Hesitei em escrever este caso real e um clássico do GUMPER way of life, porque é crime. Posso ir pro xilindró ver o sol nascer quadrado e usar aliança de barbante, chamar um cara gordo e melequento de “Totonhinho” ou pior, marido hehe.

Na época eu tinha 15 anos e era um imbecil completo. Bem, um imbecil semi-completo, pois naquele tempo eu tinha a metade da minha idade atual. Eu estava em Cabo Frio pensando em agarrar alguma mulher (só pensando, pois naquele tempo eu era um zero à esquerda no quesito mulheres) quando meu primo Guilherme surgiu com a brilhante idéia de arrumarmos uma cabeça de caveira no cemitério para enfeitar o quarto -Guns n´Roses temático - dele.
Dito e feito, fomos ao cemitério de Cabo Frio e logo de cara meu primo achou um osso no chão.
Aquele treco, que na maioria das culturas humanas seria um mau presságio, pra nós soou como “Cabeça fácil. Pegue a sua aqui!”
Fomos entrando e vimos que o coveiro exumava algumas gavetas para esvaziar. Na maior cara de pau, 100% óleo de peroba do campo, eu pedi um crânio.
Tomei o maior esporro. Saímos vazado do cemitério. Mas o Guilherme conseguiu malocar no bolso um osso do dedo que ele achou no chão e um radio ( ou cúbito, não lembro) - um osso do braço.
Dali fomos para casa e sabe como é. Papo vai, papo vem, íamos no dia seguinte para Macaé. Tramamos um plano escalafobético para pegar um corpo inteiro, afinal, se uma cabeça enfeita, um corpo real, um cadáver pendurado na parede seria algo suuuper bacana.
E lá fomos nós, agora em Macaé. Primeiro aquela entrada tática de levantamento. Demos um passeio por todo o cemitério em busca de algum “brinde” como aqueles lá de Cabo Frio. Nada. Mas eu achei um túmulo lá que tinha um cadáver dentro. Tava todo arrebentado, com uns pedaços de pele ligando ainda os ossos. Parecia ter sido mal exumado e largaram lá. Eu vi que a tampa do crânio, a calvaria, estava cortada, o que indicava que o corpo havia sido necropsiado.
Naquele dia combinamos que iríamos invadir o cemitério e pegar os ossos.
De tarde, todo mundo foi dormir depois do almoço e fui eu e o Guilherme com uns sacos pretos. Entramos malocados no cemitério. Eu entrei no túmulo e peguei os ossos. Enchemos dois sacões com tudo que tinha lá.
Saímos sem que ninguém nos visse. Ao chegar na porta do cemitério, dou de cara com a minha mãe espumando de ódio dentro do carro.
O plano tinha ido pro saco. Alguém dedou. Aliás, o saco eu tive que ir lá no túmulo devolver e depois voltei até Niterói levando um esporro duplo de mais de 2h, porque minha mãe não queria dar bronca no meu primo e deu dobrado em mim pra ver se de tabela pegava nele.
Mas ninguém sabia, ele tava ainda com um fêmur dentro da calça. UM spouvenir do defunto. Tá com ele até hoje, eu acho.
Pior foi que eu tive vários pesadelos depois. Sempre iguais… Era eu num BNH vazio, de noite e uma coisa ia cambaleando no escuro atrás de mim gemendo - Me dá meu osssssssssssssooooo… - Puts, deu um calafrio agora só de lembrar. Eu acordava pingando. Aconteceu seguido umas seis vezes aí parou. Mais ou menos quando começaram os fenômenos paranormais no meu quarto. Mas isso é coisa para outro GUMP-POST
Alguns anos mais tarde, o Guilherme foi fazer medicina e hoje é médico. Eu continuo psicopat… quero dizer, designer.

