Archive - fevereiro, 2006

Você conhece Julian Beever?

Eu também não. Mas talvez você já tenha recebido por email aquelas imagens da arte desse cara. Ao que parece, Julian é um artista inglês que usa pastel seco e pinta no chão das calçadas de vários países, como EUA, Alemanha, Londres, França, Bélgica e etc, imagens impressionantes. Até aí nada demais. Tem neguinho pintando em troca de trocados nas esquinas de todas as cidades do mundo, mas neste caso em especial Julian merece o destaque gumper, porque ele simplesmente pinta calculando a distorção perspectiva. O que significa isso? Significa que o trabalho dele só pode ser compreendido ao olhar de um único e determinado ângulo.
Tudo parece funcionar perfeitamente e o elemento salta tridimensionalmente para o primeiro plano. Corrigir a perspectiva no mundo real é dificílimo e tá aí o destaque para o trabalho inacreditável desse cara.
artt1 Você conhece Julian Beever?

Para mais imagens de cair o queixo:
http://www.rense.com/general67/street.htm

Alucinações Liliputianas

De todas as alterações da mente, as alucinações são um prato cheio.
As alucinações liliputianas então, são sensacionais. Elas tem este nome, porque como você entenderá mais tarde, se baseiam na história de Gulliver, escrita por Swift. ( Vai, puxa pela memória aí. Gulliver era aquele garoto que sobreviveu a um naufrágio e foi parar numa ilha. Ao acordar, viu-se cercado de milhares de homenzinhos minúsculos que o amarraram, mas depois ele ficou amigo dos homenzinhos e foi tratado como um gigante…)
Uma alucinação liliputiana é basicamente assim:
O paciente acordou e ao olhar no canto da parede, viu estupefato, que ali estavam dois pequeninos homenzinhos a olhar para ele e acenar. O paciente acenou de volta pra eles, embora não entendesse como dois homens poderiam ser tão minúsculos, com dois centímetros de altura apenas. No decorrer dos dias, o paciente começa a desenvolver uma relação com os homenzinhos, que agora começam a trazer mais e mais pequenos seres para vê-lo. Em alguns casos, o paciente se alegra ao ver os homenzinhos fazerem acrobacias e palhaçadas. Com o tempo, o paceiente descobre que os homenzinhos saem de uma pequena fresta na parde, por onde uma tomada em curto havia sido arrancada. (os homenzinhos geralmente são descritos saindo de buracos, fendas, rachaduras ou portinholas minúsculas que simplesmente surgem do nada.)
As alterações liliputianas são dotadas de uma coloração intensa, como se a redução do tamanho dos seres implicasse em uma maior saturação dos tons, mas isso não impede a sensação de realismo, que é altíssima, com os homenzinhos obedecendo princípios de perspectiva, relevo, iluminação… O comportamento dos homenzinhos em geral é afetado, teatral. Com um certo ar cerimonial e circense.
Na grande maioria das vezes, a alucinação liliputiana não inclui um grau de interação alto entre o paciente e os homenzinhos da visão, sendo apenas limitado a observação e contemplação. Eventualmente um diálogo. Na maioria das vezes, não se entende o que os homenzinhos dizem por ser baixo demais ou em uma língua desconhecida. No geral, relacionam-se por sinais.
Se eu tivesse que sofrer uma alucinação sem dúvida eu gostaria que fosse esta.
Bom, você deve estar se perguntando que diabo de maluquice é essa que me deu de escrever sobre uma alteração mental. Explico: Eu estive pensando nos Smurfs.
E aí caiu a ficha! Gargamel é um portador de uma psicopatologia! Ele sofre das alucinações liliputianas e vê os Smurfs. Acredita tanto nas visões, que acha que pode comê-los. A obsessão de Gargamel – um velho idoso da idade média, que vive com um gato numa ruína decadente em meio a uma floresta, algo que já sugere algum tipo de demência ou patologia antisocial – pelas criaturas, pode se dever em parte pela característica de sobrecarregar cromaticamente a aparência dos seres, dando-lhes cores azuladas que pareceriam apetitosas como frutas a alguém que nunca comeu nada muito colorido.
Então está explicado a razão por trás dos Smurfs. É a alucinação liliputiana!

Cada um tem o cilício que merece

Cilício é uma espécie de cinto metálico, tipo uma corrente com espetos parecidos com uma enforcadora de cão bravo que algumas pessoas usam no corpo para provocar dor.
Não acredita? Pois a verdade é que no século XXI, a era da tecnologia, instrumentos medievais de auto-flagelação estão em pleno uso. A parada transcorria na clandestinidade, como bem convém a estas maluquices de seitas, mas a revista ÉPOCA em sua recente edição jogou aquele holofote de Xênon bem no meião da Opus Dei e embasbacado com tamanha coragem de se “mortificar pela fé” descobri o cilício e a auto-flagelação católica.
Olha que eu sempre achei que algumas linhas pentecostais eram manifestações impressionantes da fé, com pessoas falando línguas malucas (prometo que em breve conto minha aventura na igreja dos meus sogros) usando paninhos na cabeça ou dançando em rituais vestidos de roupas que fariam a Elke Maravilha se envergonhar, como aquelas de Brasília. Mas eu nunca, nunca mesmo, imaginei que na Igreja católica ainda havia este tipo de medievalismo.
Quando se estuda Psicologia como eu fiz, entende-se que a auto-flagelação, a privação de sono, a privação de alimento, utilização de ervas alucinógenas e tantas outras privações são caminhos estratégicos para reduzir a censura psicológica e fragilizar a consciência ao ponto de provocar sensações de experiências místicas e assim estender o contato com a fé.
Acontece com o ser humano desde tempos imemoriais, e continuará acontecendo.
Discutir religião é algo complicado e perigoso. Não pretendo entrar nesta senda sem correr o risco de me machucar ou provocar ódio em pessoas que gosto e convivo.
É por isso que eu vou parar por aqui, mas antes, alguém que sabe mais de Bíblia e filosofias religiosas do que eu pode me dizer em que passagem JESUS MANDA que seus seguidores violem o próprio corpo? Ou Buda? Ou Maomé? Confúcio?

Bichos escrotos

Nada cai melhor a estes gatinhos do que o título dessa música.
Nauseabundo. Não olhe depois de comer, porquê dá indigestão.
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