristol, o sotaque pode ser influenciado pelos parentes.

“Quando aprendemos a falar, adotamos a variação local falada por nossos pais, logo, o mesmo pode ser dito sobre o mugir das vacas do oeste inglês.”


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A evolução dos balões dos quadrinhos

cadastrado em: Uncategorized — Philipe @ 12:15 pm


Há muitos anos os diálogos das histórias em quadrinhos são representados com balões. Isso já é meio que parte do senso comum acerca da estética dos quadrinhos.
Este site mostra a evolução dos balões na representação de diálogos.

Achei interessante. Bom pra quem gosta de artes. E quadrinhos, claro.


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Aviãozinho de palito que voa mesmo

cadastrado em: Uncategorized — Philipe @ 12:10 pm


Aqui está um link para um tutorial que te ensina a fazer um aviãozinho de palito que voa de verdade!
Corte com gilete ( olha o dedo hein? Faz com cuidado) os palitinhos de fósforo.
Cole a estrutura do aviãozinho como mostra no tutorial.
Depois é só colar os motores. (o difícil é pegar eles)


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Casa na árvore

cadastrado em: Uncategorized — Philipe @ 12:02 pm

Toda criança que se preze deseja ter uma casa na árvore. Ok, Ok. Estou errado. Todo adulto que viveu os anos 80 também.
Então se você é um dos sortudos que tem no bolso sobrando U$18.499,99, pode comprar o amor eterno de seu filho dando a ele esta inacreditavelmente maneira casa na árvore com tema de navio pirata.
O sonho dourado do Calvin.

Mais imagens da casinha:



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Armas de papel não matam

cadastrado em: Uncategorized — Philipe @ 11:55 am

Achei curioso este site onde os japoneses, tarados por dobraduras constroem réplicas em tamahnho real de famosas armas de fogo e pistolas.
Muito interessante, Parece que tem pra download os PDfs e as dicas de como montar. POde ser eventualemnhte útil para fazer um curta metragem onde as armas aparecem rápido ou distantes.
Fica bem parecido. Saca só:


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Peixinhos e nado sincronizado

cadastrado em: Uncategorized — Philipe @ 11:53 am

Interessante.


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Dona Pantera interneda

cadastrado em: Uncategorized — Philipe @ 11:14 pm

Tá aí a versão da Dona Pantera internada.
Onde essa porcaria vai parar? Vai acabar virando série na Tv. Se eu fosse dono da Rede Tv fazia uma série com ela. Tipo Weeds, mas só que bem mais escrachado.

“Eu me sinto uma musa cult.” A atriz de teatro Maria Alice Vergueiro se diz surpresa com o sucesso repentino do curta-metragem Tapa na Pantera, que se tornou em uma semana febre na internet. No vídeo, postado no site You Tube sem a autorização dos autores, a atriz interpreta uma senhora que fuma maconha há trinta anos, personagem por ela criado.

Do alto de seus 50 anos de palco e 71 de idade, Maria Alice Vergueiro diz que nunca teve tanto sucesso quanto agora. O curta-metragem, assinado pelos jovens cineastas Rafael Gomes, Mariana Bastos e Esmir Filho da Ioiô Filmes, foi assistido até esta segunda-feira por mais de 235 mil internautas. Para quem se identificou, mais está por vir. Os cineastas se preparam para filmar novas cenas com Maria Alice.

A atriz nega fazer apologia do uso da maconha, mas diz não a considerar uma droga pesada. “O grande problema é você vender, traficar, ter o comércio disso. Até porque, quando isso acontece, o fumo vem ruim, malhado. O ideal seria você ter uma hortinha”, diz ela entre risadas.

Também contou que os filhos e netos se sentem constrangidos com sua sinceridade no vídeo. Para ela, independentemente de o tema ser polêmico, o curta é um convite à liberdade contra a hipocrisia. Ela diz que a personagem é o avesso da figura de uma avó conservadora e relembra a sua infância.

Fonte: Redação Terra


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Domingo também se come

cadastrado em: Uncategorized — Philipe @ 8:24 pm

Estavam acampados nos confins da amazônia fazia três meses. A barraca de palha era pequena e cheia de mosquitos que já acostumados com a fogueirinha permanente, insistiam em chupar-lhes o sangue.

Lá estavam dois homens. Irmanados na pinga trazida com eles. Um era Zé Carlos de Azevedo. O outro, Leonardo Silva Jardim. Ex-seringueiros, ganhavam a vida agora como garimpeiros.
Procuravam por ouro, diamantes e esmeraldas. O que aparecesse primeiro. Não aparecendo nada, iam mais adentro na floresta e armavam outro acampamento próximo dos igarapés.
A noite de sábado tinha sido fria. Na escuridão da floresta cheia de ventos e lamentos de pássaros da escuridão, gritos de macacos e corujas, os homens tomavam a cachaça e mascavam fumo. Os pedaços de um pintado assavam no fogo.

Já deitados nas redes, a fogueirinha acesa aos pés deles, combinaram de ir a um vilarejo, descendo um afluente de rio no dia seguinte para rezar na igreja e dançar num baile.