———–Esta história pode não ser real———————
—Ou pode, mas é bom deixar a dúvida já que é crime, hehe ——





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13 Comentaram sobre “O dia em que eu roubei um cadáver”

  1. Anonymous Says:

  2. Gostei da história, principalmente da parte da bronca…
    Você tem um dom pra contar história… já tem algum livro?
    Abraços pra você e pra Nivea.
    Quando puderem venham dar uma voltinha aqui em Curitiba…
    Myrella

  3. Jarcy Tania Says:

  4. Que sinistro Philipe!
    Suvenir .. hehehe .. bacana seu depoimento!
    Se não fossem as esculturas lindas, que alguns cemitérios tem, não teria entrado em nenhum depois de adulta. Não curto!
    Não tenho medo ou coisas assim, não gosto.
    Tenho histórias horriveis na minha cabeça, pensamentos sinistros ja me povoaram a mente.. rs .. não preciso de mais combustível .. hehehe
    Abraço

  5. Pedro Guedes Says:

  6. Caraca Philipão!!! Quanta coisa já. Lembro do primeiro post de iauguração hehehe

    []s e bela história :P

  7. Anonymous Says:

  8. hUAhUahUahuahuAhUAh
    Muito bom !!!
    Realmente vc é uma figura rara !!
    Leva o seu primo la na azimut pra gente saber de todos os detalhes dessa historia.
    Abração !!

    Filipe

  9. Mauricio Rett Says:

  10. Ótima história, Philipe! Muito sem-noção o que vocês fizeram, hehe!
    Qualquer hora, faz uma pintura digital pra mostrar como era a “coisa cambaleante” que aparecia em seus sonhos.
    Abração!

  11. Keiko Inumaru Says:

  12. Philipe,

    Impressionante como os anos passaram mas vc continua gênial!!!

    Muito bom poder estar por dentro das suas façanhas depois de tantos anos.

    Grandes bjsssss!!!!

  13. Carlos Refacho Says:

  14. Fala meu amigo! Que história ou seria estória? Hehehe! Nao importa. Mandou bem e merece parabéns…Um abraço e tudo de bom!

  15. Ricardo Macedo Says:

  16. Fala FHILIPE, quanto tempo heim irmão!!!
    Essa história foi “osso” de escutar. (rs) :P

    Abração
    Ricardo Castello

  17. Philipe Says:

  18. Caramba quanto comentário.
    Vamos por partes, como diria o esquartejador:
    Myrella, eu tenho sim. Um publicado, outro na fila e um em desenvolvimento. E alguns roteiros esperando um maluco ( ou produtor, ou ambos). Quando der, iremos em Curitiba e ligaremos para tomarmos um café.

    Jarcy, isso foi coisa de débil mental mesmo. Esse tipo de coisa que muita gente faz na adolescência inconsequente. Eu nunca meis entrei em cemitério depois disso. Também nunca fui a velório ou enterro. Eu gostaria que o primeiro enterro que eu tivesse que ir fosse o meu. Afinal, nada com ser o protagonista, né? (puts! que frase ridícula!)

    Valeu Pedrão.

    Um dia eu levo Filipe. Ele curte modelismo.

    Rett, eu acho que vou fazer. Algumas coisas sinistras que sonhei já viraram conto, roteiro e agora serão desenhos, com certeza.

    Valeu Keiko. Obrigado por vir.

    Refacho, meu brother. Brigadaço cara.

    Castello, vamos tomar um chopp, cara.

  19. G Says:

  20. Philipe,

    Ainda hj eu lembro a bronca que voce recebeu e mereceu. Acho ate que foi pouco.
    Em seu primo eu nao podia dar mas em vc …

  21. Philipe Says:

  22. Tá aí a minha mãe. A confirmadora oficial do MUndo Gump.
    Lendo assíduamente, hein mãe?

  23. Marcos Says:

  24. Pô Philipe! Agora fiquei querendo saber dos casos paranomais no seu quarto, conta ai….
    Abraços

  25. Gui Says:

  26. Cara cada coisa doida q tua passa!naum to acreditando!

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