Raiou o dia rasgando a noite com fachos de luz que saíam por entre as copas das árvores.
Zé Carlos acordou vendo Leonardo em pé. Revólver na cintura. Facão na mão e o embornal de couro atravessando-lhe o corpo.

- Vai aonde compadre?
- Caçar.
- Mas hoje é domingo compadre.
- E daí?
- A gente ia na igreja…
- Ah, vou caçar.
- Mas domingo é dia de descançar. Deus fez o domingo pra descançar, compadre.
- Domingo também se come… - Disse Leonardo, virando-se para a mata e desaparecendo em meio a floresta.

Zé Carlos desceu da rede. Colocou a cuia no fogo pra fazer um café.
Acendeu o cigarrinho e palha. Ficou ali alguns minutos pensando. Tomou o café e pensou se não era papel de homem, amigo, compadre acompanhar o parceiro na caça.
Levantou-se e pegou a espingarda. Ajuntou as coisas, recolheu as esteiras e as redes. Colocou um pedaço de rapadura no embornal, pólvora e partiu no rastro de Leonardo.

Zé Carlos andou pela mata por horas, sem encontrar o amigo. Havia perdi-se dele. Leonardo era hábil caçador. Caçar havia virado seu passatempo dos domingos. Leonardo estava há semanas chamando Zé Carlos para caçar com ele nos domingos, mas ante a reticência do colega em fazer tamanho trabalho num dia reservado por Deus para descançar, este ia sozinho ainda que contrariado.

Zé Carlos andava em círculos pela mata, subia colinas e escalava escarpas de roche agarrando-se em raízes sem encontrar a trilha do colega.
Estava a esgueirar-se entre os troncos grossos de uma árvore que crescera numa pedra coberta de líquens de todos os tipos, quando Zé ouviu os berros mais medonhos que jamais ousou imaginar.

Os gritos engargarejados e guturais encheram sua alma de pavor. Zé sentiu um arrepio subir pela coluna, gelando-o na alma. Passou a mão na espingarda e pôs-se a deitar entre o tronco e a rocha úmida. Ficou a espreita do que fosse. Os gritos continuaram.
Zé ficou no alto, sobre a pedra como estátua, sem se mexer, oculto pelas gramíneas e musgos para ver o que era. A arma em riste. A mira feita.

Os berros foram-se fazendo ouvir cada vez mais pertos. E a cada grito Zé contraía mais a arma contra o peito. A tremedeira aumentava com o barulho. E ele enfim começou a rezar em pensamento. Pedia para aquilo acabar logo. Mas os ruídos aumentaram.

Foi quando Zé Carlos de Azevedo viu com os próprios olhos algo que nunca pessoa alguma havia testemunhado e saído viva para contar. Era um espetáculo horrendo que quase o pôs louco de tamanho pavor.

Ali, diante dele, num plácido igarapé a sombra da floresta surgia o MAPINGUARÍ.
Mapinguarí era um macacão peludo de mais de quatro metros de altura. Peludo com fiapos pretos nojentos, emplastrados de sangue e ainda tinha duas pernas que mais pareciam troncos retorcidos para trás de uma forma estranha.

Cambaleava com os pequenos e musculosos braços segurando uma carcaça humana. Era Leonardo, seu pobre companheiro de barraca. Morto esfrangalhado ainda gotejando sangue. Os intestinhos pendurados como uma corda que ia até a grotesca boca da criatura cheia de dentes cerrados em fileiras.

O monstro com as unhas grossas como as de uma onça arrancava pedaços do desgraçado infeliz e jogava-os na bocarra escancarada e rasgada do que deveria ser um tipo de nariz disforme até o meio da barriga. Não há maneira correta de descrever o horror que era o Mapinguarí senão compará-lo a uma boca gigante cheia de dentes coberta com pêlos pretos compridos e dois braços musculosos com garras afiadas e pernas retorcidas de dinossauro.
O ser ficou ali, parado no igarapé comendo o compadre de Zé Carlos, quando súbitamente falou sozinho.

Zé não pôde conter a surpresa de ver que o bicho falava. Mas ainda mais impressionante foi o que o monstro falou com sua inconfundível voz gutural como que saída de um inferno:

- Domingo também se come…

E entrou novamente na floresta densa, sumindo ante as folhagens, rindo seu riso maldito em meio a ruídos gorgolejantes.

FIM

Gostaram? Essa é minha contribuição ao Dia do Folclore. Eu adoro os monstros do folclore brasileiro. Riquíssimo, vastíssimo, com milhões de seres incríveis.
Mas só se fala nos mesmos. Chega de Sací.
Esta história é uma adaptação que eu fiz de uma lenda original do Mapinguarí amazônico, coletado e publicado pela primeira vez em 1928 por José da Silva Campos e posteriormente republicado pelo Cãmara Cascudo em “Geografia dos Mitos Brasileiros”.
É interessante notar a estrutura moral do mito, que ( na grande maioria das lendas referentes específicamente ao Mapinguarí) trata da panea pela renegação da igreja e do descanso dominical, bem como a função estrutural do ser como uma defesa da natureza ante a um caçador. Nesta estrutura, vemos o Mapinguarí, Caipora e o Curupira. Todos membros de uma mesma familia mitológica.


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